O princípio do prazer e a fase moderna

11/01/2013 • Por • 4,603 Acessos

Em meados de 1920 Freud esteve em contato com as mais diversas experiências em torno das pulsões de vida e de morte. Estas que transitam livremente pelo inconsciente, também por ele descoberto, sendo o objetivo principal: aliviar as tensões segundo o princípio do prazer. (FREUD,1976).

O princípio do prazer é a forma que a mente atua em evitar o desprazer e a dor, porém, não deixa de ser uma armadilha, pois nunca estaremos livres dessas duas vertentes... Embora, boa parte das pessoas entrem em um processo de fuga, ocorrendo assim, a repressão das emoções.

Quando se entra em processo de fuga, se torna necessário "apegar-se" em algo ou "alguém", e na maioria das vezes, tornando superficial a forma de encarar a vida e as pessoas. Poderemos compreender que essa camada de superficialidade, muito se deve ao conceito de inverdades que o processo de fuga causa. E assim, acabamos por nos esconder do que faz mal, mesmo que muitos danos causados por esse processo possam ser irreversíveis.

Esses danos podem ir desde o uso excessivo de álcool, tabaco, uso de drogas e antidepressivos. Ou mesmo a perda de valores e responsabilidades que anteriormente faziam-se presentes na rotina, como: o trabalho, convívio com a família e amigos. Assim como, relacionamentos "vazios" na área afetiva por não saciar a "fome" de si mesmo, de se encarar e resolver os próprios conflitos.

Nessa fase atual, é comum relacionar-se com várias pessoas ao mesmo tempo, o que inconscientemente nos deparamos mais uma vez com esse "vazio" interno, que por mais parceiros que sejam encontrados, raramente alguém vai suprir o que se necessita. Mesmo por que, em tal condição não é possível atingir maior profundidade emocional com o outro, apenas causando mais feridas e sofrimentos que de certa forma, seriam desnecessários.

Em casos abusivos, poderemos encontrar pessoas que fazem o uso de boa parte das "drogas" citadas, acompanhados dos relacionamentos superficiais e "vazios", conseqüentemente perdendo o senso de realidade, inclusive chegando ao óbito ou acarretando transtornos psicológicos tão repercutidos em nossa sociedade atual.Bem como as fobias, compulsões,depressões, ansiedades, entre outros.

 Assim, inicia-se novos conflitos à partir dos desprazeres da vida, porém , a melhor forma de evitar esse quadro não é reprimindo conteúdos, mas sim encarando as situações de frente, encontrando uma maneira mais sadia de extravasá-las, como a terapia, onde é possível recuperar o foco e o bem estar.

Além do acompanhamento psicoterapêutico, é fundamental para o processo e em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico para que seja possível ter sucesso no tratamento.

           O essencial, é que nos momentos difíceis possamos ter o equilíbrio emocional de nos resguardar para aquele momento de dor, o chamado "luto" e quando tudo estiver sendo digerido, será possível recomeçar, mas de uma maneira não destrutiva. Canalizando todo o processo de dor como forma de experiência e também de maturidade, onde servirá como uma ponte para os momentos alegres e verdadeiros.

BIBLIOGRAFIA

FREUD, S. (1933 1932). Novas Conferências Introdutórias Sobre a Psicanálise.Imago, Ed. Standard Brasileira, RJ, 1976, vol. XXII.

Perfil do Autor

Carolina Cristina Careta

Psicóloga Clínica e Escritora. Membro do Grêmio Cultural Profº Pedro Fávaro e da AILA (Academia Infantil de Letras e Artes, categoria...