Utilização da casca, entrecasca e raspa da mandioca na alimentação de ruminantes

Publicado em: 30/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 793 |

1 - INTRODUÇÃO

 Cultivada em todos os estados brasileiros, a Farinha Euforbiácea, do gênero Manihot, é uma planta de fácil adaptação que apresenta baixa exigência quanto a clima e tipos de solos. Popularmente conhecida como mandioca, a raiz desta planta é consumida diretamente como alimento, servindo como fonte de energia para milhões de pessoas, além de ser transformada em produtos básicos como a farinha de mesa e a fécula ou amido.

A produção de mandioca no Brasil se concentra, na sua grande maioria, em pequenas propriedades rurais que utilizam as raízes da planta para a fabricação de farinhas de mesa, tais como: farinha fina, torrada e biju. A fabricação de fécula ou amido, considerada a substância nobre da mandioca, é mais sofisticada exigindo uma tecnologia especial de extração. A fécula de mandioca serve como matéria prima para a indústria alimentícia, têxtil e farmacêutica. (LEONEL; CEREDA, 2002).

O Brasil é um dos maiores produtores de mandioca do mundo e segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2008, a área plantada ultrapassou 1,9 milhões de hectares, com produção aproximada de 26,5 milhões de toneladas, com rendimento médio de 14ton/há.

Tanto para a fabricação da farinha ou da fécula, as raízes da planta após serem colhidas precisam ser lavadas e descascadas para eliminar impurezas e substancias tânicas que escurecem o produto final, farinha ou fécula, além de eliminar também parte do acido cianídrico que se concentra em maior proporção nas entrecascas. Após esta etapa, a mandioca é ralada e prensada resultando na liberação dos amidos e homogeneização da farinha onde seguem para a parte final dos processos para obter a farinha de mesa ou fécula.

O descascamento da mandioca pode ser feito mecanicamente, através do lavador-descascador ou manualmente, como é tradicionalmente feito na região nordeste. Nesta etapa é produzido um resíduo sólido (cascas, entrecascas e raspas) que não devem ficar acumulados na área de trabalho evitando o aparecimento de moscas, baratas e outros insetos que contribuirão para a contaminação da matéria prima. Estes resíduos são, portanto constituintes da mandioca sendo a casca uma fina camada de cor marrom clara ou escura que apresenta alto teor em celulose. Já a entrecasca tem coloração branca e aspecto pergaminoso. A raspa é um subproduto constituído da própria raiz picada ou triturada.

 Atualmente existe uma grande demanda no aproveitamento de resíduos industriais que visam reduzir o impacto ambiental e também gerar recursos. Se o Brasil se destaca pela produção de mandioca, tanto para obtenção de fécula quanto de farinha de mesa, o resultado é a geração de uma grande quantidade de resíduos. Em trabalhos específicos (CEREDA, 2002) chama a atenção para a necessidade de se aproveitar ao máximo a mandioca, incluindo a parte aérea da planta.

Considerando que a produção de mandioca voltada para a fabricação de farinha de mesa se concentra na sua grande maioria em propriedades rurais e que neste contexto existe uma necessidade de gerar recursos além de uma preocupação com o destino dos resíduos gerados neste trabalho estudou-se a capacidade nutricional da casca, entrecasca e raspa da mandioca, obtida durante a lavagem e descascamento, com o objetivo de avaliar o seu aproveitamento para a fabricação de ração animal.  

Em geral, estas partes da mandioca são desperdiçadas na produção de farinha de mandioca e mesmo quando são utilizadas como ração animal acontece de forma equivocada já que os produtores a utilizam na forma in natura sem nenhum tipo de complemento alimentar.

 

1.1   VALOR NUTRITIVO DA CASCA, ENTRECASCA E RASPA DA MANDIOCA

 

De acordo com o Ministério de Estado da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária (PORTARIA nº 554, de 30 de Agosto de 1995) que defini aNorma de Identidade, Qualidade, Acondicionamento, Armazenamento e Transporte da Farinha de Mandioca, a casca da mandioca é a película que envolve a camada protetora da raiz denominada de entrecasca, já a raspa é definida como pedaços ou fragmentos do cilindro central da raiz de mandioca mal moída contendo, portanto, um pouco de polpa da raiz.

 Casca, entrecasca e raspa, são resíduos resultantes da industrialização da mandioca para a produção de farinha resultantes das etapas de pré-limpeza e descascamento. Nestas farinheiras, assim conhecidas as fábricas de farinha de mandioca, estes resíduos são utilizados como ração animal no tratamento de animais ruminantes como bovinos, gado leiteiro e de corte. Antes de serem utilizados diretamente como ração, estes resíduos são deixados ao sol ou levados em algum tipo de forno para secagem e assim eliminar parte do ácido cianídrico que se concentra em maior proporção nas entrecascas evitando problemas de toxidez no trato animal.

