 |
O Percurso Do Amor Romântico E Do Casamento Através Das Eras
Por: Thiago de Almeida  | Publicado em: 10-06-2008 | Acessos: 175 | Avaliação: (133) (?)
Morton M. Hunt, em seu livro “The Natural History of Love” retratou o século passado como a “Idade do Amor ”. Este autor se justificou ao dizer que nunca, em nenhuma outra fase da História da Civilização, houve uma proporção tão vasta da humanidade que tenha dedicado tão elevada consideração ao amor nas suas mais diversas formas para expressá-lo como naquela fase. Contudo, ao que parece esta é uma tendência que tende a permanecer. Na verdade, a vivência e a busca pelo amor tendem a perdurar indeterminadamente e não se restringiria a uma fase, ou ainda, a um século. Na nossa sociedade, e especialmente a ocidental, de formação privilegiadamente intelectual, tem-se dado pouca importância às manifestações exteriores de amor e afeto. É tempo de percebermos que elas são importantes. E vemos isso diariamente se repetindo nos nossos relacionamentos amorosos, nas nossas amizades, nos nossos relacionamentos de trabalho e em todos os setores aonde se vai desenrolando a nossa vida. Contudo, paulatinamente, o amor está se tornando cada vez mais uma condição indispensável para uma vida satisfatória e plenamente realizada, ao menos na concepção dos que o buscam. Embora expresso de maneiras diferenciadas, o amor é sumamente importante para o desenvolvimento da personalidade e crescimento da humanidade. E se por um lado a temática dos relacionamentos amorosos é uma das áreas mais importantes da vida das pessoas, por outro lado, infelizmente, tal importância é mais bem percebida quando as pessoas se deparam com problemas como a carência amorosa, o ciúme e a infidelidade, dentre outros. Quando isso acontece, tanto o nosso humor, quanto a nossa capacidade de concentração, a nossa energia, nossa auto-estima, o nosso trabalho e a nossa saúde, dentre outras dimensões das nossas vidas, podem ser profundamente afetados. Nos levantamentos realizados, a maioria das pessoas reporta que a intimidade (e aqui podemos identificar o amor e a paixão como um de seus grandes expoentes), com outros seres humanos é, isoladamente, o aspecto mais gratificante da vida (Davidoff, 1983; Bytronski, 1995). Embora expresso de maneiras diferenciadas, o amor é sumamente importante para o desenvolvimento da personalidade e crescimento da humanidade. Contudo, será que todos aqueles que se entregam aos deleites dos afetos românticos sabem discernir corretamente a realidade que vivenciam, de maneira a poderem dizer se amam ou se simplesmente estão apaixonados? Especialistas cujo enfoque é o amor e os seus desdobramentos acreditam que há bastante confusão entre esses dois domínios, e que pronunciados em situação errada, podem causar significativos prejuízos, na vida dos que falam e na vida dos que ouvem tais dizeres, como um sentimento mal interpretado. O amor é um sistema complexo e dinâmico que envolve cognições, emoções e comportamentos relacionados muitas vezes à felicidade para o ser humano; diferiria da paixão por sua maior permanência e menor efusividade que a paixão, embora não se omitam os estados de alegria e de tristeza relacionados a sua presença ou mesmo a sua ausência para o ser humano. Dificilmente, a paixão resiste a mais de dois anos. Pode-se dizer, assim, que geralmente estar com o(a) mesmo(a) parceiro(a) por mais de dois anos seja um forte indício do amor presente cimentando a relação e que assim, o amor comporta adversidades enquanto, por sua vez, a paixão não. Ao que se sabe, o desenvolvimento emocional se dá imediatamente após o nascimento e percorre um longo caminho através das etapas determinadas pela idade e cultura, que caracterizam a evolução do ser humano (Bowlby, 1989). Contudo, embora não se possa dizer que o amor, ou ainda, os estados de apaixonamento, entre duas pessoas não seja um fenômeno local, ou ainda, contemporâneo, as idéias que advogam uma importância do amor para o