Textos Comentados Da Literatura Brasileira - Poesias - Soneto De Fidelidade (Vinicius De Moraes)

Publicado em: 19/09/2009 |Comentário: 6 | Acessos: 10,115 |

 

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que ao mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quanto mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 Antologia poética.
 Rio de Janeiro. A Noite, 1949.

     O soneto (composição poética de forma fixa, de origem italiana, que significa – pequeno som - composta de quatorze versos, divididos em dois quartetos – estrofes de quatro versos – e dois tercetos – estrofes de três versos e com o seguinte esquema rítmico: abba – abba – cde – dec) de fidelidade de autoria de Vinicius de Moraes (Marcus Vinicius da Cruz e Melo Moraes – natural do Rio de Janeira, nascido em 19/10/1913 e falecido em 09/07/1980 – Modernismo Brasileiro) poeta que, nos anos sessenta, emigrou para a Música Popular Brasileira, pode ser classificado como um dos mais belos da poesia brasileira.
     No primeiro conjunto de versos, percebemos uma declaração explícita ao Amor, isto é, atenção total ao sentimento amoroso e o cuidado que devemos prestar a esse sentimento, haja vista o nome do soneto (de fidelidade), no sentido de valorização, adoração, e que mesmo em vista de outros “encantos”, o Amor não deve esmorecer e sim, fortificar-se em seu pensamento.
     Na segunda estrofe (conjunto de versos, entendendo-se que, graficamente, cada linha do poema significa um verso) temos um grande louvor ao Amor, ou seja, “vivê-lo em cada vão momento”, e em sua homenagem espalhar um riso solto, agradável, leve, revigorador, e também nas horas tristes, derramar o pranto, a tristeza, e até mesmo a felicidade.
     No primeiro terceto do poema (estrofe de três versos) percebemos que o ”pequeno poeta” (apelido de Vinicius de Moraes) almeja uma morte tardia (que, infelizmente, ocorreu aos sessenta e seis anos de idade), que é a angústia de quem vive (a dúvida de não saber a data), ou seja, a contradição eterna entre vida e morte, e finaliza com outra questão crucial: a solidão (a triste solidão) fim de quem ama.
     No segundo e último terceto, o autor procura concluir o seu raciocínio poético, contando de suas relações com o Amor, pedindo que não sejam imortais, uma vez que, são chamas, ou seja, quentes, ardentes, mas que podem apagar-se com o sopro do destino, mas que sejam infinitas, isto é, eternas, enquanto durarem.

 

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/poesia-artigos/textos-comentados-da-literatura-brasileira-poesias-soneto-de-fidelidade-vinicius-de-moraes-1248850.html

    Palavras-chave do artigo:

    fidelidade

    ,

    amor

    ,

    encanto

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    Hellen Mariza Teixeira

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    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Literatura> Poesial 04/01/2015
    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Literatura> Poesial 03/01/2015
    Edjar Dias de Vasconcelos

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    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Ficçãol 13/09/2010 lAcessos: 612

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    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Ficçãol 28/04/2010 lAcessos: 1,232

    Pequenos estudos sobre os mais belos sonetos das Literaturas Portuguesa e Brasileira.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatural 10/12/2009 lAcessos: 2,600 lComentário: 2

    As observações de Maria José sobre os vários setores (político, moral, religioso, educacional, etc.) que compõem a nossa sociedade e sua "receita" para alcançar a felicidade.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Crônicasl 19/09/2009 lAcessos: 287

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    Por: Augusto de Sêniorl Literatural 22/08/2009 lAcessos: 2,270

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    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Poesial 10/08/2009 lAcessos: 943 lComentário: 2

    Comments on this article

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    Abelha 09/11/2011
    Como pode, chegou em pouco tempo suave como o vento e me deixou assim. Como pode, mais veloz que o pensamento dominou meu sentimento fez parte de mim. Mas seus pensamentos são maus você só pensa em vingança e a sua segurança é dominar. Eu já não suporto mais sofrer, quero viver arruma outro pra envenenar.
    Como uma abelha pousa numa flor, mansa você chegou me dando amor, como uma abelha ferrou meu coração, deixou saudades e o veneno da paixão. E o veneno da paixão, deixou saudades e o veneno da paixão. Como pode Jorge e Mateus? Como pode João Bosco e Vinícius? Yrruuu.
    0
    layla 11/05/2011
    obrigada! análise muito boa, me ajudou muito!
    0
    jeruza 24/05/2010
    nossa muito boa essa análise..
    me ajudou bastante na minha pesquisa sobre essa obra
    de vinicius de morais...
    parabens
    -1
    larissa 11/11/2009
    e dimaissssss sou estudanti i gosto muito di literatura
    -1
    brigitte 07/10/2009
    preciso fazer uma resenha sobre este artigo e estou em dúvida de como fazer .
    mais ainda ! o tema de minha monografia é : vinicius de moraes e seus poemas de amor ...
    poderiam me ajudar ?
    mandem recados para meu e-mail montfordbrigitte@gmail.com
    obrigada , brigitte
    0
    Luciana 27/09/2009
    Preciso de uma analise mais detalhada sobre esse soneto p realizar um trabalho da facul. Pode me ajudar? Mande resp p o email lvm_letras@hotmail.com
    Obrigada.
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