Estagiário em Direito, Técnico em Qualidade, escritor em diversos sites, participante em palestras e apresentações sobre temas diversos.
Quanto ao profissional
A capacidade de comunicação, seja ela por domínio da linguagem falada, escrita ou corporal, sempre nos trás conseqüências positivas.
O profissional que sabe se comunicar, sempre se diferencia. Quem domina a norma culta da língua, e é apto a escrever e falar corretamente, está sempre à frente, diferencia-se da maioria que incorre em erros banais e basilares.
Segundo Paulo Nathanel Pereira de Souza, presidente do Conselho da Administração do CIEE “Saber escrever bem é transmitir idéias consistentes com a agilidade que os meios de hoje impõem. Saber escrever bem é ser um artista das palavras. E todos nós, empresas e profissionais, precisamos redescobrir urgentemente a eficiência dessa arte”.
A maioria dos brasileiros, e digo maioria, sem exagero, não tem capacidade de expressar-se. Faltam competências fundamentais como; concatenar as idéias, aplicar a coesão e coerência em um texto, dissertar com introdução, argumentação e conclusão, bem como o domínio da ortografia.
A falta de capacidade de escrever, falar e ler corretamente decorre, muitas vezes, da falta do hábito de ler, pois quem lê com freqüência, escreve melhor, tem melhor raciocínio, melhor interpretação e organização de idéias.
Para verificarmos este problema, é suficiente, entregarmos uma proposta de redação a um aluno que recentemente concluiu o ensino médio. Isto se torna mais trágico, quando o fazemos com os intitulados, universitários.
Em uma reunião na empresa ou em uma apresentação, destacam-se os que sabem defender seus argumentos de forma clara, convencer o auditório de forma válida, expor e fundamentar suas idéias de modo conciso e claro. Para tanto, é necessário o domínio das expressões.
Ao enviar um e-mail, elaborar um memorando, dirigir uma carta a um cliente, colaboradores ou superiores hierárquicos, o profissional revela a sua personalidade, demonstra a sua formação e grau de inteligência. Inferimos deste modo, que a linguagem, assim como o sorriso é o nosso cartão de visita.
Não é possível entendermos por apto e qualificado, um profissional que não é capaz de escrever um texto corretamente. Também não é possível aceitarmos a idéia de que tal profissional, gere uma boa imagem a empresa, se este não sabe falar de forma correta.
Para exemplificarmos, basta lembrarmos da sensação ruim e imagem negativa que formamos da empresa, quando somos atendidos por um profissional que diz coisas como: “Vamos estar verificando”, ou “Tá retornando”, isso desprezando os erros mais inaceitáveis, absurdos e grotescos.
O investimento em profissionais qualificados e aptos a falar a própria língua é indispensável a uma empresa que deseja ter uma imagem positiva perante seus clientes.
Quanto ao marketing pessoal
O que abordamos anteriormente, está, umbilicalmente, ligado ao marketing profissional. Haja vista, a impossibilidade de determinado profissional, ter sucesso em sua imagem profissional, sem expressar-se corretamente.
A maioria dos nossos julgamentos é baseada em impressões; se causamos uma boa impressão, conquistamos algo, adquirimos, agregamos. O investimento de agregar saberes, cultura e formação é altamente lucrativo, principalmente na área profissional.
Quando trabalhamos em uma empresa possuidora de um grupo seleto e desejamos promoções e determinados cargos, devemos demonstrar nossa qualificação e competência para aquela posição. Ora, é incontroverso que para exercer tal posição necessitamos de qualidades diferenciadas e postura profissional. Destas qualidades, a habilidade de se comunicar é um fator crucial.
Em cargos de liderança, não se pode imaginar na qualidade de líder uma pessoa desprovida destes elementos, pois como disse Reinaldo Passadori: “Conhecemos muitas pessoas com grande capacidade de comunicação, mas não são líderes, todavia não conhecemos líderes que não saibam se comunicar”.
