O terrível contágio da perversão

16/02/2012 • Por • 4,603 Acessos

A evidência incontestável de que a maldade tem para os maus uma força de atração tão grande quanto a bondade para os bons é a maior motivação para se evitar o primeiro ato de qualquer erro humano.

A malícia atrai mais gente que o Bem

Este é um assunto fácil de visualizar e complicado de apreender. Isto porque trata de um problema "comum" para se cair, mas que é uma dor-de-cabeça para se livrar dele. Lembra até a história da Máfia, onde é fácil entrar, mas quase impossível sair. Assim sendo, de saída, o mais importante é conceituar bem as coisas, de tal modo que ao final tenhamos pelo menos uma mensagem inteligível, apesar dos frequentes erros de interpretação incorporados a ela.

As coisas aparentemente possuem "vida", e é uma vida protegida por algum tipo de "hímen espiritual", onde a segurança depende de sua integridade intocável ao longo do tempo, sem qualquer violação de seu estado inicial, ou onde não poderia haver nada mais que um olhar, tal como fazemos quando estamos diante de porcelanas antigas ou peças raras de museus. Isto se verifica principalmente em coisas cuja manipulação afronta a Lei, fere a consciência, quebra a Lógica ou agride a Natureza. É como se o Criador tivesse criado a consciência humana para vislumbrar o Bem, a Beleza e o Prazer, sem poder usufruir deles nada além do ponto em que suscitam a sua matriz geradora no Céu. Ou que qualquer tentativa de se curtir a fonte a fizesse secar irremediavelmente, ficando óbvio que ela não é apenas finita, mas restrita a pouquíssimos usos. Talvez entendamos as coisas melhor agora.

Existiria então uma espécie de "virgindade espiritual" (conheça ESTA virgindade clicando NESTE link) que guardaria a recompensa dos nossos atos exclusivamente em relação às ocasiões onde tocássemos apenas uma vez, promovendo uma "rarefação" tão terrível que o prazer do primeiro ato iria se esvaziando a ponto de ao final desaparecer ou converter-se em desprazer, irritação, queimação, angústia. E pior, se o comportamento que quebrar aquela "virgindade" for além (e não parar na primeira vez), numa afronta direta à Lei, à consciência, à Lógica ou à Natureza, então aí é que tenderia ao pior binômio de efeitos, a saber: gerar cada vez menos prazer e mais desejo, levando a consciência ao inferno da sede insaciável que nada sacia.

A lógica manda pensar que, num mundo onde a REPETIÇÃO foi proibida, então deve haver uma quantidade tão incontável de prazeres que não seria justo repetir nenhum, sob pena de não dar tempo de curtir todos! Esta é a lógica mais óbvia aplicada. Mas, e se não for isso?... Se não for isso, a única explicação é que os prazeres terrenos, conquanto tenham a magia de encantar e cativar, jamais foram feitos para a Terra, e sim, para deixar na Terra uma "isca" ou um chamariz a apontar para o verdadeiro gozo ao qual se conectam no Paraíso, como se cada prazer tivesse a sua matriz-superlativa no Além.

Quando a ruptura dessa regra se dá em prazeres cujo contato não fere lei alguma (nem lógica, nem natural), então o Criador teria permitido, mas tão somente por causa da nossa sobrevivência, o usufruto em doses homeopáticas, concedendo a reincidência como instrumento de revigoramento na atmosfera doentia de Tellus, ou como veículo de saúde mental numa era de estresse e depressão. Aqui entrariam prazeres como comer carnes vermelhas (bem como guloseimas, salgadinhos, fast-foods e outras delícias), prática de esportes radicais, artes marciais, danças e toda relação humana cujo fim esteja estritamente relacionado à procriação.

Porém, quando a ruptura dessa regra se dá por prazeres que afrontam alguma Lei (sobretudo quando afrontar a Natureza e a consciência – ou "Lei Natural" –), então o efeito resultante é a desintegração total da consciência, com a perda inexorável da noção de limites! Neste sentido, as estatísticas dão como certo que é muito mais fácil ver, por exemplo, um pedófilo estar associado a roubos e assassinatos, do que um homem normal e fiel à sua mulher. Ou seja: o que acontece é que, se a consciência já engoliu a quebra de uma Lei (p.ex., a que diz que "é proibido transar com crianças"), essa exceção ou "abertura" para o ilegal leva ao afrouxamento da ‘auto-acusação', tornando a mente de seu praticante condescendente – a princípio – e depois omissa ou "muda" em relação ao ato, encarando-o ao final como coisa normal ou até "legal".

