Lembranças do ato institucional no. 5 - ai 5

Publicado em: 09/04/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 100 |

A mais longa noite do cenário político brasileiro começou a nascer em 13 de dezembro de 1968. Era uma sexta-feira e foi quando apareceu o mais truculento instrumento de arbítrio político da história do Brasil: o Ato Institucional n°5, baixado pelo então general-presidente Arthur da Costa e Silva. Com ele, os generais-presidentes detiveram o poder absoluto, privilégio só conferido aos reis. Juntos, seus 12 artigos constituíam a mais draconiana das leis de exceção de todo o período republicano. O Ato dava ao presidente da República poderes como decretar o recesso parlamentar, intervir nos Estados sem limitações e cassar mandatos e direitos políticos. Um dos artigos previa que suas consequências não eram passíveis de apreciação judicial.

 Entre 30 de dezembro de 1968, quando o presidente utilizou o AI-5 para cassar os direitos políticos do ex-governador carioca Carlos Lacerda, até junho de 1977, quando o presidente Ernesto Geisel o usou pela última vez, cassando o mandato do deputado José de Alencar Furtado, o AI-5 atingiu 1577 cidadãos brasileiros, de juízes a líderes sindicais, de senadores a prefeitos de pequenas cidades. O maldito AI-5 morreu em janeiro de 1979.

Em 12 de dezembro de 1993 (um domingo), o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma edição especial relembrando, na ocasião, os 25 anos da implantação do AI-5. Amatéria teve o sugestivo título de "A Resistência, 25 anos depois". Como vivi intensamente a época da ditadura militar, conservo em meu arquivo pessoal muitas matérias feitas sobre o assunto. E dessa edição especial, vou aqui reproduzir os artifícios usados pelo jornal – e também pelo Jornal da Tarde, pertencente ao grupo Estado, e outros órgãos da imprensa escrita – para tentar driblar e, ao mesmo tempo, divulgar as ações absurdas dos censores. Por essa e outras atitudes é que até hoje tenho grande respeito e admiração pelo Grupo "O Estado de S. Paulo".

 

Apesar de o AI-5 ter surgido em 1968, trazendo consigo a censura, foi mais tarde, entre 1972 e 1975, que os censores fizeram os maiores estragos nos jornais e revistas. Também pertence a esse período uma espécie de jogo de gato e rato entre agentes policiais encarregados de controlar as informações e os editores.

Pela lógica do regime, para ser eficiente, no sentido de convencer o leitor de que havia liberdade no País, a censura não podia praticar a autodelação. Ou seja: a pior coisa para o sensor era o editor deixar em branco os espaços de matérias censuradas. A maior parte dos jornais aceitou a regra e publicou outros textos no lugar dos proibidos. Certas publicações, porém, alertaram o leitor para a farsa.

O Jornal da Tardepublicava receitas de bolos nos lugares mais inusitados, como as páginas de editoriais. Veja optou por figuras de demônios. A Tribuna da Imprensa, do Rio, insistiu e conseguiu sair com imensos espaços em branco. Os semanários Opinião e Movimento publicavam tarjas escuras no espaço censurado.

O Estado publicou tantos poemas de Camões que eles acabaram tornando-se, no Brasil daquela época, sinônimo de censura. Até chegar ao poeta português, porém, o jornal passou por várias tentativas, nem sempre bem sucedidas. A primeira foi a de quebrar a tradição. Na época, o jornal só publicava cartas de leitores aos domingos, no fundo do jornal. Mas, de repente, sem aviso, as cartas passaram a brotar nas páginas nobres da política e em dias de semana. Não deu certo. Certos leitores nem perceberam.

Outra saída foi dar um toque bizarro às cartas. No dia 10 de maio de 1973, um "leitor" comentou na primeira página, no lugar de notícias sobre a renúncia do então Ministro da Agricultura, o óbvio: a inexistência das rosas azuis. Saiu ao lado de um anúncio da Rádio Eldorado (também do Grupo Estado), com o slogan "Agora é samba". Ainda assim havia leitores que não entendiam. "Certa vez, num encontro com o prefeito Figueiredo Ferraz, um grupo de senhoras pediu-lhe que apoiasse a campanha de flores do Estado", lembra o diretor Oliveiros Ferreira.

O exercício prosseguiu. Em junho de 1973, por sugestão de Júlio de Mesquita Neto, os buracos foram preenchidos com poemas. Os autores variavam de Gonçalves Dias e Cecília Meireles, passando por Olavo Bilac, Manuel Bandeira e outros.

