Um Zé que se chama Pedro, faz Direito, adora filosofia, não vive sem revistas em quadrinhos, ama Metallica e filmes com Al Pacino.
À hora é agora! O que é Democracia? Bom, primeiro devo avisar que o que escreverei agora é algo bem “resumidasso”, um estudo condensado a respeito do conceito de Democracia. Utilizando o clichê dos clichês, “não pretendo esgotar todas as discussões a respeito do tema”, mas sim propiciar um entendimento acertado a respeito da ban ban ban das formas de governo.
Podemos dividir a Democracia em três tradições históricas, é meu caro esse assunto é mais velho do que parece. Essas três teorias são: a clássica, a medieval e a moderna. A clássica, lá da época em que ser gay era legal, Helena fugia e coisa e tal, também quando as mulheres fugiram pra tal ilha, só elas, deu pra imaginar? Foram constatadas três formas de governo, uma a nossa queridinha Democracia, como governo do povo (povo no sentido de cidadãos, os que gozavam – no bom sentido – de direitos de cidadania), a Monarquia, entendido como o governo de um só, e a Aristocracia, sendo este o governo de poucos. Dando um saltinho (em homenagem a Aquiles), temos a Tradição Medieval, apoiada na soberania popular, ou seja, o poder do Príncipe se transferiria para os inferiores, ou o poder derivava do povão transformando o Príncipe seu representante. E por fim, a Medieval, defendida pelo grande Maquiavel, que colocava a Democracia como uma espécie de República (do latim res publica, “coisa pública”).
Essas Tradições estão ai e pronto? “Zé fini”? Não. Foram séculos e mais séculos de discussões, problemas, abstrações, bastante “encheção de saco”.
Quando Platão, Aristóteles e cia, filosofavam a respeito do tema, entendendo Democracia como um governo popular, pressupunha uma isonomia dos cidadãos, uma igualdade entre eles. Podendo também ser perigosa sua adoção, quando esses tais cidadãos se configurassem em uma “multidão de incapazes”, eufemismo para um bando de “mulas” governando. Megabizo questiona isso ao discutir a respeito de qual governo adotar na Pérsia (mudei sua vida agora). Entendia-se também como a forma pura de Democracia o “governo da maioria”. Tendo sua forma corrupta quando se caracterizava o “governo da vantagem para o pobre”, e quaisquer que sejam os direitos políticos, não importaria o que a lei demandasse, a massa é soberana e não a lei. Essa forma pervertida permitiria a dominação dos Demagogos sobre o povo, estando assim a “cagada” feita (não entrarei no mérito brasileiro e Lulístico por agora, isso será tratado na parte 3).
Quod principi plaucuit, legis habet vigorem. Ulpiano, um filósofo famoso, mas nem tanto, aquele definiu justiça como “dar a cada um, o que é seu”, lembrou? Não né? Continuando, ao dizer que “O Príncipe tem autoridade por que o povo lhe deu”, enquadrando-se na concepção medieval, quis dizer que o povo cria o direito não somente através do voto, dando vida às leis (como atualmente é feito), mas também rebus ipris et factis, dando vida aos costumes (assim falou Juliano, um filósofo ai).
Marsílio de Pádua ao defender a existência de dois poderes fundamentais colocava o Legislativo, na figura do povo, como o poder principal, sendo o outro secundário, o Executivo, ou seja, outros poderes delegados pelo povo.
A “galerinha” das teorias contratuais (Locke, Hobbes, Rousseau), estão estreitamente ligados as Teorias da Soberania Popular, uma vez que, “o populus concebido como universatis civium é ele mesmo, na sua origem, o produto de um acordo (pactum societatis)”. Em outras palavras, o povo (instituição, governo) transmitiria o poder (na forma de um contrato, pacto) a um terceiro.
Assim disse Maquiavel, “todos os Estados, todos os domínios que tiveram e têm império sobre os homens, foram e são Repúblicas ou Principados”. Na Tradição Republicana Moderna, a diferença entre República e Principado, consiste na disposição do governo, enquanto em uma o governo é distribuído variadamente por diversos órgãos colegiados, em outra é concentrado na mão de um só. Portanto, podemos concluir acertadamente que a Democracia Moderna é toda a forma de governo oposta a toda forma de despotismo.