Até então, tudo bem aproveitar a casca, entrecasca e a raspa de mandioca, o que contribui para diminuir o impacto ambiental provocado caso estes resíduos fossem simplesmente desperdiçados, mas, o que muitos proprietários de farinheiras não sabem é que casca, entrecasca e raspa da mandioca devem servir como complemento as rações animais e não substituí-las por completo.

 

2 - MATERIAIS E MÉTODOS

Análises bromatológicas da casca, entrecasca e raspa de mandioca foram realizadas para avaliar o seu valor nutritivo. A amostra deste resíduo foi retirada da Fábrica de Farinha de Mandioca Carimâ localizada na cidade de Martinópolis, São Paulo. Com a amostra coletada, foram realizadas as análises dos teores de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), matéria mineral (Cinzas), extrativo não nitrogenado (ENN), nutriente digestível total (NDT) e umidade no laboratório de análises de água e alimentos CEPECI (Centro de Pesquisas e Ciências), da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), Estado de São Paulo.

A amostra analisada era uma mistura de casca, entrecasca e raspa que eram aproveitadas como ração no tratamento de 70 novilhas. A tabela abaixo apresenta os resultados das análises.

Tabela – Composição bromatológica de subprodutos industriais da mandioca                                                            (casca, entrecasca e raspa).

Determinações

Resultados ( % )

Extrativo Não Nitrogenado

95,23

Extrato Etéreo

0,16

Fibra Bruta

2,71

Matéria Seca

20,90

Nutriente Digestível Total

80,53

Proteína Bruta

0,99

Matéria Mineral (Cinzas)

0,91

Umidade

79,10

Observações:

- Resultados expressos em matéria natural.

 

O material que foi levado ao laboratório, apresentava-se muito úmido, este fator, aliás, fez com que houvesse a necessidade de uma pré-secagem para que as análises fossem realizadas. O laboratório utilizou-se como referências os métodos físico-químicos para análise de alimentos do INSTITUTO ADOLFO LUTZ para a determinação bromatológica do material em questão (casca, entrecasca e raspa de mandioca).

  

3 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

O valor da umidade de um alimento interfere diretamente na sua fração nutritiva, já que se eliminando a água deste material, o que resta é a fração do alimento que contém os nutrientes, ou seja, matéria seca. Vale ressaltar que estes valores podem variar dependendo da idade da planta, tempo após a colheita e até o modo de como a raiz é processada.

Analisando os resultados apresentados, observamos através da tabela, que o material apresentou valores elevados de Extrativo Não Nitrogenado e Nutriente Digestível Total.

O alto valor de Extrato Não Nitrogenado vem condizer com o fato de estes subprodutos serem partes constituintes da planta e por isso apresentarem elevados teores de carboidratos não estruturais (amido, açúcares, pectinas) semelhantes aos da raiz. Teoricamente o extrato não nitrogenado é um indicativo do valor energético dos alimentos. A fração rica em energia do alimento é o teor de gordura que ele possui identificado na tabela pelo Extrato etéreo que, observando o resultado percebemos ser um valor muito baixo. Já o valor para Nutriente Digestível Total indica a porção digestível das frações do alimento que em se tratando de animais ruminantes apresenta um alto valor. Já o resultado para a o teor de Fibra bruta foi baixo devido ao fato desta análise se referir à fração do alimento que é digestível apenas para monogástricos. A fração de Fibra bruta que é digestível apenas para ruminantes, ou seja, (celulose, hemicelulose e lignina) não foi determinada, mas acredita-se que deva apresentar valores semelhantes aos de Extrativo Não Nitrogenado e Nutriente Digestível Total.

Analisando-se o valor protéico do material (menos de 1%) percebemos que o material é pobre em proteína e por isso necessita de complementação já que a proteína é diretamente responsável pelo desempenho do animal. Uma alternativa visando aumentar o valor protéico deste material seria aproveitar também a parte aérea da planta (folhas e ramas) que oferece mais proteínas.

