Esquizofrenia/Doença Mental

01/05/2009 • Por • 6,942 Acessos
ESQUIZOFRENIA / DOENÇA MENTAL

 

HARRY STACK SULLIVAN (1962), que dedicou a sua vida ao tratamento da esquizofrenia, acreditava que a etiologia da doença era resultado de dificuldades interpessoais precoces, principalmente nas relações pais-criança.  Segundo SULLIVAN não existe qualquer período de desenvolvimento quando o humano existe fora do reino das relações interpessoais.

 

A palavra esquizofrenia significa literalmente mente dividida (do grego skhizo=dividir, separar, fender + phren=mente). É uma doença mental grave e profundamente perturbadora que ocorre em indivíduos com características psicológicas singulares. É uma psicopatologia que requer tratamento ao longo da vida do paciente. Segundo VAN DEN BERG (1966) o termo foi criado pelo suíço Eugênio. Bleuler em 1911, para designar um grupo de psicoses endógenas. Anteriormente o famoso psiquiatra do fim do século XIX e início do XX, 1856-1926, Emilio. Kraepelin dera o nome de dementia praecox, hoje obsoleto. Kraepelin foi professor da Universidade de Munique e diretor do Instituto Psiquiátrico na mesma cidade. Bleuler foi professor em Zurique e diretor do Instituto Burghölzli, perto de Zurique. Kraepelin reduzira a uma única doença, demência precoce, as três doenças já conhecidas desde há muito tempo, ou seja, a hebefrenia, a catatonia e a demência paranóide. (Van Den Berg, 1966)

 

A esquizofrenia é nos dias de hoje, um problema de saúde pública, cuja importância vem crescendo em países em desenvolvimento. Seu índice de morbidade é alto, ou seja, 60% dos pacientes recebem benefícios por invalidez após um ano de doença nos Estados Unidos, assim como sua mortalidade (índice de suicídio de 10%). É uma doença que ocorre em todas as sociedades e ao redor do mundo em proporção equivalente, um pouco maior nas áreas urbanas  e de baixo nível socioeconômico.. Os sintomas começam a se manifestar na adolescência ou início da idade adulta, nos homens entre 17 e 27 anos e nas mulheres entre 17 e 37 anos. (Louzã Neto, 1995)

 

De acordo com LOUZÃ NETO (1995), o diagnóstico é feito pela presença de um conjunto de sintomas, assim a anamnese de um paciente esquizofrênico tem como objetivo obter a história da doença, o passado do paciente, eventos de vida significantes, entendimentos de suas experiências e suas atitudes em relação a pessoas e circunstancias.

 

Portanto as seguintes informações devem estar contidas numa avaliação:

 

# razões do encaminhamento ou  da avaliação, porque o paciente veio

# queixas e duração

# história da doença atual, e os prejuízos possíveis como mudanças nas relações interpessoais,,no casamento, na vida sexual,na vida social e no trabalho,,alterações de sono,apetite,peso,,hábitos de beber e fumar,mudanças na capacidade de tomar decisões, de ter responsabilidades e de se comunicar com outras pessoas

# antecedentes familiares, e no caso de adoção, tentar obter os registros da família biológica bem como da família social.

# antecedentes pessoais

# história médica como as doenças na infância, cirurgias, traumas, etc.

# antecedentes psiquiátricos

# personalidade, se houve alguma mudança.

# exame psíquico

                             (Louzã Neto, 1995)

CURSO E PROGNÓSTICO (Louzã Neto, 1995)

A esquizofrenia se desenvolve em fases

A fase prodrômica

Dura em média de 1 a 2 anos, com alterações de humor e ansiedade, seguidas de diminuição da volição, isolamento social, e alterações cognitivas como dificuldade de atenção e concentração. (Woods et col. 2001).

A fase psicótica

Pode se iniciar de forma abrupta ou insidiosa, e o diagnóstico demora em média, de 1 a 2 anos, retardando assim o tratamento adequado.

Esta pode ser dividida em outras três fases:

a) fase aguda  com sintomas psicóticos floridos

b) fase de estabilização que ocorre após o tratamento da fase aguda

c) fase estável com os sintomas negativos ou positivos residuais menos graves do que na fase aguda     (McGlashan, 1999).

 

A mortalidade de pacientes com esquizofrenia é aproximadamente 2 a 4 vezes maior do que na população geral (Brown et cols. 2000).

 

Cerca de 4 a 10% dos pacientes cometem suicídio, sendo as taxas mais altas entre homens (Simpson et cols. , 1996)

 

 A esquizofrenia caracteriza-se por acentuada perda de contato com a realidade, uma grave divisão ou mesmo fragmentação da personalidade, ou seja, uma dissociação, destruição e decadência. Existe na mente do paciente, uma formação de um mundo conceptual excessivamente determinado pelo sentimento, e também ocorrências de sintomas que assinalam uma deterioração progressiva.  O paciente fica ensimesmado, desaparece toda a coerência, ou pelo menos ela situa-se num plano diferente, o que torna difícil sonda-la ou até percebê-la... A doença ou o grupo de doenças constitui ainda nos dias de hoje, um enigma. Sua prevalência atinge 1% da população mundial, e pode ter início por volta dos 15 anos em homens e mulheres, mas pode ocorrer também na infância, e na  meia idade.(Gabbard, 2006)

 

De acordo com GABBARD (2006) os fatores genéticos têm um papel no desenvolvimento da esquizofrenia, bem como os fatores ambientais. Entre os possíveis está lesão no nascimento, infecção viral durante a gestação, problemas no suprimento de sangue na vida intra-uterina, fatores dietéticos, intercorrencias no desenvolvimento e certos traumas infantis.

 

Apenas 10% dos pacientes esquizofrênicos, são capazes de ter um bom funcionamento com o uso de medicação antipsicótica, e hospitalização breve. Os 90% restantes, podem se beneficiar de abordagens de tratamento como psicoterapias individuais ou de grupo, abordagens familiares e treinamento de habilidades para um bom manejo da esquizofrenia. Não existe uma fórmula de tratamento para a esquizofrenia, ela é uma doença heterogênea com manifestações clínicas multifatoriais. (McGlashan et cols. 1989).

 

Segundo VAN DEN BERG (1966) se um dos pais é esquizofrênico, o filho ou a filha tem 16

Perfil do Autor

suely bischoff machado de oliveira

Olá Sou paulistana do bairro das Perdizes e atualmente resido na cidade de Atibaia.Sou licenciada e graduada em psicologia , CRP 06/8495 ,pela UNESP/CAMPUS DE BAURU-Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho.Pós-graduada em psicanálise pelo NEPP/SP.Psicóloga hospitalar e psico oncologista pós-graduada pelo Hospital do Câncer A.C.Camargo.Tenho um livro publicado "Conhecendo...breves ensaios de psicologia in loco"pela Navegar Ed.Escrevo artigos para um jornal local, e sou colaboradora de alguns sites na Internet ; e trabalho com psicoterapia para adultos e adolescentes em meu consultório particular. att suely bischoff machado de oliveira psicóloga crp 06/8495 escritora e poetisa pós-graduada pelo hosp.do câncer A.C.Camargo atibaia/sp