MÉDICO; CURA-TE A TI MESMO!

21/10/2010 • Por • 300 Acessos

A arrogância (a quintessência do orgulho) - um dos sete pecados capitais - comparece como o sintoma mais corriqueiro do não-conhecimento (ignorância).

Não é à toa que até na linguagem, ignorância rima com arrogância. É de fascinar qualquer pessoa medianamente inteligente a paixão com que uma pessoa ignorante se arroga de pseudo conhecimento, experiência e/ou vivência.

Também existe aquela pessoa que é arrogante por causa do seu vasto conhecimento sobre uma área profissional.

Começamos a imaginar qual seria o esquema mental, em forma de pensamento e o conseqüente sentimento, que faz uma pessoa que desconhece, conhece pouco ou muito um assunto, declarar e afirmar com tanta convicção um saber adquirido (ou não).

Segundo Daniel Goleman, Ph. D. - em seu livro Mentiras Essenciais, Verdades Simples – a auto-ilusão está presente nas interações sociais de qualquer pessoa. Mentir socialmente para evitar situações constrangedoras serve como um "lubrificante" social, mas é necessário vigiar para não cair no exagero.

A "verdade vos libertará" das religiões reconhece o poder curativo da verdade. Grande conhecimento e vasta experiência enriquecem o saber intelectual, mas não irrigam a Inteligência Emocional.

A razão de alguns amarem e de odiarem o seriado House M.D., do estúdio Universal Pictures é a aceitação ou não de sua obsessão em procura da verdade sobre um caso clínico que seduziu e desafiou sua capacidade profissional.

Na procura da verdade o Dr. House não tem "luvas de pelica" para tratar os pacientes, nem os colegas da equipe e tampouco os funcionários do hospital. Em sua busca, não hesita em "alfinetar" quem der opiniões, palpites e diagnósticos que ele já eliminou ou considerou insuficientes para desvendar a causa dos sintomas do paciente em tratamento.

Um profissional especialista tem direito ser arrogante?

Pode se dar ao luxo de mostrar indiferença, ironia ou até mesmo sarcasmo em quem não tem o mesmo grau de conhecimento dele?

Poder até que pode, mas não deveria.

"Disse-lhes Jesus quando estava na sinagoga em sua terra Nazaré: Sem dúvida me direis este provérbio Médico cura-te a ti mesmo (Lucas 4:23). Jesus havia sido criado ali e  por O conhecerem desde pequeno, era em sua terra os que mais descriam dele. E ali Jesus não poderia fazer "grandes milagres" devido à incredulidade de seu povo e  pela falta de fé deles (Lucas 4: 16 - 22)."

Contrário à crença popular, a frase não foi para escarnecer do pessoal médico, mas para que instrospectivamente as pessoas se vejam a si mesmas e aos outros tais como são; com virtudes e defeitos.  Enfatiza principalmente o dito popular "santo de casa não faz milagres" em que as pessoas mais próximas de nós possuem a descrença em nossa capacidade de resolver algum problema.

Jesus disse que quando um cego guia outro cego ambos caem na vala (Mt 15:14).

A humildade é uma disciplina que se pratica consigo mesmo. É ela que vigia e regula nosso termômetro emocional, proporcionando brotar no mar das emoções outras virtudes como a temperança, prudência, bondade, justiça, fé, esperança e caridade.

Você sabia que no Antigo Testamento um sacerdote não podia servir na casa de Deus se ele tivesse uma ferida? (Lev 21:20.) Por quê?  Porque quando você tem uma ferida você não está em condição de igualdade com a as outras pessoas. E o que é pior, você fica tão ocupado trabalhando e cuidando dos outros que acha que não tem tempo de parar e cuidar de si mesmo.

É errado ter algum tipo de ferida?  Não, mas é errado não tratar dela.  Para sermos curados precisamos acreditar em três coisas:

 

primeiro que estamos doentes;

segundo que um médico está capacitado a nos curar;  e...

terceiro que a cura final e completa vem de dentro de nós mesmos.

 

Essa terceira condição indica que tanto o consciente quanto o nosso inconsciente deve participar do processo da cura de nossas feridas (doenças).

Trazemos - a maioria das pessoas - desde a nossa infância lembranças não muito agradáveis de remédios, médicos, enfermeiros, hospitais e farmácias. São gostos de remédios amargos, dores de picadas de injeções e vacinas variadas além de ardores de curativos múltiplos e outros traumas que ficaram registrados no inconsciente de nossa cabecinha infantil.

Se não trabalharmos a parte emocional que ficou lá na infância, tendemos a rejeitar e criar má-vontade a qualquer tipo de tratamento médico, dificultando a nossa própria cura.

Até a classe médica que atende e assiste problemas nosológicos (doenças físicas) já está reconhecendo o valor da psicoterapia como coadjuvante em qualquer tipo de tratamento aplicado.

Assim, a recomendação de pelo menos duas sessões com um psicoterapeuta em conjunto com o tratamento médico tradicional faz com que o emocional do paciente se engaje no processo de cura completa e final, resultando em um procedimento eficiente e eficaz.

 


Perfil do Autor

Carlos Magno Perin

Administrador, matemático, pós-graduado em Docência do Ensino Superior, mestre, doutor e pós-doutor em Psicanálise.