 

4 – CONCLUSÕES

 

Como orientação aos produtores que utilizam resíduos da mandioca (casca, entrecasca e raspa) na alimentação de animais:

Pôde-se perceber pelos resultados bromatológicos que o material composto de casca, entrecasca e raspa de mandioca apresenta alto valor energético, mas, que não oferece valor protéico significativo e por isso após passar por secagem pode servir como complemento alimentar, isto é, ser adicionado a outros tipos de rações, tais como: farelo de soja, milho, trigo, entre outros, que são ricos em proteínas. Neste caso, além do reaproveitamento os produtores já estariam baixando os custos de produção no tratamento do gado, seja corte ou leiteiro. Outra possibilidade é adicionar as cascas, entrecascas e raspas da mandioca outros subprodutos como casca de laranja, resíduos da fabricação de alimentos como bolachas, resíduos de soja entre outros.

Na literatura encontram-se trabalhos importantes sobre a utilização de resíduos de mandioca como complemento de rações animais. Os conteúdos de trabalhos tais como os de MARQUES (Jair de Araújo Marques) e ABRAHÃO (José Jorge dos Santos Abrahão) especialistas em nutrição animal, são disponibilizados através do site da ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca), e mostram haver uma boa relação entre o custo/benefício e o desempenho animal na substituição parcial de resíduos de mandioca pelo milho. JORGE et al. (2002) e CAVALCANTI (2002) citados por SILVA et al. (2005) confirmam o potencial energético da mandioca. CALDAS NETO et al. (2000) concluíram que rações compostas com casca de mandioca não acarretaram em problemas quanto ao pH ruminal mas que seu valor protéico necessita de um adicional deste nutriente. CEREDA (1996) destaca em seus trabalhos o aproveitamento de resíduos da mandioca entre eles as cascas e raspas como matéria prima para a produção de ração animal.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) visa tornar a cultura da mandioca mais competitiva e reduzir o impacto ambiental e por isso realiza constantes pesquisas sobre o reaproveitamento de resíduos da mandioca como forma de otimização. Uma das formas de reaproveitamento está na fabricação de ração para alimentação animal.

Pesquisas continuam a ser realizadas com o objetivo de se avaliar até que ponto é possível substituir rações alimentares de ruminantes pelos resíduos da produção de farinha de mandioca, casca, entrecasca e raspa, sem que haja comprometimento do desempenho animal. No entanto, fornecido aos animais na forma in natura, a casca, entrecasca e a raspa de mandioca, não podem ser consideradas como fontes de proteína.

Apesar de não oferecer valores significativos de proteína, estes resíduos podem fornecer energia necessária ao gado, serem aproveitados com a parte aérea da planta ou inclusive somados a outros resíduos da indústria alimentícia e fornecido aos animais como complemento alimentar evitando desperdícios e baixando os custos da produção.

 

5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis. 13. ed. Washington, 1980.

CALDAS NETO, S.F.; ZEOULA, L.M.; BRANCO, A.F.; et al. Mandioca e Resíduos das Farinheiras na Alimentação de Ruminantes: pH, Concentração de Amônia e Eficiência Microbiana. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 37, 2000, Viçosa. Anais... Viçosa: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2000.

CAVALCANTI, J. 2002. Perspectivas da mandioca na região semi-árida do Nordeste. EMBRAPA: Rumos e Debates. 2p.

CEREDA, M. P. Valorização de resíduos como forma de reduzir custo de produção. In: Congresso Latino-Americano de Raízes Tropicais, 1, São Pedro. Anais..., p. 25–43. 1996.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Disponível em: http://www.embrapa.br. Acesso em 24 de junho de 2011.

LANARA - Métodos Analíticos Oficiais Para Controle de Produtos de Origem Animal e Seus Ingredientes - II - Métodos Físicos e Químicos, 1981.

LEONEL, M.; CEREDA, M.; Caracterização físico-química de algumas tuberosas amiláceas. Ciência e Tecnologia de Alimentos, vol.22 no.1 Campinas Jan./Apr.2002.

MARQUES, J.A.; PRADO, I.N.; ZEOULA, L.M.; Avaliação da mandioca e seus

resíduos industriais em substituição ao milho no desempenho de novilhas confinadas. Revista Brasileira de Zootecnia, v.29, n.5, 2000.

MARQUES, J.A.; CALDAS NETO, S.F. Mandioca na alimentação Animal: Parte Aérea e Raiz. Campo Mourão – PR. CIES, 28p. 2002.

NORMAS ANALÍTICAS DO INSTITUTO ADOLFO LUTZ: Métodos químicos e físicos para análise de alimentos V1 3ª ed 1985

SILVA, D. J. Análise de Alimentos: métodos químicos e biológicos. 3.ed. – Viscosa: UFV, 2002, 235p.

TAKAHASHI, M.; GONÇALO, S. A Cultura da Mandioca. Ed. Olímpica:Paranavaí. 2005. 116p.

 

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    mandioca

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