Regressão em Psicánalise: Fases da vida

Publicado em: 09/10/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 500 |

Laplanche e Pontalis (2001), coloca que regressão encontra-se num processo psíquico que contenha um sentido de percurso de desenvolvimento, em retorno em sentido inverso desde um ponto já atingido até um ponto situado antes deste. Regressão do ponto de vista terminológico, regredir significa andar ou voltar para trás, o que pode conceber-se tanto num sentido lógico ou espacial como temporal.

Freud introduziu a noção de regressão em A interpretação dos sonhos: os pensamentos do sonho apresentam-se principalmente sob a forma de imagens sensoriais que se impõem ao sujeito de forma quase alucinatória. Esta caracteristica exige uma concepção tópica em sentido tópico, a regressão se dá, de acordo com Freud, ao longo de uma sucessão de sistemas psíquicos que a excitação percorre normalmente segundo determinada direção.

No estado de vigília, estes são percorridos pelas excitações num sentido progressivo (da percepção para a motilidade); no estado de sono, os pensamentos, aos quais e recusado o acesso a motilidade, regridem até o sistema de percepção.

Acerca do desenvolvimento psicossexual do individuo  Freu atribui o significado temporal de regressão que supoe uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento (fases libidinais, relações de objeto, identificações, etc).

O termo regressão foi usado de forma indireta por Freud nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade 1905 já encontrava-se indicações referentes a possibilidade de um (retorno) da libido a caminho lateral de satisfação e a objetos anteriores. Em 1915 Freud notou que sua descoberta sobre a idéia de regressão da libido já havia sido dita de forma indireta pelo mesmo.

A noção de regressão temporal foi definida em 1913 depois que Freud comentou sobre as fases do desenvolvimento psicossexual infantil que foi em 1910-12 .

 Em (A predisposição para a neurose obsessiva 1913), os casos que reside a predisposição para a neurose obsessiva nunca e completamente superada uma vez que se instalou.

A noção de regressão formal foi menos utilizada por Freud, designa a passagem a modos de expressão e de comportamento de nivel inferior do ponto de vista da complexidade, da estruturação e da diferenciação. Resumindo quando os modos de expressão e de figuração habituais são substituidos por modos primitivos.

Podemos dizer então que as 3 formas de regressão, na sua base, são apenas uma e na maioria dos casos coincidem, porque o que e mais antigo no tempo e igualmente primitivo na forma e, na tópica psiquica, situa-se mais perto da extremidade perceptiva

Kury,J e Perez (1988), comenta que em determindas circunstâncias o recalque determina a possibilidade de uma regressão, mas também deve-se levar em consideracao que a regressão pode- se produzir idependentemente dele. Na perversão ocorre que o sintoma perverso e um compromisso regressivo isento da modalidade recalcada ou seja, não há ausência de recalque.

Em relação as neuroses, na histeria a regressão remete a corrente libidinal ao investimento dos primeiros objetos, próprios do Édipo. O inconsciente mantém carregadas as representações inerentes a fase fálica.No caso da neurose obsessiva também se produz uma regressão aos primeiros objetos, porém aqui se acrescenta um outro aspecto, a regressão a fase sádico-anal produzindo-se um processo de duplo efeito, portanto, a regressão não e somente temporal como na histeria, más também formal sob formas de relação de objeto pré- genitais.

Freud (1917) quando descreveu regressão nos sonhos colocou que o que acontece nos sonhos alucinatórios e uma excitação que se move em direção retrocedente. Em vez de propagar a extremidade motora do aparelho,ela se movimenta no sentido da extremidade sensorial e, por fim, atinge o sistema perceptivo ,como já foi exposto acima essa regressao não acontece apenas nos sonhos.

Freud fala então de regressão no sonho, quando uma representação é transformada na imagem sensorial que originalmente derivou.

No entanto, ele explica que devemos ter em mente que para explicar a  regressão nos sonhos temos que saber que as regressões também ocorrem nos estados patológicos de vigilha, e, neste contexto, há pouca explicação apenas sabemos que ocorre a despeito de uma corrente sensorial que flui ininterruptamente em direção progressiva. Tudo isso e fato e nos compele a examinar mais de perto o papel desempenhado nos sonhos pela realização de desejo e a importância dos pensamentos da vigílha que persistem no sono.