Trazendo o conceito democrático para épocas mais contemporâneas, analisarei agora tal conceito em face do Liberalismo e do Socialismo, baseando na Democracia representativa.
A concepção liberal é auferida no mero fato da participação, como acontece na concepção pura vista acima, com a ressalva que a participação deve ser necessariamente livre, isto é, que seja uma expressão e um resultado de todas as outras liberdades (exprimir opinião, reunir-se, associar-se, eleger representante, coçar o saco em público, arrotar, e por ai vai).
Todo o desenvolvimento da Democracia nos regimes representativos, teve como alicerces o direito de voto (sufrágio universal – em outras palavras, “mocinhos e mocinhas, mamãe e papai, vovô e vovó”, podem votar), na concepção liberal este é o ponto de chegada de tal regime, e a multiplicação dos órgãos representativos.
Tendo em vista agora o Socialismo (Marx e Engel), a Democracia é um elemento integrante (reforço da base popular para o Estado) e necessário (propicia profundas mudanças na sociedade), mas não constitutivo, uma vez que o Socialismo têm como essência a idéia de revolução na área econômica, não apenas política.
A uma diferença importante entre as concepções Liberal e Socialista, o sufrágio universal na primeira é o ponto de chegada, já nessa concepção marxista o direito universal ao voto é o ponto de partida.
Não há no que se falar em Democracia representativa para os socialistas. Os “camaradas” defendem uma participação direta, como também o controle do poder de órgãos políticos, econômicos, sociedade civil e política, indústria e forma de funcionamento, a cor que você deve usar, o comprimento dos bigodes e barbas, enfim, a passagem do auto-governo para a auto-gestão. O chamado “auto-governo dos produtores”, não há órgão parlamentar, não há diferença “executivo-legislativo”, há um órgão de trabalho, exercendo ambos os papéis.
NOTA DO ZÉ E DA HISTÓRIA: No socialismo não há proibição de mandato autoritário.
Como nem tudo são flores, há também uma crítica importante a se fazer à nossa queridinha. A soberania popular é um “ideal-limite”, ou seja, nunca corresponderá a uma realidade de fato, qualquer regime político, qualquer “fórmula política” sempre será uma minoria de pessoas, “classe política”, que deterá o poder efetivo. Encontramos quem aqui? A elite, configurando uma oligarquia. Essa é uma chaga que, pessoalmente, pode ser minimizada com a gradual instrução da população em geral.
A quem ainda defina Democracia como uma forma de regime em que a contenda pela conquista do poder é resolvida em favor de quem obter, numa disputa livre, o maior número de votos (Joseph Schumpeter, mais um figura ai).
Botando um fim nesse enfadonho estudo, podemos chegar à conclusão, ao conceito final, atual, “bonitinho”, de fácil compreensão, do que seja democrático! Democracia “é um método ou um conjunto de regras de procedimentos para a constituição de governo e para formação de decisões políticas”. E tendo como base uma renovação periódica (4 em 4 anos por exemplo), fundada na confiança, no âmbito de regras preestabelecidas (nossa Constituição como outro exemplo), negando dotes carismáticos ou tomadas violentas do poder (ai já não encontro nenhum exemplo). E ainda mais! Esse conceito é compatível com várias ideologias (como também opções sexuais, musicais, teatrais)!
Toda essa construção em prol de uma sociedade melhor e mais organizada, abarcando diferenças, tentando minimizar a desigualdade presente em nosso mundo, chama ideal democrático. Que visa à solução pacífica de conflitos sociais, a eliminação da violência institucional, o revezamento da classe política (abaixo os políticos por profissão!) e por fim, a tolerância.
Sabendo o que é Democracia, seu ideal, suas peculiaridades, tendo em vista que nossa Constituição acolhe o Estado Democrático de Direito em seu preâmbulo e no art. 1° (mais informações específicas sobre esta forma de Estado ler o texto O Ano e O Novo neste blog). Você leitor, amigo, brasileiro, em seu íntimo, vive em um Estado Democrático?


