O Modo Como Marx Compreende O Estado Moderno E As Razões Pelas Quais A Emancipação Promovida Pelo Estado Liberal É Apenas Parcial

Publicado em: 17/11/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 1,745 |

Álvaro Bianchi, professor da Unicamp, estudioso de Karl Marx, analisou o modo como esse intelectual compreendia o Estado Moderno (BIANCHI, 2006), através do escritos produzidos entre 1842-43. O interesse de Bianchi é compreender a produção teórica de Marx nesse período, no qual a política foi assumida como objeto de crítica da filosofia.

O contexto desse debate surgiu quando se percebeu o caráter arbitrário do governo da Prússia, que concedia privilégios particulares para alguns e aplicação das leis para os contrários. Desse modo, o governo colocava-se em oposição ao Estado que representava, porque se utilizava de dois pesos e duas medidas.

Marx argumentava que o Estado que violava seu conteúdo era um “não-Estado”: não existia perante o próprio conceito. Portanto, “o estado coativo”, censurador, centralizador, deveria ser abolido: A única “cura radical para a censura” possível era para Marx, sua própria abolição. [...] Mas a dissolução da censura apontava para a dissolução do próprio Estado. Pois também ele constituía-se no inverso daquilo que o “Estado ético” dizia ser e se esse “Estado coativo” quisesse tornar-se legal, ele próprio se anularia. (Idem, p. 51)

Na interpretação de Bianchi, a definição política de Estado de Marx, naquele momento, concebia o Estado racional de forma utópica.  Essas idéias estão expostas na tese de Marx, que trata sobre a filosofia da natureza de Demócrito e Epicuro, defendida em o Kolnische Zeitung, cujo redator, entre 1842 e 1843, foi Marx. Inclusive, o referido jornal foi fechado em 1843 pelas críticas ao governo prussiano. Embora tivesse uma visão utópica de Estado, Bianchi também caracterizou o filósofo como “liberal radical”. (Idem, p. 51).

Ao comparar a existência singular do Estado e sua essência racional, K. Marx criticou a idéia de “Estado cristão”. Para “estabelecer a justiça das constituições estatais e realizar a liberdade racional” era preciso ressaltar a essência da natureza da sociedade humana e do Estado.

Inspirado em Lwdwig Feuerbach, Marx dedica-se ao estudo da crítica da política como crítica filosófica. A “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” foi resultado dessa influência de Feuerbach (que criticava a filosofia especulativa de Hegel) sobre Marx. Esse negava a política existente, porque nela o povo era o único elemento concreto. Enquanto o Estado era, apenas, uma forma de existência particular do povo.

Segundo Bianchi, a crítica do jovem Marx, nesse momento, “dirigia-se, claramente, contra a abstração da política moderna, ou seja, contra a separação do Estado político da sociedade civil, e contra a abstração da cidadania moderna que afirmava uma liberdade e a igualdade que apareciam fora de todo contexto social e que, portanto, não eram senão liberdades e igualdades aparentes.” (Idem, p.51).

Em outras palavras, o tema do “fim do Estado” assumia agora uma nova forma no interior do pensamento marxiano: no momento em que o povo passava a ser o Estado, aquela separação existente entre o Estado e a sociedade encontrava seu fim. (idem).

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    Palavras-chave do artigo:

    estado politica democracia

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    Por: Miguell Notícias & Sociedade> Polítical 08/07/2014 lAcessos: 44
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    Por: larissa gomes da silval Direito> Doutrinal 08/08/2011 lAcessos: 1,665
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    O artigo pretende discutir a reestruturação do Sistema Capitalista pós- quebra dos acordos de Bretton Woods, suas relações com a reforma neoliberal iniciada nos anos 1980 e implementada no Brasil a partir da década de 1990. Aborda as reações da sociedade civil, pelo efetivo atendimento de demandas universais listadas na Constituição de 1988 no Brasil, e pela regulamentação legal de novos anseios sociais.

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    O presente artigo tem como objetivo maior fazer uma reflexão sobre a Liberdade de Expressão, Corrupção,Impeachment e o Mercantilismo político no Brasil.

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    O artigo faz um passeio pelas origens da corrupção. Apresenta desde um histórico mundial até a forma pelo qual a corrupção surge no Brasil.

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    Por: JORGE FLOQUETl Notícias & Sociedade> Polítical 17/03/2015
    Rubens Britto

    Quem ganha com essa febre insana do alardeamento da mídia em decorrência da anarquia operante? O descontrole é extremamente crescente e quem submerge, efetivamente, num caos sem precedente, é a democracia. Todos perdem, indistintamente.

    Por: Rubens Brittol Notícias & Sociedade> Polítical 09/03/2015 lAcessos: 11
    Gilbert Di Angellis

    As mulheres representam mais da metade da população brasileira, mas na política sua representação é mínima. No Congresso Nacional apenas 10% das cadeiras são ocupadas por mulheres. No âmbito executivo estadual, somente uma mulher é governadora no país. A desigualdade política dos gêneros masculino e feminino é gritante.

    Por: Gilbert Di Angellisl Notícias & Sociedade> Polítical 08/03/2015 lAcessos: 14

    Os meios de comunicação no Brasil sempre foi controlado por seletos grupos com o beneplácito do governo federal.De uma forma geral,somente são veiculadas informações que servem de alguma forma para a manutenção de poderes,enquanto a sociedade civil, fica a margem desse processo.Assim,esse artigo faz um histórico sobre a democratização da mídia,com ênfase na radiodifusão.

    Por: Mauricio Mendes de Oliveiral Notícias & Sociedade> Polítical 06/03/2015
    RINALDO BARROS

    O que unifica e orienta todas essas propostas é a disposição de reorganizar a economia de mercado em proveito da maioria trabalhadora. Hora de reconstruí-la, não apenas de contrabalançar suas desigualdades por meio de transferências sociais. Chega de bolsas e cotas!

    Por: RINALDO BARROSl Notícias & Sociedade> Polítical 05/03/2015

    O tema central desta pesquisa está na análise da renunciabilidade no âmbito do divórcio, esclarecendo que, em sede de separação, por que não houve o rompimento, dissolução do vínculo conjugal, não há que se polemizar o direito aos alimentos uma vez que continuam válidos os efeitos do vínculo de casamento, inclusive “os decorrentes do dever de mútua assistência, como os alimentos ao necessitado”, conforme explica Alice de Souza Birchal.

    Por: Livia Patricia P Santosl Lar e Família> Divórciol 17/11/2009 lAcessos: 1,242

    Thamy Pogrebinschi faz uma exegese do conceito de “verdadeira democracia” desenvolvida por Marx na obra. Esse conceito, utilizado com freqüência na Crítica à Teoria do Estado de Hegel, foi influência dos estudiosos franceses e da Revolução Francesa.No “enigma da democracia em Marx”, o estado moderno é incompleto porque se separa da sociedade civil. O sentido verdadeiro da democracia revela-se apenas quando ela se liberta do Estado e de toda forma de mediação política.

    Por: Livia Patricia P Santosl Notícias & Sociedade> Polítical 17/11/2009 lAcessos: 2,326
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