cotidiano, sobretudo, notadamente para a sua fisiologia e para o seu funcionamento psíquico, são bem recentes. Há, pois, que se ter em mente que o amor, a princípio, é uma crença emocional. Como toda e qualquer crença, “pode ser mantida, alterada, dispensada, trocada, melhorada, piorada ou abolida. Nenhum dos seus constituintes afetivos é fixo por natureza” (Costa, 1998, p. 12). Ao longo dos séculos, muitos pensadores manifestaram suas idéias a respeito do amor, quer ressaltando seu valor positivo e exclusivamente humano, quer identificando nele a expressão inefável da transcendência, ou ainda, tratando-o como meta inalcançável, e considerando-o como algo alienador e, portanto, execrável. Segundo Priore (2006) o amor é um milagre de encantamento, uma espécie de presente que atravessa os séculos. E talvez, grande parte dos seres humanos não viva a plenitude do amor, muitas vezes, por ter errôneos, ou ainda, idealizados conceitos e imagens distorcidas do que seja ele. Dessa forma, recorrem a estereotipagens amorosas, resultando em arremedos afetivos que empobrecem sua concepção de amor e que tanto desgastam as pessoas. Assim, pode-se depreender que como conseqüência disso, no mundo há muito amor, mas também há muita solidão. Até algum tempo atrás, a ciência da psicologia nunca pareceu muito interessada nesse assunto, talvez por entender o amor como algo abstrato e que desafiasse qualquer proposta de mensuração. As publicações nessa área eram poucas, muitas vezes relacionadas com o amor entre mãe, filhos, etc. Por muito tempo, buscou-se uma definição que fosse aceita por cientistas e pessoas do senso comum a respeito do que seria o conceito de amor. Em uma de suas prováveis origens, o termo ‘amor’ deriva etimologicamente de termos greco-romanos, onde
Avalie este artigo:
Current: 3 / 5 stars - 2 vote(s).
Fonte Artigos - Artigonal.com
Perfil o autor:Thiago de Almeida - Psicólogo (CRP: 06/75185). Mestre pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e doutorando do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Especializado no tratamento de relacionamentos amorosos problemáticos e psicoterapeuta de casais. Atende em seu consultório na Rua Alvarenga, 683. Butantã-SP - Fone: (11) 3097.9753. Home page: www.thiagodealmeida.com.br
|
Submeter artigos se tornou um dos meios os mais populares de gerar links de qualidade e tráfego para o seu site. CADASTRE-SE JÁ, É DE GRAÇA! |
|
Artigos Relacionados
Esse Estranho Objeto Do Desejo Por: Miriam de sales oliveira da rocha | 07/06/2008 | Casamento Fala-se de relacionamentos,amor,peixão,desejo,rejeição.O amor nos tempos de hoje.
Para Viver Um Grande Amor, Só Um Grande Amor Correspondido Por: ASHBELL SIMONTON REDUA | 14/07/2008 | Relacionamentos Saber que você ama alguém que também te ama, onde há reciprocidade do mesmo sentimento, é ago extraordinário. É sentir amparado. Então posso expressar para a minha amada: “quando eu chorar, terei a tua compaixão e chorarás comigo. Quando eu estiver alegre, você irá sorrir comigo. Quando eu estiver desanimado, você me encorajará. Quando eu cair, você irá me levantar. Quando eu estiver cansado, você me carregará. Eu estarei com você até o final dos tempos, e te amarei pra sempre."
Até Que A Vida Nos Separe Por: ASHBELL SIMONTON REDUA | 14/07/2008 | Relacionamentos Entendemos que a vida separa mais do que a morte, as próprias circunstâncias existenciais da vida, seja na área financeira, emocional, relacionamento com familiares opostos, a interferência de familiares próximos como pais, acabam por contribuir para a separação, e, tudo isto acontece em vida.
Minha Vida Tá Igual Ao The Sims Por: Elenilton Freitas | 16/09/2008 | Casamento Estou tentando há um bom tempo casar no The Sims mas está difícil. Meu personagem tem meu nome e mora com sua filha, cujo mesmo nome é o da minha. Ele trabalha como socorrista segunda, terça, quinta, sexta e sábado e seu salário é muito baixo. Estou tentando fazer ele conquistar Diaz, mas está mesmo difícil...