Processualidade Jurídica: Uma Abordagem Principiológica a partir dos ensinamentos de Ronald Dworkin
Por: ANA PAULA BRANDÃO RIBEIRO | 29/02/2008 | DireitoNa seara do Estado Democrático de Direito, não se comporta mais a figura da autoridade (Estado-juiz) como detentor único e solitário do poder jurisdicional. As pessoas devem se reconhecer como parceiros de um projeto político. Portanto, hoje, o que deve preponderar é a atuação equânime das partes, de maneira tal que estas, através de um debate dialógico, cheguem a uma aplicação da tutela com resultados úteis e de acordo com as perspectivas de um real Estado Democrático de Direito.
Avaliação De Desempenho No Serviço Público, Uma Responsabilidade Solidária De Todos
Por: carlos andre cursino roriz | 20/06/2008 | Recursos HumanosA avaliação de desempenho é significativa quando o resultado gera ação institucional para o alinhamento técnico do pessoal envolvido e quando estabelece as regras do jogo para a ascensão
Explicando E Flertando Com A Democracia - Parte 1
Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 23/06/2008 | PolíticaTexto que pretende explicar de forma clara e coloquial a Democracia. Dividido em três partes, na primeira se encontra uma narrativa de um ambiante aonde não há Democracia
Explicando E Flertando Com A Democracia - Parte 3
Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 23/06/2008 | PolíticaTexto que pretende explicar de forma clara e coloquial a Democracia. A parte final mostra como o Brasil ainda é um país alheio aos conceitos democráticos, tendo em vista o atual governo.
Empresas Aéreas No Brasil, Quem Paga A Conta?
Por: Ruben Zevallos Jr. | 19/07/2008 | GestãoDesde que eu me lembro como gente, sempre me vêm a lembrança dos aviões e o sonho de viajar dentro de um deles. Lembro que viagem a primeira vez, quando fomos (eu, meu pai, madrasta e irmão) para Porto Alegre, foi uma viagem de algumas horas... muito legal e pelo que me lembro, fomos de Varig.
Origem Das Torturas
Por: Antonio Paiva Rodrigues | 21/08/2008 | PolíticaCélio Miranda mostra sua indignação em resposta à matéria do jornalista Temístocles de Castro e Silva, sobre as supostas torturas no governo dos presidentes militares, conforme está inserido na seção opinião do jornal O Povo de 19/08/2008. Não sou a favor da pena de morte e nem a pratica de tortura, seja ela qual for. Aqui digo que o jornalista Temístocles de Castro e Silva tem razão, quando afirma que não houve ditadura no Brasil. Derivado da língua latina dictatura é a forma de governo em que
Melhoria Na Gestão Pública Com A Iso 9000
Por: Denis Benchimol Minev | 31/08/2008 | Administração - GeralHá muito se buscam soluções para melhoria na gestão pública, com aumento de produtividade e redução da burocracia. No Estado do Amazonas, uma política inovadora tem buscado implantar ISO 9000 em todos os órgãos estaduais, buscando assim a adoção de boas práticas de administração e o melhor atendimento dos serviços públicos.
Clima De Tensão
Por: Antonio Paiva Rodrigues | 25/09/2008 | CrônicasImpositivo se faz a peleja por uma segurança que deixe fruir a vontade dos cidadãos, em seu direito de ir e vir. O problema é que as idéias incandescem a mente dos governantes brasileiros e se acopla a pensamentos absurdos, estribando-se numa política frustrada e na idéia do oblívio de que estamos no écran de uma sociedade desorientada, evadindo-se de suas responsabilidades, visto que segurança é direito de todos.