Quando Freud explica regressão nas neuroses e nas neuroses de transferência o mesmo coloca que e importante não perder de vista a relação entre fixação e regressão. Dois tipos de regressão são apresentadas :um retorno aos objetos que inicialmente foram catexizados pela libido, aos quais , conforme sabemos, são de natureza incestuosa: e um retorno da iniciação sexual como um todo a estadios anteriores.

Mijolla (2005), salienta ainda que a regressão é, sem dúvida, onde quer que se manifeste, um efeito da resistência que impede o pensamento de ter acesso á consciência pela via normal. A mesma sendo assim desmpenha na teoria da formação dos sintomas neuróticos um papel tão importante quanto na teoria dos sonhos.

No sonho alucinatório podemos entender que a exitação segue uma via retrógrada. O sonho tem caráter regrediente por causa do fechamento do pólo motor, o trajeto é retrogradado na direção da percepção e da figuração alucinatória visual. Essa regressão é uma particularidade psicológica do processo onírico, mas não é predicado do sonho.

E finalmente em 1920 na segunda teoria das pulsões de Freud, a regressão torna-se constitutiva da pulsão de morte e pode acarretar um risco de destruição das estruturas psíquicas, mas adquire também o sentido de um mecanismo do qual o Eu pode servir-se.

Mijolla (2005) apud Marilia Aisenstein, " a reticência de Freud em 1917 em torno da noção de regressão está ligada á sua referência á primeira teoria das pulsões e á primeira tópica". A autora explica que Freud está contrariado por situar e formular a regressão não só em termos de tópica, mas, sobretudo, em termos de libido e de pulsões do Eu.

A mesma autora concorda com (Winicott, D.W 1969). A regressão e uma forma de defesa e permanece a serviçoo do Eu. Do lado do analista, a regressão formal permite-lhe uma outra escuta.   

            

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 0 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/regressao-em-psicanalise-fases-da-vida-5288988.html

    Palavras-chave do artigo:

    psicoterapia terapia psicanalise analise auto ajuda

    Comentar sobre o artigo

    Paulo R. da Silva Bastos

    Foram algumas as direções tomadas pelos teóricos interessados no casamento da Psicanálise com a Educação. Criar uma nova disciplina, a Pedagogia Psicanalítica, o esforço de transmitir a pais e professores a teoria psicanalítica, imaginando que de posse desse conhecimento, pudessem evitar que as neuroses se instalassem em seus filhos e alunos. uma tentativa mais difusa de transmitir a Psicanálise a todos os representantes da cultura interessados em ampliar a sua visão de mundo.

    Por: Paulo R. da Silva Bastosl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 06/04/2010 lAcessos: 5,851 lComentário: 1
    Renan Poggi de Figueredo

    Este artigo vem trazer um posicionamento inovador direcionando a técnica de dinâmica de grupo enquanto ferramenta da liderança.

    Por: Renan Poggi de Figueredol Negóciosl 01/06/2013 lAcessos: 56

    texto inicial que aborda a criança com obsessão Pode-se estranhar que se fale de uma criança com obsessão, mas deve-se levar em conta uma questão básica em Espiritismo, de que a criança é um Espírito adulto que habita um corpo infantil, em fase de evolução natural de uma Vida, no processo reencarnatório. Não se trata, portanto, de uma abstração, mas de uma realidade palpável e freqüente nos dias atuais, quando encontramos enorme número de crianças com problemas de ordem psico-espiritual, confundidos com problemas adaptativos e, algumas vezes, rotuladas como crianças especiais, quando de especiais, na realidade, nada têm demais.

    Por: Dr Carlos Reyl Psicologia&Auto-Ajudal 26/02/2009 lAcessos: 8,775 lComentário: 1

    O presente artigo se refere a uma pesquisa bibliográfica e de campo realizada com dependentes químicos que residem em uma casa de recuperação nomeada ASCORE (Associação Comunitária Recompensa), cuja modalidade é acolhedora. O objetivo da pesquisa foi observar como as ações da mesma, como arteterapia, laborterapia, atividades lúdicas e dinâmicas, contribuem para a autoestima do dependente químico.

    Por: Flávia Oliveira Reisl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 26/09/2014
    Bruno Moraes

    A ansiedade é um comportamento caracterizado por um estado mental de apreensão ou medo devido à antecipação de uma situação desagradável ou ameaçadora. O foco dessa ameaça antecipada pode ser interna ou externa. Este comportamento é uma reação à crença na falta de habilidade em se lidar com determinado evento.