Em um processo seletivo para conquistar uma vaga, desde a entrevista, o examinador, jamais deixará de avaliar as expressões do candidato, dependendo do porte da empresa e do perfil da vaga, estará automaticamente eliminado aquele que se mostra incapaz de escrever e falar corretamente. Por outro prisma, até mesmo para conseguir um bom “networking” é necessário causar estas boas impressões, pois não conseguiremos crédito e confiabilidade, nem mesmo dos nossos contatos, se não nos mostrarmos bons profissionais, ou seja, aptos em fluência verbal.
Disse, o ilustre Professor Luiz Antonio Sacconi: “Existem basicamente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas funcionais: 1) a língua funcional de modalidade culta, língua culta ou língua-padrão, que compreende a língua literária, tem por base a norma culta, forma lingüística utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade, colaborando na educação, e não justamente o contrário;
2) a língua funcional de modalidade popular; língua popular ou língua cotidiana, que apresenta gradações as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão.
Cabe a nós brasileiros, entendermos o momento próprio do uso de cada modalidade, tanto o momento formal, quanto o momento informal, para assim não nos depararmos em situações ridículas e inconvenientes.
Falar e escrever bem, gera admiração, apreço e projeta uma boa imagem para os nossos ouvintes e interlocutores. Conseqüentemente aumentamos nossa rede contatos, adquirimos mais créditos e ampliamos nossas oportunidades.
A eloqüência e a habilidade de escrever levam o profissional a lugares que muitos não podem chegar. Ocuparão tais lugares, por mérito, os que investem em si mesmos e tem a consciência da importância de dominar a língua pátria.
Quanto às relações interpessoais
As proposições infra mencionadas, que esclarecem a importância do uso correto da língua, também são válidas neste tópico, destinado as relações interpessoais.
Basicamente, é necessariamente entendermos que a comunicação verbal é imprescindível para conseguirmos externar uma idéia, ilustrar uma reflexão, fazer enxergar aquilo que outros não conseguem ver. E claro, todas essas situações são perfeitamente aplicáveis no cotidiano, seja na família, com amigos, com o cônjuge ou filhos.
As relações são beneficiadas quando sabemos interpretar o que o interlocutor diz, quando sabemos trilhar os caminhos das idéias, pintando a imagem do raciocínio com as palavras cabíveis e apropriadas.
Diagnosticando e remediando as deficiências.
É muito difícil conhecermos alguém que não erre. Podemos nos aproximar da perfeição, caminhar objetivando o mais alto grau de conhecimento e competência, no entanto, é quase impossível conhecermos o que domina a língua em sua excelência. Mesmo porque, até mesmo entre os mestres e doutores, existem divergência técnicas e de conceito.
É louvável, mas não imprescindível, que alguém conheça profundamente a etimologia das palavras, a semântica e todas as regras complexas e que a maioria dos brasileiros ignora. Em contra partida, defendo que deveríamos, por sermos brasileiros, conhecer a língua pátria de forma plena e excelente, pois se não sabemos falar a nossa própria língua, não poderíamos nos entender por seres inteligentes.
Os erros de concordância, por exemplo, são os mais percebidos, desde os mais grotescos, como os mais imperceptíveis aos leigos.
Para ilustrar, podemos citar, que muitos não sabem que o correto é escrever: “Tenho bastantes livros” e não “tenho bastante livro. Erros como estes são encontrados, até mesmo nos vocabulários de mestres e doutores. Outrossim, erros grotescos como:“hoje estou com menas paciência” ou “estou meia triste” são mais decorrentes dos menos cultos.
Até mesmo no meio jurídico, que, em tese, tem os profissionais mais cultos e devotos da língua, verificamos a expressão: “segue em anexo”. Assim, compreendemos que a nossa deficiência é generalizada e vexatória.
Como discorremos anteriormente, apenas o exercício, a autocorreção, a observação e a diligência, nos tornarão mais diferenciados e nos proporcionarão boas oportunidades.


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