Iara era minha colega de sala e durante um bom tempo gostei dela, lá pela 4ª série. Gostava e desgostava à medida que ficava sabendo que ela me esnobava perante as colegas. Iara se casou
O Ciclone E O Aguaceiro Por: Pedro Augusto Alves Pereira | 24/09/2008 | Relacionamentos Um pequeno e importante tratado, que visa quebrar o paradigma de que discutir a relação é o único caminho para um final feliz.
VIVER O AMOR Por: Vera Helena | 24/02/2008 | Poesia Formas para se viver o amor
O Que Representa O Natal Por: Leontina Rita Acorinti Trentin | 13/05/2008 | Auto-Ajuda e Esoterismo As escrituras em geral nos relatam o Natal como a data de nascimento do menino Jesus, que veio ao mundo para nos ensinar o que é espiritualidade e como nos portar para que, através destes ensinamentos, aproveitemos nossa estadia na terra. Jesus foi e é um ícone a nos guiar nos caminhos do bem, do amor e mais do que nunca da inteligência.
Quando O Amor Acontece.. Por: Miriam de sales oliveira da rocha | 20/06/2008 | Casamento Uma análise bem humorada e pouco dogmatica sebre amor,relacionamentos,aventuras.Dedicado aos apaixonados
Últimos Psicoterapia artigos
Como Nos Vemos.. Por: Bruno Augusto das Chagas | 27/11/2008 No nosso dia a dia percebemos como a auto – imagem está em todos os setores da nossa vida. Por exemplo: em uma relação profissional, social e até mesmo amorosa, por essa auto-imagem podemos perceber as motivações, as atitudes e habilidades, os pontos positivos e negativos de uma determinada pessoa. O modo de falar, agir, vestir ou até mesmo expor seus pensamentos pode fazer muita diferença nas relações sociais de nosso cotidiano.
Homoerotismo Feminino e Visibilidade Social Por: Paulo Bonanca | 26/11/2008 A luta dos movimentos que reivindicam a visibilidade da mulher de orientação sexual homolésbica enfrenta hoje uma dupla batalha: uma frente à sociedade patriarcal, determinista, estruturalista, centrada na figura da dona de casa submissa ao esposo, mãe dedicada , despojada de autonomia econômica e liderança social
Tamanho Do Pênis, Patriarcado E Sexualida Por: Paulo Bonanca | 26/11/2008 Nossa primeira referencia biológica vinculada ao sexo que pertencemos vem do ter ou não ter pênis, daí talvez venha o medo de se vincular o pênis pequeno ao feminino, ao clitóris, à vagina
Sexualidade e Tabu Na Terceira Idade Por: Paulo Bonanca | 26/11/2008 O desejo como parte intrínseca do homem como gênero humano, não explicita suas motivações, nem filosofa sobre a configuração e eleição do seu objeto de prazer, é atemporal, vincula-se entre o passado e o futuro, se atualiza no presente, como motor e aditivo dos mecanismos da busca da satisfação
Psicoterapeuta E A Causa Gls Por: Paulo Bonanca | 25/11/2008 Indicações para a busca de um psicoterapeuta sintonizado com a causa GLS
Poder, Anormalidade E Homossexualidade Por: Paulo Bonanca | 25/11/2008 Aportes de Kinsey e Foucault
Este artigo, é uma homenagem a dois grandes guerreiros modernos, que a seu tempo e de seu modo contribuíram para a visão que temos hoje, sobre a sexualidade humana e a seus atuais seguidores.
Hiv Aids Por: Paulo Bonanca | 25/11/2008 discriminacao, informacao. A Aids, “Síndrome de Imunodeficiência Adquirida” do inglês Acquired Immuno Deficiency Syndrome, e considerada pela Organização Mundial da Saúde uma enfermidade de caráter epidêmico
Família e Hiv-Aids, Derrubando A Discriminação Por: Paulo Bonanca | 24/11/2008 familia, discriminacao, hiv-aids, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida. A aceitação do sujeito e a troca de informações dentro da família geram um apoio emocional
Mais artigos de Thiago de Almeida
A Origem Brasileira Do Dia Dos Namorados Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Ciência Internacionalmente o dia dos namorados é tradicionalmente comemorado como Dia de São Valentim, no dia 14 de fevereiro. No entanto, no Brasil celebramos anualmente no dia 12 de Junho, exatamente na véspera do dia de um outro santo da igreja católica chamado santo Antônio, também conhecido por seus ‘méritos’ enquanto casamenteiro.Mas, quem inventou o dia 12 de junho, dia dos namorados no Brasil, não foram às pessoas apaixonadas. Saiba mais...