No dia 2 de agosto, finalmente, começou a publicação, em pequenos trechos, do poema que se transformaria no código de denúncia da censura: o épico Os Lusíadas, do português Luís de Camões. O primeiro canto, que inicia com o verso "As armas e os barões assinalados", saiu no lugar de um editorial. Nos meses seguintes, até 1975, o jornal voltaria a recorrer aos cantos outras 660 vezes.

Nos meios políticos, Camões era lembrado com ironia. Em 1973, durante uma entrevista no Clube dos Repórteres Políticos do Rio, Ulysses Guimarães, que presidia o antigo MDB e frequentemente tinha discursos e entrevistas censuradas no Estado, desabafou: "Quem mais atrapalha o MDB é Luís de Camões. Este poeta tem me perseguido desde os bancos escolares, quando eu o achava incompreensível". O censor não gostou da ironia e vetou.

É claro que ainda teve gente que não entendeu o uso de poemas. Ferreira lembra de um deles, quase folclórico, interessado em colecionar Os Lusíadas e que reclamou da falta de ordem na sua publicação. Mas o efeito global foi positivo, segundo a historiadora paulista Maria Aparecida de Aquino, que analisou a estratégia do Estado na tese de mestrado intitulada Censura, Imprensa, Estado Autoritário (1968-78).

 "O poema de Camões, que faz parte de uma memória escolar mínima do comum dos indivíduos, ficou no imaginário coletivo como lembrança de um tempo em que os cortes dos censores promoveram sua publicação", diz a historiadora da USP. "Restou como símbolo de resistência construída no cotidiano de um jornal que, de muitas e variadas maneiras, procurou, em dado momento histórico, fugir de determinada dominação exercida sobre o corpo social".

Concluindo este texto, reproduzo as palavras do geógrafo e professor emérito da USP Aziz Ab'Sáber, também publicadas na edição especial do Estado: "O AI-5 foi um dos lamentáveis erros da vida política do País. O que mais me impressionou foi o fato de alguns professores e intelectuais respeitáveis terem dado respaldo à medida, não só do ponto de vista subjetivo, mas prestando assessoria jurídica aos ministros que fizeram aquele instrumento de arbítrio. Admirava algumas dessas pessoas e nunca vou esquecer o que fizeram. Aliás, acho que um dos efeitos mais terríveis do AI-5 foi jogar civis contra civis. Mergulhamos numa fase de delações, exílios, dramas familiares. Era a fase da antiética, que é, por excelência o campo da ditadura. Até hoje estamos pagando por aqueles estragos". O professor Aziz Ab'Sáber faleceu em 16 de março de 2012, aos 87 anos.

Quem não viveu aquela época não é capaz de imaginar nem de longe as tantas desgraças que foram geradas após o golpe militar de 31 de março de 1964, aprofundadas após a publicação do Ato Institucional Nº 5. Foi difícil, muito difícil, a tentativa de superar tudo aquilo. Acho que ninguém conseguiu sair ileso.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/politica-artigos/lembrancas-do-ato-institucional-no-5-ai-5-5811612.html

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    costa e silva

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    marlucia pontes gomes de jesus

    Mostra a evolução histórica dos municípios na luta por maior autonomia e visibilidade no cenário nacional e a sua importância no alcance de objetivos da comunidade local, direcionando o tema para a importãncia dos conselhos municipais de educação. Constitui-se em palestra proferida pela autora em encontro promovido pelo Conselho Estadual do Espírito Santo com Conselhos Municipais de Educação e Secretarias Municipais de Educação no ano de 2009.

    Por: marlucia pontes gomes de jesusl Educaçãol 28/04/2011 lAcessos: 301
    Francisco Amado

    A história inspiradora de como um povo se rebelou e impediu os comunistas de tomarem conta de seu país. Raramente uma grande nação esteve mais perto do desastre e se recuperou do que o Brasil em seu triunfo sobre a subversão vermelha. Os elementos da campanha comunista para a dominação – propaganda, infiltração, terror – estavam em plena ação. A rendição total parecia iminente.... e então o povo disse: NÃO.

