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Que Sentimento É Esse? Por: Adriano Martins Pinheiro
Que sentimento é esse que não consigo descrever?
O sentimento de que falo só pode ser suprido quando aquela pessoa que ele tanto me faz pensar está comigo. Quando ela está ao meu lado ele me lembra todo o tempo que chegará a hora que ela terá que partir.
Quando estou longe ele me faz titubear, discutir comigo mesmo, apresentar razões e argumentações, que ora me deixam confuso, ora me deixam convencido.
Tal sentimento me faz crer e descrer ao mesmo tempo, como se esses opostos fossem a mesma coisa. Faz-me sentir a respiração aumentar e diminuir, acelera e desacelera o meu coração.
Como? Como ele consegue sair do abstrato, da alma, do impalpável e tornar-se físico?
Aquilo que parecia só sentimento é capaz de me fazer soar, perder o sono, o apetite e ainda liberar substâncias no meu corpo.
Ele é suficiente para retirar o sono, com mais eficácia que qualquer psicotrópico. É capaz de aniquilar o apetite de forma de forma mais infalível que qualquer outro produto.
Consegue ser químico e sentimental. Ao mesmo que é sutil, consegue ser poderoso. Seduz a minha entrega total e simultaneamente me faz sentir medo.
Diz que vou ficar subordinado, escravo e dependente. No outro ouvido, diz que vou ser feliz, sentir-me realizado e irradiante.
Ele me deixa confuso e me deixa esperançoso.
Não há como descobri-lo. Ele é misterioso. A ciência ainda não o descreveu. As pesquisas ainda não estabeleceram fórmulas.
Os poetas tentam, desde gênesis. Mas nenhum consegue defini-lo ou ainda desvendá-lo.
Cheio de mistérios, cheio de encantos. Cheio de armadilhas e surpresas. Alguns dizem que ele é lindo e maravilhoso. Outros dizem que ele é ardiloso e perigoso. Ele faz as pessoas divergirem, debaterem e se digladiarem.
Dizem que ele foi o causador das maiores guerras. Guerras bíblicas, guerras em Roma, guerras na Grécia. Dizem que por ele, Helena de Tróia marcou a história com carnificina, terror, sangue e mortandade.
Dizem que por ele, incontáveis pessoas já choraram, prantearam e por não ter estrutura para administrá-lo, mataram-se e tiraram outra vida.
O sentimento de que falo é capaz de fazer sorrir e chorar em segundos. Anima e entristece, levanta e faz cair, dá forças e enfraquece, vigora e adoece, traz euforia e pânico, causa saúde e doenças. Não dá para entendê-lo. Ele passeia por caminhos obscuros, freqüenta lugares insondáveis. Ora está no coração, ora está na mente. Manifesta-se no corpo e inflama a alma.
Uma vez dominado por ele, não é possível dominá-lo, não é possível vencê-lo, não é possível enfrentá-lo.
Torna-nos reféns, torna-nos fracos. É capaz de fazer-nos submeter-nos e abdicarmos de algo que nunca faríamos, abrirmos mão do que nos é sagrado, abster-nos do que somos apegados, renunciarmos o que antes era outrora era irrenunciável.
Ele, o mais forte entre os sentimentos, consegue mudar pessoas, transformar conceitos, alterar princípios e impor-nos pensamentos.
Quem o conhece, sabe do seu poder. Às vezes terno, às vezes tirano, às vezes doce, às vezes amargo como o fel. Ele parece caminhar continuamente em metamorfose, impossível de ser descoberto, jamais podendo ser desvendado.
Não é misterioso, pois todos o conhecem, sua essência está narrada nos livros, que o faz o assunto mais comum e o mais prolixo. É louvado com inúmeras canções, registrado em infinitas páginas, arquivado em toneladas de textos, desde o papiro até o papel mais sofisticado.
Não é fácil falar sobre ele, escrever sobre ele ou simplesmente descrevê-lo. Embora ninguém ouse tentar, podemos ao menos, refletir sobre tal força, tal poder, tal magnitude.
Entre crianças e idosos, inexperientes e maduros, homens e mulheres, ele testa, prova, ensina e decepciona.
Cabe a cada um, escolher entre tentar resisti-lo ou render-se a sorte.
Saibamos, no mínimo, a quem amar, a quem permitiremos despertá-lo, a quem confiaremos manter influência sobre nossos sentimentos.
É uma força que transferimos a outra pessoa. Quem se ama, sabe a quem se entregar. Deve cuidar-se; não assinar um cheque em branco, não entregar sua saúde emocional a alguém que não tem pudor.
Não obstante, o amor, príncipe e vilão dos sentimentos, ser um sentimento indizível, temos ao menos o livre arbítrio, o conhecimento empírico. Somos detentores do conhecimento intelectual e experimental, o que pode ser uma das únicas de nossas defesas.
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Tags do Artigo: Vida, Feliz, Sono, Amor, Alma, Sentimental, Entrega, Animo, Coração, Paixão, Emoções, Amar, Sedução, Depressão, Emocional, Morte, Saúde, Sofrimento, Desespero, Loucura, Apetite, Decepção, Sentimento, Abster-se, Abdicar, Renunciar, Irradiante, Apaixonado, Amando, Sentir, Apego Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com Perfil o autor:Estagiário em Direito, Técnico em Qualidade, escritor em diversos sites, colaborador de jornais regionais e participante em palestras e apresentações sobre temas diversos.
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