O Valor Oculto Da Timidez Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia Quer seja para procurarem um novo amor, quer seja para obterem um melhor posto em seu trabalho, ou ainda, para obterem um encaminhamento para lidar com as diversas situações-problemas do seu cotidiano com uma maior proficuidade, as pessoas mais cedo ou mais tarde, deparam-se com a questão da timidez. Este artigo versa acerca disso.
Quando O Amor Rima Com Dor E Se Transforma Em Uma Patologia Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia amar alguém, em primeira análise, significa reconhecer uma pessoa como fonte real ou potencial para a própria felicidade. Contudo, ao que parece, cada pessoa sabe exatamente como está sentindo seu amor, ou lamentando a falta dele, se regozijando ou sofrendo com ele, explicando que tipo de amor é o seu, reclamando reciprocidade, exigindo cumplicidade ou ocultando o amor proibido. Será mesmo?
Amor E Sexo Após Os 60 Anos: Utopia Ou Realidade? Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia O que muitas vezes se desconsidera é que a velhice é um processo contínuo desde o nascimento. É importante destacar que a velhice não é um processo único, mas a soma de vários outros, distintos, entre si. O que se percebe, então, é que a escassez de informações sobre o processo de envelhecimento, assim como das mudanças na sexualidade em diferentes faixas etárias e especialmente na velhice, tem auxiliado a manutenção de preconceitos e, conseqüentemente, trouxeram muitas estagnações para eles.
Envelhecimento, Amor E Sexualidade: Utopia Ou Realidade? Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia O envelhecimento mundial é um fenômeno que tem sido muito discutido na última década, sobretudo por seu significativo crescimento. Muitos pesquisadores de diferentes áreas têm mostrado interesse em estudar essa fase da vida. Infelizmente, os idosos são vistos com preconceito, porque ainda hoje a idéia de envelhecer é vista como sinônimo de doença e incapacidade. Outro tema bastante comum para o nosso cotidiano é discorrer a respeito do conceito de amor.
Valentines Day - Dia Dos Namorados Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia Os romanos celebram o dia dos namorados no dia 15 de fevereiro como a festa da Lupercalia. Em Macau, os chineses comemoram esta data no dia 2 de março, como uma forma de celebrar de uma nova forma a velha “Festividade das Lanternas”. Nos EUA, as pessoas, no dia 14 de fevereiro convidam-se umas às outras para serem “Valentims”. No Brasil comemora-se a 12 de junho. O Amor é, portanto celebrado em diversos lugares, de diferentes maneiras. Mas, como começou este dia e quem é São Valentim?
A Síndrome De Otelo – Quando O Ciúme Se Torna Patológico Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia ciúme surge quando um relacionamento diádico valorizado é ameaçado devido à interferência de um rival e pode envolver sentimentos como medo, suspeição, desconfiança, angústia, ansiedade, raiva, rejeição, indignação, constrangimento e solidão, dentre outras, dependendo de cada pessoa. Entretanto, pode atingir elevador níveis e nefastas conseqüências para os relacionamentos amorosos. Este artigo discorre sobre isso.
É Paixão Ou Amor? Por: Thiago de Almeida | 10/06/2008 | Psicoterapia Será que todos aqueles que se entregam aos deleites dos afetos românticos sabem discernir corretamente a realidade que vivenciam, e assim, poderão dizer se amam ou se simplesmente estão apaixonados? Especialistas cujo enfoque é o amor e os seus desdobramentos acreditam que há bastante confusão entre esses dois domínios, e que pronunciadas em situação errada, podem causar significativos prejuízos, na vida dos que falam e na vida dos que ouvem tais dizeres, como um sentimento mal interpretado.
|
 |