Bruno Augusto das Chagas, bacharel em Marketing (*), bacharel em Teologia, curso de Formaçao em Psicanálise, Pós-graduação em Docência do Ensino Superior, Extensão em Neurociência do Conhecimento, docento do Instituto Avançado de Psicanalise Miesperanza, Diretor/propietário da Equilibrio Consultoria e Qualidade de Vida e Coordenador e Fundador do Projeto Social CAPEC.
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Freud disse o seguinte: “ O que exijo é que não possa exercer a psicanálise alguém que não tenha conquistado por meio de uma determinada preparação, o direito a uma tal atividade”(p.2943).
O exercício da psicanálise é um direito que se conquista, e esta conquista acontece por meio do conhecimento deste tão fascinante e assustador território que é o inconsciente. A grande conquista da autonomia profissional se consegue através da análise didática ou pela análise pessoal, onde percebemos que quando se chega a análise por escolha pessoal, não por, indicação ou obrigatoriedade, a chance do processo analítico levar ao desenvolvimento da autonomia é muito grande, sendo que as análises de caráter mais burocrático, principalmente as que exigem a obrigatoriedade das mesmas , estão mais fadadas ao fracasso.
Ainda em relação à análise, ela funciona melhor quando a procura da análise é devida ao sofrimento pessoal, pois assim o futuro canditado a ser analista possa explorar com mais afinco o seu analisando, tendo melhor autonomia e capacidade para lhe dar com as transferências. No quanto à transferência interfere no processo analítico? O conceito de transferência tem uma importância central? A transferência passa a ocupar o primeiro plano do método psicanalítico, a transferência é um paradoxo, já que é o motor e ao mesmo tempo o fator que emperra e cura, além de operar enquanto resistência ou até mesmo como contra-resistência.
E através do jogo da transferência, que vemos o processo primário em sua forma ativa, caracterizado por demandas infantis, e é desta forma que a transferência transforma a relação com o analista em uma relação primária e vivida como atual. A análise não visa tornar ninguém analista, mas permitir que ao longo do processo analítico, esta demanda não permaneça intocável devido as transferências e resistências que podem afetar o próprio analista, que se não tiver tido uma boa resolução de seus conflitos psíquicos poderá não alcançar o devido sucesso enquanto profissional. Mas somente análise não é o suficiente para se tornar analista, é preciso analisar e experimentar as vicissitudes de quem ocupa este lugar, é ao analisar que a singularidade do analista emerge.
Foi Ferenczi, da 1º geração de analistas que enfatizou que: a análise daquele que desejasse se tornar analista, seria uma condição necessária para a formação do mesmo, mas não se trata de uma curta análise para se certificar da existência do inconsciente, ou para aprender a arte da interpretação com outro analista, trata-se de se tornar um profissional capacitado de compreender seus própios conflitos e compreender o que se passa com o outro sem se deixar ser levado pelo que for evocado durante uma análise, tomando assim a posição de ser continente.
É através das resoluções pessoais, que se cria a determinação necessária para um futuro profissional promissor, pois temos uma complexidade, que é a demanda múltipla do sujeito que procura a formação analítica: cura e formação, mas estes desejos conversam e se atualizam durante o desenrolar da análise.
A análise, a supervisão e a própia teoria psicanalítica funcionam como suporte deste desejo de conhecer e se conhecer, há também o desejo de reconhecimento, este paralelo com a questão da autorização adquire uma importância fundamental para o exercício da psicanálise, pois não existe a condição de analista, sem se por em prática a própia psicanálise.
Vemos que o processo pelo qual alguém se autoriza ao exercício da psicanálise surge e se liga ao próprio percurso de formação no qual a análise didática desempenha um papel fundamental.


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