Diferentes Olhares

22/01/2010 • Por • 559 Acessos

                                   “O amor em si é absoluto e abrangente.”

                                                           Brian Weiss

 

                        O que conseguimos perceber, por observação, conversas, troca de opiniões em determinados grupos é que muitas pessoas quando se referem ao amor o fazem, apenas sentidos de relacionamento amoroso entre pessoas de sexos diferentes ou não (relacionamentos) ou no aspecto familiar (amor materno, paterno, fraternal, filial). Esta concepção me parece restritiva, na medida que delimita sua área de aparecimento, ou de abrangência. Explico minha interpretação: Lendo livros sobre liderança-que me parece tão em falta no cenário político nacional-o autor coloca o amor como algo mais amplo, positivo, ou objetivo, concreto, na medida que se traduz por ações, comportamentos, visto que ele (o autor), James Hunter, diz que “amor é o que o amor faz”. Isto se revela nas ações diárias, como o indivíduo reage, se define, se posiciona nas práticas de relacionamento não no aspecto colocado acima (afetivo), mas também no aspecto profissional , em como se predispõe a servir objetivando proporcionar um maior crescimento pessoal e profissional do outro (verdadeiro líder).

Daí se deduz primordialmente que o amor não é egoísta, não centraliza poder, não manipula as pessoas em proveito próprio. Favorece o desenvolvimento de potencialidades. Tende a tornar as pessoas melhores. Pressupõe honestidade, confiança, compromisso, fidelidade, disponibilidade, respeito, paciência, aceitação, tolerância.

Numa rápida passagem pela literatura, pelo teatro e na própria vida (que inspira a arte) nos deparamos com inúmeras situações violentas que se dizem terem sido fruto do amor ou da paixão, como decorrência dele.

   Ora, certamente isto não é verdade. É idéia de posse, domínio, não raro associado à raiva, insegurança, inveja, despeito ou qualquer outro sentimento menor que produzem sensações de desconforto e que são responsáveis por tais ações.

Mais uma vez me reportando a Flávio Gikovate que faz uma observação interessante, num enfoque diferente. Ele diz que é muito comum confundirmos amor com auto-estima, ao se referir a um jargão comumente encontrado que diz que aquele que não é capaz de se amar, não tem capacidade de amar os outros.

O termo mais apropriado seria a auto-estima que pode estar relacionada ao amor, mas também pode estar relacionada com valor. A baixa auto-estima significa que o indivíduo não está satisfeito com seu jeito de ser. Aquele que faz de si um juízo negativo não tenderá a ter relacionamentos satisfatórios enquanto não procurar resolver sua situação interior, o que me parece muito razoável. Pessoas em conflito tendem a esperar que o outro resolva seus problemas, angústias, insatisfações, quando na realidade é ele próprio que tem que resolver para poder se sentir inteiro, completo para conseguir partilhar tal sentimento com outras pessoas, quer no âmbito afetivo quanto no relacionamento profissional , que por ser inter-pessoal requer pessoas satisfeitas, felizes, disponíveis para oferecer ,crescer com a partilha , com a troca e não só receber.

Importante , então é a maneira como as pessoas se conhecem, se olham para determinar que tipo de olhar terão para com os outros. Dependendo do olhar, tudo pode refletir amor desde que estes reflexos sejam positivos e geradores do bem e do crescimento e não de destruição do objeto deste amor.

Perfil do Autor

Isabel C.S.Vargas

Professora,advogada,funcionária pública aposentada,cronista,colunista de alguns sites.