Mestre em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília - DF. Bacharel em Ciências Econômica.
Política de biocombustível exportará água no seu ciclo produtivo, artigo de Carlos André Cursino Roriz
Hoje, países desenvolvidos e emergentes negociam suas importações/exportações de forma quase imperceptível pelo homem comum, levando em consideração o valor agregado da água no ciclo de produção do produto final
Carlos André Cursino Roriz é bacharel em economia, pós-graduação em teoria econômica, mestre em desenvolvimento sustentável pela UnB/CDS. Artigo enviado ao “JC e-mail”:
A plantação da Saccharum officinarum Linneus, cana-de-açúcar, na política do biocombustivel, eleva o país como grande exportador de combustível, todavia, se não houver controle de reservas das áreas campestres para este fim, poderá também provocar uma elevação dos produtos alimentícios.
O preço da cana-de-açúcar é mais lucrativa que outras culturas, ao ponto dos agricultores navegarem na onda da substituição de suas plantações.
Pesquisadores e instituições afirmam que a cana-de-açúcar envolve alto consumo de água se não for plantada no período das chuvas.
Toda espécie de vida na Terra depende da água. Toda atividades humana depende da água. Água é saúde. A água é o elemento essencial da vida.
No conceito completo da bioética: Meio Ambiente (Eco), espécies animal (Zoo), e o ser humano (Antropo), formam a pirâmide do Antropoecozoocêntrico – termo cunhado por Roriz (JC e-mail 3147, 2006).
Nessa tríade envolvendo o patrimônio genético, a água é o elemento central do Antropoecozoocêntrismo porque sem ela a vida é impossível de ser concebida pelo homem ou ser ressaltada nos estudos da ciência para a existência do meio ambiente.
Na ciência econômica, a água desempenha papel primordial como elemento primário da plantação, aquela que torna possível um bom resultado na colheita.
Portanto, a água tem todos os atributos necessários para que no ciclo econômico das trocas seja considerado como custo de produção tornando viável a comercialização.
No mundo da economia, o “produto foco” comercializado contém elementos embutidos no preço da mercadoria como valor agregado difícil de ser negligenciado pelo comerciante. Elementos como a água que é escasso faz parte da administração da economia.
Hoje, países desenvolvidos e emergentes negociam suas importações/exportações de forma quase imperceptível pelo homem comum, levando em consideração o valor agregado da água no ciclo de produção do produto final.
Identifico pessoas de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento que ainda não perceberam o grau de importância da água para a produção de alimentos, carros, combustíveis, medicamentos, e outros.
Países retardatários não devem se preocupar apenas com relações diplomáticas, divisas e impacto positivo social na geração de empregos na política do biocombustível, mas deve levar em conta o fator da escassez que o elemento água pode vir gerar como conseqüências catastróficas para o país.
A importância da água para a vida humana é tamanha que já se faz previsões dela vir se tornar a moeda única do futuro. A água chegará a ser um dos principais produtos vendidos na bolsa de valores, seja potável ou de rios ricos em micro ou macro nutrientes.
Estimo que a Organização Mundial do Comércio – OMC, se ainda não fez, estabelecerá novos parâmetros comerciais quando a água passar a ser comercializada no mundo como elemento crucial dos custos das mercadorias.
A OMC tem uma missão especial de reunir cientistas de diversas áreas de conhecimento das ciências, para elaborar a “Tabela Referencial da Água no Ciclo Produtivo” versos clima e solo, destinado a produtos de exportações e importações.
Tanto o norte da África (800 milhões) de habitantes, como a Índia (um bilhão), a China (tendendo a dois bilhões), e o Oriente Médio (315 milhões), em pleno início do século XXI experimentam hoje crise sem precedentes de reservas de água.
De acordo com http://www.webciencia.com/21_agua.htm. Uma projeção feita pelos cientistas indica que no ano de 2025, dois de três habitantes do planeta serão afetados de alguma forma pela escassez da água.
3,2 bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de água até o final deste século, em decorrência do aquecimento global (http://www.opalc.org.br/index.php).
De acordo com o site http://www.aguaonline.com.br/edicoes_antigas/3-edicao/3-meioambiente-escasez.htm, os países estão divididos em quatro categorias:
Categoria 1 (absoluta escassez)) Afeganistão, Egito, Irã, Iraque, Israel, Jordania, Kuwait, Libia, Oman, Paquistão, Arábia Saudita, Singapura, África do Sul, Síria, Tunísia, República Árabe Unida, Emirados, Yêmen, parte da China e da Índia.
Categoria 2 (escassez econômica) Angola, Benin, Botswana, Burquina Fasso, Burundi, Camarões, Chade, Congo, Costa do Marfim, Etiópia, Gabão, Ghana, Guiné-Bissau, Haiti, Lesotho, Libéria, Moçambique, Niger, Nigéria, Paraguai, Somália, Sudão, Uganda, Zaire.
Categoria 3 - Albânia, Argélia, Austrália, Belize, Bolívia, Brasil, Camboja, República Centrol Africana, Chile, Colômbia, El Salvador, Gâmbia, Guatemala, Guiné, Honduras, Indonésia, Kenya, Líbano, Madagascar, Malásia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Myanmar, Namíbia, Nepal, Nova Zelândia, Nicarágua, Peru, Senegal, Tanzânia, Turquia, Venezuela, Zâmbia, Zimbabwe.