    Por: Francisco Amadol Educaçãol 01/09/2012 lAcessos: 999

    O artigo faz um comparativo entre os festivais de música popular brasileira na década de 1960 com o golpe militar aplicado no Brasil em 1964. O texto concentra-se no ano de 1968, que, segundo Zuenir Ventura, é o ano que não terminou.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Arte& Entretenimento> Músical 22/08/2011 lAcessos: 173

    Neste dia estava prevista a palestra de Domingos Gomes Aguiar Filho, Deputado Estadual e Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Na ocasião haveria explanação sobre o Poder Legislativo Estadual. Fica nos devendo o deputado em alusão, que por motivos particulares não pôde comparecer ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar (QCG) para falar sobre o assunto epigrafado. Para substituí-lo foi convidado o general Torres de Mello, que nos brindou com uma excelente palestra.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Notícias & Sociedade> Polítical 03/12/2008 lAcessos: 892
    Antonio Cunha

    O presente trabalho tem como objetivo, rever as referências teóricas sobre o tema “emancipação” associadas à análise das políticas públicas educacionais adotadas pelo Governo Brasileiro, focando Curitiba-Pr, considerando a desigualdade e a diferença social da clientela das escolas públicas estaduais e federais, diante das demandas sociais e de mercado de trabalho, numa perspectiva de emancipação e esforços públicos.

    Por: Antonio Cunhal Educaçãol 10/08/2009 lAcessos: 4,803

    Será que após o governo dos militares, o Brasil passou a ser o um novo País e as esperanças de uma Nova República recrudesceram? Em 1964 surgiram seguindo estudiosos políticos duas correntes de pensamento sobre a permanência militar no poder e sua ação sobre a sociedade civil: seriam as alas de linha dura e as de linha moderada. Cada uma dessas linhas com suas nuanças específicas e definidas. Antes, devemos ressaltar a mobilização popular para a realização de eleições diretas no Brasil.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Educação> Ensino Superiorl 16/05/2010 lAcessos: 691 lComentário: 2
    Laila Braghero/Cobertura

    A pergunta é: como se faz jornalismo político? A cobertura política tem a obrigação que todo jornalismo tem, independente da área: informar o cidadão, sempre fiel aos fatos, a fim de proporcionar reflexão e formação de opinião a respeito da própria realidade do leitor, ouvinte ou telespectador. O jornalismo político deve noticiar desde as decisões tomadas pelo poder público, até os abusos administrativos dos políticos.

    Por: Laila Braghero/Cobertural Notícias & Sociedade> Polítical 09/10/2013 lAcessos: 20

    Este artigo tem por objetivo analisar de que forma o movimento Tropicalista pensa a identidade brasileira e refletir ainda sobre a importância de se trabalhar essa questão na sala de aula. A partir da mediação feita pelo Tropicalismo, entre a cultura brasileira e a identidade nacional, onde os tropicalistas buscaram retratar os antagonismos e a pluralidade presentes na cultura de nosso país, pensarei sobre a questão de identidades sendo trabalhada na escola e sobre a música como fonte histórica.

    Por: Ralph Schibelbeinl Educaçãol 30/07/2009 lAcessos: 3,763
    RINALDO BARROS

    Tudo está ligado! A degradação do ser humano e a do planeta estão intimamente unidos e da mesma forma as soluções para a questão. Se a espécie homo sapiens fosse racional. Resumo da ópera: o racional seria construir uma política viável de uso (e reuso) adequado da água, com gestão responsável para captação e armazenamento desse recurso indispensável para a vida. A Terra está sendo saqueada e ela é a nossa casa! Seria a humanidade suicida?

    Por: RINALDO BARROSl Notícias & Sociedade> Polítical 25/09/2014
    Wagner José Siebra

    Achamos que vivemos em uma democracia, será mesmo que vivemos dessa maneira?

    Por: Wagner José Siebral Notícias & Sociedade> Polítical 24/09/2014

    Um artigo de opinião que escrevi, para explicar um pouco como funciona as eleições presidenciais no Brasil e se elas são justas com os cidadãos.

    Por: Miriam Lurdesl Notícias & Sociedade> Polítical 20/09/2014
    José Guimarães

    Artigo escrito com foco em pesquisas de intenção de votos feitas por telefone. Pesquisas para saber em quem você vai votar para presidente e governador do seu Estado. Como é feita a pesquisa de intenção de votos. Quem paga para fazer pesquisa de intenção de votos?