O Sindicato Dos Trabalhadores Rurais De Anicuns No Espaço Agrário Regional: Avanços E Retrocessos
Por: RIBEIRO, J. Carlos. | 24/11/2008O sindicalismo em Anicuns, passou por diversas fases, inicialmente, era voltado para atendimento aos trabalhadores rurais que necessitavam de auxilio para montagem de processos de aposentadoria, depois o atendimento aos trabalhadores assalariados de grandes propriedades rurais, já nos anos 90 e seguintes a atenção das lideranças voltaram para atendimento de assalariados da área canavieira. Quanto as lideranças, muitas diversidades de pensamento fizeram que o Sindicato não conseguisse um avanço continuo, a dificuldade da maioria das lideranças da assimilar o avanço do capitalismo, e também os avanços e retrocessos no espaço agrário regional fizeram a entidade enfrentar idas e vindas convivendo com momentos de conquistas e também de derrotas, o nosso alerta é para que essa entidade continue representando os trabalhadores, mesmo sabendo que nem sempre se consegue ser vencedores.
Lenha Na Fogueira
Por: Antonio Paiva Rodrigues | 21/11/2008Diz o dito popular: “de que mais lenha na fogueira, aumenta as chamas e o clima fica mais quente”. É verdadeiro. A Revista “Isto É”, traz mais um tema polêmico em seu bojo que merece uma reflexão mais apurada e profunda. Na edição de 12/11/2008 – nº. 2036 a mídia epigrafada relata as “revelações sobre a ação do Exército no Araguaia podem acirrar briga no primeiro escalão do governo Lula”. Citação do jornalista Hugo Marques. Na reportagem ao lado bem sentada está à figura do ministro da Secretaria Especial de “Direitos Humanos” Paulo Vannuchi que defende punição para torturadores.
Ética E Participação Política
Por: Antonio Paiva Rodrigues | 21/11/2008A pontualidade britânica não se fez presente ontem no QCG (Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Ceará) onde se realiza o Ciclo Preparatório de política e Estratégia da ADESG. Alegando problemas particulares o palestrante deu início a sua palestra às 19.30 h. Alguns assuntos foram tratados durante a exposição de Hélio Leitão, tais como: modelamento da justiça, o exercício pleno do cidadão e a ousadia dos advogados.
Supremo Começa A Analisar Denúncia Contra Paulo Medina
Por: Jorge Magalhães | 20/11/2008Paulo Medina em apuros
Falando Francamente - 19/11/2008
Por: Jorge Magalhães | 19/11/2008Corrupção no Brasil
Falando Francamente
Por: Jorge Magalhães | 18/11/2008Por maioria de votos, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) rejeitou ontem pedido de afastamento do juiz Fausto Martin De Sanctis e o manteve no comando da Satiagraha, investigação sobre suposta organização criminosa envolvendo o banqueiro Daniel Dantas. Foram dois votos a favor do magistrado, um contra.
E O José Dirceu, Onde Está?
Por: Públio Athayde | 18/11/2008José Dirceu saiu da vida pública depois dos escândalos que o derrubaram do primeiro escalão? Por onde anda a eminência parda do Lula? Saiba aqui...
Xadrez E Escolha Racional: Aplicação Lúdica Da Teoria Dos Jogos
Por: Públio Athayde | 18/11/2008O xadrez é o jogo que melhor representa o conflito complexo. Mas é conflito que requer antagonista. Na situação em que o eu se isola em si o conflito latente se perde em uma espiral sem fim.
O Ciclone E O Aguaceiro
Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 24/09/2008 | RelacionamentosUm pequeno e importante tratado, que visa quebrar o paradigma de que discutir a relação é o único caminho para um final feliz.
Evite Trair
Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 24/06/2008 | CotidianoUm tratado descontraído a respeito do homem e seus relacionamentos. Um "manual anti-traição" feito para as mulheres.
Explicando E Flertando Com A Democracia - Parte 3
Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 23/06/2008 | PolíticaTexto que pretende explicar de forma clara e coloquial a Democracia. A parte final mostra como o Brasil ainda é um país alheio aos conceitos democráticos, tendo em vista o atual governo.
Explicando E Flertando Com A Democracia - Parte 1
Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 23/06/2008 | PolíticaTexto que pretende explicar de forma clara e coloquial a Democracia. Dividido em três partes, na primeira se encontra uma narrativa de um ambiante aonde não há Democracia