Categoria 4 - Argentina, Áustria, Bangladesh, Bélgica, Bulgária, Canadá, Costa Rica, Cuba Dinamarca, República Dominicana, Equador, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Guiana, Hungria, Itália, Jamaica, Japão, México, Holanda, Coréia do Norte, Noruega, Panamá, Philippines, Polônia, Portugal, Romênia, Coréia do Sul, Espanha, Sri Lanka, Suriname, Suécia, Suíça, Tailândia, Grã-Bretanha, Uruguai, Estados Unidos, Vietnã, uma parcela da China e da Índia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, breve, 50 países enfrentarão crise no abastecimento de água.
Tenho opinião diferenciada de uma grande maioria das autoridades do governo brasileiro sobre a política de biocombustível. Inicialmente discordo até do nome.
O prefixo Bio (Vida) não deveria ser dada a nenhum tipo de combustível que provenha de recursos naturais sujeito ao processo da industrialização, tais como: mamona, cana-de-açúcar, amendoim, girassol etc.
Uma tecnologia que aproveita a luz do Sol é de fato um combustível vivo digno de ser chamado biocombustível. A água é uma fonte de energia viva, um biocombustível.
O gás carbônico é um biocombustível. O desenvolvimento de tecnologia que venha retirar o próprio agente poluidor gás carbônico do ar para mover máquinas e veículos é um desafio para os cientistas.
O desafio dos cientistas e outros estudiosos do assunto é viabilizar uma tecnologia que mantenha o padrão de consumo moderno sem destruir o planeta em conflitos pela alimentação, sede, conforto, bem estar, e outros.
O biocombustível deveria receber maior atenção do governo com investimentos em pesquisas de energias alternativas renováveis automaticamente pela natureza, isto é energia que não exige ação humana renovadora para geração do próprio recurso utilizado.
Os recursos da mamona, cana-de-açúcar, amendoim, girassol, e outras, dependem de espaço físico territorial, do solo, da terra e da água, que são limitados, escassos.
A biomassa é outra saída de combustível e ao mesmo tempo que se dará destino ao lixo produzido pelo ser humano – uma praga ameaçadora na poluição do planeta.
Muitos antevêem problemas na agricultura de alimentação frente à concorrência de áreas do campo destinadas a produção de matéria prima para o biocombustível.
Segundo o site http://www.sucre-ethique.org/IMG/pdf/BSI_comms_brief 12 março 2007 15:47, a produção de cana de açúcar envolve empregos dos mais perigosos da indústria agrícola, e em alguns casos os salários da cultivação da cana não fornece alimentos para todas as calorias queimadas durante o trabalho.
Ainda, segundo site “Sucre-ethique”, a cana é uma plantação que exige muita água o ano inteiro usando entre um milhão de litros de água por 12,5 toneladas de cana de açúcar.
Ela é freqüentemente plantada em colinas íngremes, o que resulta numa perda de minerais em terras produtivas da fazenda e numa alta descarga de água nos rios e represas.
A ONU com o intuito de reduzir o desperdício, escassez de água, e de poluições, e provocar reflexões sociais, instituiu o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água.
Sabe-se que há áreas do interior de São Paulo que substituíram plantações inteiras de laranjas por cana-de-açúcar, enquanto que a capital importa água mineral.
De acordo com Porto Gonçalves (2007, JC e-mail 3219), no Brasil, o preço da terra sendo mais baixo que nos EUA atrai inclusive fazendeiros de lá, que adquirem amplas extensões de terras nos cerrados do Nordeste e Centro Oeste.
Nações Unidas alertam que 2/3 terços da população mundial sofrerão com a escassez dos recursos hídricos nos próximos 20 anos. Especialistas culpam o homem e defendem uso racional do líquido.
Em conformidade com os estudos divulgados pela Unicamp pela Internet no site http://www.inovacao.unicamp.br/etanol/report/workshop-etanol_carlos-rossell.pdf), em 17 de março de 2007, a composição final da cana-de-açúcar: é 73 a 76% de água, 24 a 27% de Sólidos Totais, 10 a 16% de Sólidos Solúveis, e Fibras – Base seco é de 11 a 16%.
A ONU fez alerta para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e ao mundo, o homem será responsável por outra catástrofe humanitária e econômica: em 2025, na qual 1,8 bilhão de pessoas viverão em países ou regiões com absoluta falta de água, e dois terços da população mundial enfrentarão crise relacionada à escassez do líquido.
A escassez de água poderá ser objeto de guerras e invasões por parte de países superpopulosos e sedentos.
A Amazônia tem uma das maiores reservas de água doce do mundo tropical. O País pode inovar na Bolsa de Valores na venda de água, ou pode propor a troca por combustíveis transformando o gerenciamento sustentável que também gerará empregos em melhores condições de trabalho para o operariado.
E finalmente, segundo o site http://www.cana.cnpm.embrapa.br/setor.html são poucos os trabalhos de pesquisa que tenham realizado de forma circunstanciada e abrangente a avaliação do impacto ambiental (AIA) da localização atual do cultivo da cana-de-açúcar.
Quando 100 gramas de feijão custarem mais caro que o petróleo, o país dará maior importância a água, o elemento essencial que possibilita o alimento diário. Por favor, repensem o biocombustível.
Artigo publicado no Jornal da Ciência, 14/03/2008 JC e-mail 3227, de 21 de Março de 2007.


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