Não pense jamais o leitor que aqui se está dizendo que não haja milhares ou milhões de "homens sérios" de colarinho branco, que são assassinos enrustidos ou camuflados de bons moços, enganando a todos! Não. Nada disso. É claro que há. O que as estatísticas dizem é que nos ambientes onde não existe limite algum para nada, as suas personagens passam de um crime a outro sem qualquer impedimento, remorso ou mesmo constrangimento, e por isso em casa de meretrizes sempre há empregadas ladras ou filhas ladras, pois a vida das mães e das tias não oferece nenhum modelo de legalidade no qual as crianças possam se basear.

É a filosofia geral dos presídios. Ali, onde a lei já foi desrespeitada antes, não poderá se esperar o cumprimento de lei alguma, e por isso os presidiários ladrões acabam se tornando assassinos e vice-versa, por força da ruptura mental do conceito de "proibição" que só a Lei oferece.

Saindo dos meretrícios e presídios e vindo para a sociedade dita "normal" (onde nós nos encontramos enquanto não quebrarmos a lei dos homens), as estatísticas continuam funcionando como nos antros acima descritos. I.e, quando um de nós, aceito como "normal" pelas regras vigentes, decide experimentar um prazer proibido (não pelas leis humanas, mas pelas divinas), esta experimentação vai quebrar instantaneamente a única proteção que sua mente – aparentemente obediente – ainda tinha, que era a "virgindade espiritual". Então, numa mente assim, que só estava esperando o momento em que a coragem ia se aliar à loucura, a experimentação daquele primeiro prazer proibido ("proibido por quem ou por quê?") desintegrará aquela consciência na direção daquele prazer, e na segunda vez o ato já será bem mais fácil de encarar, mas renderá cada vez menos prazer. Até que mais uma vez a loucura já tenha dominado o medo e ele desça mais um degrau na busca do prazer, e ali pode chegar à pedofilia ou ao assassinato propriamente dito. Repito: isto não está sendo dito de presidiários, mas de nós mesmos, bastando um mero ‘abalo' na saúde mental... (um exemplo pavoroso disso se encontra NESTE link, onde uma adolescente chegou ao mais lúgubre dos prazeres!)...

Com efeito e a rigor, as nossas avós é que estavam certas, bem como a escola antiga, quando diziam que "as crianças sempre aprendem o mal com muito mais facilidade do que o bem", tal como preferem mais amizades com os ‘traquinas' da turma, do que com os "bonzinhos" ou estudiosos. E é isto mesmo que diz a tradição cristã: "que os homens amaram mais as trevas do que a luz" (Evangelho de João 3,19-21).

A conclusão óbvia está no título: a perversão ("per-versão": aquilo que perverte ou subverte a ordem lógica) é muito mais atraente para nós humanos; e só há uma explicação para entender POR QUE isto acontece, e somente a Bíblia a expõe sem rodeios e sem influências da modernidade: cada um de nós se desviou do Caminho de Deus para caminhos incertos e perigosos, os quais oferecem perigo não apenas porque somos fracos perante monstros, mas porque somos monstros perante fracos, violando virgindades e inocências que Deus criou para exclusiva participação na Beatitude Suprema. Não é, pois, aquilo que faz bem e agrada a Deus o que atrai a quem já O desobedeceu com prazer... Mas é exatamente aquilo que O desagrada e estraga o bem (cortejando o caos e a desordem) a única condição onde os maus se sentem livres para um prazer que a cada dia exige mais esforço e a cada vez rende menos prazer. Eis aí o retrato perfeito do inferno.

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Perfil do Autor

Prof. JV de Miranda Leão Neto

João Valente de Miranda Leão Neto é bacharel em Administração de Empresas, com pós-graduação em O&M. É bacharel em Teologia, com...