Saúde No Ambiente De Trabalho

07/09/2009 • Por • 4,603 Acessos

Semana passada fui convidado por uma amiga com quem trabalhei em uma multinacional americana para falar sobre qualidade de vida e saúde no ambiente de trabalho, no SENAC de Santo André na cidade de São Paulo. Fui com o maior prazer, pois, além de ter essa pessoa como alguém muito querida e especial, trata-se de um assunto que eu realmente gosto de falar e trocar conhecimento.

A turma era composta apenas por aprendizes, meninos e meninas na faixa dos 17, 18 anos, que trabalham em diferentes lojas de comércio e varejo, cada um com seu estilo próprio e com seus sonhos.

Confesso que me senti um pouco apreensivo no começo, afinal de contas não estou acostumado a falar para esse público, mas aos poucos fui me sentindo mais “em casa”, e a impressão que eu tinha é que estava falando, “tipo assim”, para o meu filho (que está nessa faixa de idade) e para os amigos dele.

Todos prestando muita atenção, ou melhor, quase todos, e o mais legal foi a participação deles com contribuições valiosíssimas, perguntas inteligentes, pertinentes, o que me deixou além de muito impressionado com a maturidade de alguns deles, muito feliz.

Comecei abordando as formas e as relações do trabalho com o ser humano, e como essas formas se alteraram com o passar dos tempos. Por muitas vezes salientei que essas mudanças sempre ocorreram e continuarão ocorrendo, e que nós é que temos que nos adaptar a elas, muitas vezes quebrando as barreiras naturais que nós seres humanos criamos quando estamos frente a esse monstro chamado mudança.

Falamos sobre o homem das cavernas, que trabalhava única e exclusivamente para garantir a sua subsistência e como a saúde era tratada (ou não era) naquela época. Falamos sobre a Grécia antiga, Roma e fomos avançando até a Revolução Industrial, onde os primeiros modelos de gestão surgiram, e é nessa época que começa a ficar evidente, pelo menos para mim, que a saúde das pessoas é algo fundamental para que as organizações tenham sucesso nos dias de hoje.

Muitos deles nunca tinham ouvido falar de Taylor e Fayol, muito menos da visão deles quanto ao que era importante para que uma organização aumentasse sua produção e maximizasse seus lucros, e quando mostrei a eles um trecho do filme Tempos Modernos do Chaplin, foi que eles começaram a entender do que estávamos falando realmente.

Alguns chegaram a dizer que algumas coisas permanecem iguais, e é impressionante como um filme produzido no ano de 1936 do século passado possa ser tão atual, mas muita coisa mudou, e para melhor. Hoje não dá para conceber que alguém trabalhe em uma indústria, seja ela qual for e do ramo que for sem utilizar os equipamentos de proteção individuais (EPI’s) fornecidos pela empresa. Também não dá para imaginar que assuntos como ergonomia, riscos ambientais, acidentes de trabalho, CIPA, entre outros não façam parte do cotidiano das organizações e das pessoas.

Não podemos esquecer também da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), assunto que vem ganhando destaque nas empresas, instituições de ensino e na mídia, mas que algumas pessoas tentam vender com discursos e atitudes simplistas demais. Por exemplo, muitas pessoas vendem a ginástica laboral como sendo a 8ª maravilha do mundo dentro dos programas de QVT implantados, não que eu seja contra a ginástica laboral, mas na minha humilde opinião a ginástica laboral muitas vezes ataca a conseqüência dos problemas enfrentados pelos colaboradores e não a causa.

Imagine que em um determinado departamento as pessoas comecem a se queixar de dores nas costas devido a um mobiliário inadequado, a ginástica laboral resolverá o problema? Talvez ela amenize as dores das pessoas por algum tempo, mas o fator causador das dores, a cadeira, continuará lá. Talvez fosse melhor pensar em um “investimento” em uma nova mobília, mas como convencer a organização que trocar a mobília se trata de um “investimento” e não de “custo”?

Essa sem dúvida nenhuma é um dos desafios dos futuros gestores de pessoas, principalmente dos que acreditam, assim como eu, que os recursos humanos são o bem mais valioso das organizações, e por isso precisam urgentemente de ações voltadas para seu desenvolvimento, valorização e principalmente para a sua saúde.

Poderíamos ficar falando desse assunto por muito tempo, mas como esse assunto não se esgotará, e eu não tenho a intenção de pensar nessa possibilidade, logo voltarei a escrever sobre ele, o importante é saber que as novas gerações estão preocupadas com a saúde das pessoas dentro do ambiente de trabalho, e como eu disse a eles, o mais legal de tudo isso é que a decisão é sempre nossa... somos nós quem decidimos se queremos ou não crescer dentro da organização, se queremos ou não estudar, se queremos ou não continuar na zona de conforto e se queremos ou não ter saúde, dentro e fora do ambiente de trabalho.

A minha querida amiga Suzie Alberti obrigado pelo convite e pela oportunidade de conhecer esses jovens tão críticos e especiais, e em breve nos encontraremos novamente, mas para falar com essa turminha boa de outro assunto....

Perfil do Autor

Paulo Eduardo Ribeiro

Mestre em Psicologia da Saúde, Pós Graduado em Gestão de RH e Psicologia Organizacional e Bacharel em Administração de Empresas. Professor...