    Por: José Guimarãesl Notícias & Sociedade> Polítical 18/09/2014

    O candidato ao governo do estado pela coligação Um Novo Jeito de Fazer, Eduardo Tavares (PSDB), foi entrevistado na manhã desta terça-feira (15) durante sabatina realizada pela Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Alagoas (Fecomércio). Ele destacou os pla http://doisriachosf3.wix.com/noticiasdosertao

    Por: wandersonl Notícias & Sociedade> Polítical 17/09/2014
    Leonardo Quintão 1500

    A população de Sabará MG poderá contar, em breve, com um polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Por iniciativa do prefeito Diógenes Fantini e do vice Ricardinho, e com o apoio do deputado federal Leonardo Quintão, os sabarenses poderão realizar, à distância, cursos de extenção, graduação e pós-graduação da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) sem precisar sair do município. Todo o processo administrativo e de avaliação será realizado na própria cidade, em uma unidade que será ab

    Por: Leonardo Quintão 1500l Notícias & Sociedade> Polítical 14/09/2014
    Leonardo Quintão 1500

    Além da construção dos túneis, a movimentação de máquinas e caminhões em vários trechos entre Caeté e o trevo de Barão dos Cocais também é grande. A duplicação dos lotes já licitados envolverá mais de 1200 máquinas e equipamentos, 29 mil toneladas de aço e mais de 48 quilômetros de metros quadrados de terraplanagem. Em relação à mão de obra, está prevista a contratação de mais de 5.700 trabalhadores.

    Por: Leonardo Quintão 1500l Notícias & Sociedade> Polítical 14/09/2014
    Leonardo Quintão 1500

    O novo Código de Mineração trará ao País uma nova legislação sobre o aproveitamento dos recursos minerais, incentivando a produção nacional e o desenvolvimento do setor mineral. O deputado federal Leonardo Quintão foi o relator do projeto de lei para o novo marco regulatório da mineração, que é muito importante para o Brasil não só do ponto de vista econômico, mas também social, ao ampliar o número de municípios beneficiados.

    Por: Leonardo Quintão 1500l Notícias & Sociedade> Polítical 14/09/2014

    O artigo faz um breve resumo da revolução de 31 de março de 1964, tecendo também alguns comentários sobre a situação atual do Brasil.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Notícias & Sociedade> Polítical 31/03/2014

    Perez Prado foi o inventor do mambo em 1943. Cubano de nascimento, foi no México que se consagrou com sua sensacional orquestra que, ao tocar, não deixava ninguém ficar quieto. Foi considerado o "band-leader" número 1 da América Latina. Foi reverenciado até por Gabriel Garcia Marquez. Morreu na Cidade do México em 14 de setembro de 1989.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Arte& Entretenimentol 26/08/2013 lAcessos: 18

    O artigo abrange a forte expansão desta facção criminosa, que já está presente em vários estados brasileiros e também no Distrito Federal, além de três países da América do Sul.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Notícias & Sociedade> Cotidianol 30/06/2013 lAcessos: 43

    Uma descrição das condições desta rodovia paulista que liga os municípios de Jacareí a Campinas, possibilitando acesso a várias outras cidades ao longo dos seus 132 quilômetros.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Turismo e Viagem> Dicas de Viageml 28/05/2013 lAcessos: 76

    O texto relata as atrações de Conservatória, no estado do Rio de Janeiro, ponto de encontro de seresteiros e turistas, onde se vivem momentos mágicos. Cita também os caminhos para se chegar até lá, para quem vem de São Paulo, Rio e Minas Gerais.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Turismo e Viagem> Dicas de Viageml 05/05/2013 lAcessos: 62

    Em 16 tópicos o texto disserta sobre situações que estão fazendo as pessoas não aguentarem mais o que se passa no Brasil e em alguns lugares do mundo. Os tópicos descritos mostram a total indignação do autor com esse estado de coisas.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Notícias & Sociedade> Cotidianol 26/04/2013 lAcessos: 19

    A história destas três canções que fazem parte do 12o. álbum dos Beatles, Abbey Road, lançado em 26 de setembro de 1969.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Arte& Entretenimento> Músical 19/04/2013 lAcessos: 16

    O TEXTO FAZ UMA BREVE ANÁLISE DA LEI 4870/12 QUE PERMITE A ESTUDANTES MAIORES DE 16 ANOS DE IDADE INGRESSAREM NA UNIVERSIDADE MESMO SEM A CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO.

    Por: Arnaldo Agria Hussl Educação> Ensino Superiorl 30/03/2013 lAcessos: 14
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