    Por: Bruno Moraesl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 18/09/2014 lAcessos: 15
    Bruno Moraes

    Existem momentos na vida em que nos deparamos com situações as quais não temos, ou perdemos a habilidade de lidar de forma adequada com eventos do cotidiano. Seja na infância, adolescência, fase adulta ou mesmo na melhor idade, sempre temos questões a solucionar, e muitas vezes nos encontramos perdidos quanto a qual o melhor caminho a se tomar.

    Por: Bruno Moraesl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 18/09/2014

    A proposição aqui é tratar a passagem do ser humano da natureza para a cultura e suas influências na formação do ser e da sociedade. Essa formação social e do sujeito se dão em um fluxo de mão dupla, ou seja, o homem transforma a cultura que por sua vez transforma o homem. Conforme o pensamento de Levi-Strauss a lei do incesto é o ponto, o elemento chave que tira o homem da natureza, essa consanguínea e a o introduz na cultura, aliança.

    Por: Samuel Gouveperl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 17/09/2014
    José Eduardo Geremias

    Existem várias semelhanças entre as história e as lendas, porém, alguns elementos caracterizam as lendas com algo misterioso. Algumas pessoas também assemelham-se a esta construção vivencial, compartilhando esta experiência com outras pessoas.

    Por: José Eduardo Geremiasl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 13/09/2014
    José Eduardo Geremias

    A relação que estabelecemos com um livro pode ir além de uma simples leitura. É possível produzir sensações extremamente prazerosa, criando uma atmosfera favorável para a manifestação de diversos sentimentos. A partir de um vínculo edificante, desenvolve-se um verdadeiro laço afetuoso entre livro e leitor.

    Por: José Eduardo Geremiasl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 30/08/2014

    "Todo amor é recíproco, mesmo quando não é correspondido." – Lacan O que Lacan queria dizer com essa aparente, ou clara redundância?

    Por: Samuel Gouveperl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 27/08/2014

    A posição do psicanalista diante do processo analítico deve ser o de não saber. Somos completamente ignorantes considerando a subjetividade e complexidade de cada sujeito, sendo assim, só temos a "aprender".

    Por: Samuel Gouveperl Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 23/08/2014
    Michele Cruz Vieira

    A depressão é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter.

    Por: Michele Cruz Vieiral Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 27/10/2011 lAcessos: 344
    Michele Cruz Vieira

    A visão, embora seja o mais aguçado dos sentidos, a vista não trabalha sozinha: o cérebro interpreta as informações, para podermos ver claramente. Os sentidos fundamentais do corpo humano - visão, audição, tato, gustação ou paladar e olfato - constituem as funções que propiciam o nosso relacionamento com o ambiente. Este trabalho foi baseado numa revisão teórica sobre o tema abordado trazendo esclarecimentos acerca da definição, funcionamento, patologias, como as mesmas afetam o psicológico.

    Por: Michele Cruz Vieiral Saúde e Bem Estar> Medicinal 09/10/2011 lAcessos: 721
    Michele Cruz Vieira

    Antes se pensava em anorexia como um sintoma histérico, inclusive Freud pensava desta forma. Hoje podemos observar que a anorexia se utiliza de forma mais prevalente do corpo, sob forma do ato. Os estudos sobre os transtornos alimentares na adolescência e suas implicações são complexos, por resultarem de diversos fatores dos quais o principal é o processo de individuação entre mãe e filha.

    Por: Michele Cruz Vieiral Saúde e Bem Estar> Medicinal 06/10/2011 lAcessos: 267
    Michele Cruz Vieira

    No Cenário das Urgências e Emergências médicas também circulam sentimentos e emoções que modificam e mesmo interferem nos cuidados de quem, neste setor, encontra-se. O paciente atravessa uma rotina de vida, que subitamente é entrecortada pelo inusitado mal estar inesperado ou por um acidente de diversas ordens, onde as conseqüências são inundadas por medos, fantasias, inseguranças, tristezas, sensação de impotência, ansiedade e tantos outros sentimentos.

    Por: Michele Cruz Vieiral Saúde e Bem Estar> Medicinal 06/10/2011 lAcessos: 128
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast