A cirurgia de redução de estômago e a Psicologia

24/09/2010 • Por • 588 Acessos

A obesidade na atualidade já é denominada problema de saúde pública. Grande parte da população mundial apresenta altos índices de sobrepeso, que, em muitos dos casos, comprometem a própria rotina de vida da pessoa. Dificuldades como calçar os sapatos, fazer uma higiene pessoal adequada e executar tarefas aparentemente simples, limitam e constrangem pacientes e familiares. E além dos aspectos "práticos" ainda se somam as várias questões emocionais que perpassam o excesso de peso: auto-estima e auto-imagem são os principais.

Depois de muitas tentativas com dietas variadas, programas de reeducação alimentar, atividades físicas e tratamentos estéticos os pacientes buscam uma opção mais radical: a intervenção cirúrgica! Hoje já existem procedimentos menos invasivos e as técnicas estão cada vez mais avançadas. Mas isso não significa que a cirurgia vai exigir do paciente menos esforço em controlar a alimentação, nem que a mesma aponta diretamente para uma receita de felicidade que anteriormente não existia.

É preciso lembrar que a reeducação alimentar, as atividades físicas o bem estar emocional e os bons hábitos são primordiais para o sucesso da cirurgia e satisfação do paciente. Para isso é necessária uma preparação prévia, que varia em tempo de duração, mas normalmente se caracteriza pelo tempo de 3 a 6 meses. Normalmente, a pergunta é: Para que eu vou a um psicólogo antes de fazer cirurgia de redução de estômago/bariátrica? E aí vem a nova pergunta: O que sua obesidade está tentando sinalizar para você? Precisamos reconhecer que o ato de comer demasiadamente, e às vezes compulsivamente, também é uma forma de comunicação nossa frente ao mundo. Estamos imersos em relações interpessoais, conflitos, emoções. Precisamos organizar tudo isso para viver em harmonia emocional e corporal. Em grande parte das vezes podemos chamar essa obesidade de "válvula de escape". Trocando em miúdos, simbolizamos na alimentação emoções que geralmente estão vinculadas a outros aspectos da vida. Um exemplo comum é: "quando tenho conflitos no trabalho ou na família tenho a tendência a comer doces excessivamente". Eis o ponto chave para a psicologia! Ajudar o paciente a descobrir em si outras formas, mais saudáveis, de resolução e sustentação de seus conflitos para que a alimentação (obrigatoriamente reduzida pela cirurgia) não seja mais foco. Perceber que existem outras formas de expressividade além do prazer buscado na comida. Quando isso não acontece o paciente pode desencadear diversas novas formas de sinalizar suas emoções: a anorexia, a depressão, a síndrome do pânico, etc. Por isso é tão importante um trabalho conjunto dos pacientes, da família, dos médicos, nutricionistas e psicólogos! A "equipe" somos todos nós! Pense nisso...

Perfil do Autor

Tâmara Oliveira de Araújo

Psicóloga, formada pela UFRN, atuando nas áreas clínica e hospitalar, realizando atendimento a crianças e adultos. Centro de Psicologia Clínica - Av. Nascimento de Castro, 1738, Fone: 3206-6766