Regressão em Psicánalise: Fases da vida

09/10/2011 • Por • 634 Acessos

Laplanche e Pontalis (2001), coloca que regressão encontra-se num processo psíquico que contenha um sentido de percurso de desenvolvimento, em retorno em sentido inverso desde um ponto já atingido até um ponto situado antes deste. Regressão do ponto de vista terminológico, regredir significa andar ou voltar para trás, o que pode conceber-se tanto num sentido lógico ou espacial como temporal.

Freud introduziu a noção de regressão em A interpretação dos sonhos: os pensamentos do sonho apresentam-se principalmente sob a forma de imagens sensoriais que se impõem ao sujeito de forma quase alucinatória. Esta caracteristica exige uma concepção tópica em sentido tópico, a regressão se dá, de acordo com Freud, ao longo de uma sucessão de sistemas psíquicos que a excitação percorre normalmente segundo determinada direção.

No estado de vigília, estes são percorridos pelas excitações num sentido progressivo (da percepção para a motilidade); no estado de sono, os pensamentos, aos quais e recusado o acesso a motilidade, regridem até o sistema de percepção.

Acerca do desenvolvimento psicossexual do individuo  Freu atribui o significado temporal de regressão que supoe uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento (fases libidinais, relações de objeto, identificações, etc).

O termo regressão foi usado de forma indireta por Freud nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade 1905 já encontrava-se indicações referentes a possibilidade de um (retorno) da libido a caminho lateral de satisfação e a objetos anteriores. Em 1915 Freud notou que sua descoberta sobre a idéia de regressão da libido já havia sido dita de forma indireta pelo mesmo.

A noção de regressão temporal foi definida em 1913 depois que Freud comentou sobre as fases do desenvolvimento psicossexual infantil que foi em 1910-12 .

 Em (A predisposição para a neurose obsessiva 1913), os casos que reside a predisposição para a neurose obsessiva nunca e completamente superada uma vez que se instalou.

A noção de regressão formal foi menos utilizada por Freud, designa a passagem a modos de expressão e de comportamento de nivel inferior do ponto de vista da complexidade, da estruturação e da diferenciação. Resumindo quando os modos de expressão e de figuração habituais são substituidos por modos primitivos.

Podemos dizer então que as 3 formas de regressão, na sua base, são apenas uma e na maioria dos casos coincidem, porque o que e mais antigo no tempo e igualmente primitivo na forma e, na tópica psiquica, situa-se mais perto da extremidade perceptiva

Kury,J e Perez (1988), comenta que em determindas circunstâncias o recalque determina a possibilidade de uma regressão, mas também deve-se levar em consideracao que a regressão pode- se produzir idependentemente dele. Na perversão ocorre que o sintoma perverso e um compromisso regressivo isento da modalidade recalcada ou seja, não há ausência de recalque.

Em relação as neuroses, na histeria a regressão remete a corrente libidinal ao investimento dos primeiros objetos, próprios do Édipo. O inconsciente mantém carregadas as representações inerentes a fase fálica.No caso da neurose obsessiva também se produz uma regressão aos primeiros objetos, porém aqui se acrescenta um outro aspecto, a regressão a fase sádico-anal produzindo-se um processo de duplo efeito, portanto, a regressão não e somente temporal como na histeria, más também formal sob formas de relação de objeto pré- genitais.

Freud (1917) quando descreveu regressão nos sonhos colocou que o que acontece nos sonhos alucinatórios e uma excitação que se move em direção retrocedente. Em vez de propagar a extremidade motora do aparelho,ela se movimenta no sentido da extremidade sensorial e, por fim, atinge o sistema perceptivo ,como já foi exposto acima essa regressao não acontece apenas nos sonhos.

Freud fala então de regressão no sonho, quando uma representação é transformada na imagem sensorial que originalmente derivou.

No entanto, ele explica que devemos ter em mente que para explicar a  regressão nos sonhos temos que saber que as regressões também ocorrem nos estados patológicos de vigilha, e, neste contexto, há pouca explicação apenas sabemos que ocorre a despeito de uma corrente sensorial que flui ininterruptamente em direção progressiva. Tudo isso e fato e nos compele a examinar mais de perto o papel desempenhado nos sonhos pela realização de desejo e a importância dos pensamentos da vigílha que persistem no sono.

Quando Freud explica regressão nas neuroses e nas neuroses de transferência o mesmo coloca que e importante não perder de vista a relação entre fixação e regressão. Dois tipos de regressão são apresentadas :um retorno aos objetos que inicialmente foram catexizados pela libido, aos quais , conforme sabemos, são de natureza incestuosa: e um retorno da iniciação sexual como um todo a estadios anteriores.

Mijolla (2005), salienta ainda que a regressão é, sem dúvida, onde quer que se manifeste, um efeito da resistência que impede o pensamento de ter acesso á consciência pela via normal. A mesma sendo assim desmpenha na teoria da formação dos sintomas neuróticos um papel tão importante quanto na teoria dos sonhos.

No sonho alucinatório podemos entender que a exitação segue uma via retrógrada. O sonho tem caráter regrediente por causa do fechamento do pólo motor, o trajeto é retrogradado na direção da percepção e da figuração alucinatória visual. Essa regressão é uma particularidade psicológica do processo onírico, mas não é predicado do sonho.

E finalmente em 1920 na segunda teoria das pulsões de Freud, a regressão torna-se constitutiva da pulsão de morte e pode acarretar um risco de destruição das estruturas psíquicas, mas adquire também o sentido de um mecanismo do qual o Eu pode servir-se.

Mijolla (2005) apud Marilia Aisenstein, " a reticência de Freud em 1917 em torno da noção de regressão está ligada á sua referência á primeira teoria das pulsões e á primeira tópica". A autora explica que Freud está contrariado por situar e formular a regressão não só em termos de tópica, mas, sobretudo, em termos de libido e de pulsões do Eu.

A mesma autora concorda com (Winicott, D.W 1969). A regressão e uma forma de defesa e permanece a serviçoo do Eu. Do lado do analista, a regressão formal permite-lhe uma outra escuta.   

            

Perfil do Autor

Michele Cruz Vieira

Sou Psicóloga Clínica com abordagem psicanalítica Especialista em Psicopatologia e Saúde Pública pela (USP) Especializanda em Psicoterapia...