RELACIONAMENTO COM DEUS

09/07/2010 • Por • 480 Acessos

Adorar ou Glorificar?

"Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores." João 4.23

 

O início de minha caminhada cristã foi marcada por uma série de equívocos que gente de mais experiência ajudava a perpetuar, dentro dos cultos eu me sentia um peixe fora d'água, ouvia os gritos de "glória a Deus!" ou "santo, santo, santo!!" e ficava com a impressão de que algo estava muito errado, nas reuniões domiciliares (que hoje conhecemos como células) eu encontrava gente que falava de Deus, comia Deus, respirava Deus, Deus, Deus Deus... e me sentia um ET com anteninhas e olhos na testa, não tenho nada contra os gritos de gloria!! Ou contra gente que só fala de Deus, mas na época eu gostaria de ver gente que além do discurso leva-se consigo um brilho diferente nos olhos acompanhado de um carisma atraente semelhante ao do nosso Senhor Jesus, levei dez anos para descobrir que, de fato, algo estava seriamente errado.

Somos seres tricotômicos, corpo, alma e espírito, corpo carnal que se ocupa dos afazeres nesta terra, alma que se ocupa dos sentimentos e um espírito que se ocupa dos pensamentos e contatos com o mundo espiritual, a equação seria bem simples, é quase obvia, a respeito da tricotomia existe um capitulo tratando a respeito, de momento leia esta passagem - "Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores." João 4.23 agora responda: porque Deus nos deixou a orientação de adorá-lo em espírito? Simples, "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito" João 4.24. Não existe outra forma de adorá-lo, carnalmente isto é impossível, o equivoco na cabeça de muitos é justamente entre o adorar e o glorificar, falando assim ficamos com a idéia de que se trata de um mero erro semântico-teológico, mas este livro não trata de semântica teológica, trata de um relacionamento com Jeová que modifica vidas e gera outras vidas, e o erro é bem mais grave do que voce imagina.

Encontrei ao longo da vida, gente de uma fé genuína, pessoas que demonstravam um desejo profundo de manter comunhão com Deus, algumas procuravam de todas as maneiras sustentar um relacionamento com Deus de todas as formas possíveis, não escutavam musica seculares, não contavam piadas, não namoravam, não freqüentavam galerias de artes, não permaneciam em rodas de não crentes, não aceitavam brincadeiras que não fossem "gospel" etc..., tudo claro devidamente fundamentado na bíblia e justificado com o argumento de que "eu quero é Deus!!", nunca fui capaz de ver Cristo nestas pessoas, por muitos anos achei que o problema era minha visão, hoje compreendo que enxergava bem, Jesus de fato, nuca esteve nestes, por perto, com certeza, dentro, jamais. Não somos nós que sustentamos um relacionamento com Deus, podemos apenas decidir por tê-lo, quem sustenta é Ele.

Tais "cristãos" com sua conduta "santa" mantinham e mantém à distancia gente que Jesus quer por perto, o contato caloroso de Cristo com pecadores é uma negação ao estereótipo de crente de hoje em dia, Jesus mantinha gente de menor envergadura religiosa perto de si, não importando se estes o aceitavam ou não. Gente "santa de mais" são um repelente a pecadores de verdade, não aos pecadores de fachada que se dizem pecadores mas no fundo crêem que tem alguma santidade dentro de si, falo de pecadores genuínos, gente que se lambuza na lama da vida e se revolve em luta moral por conta de pecados que fariam qualquer um de nós corar de vergonha, e isso é justamente o oposto do que fazem os que, aparentemente, abriram mão de tudo por Deus, e isso é só a ponta do iceberg.

O diabo é sutil, e a mente humana distraída de mais. O termo adorar ganhou conotação nova através dos séculos, hoje em nosso idioma por exemplo, "adoro" é uma palavra que pode ser usada para expressar afeição, "eu adoro você...", nada mais comum, e se eu adoro voce então tenho o desejo de manter comunhão com você de me relacionar com você, agora se eu digo que eu quero glorificar você então, na verdade, o que eu quero é honrar você, aqui mora o equivoco que gerou toda a confusão que voce esta lendo neste capitulo, Deus esta procurando gente para se relacionar com Ele, e isso só é possível espiritualmente, através da oração contemplativa, da solitude social, dos momentos a sós com Jeová onde você cala todas as vozes dentro de você (inclusive a sua) e deixa que ele se aposse de você, esses momentos diários com Deus vão ganhando força a cada vez e de forma lenta e gradual vão tornando seu relacionamento com Deus forte e inegável, isso é adorar em espírito, mas isso não é fácil, requer paciência e desejo, e o retorno geralmente é perceptível por muito tempo apenas para você e Ele, e isso não é tão interessante, é muito mais fácil quando eu tenho algo para mostrar aos demais e ao próprio Deus, mas isso não é adorar, e com certeza não é o que Deus esta procurando – "os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores." João 4.23 – uma vida cristã deve com certeza glorificar a Jeová, mas isso só é possível depois da verdadeira adoração, o cristianismo de traz p frente tenta prestar honras a Deus sem adorá-lo, a bíblia chama isso de "obra morta", nossa vida secular deve glorificar a Deus, no trabalho, na vida a dois, nos estudos, na sociedade, mas qualquer tentativa de ADORAR secularmente e GLORIFICAR espiritualmente esta fadado ao fracasso, porque em se tratando de vida com Deus, a ordem dos fatores altera o produto, a ADORAÇÃO só é possível em espírito e depois disso (e só depois disto) estamos aptos a GLORIFICAR  com nossas vidas humanas neste mundo terreno, estamos aptos então a reconhecer Deus nas sinfonias de Ludwig Van Beethoven sem nos sentir hereges seculares, estamos aptos a contemplar a originalidade da criação no sorriso de monalisa de Da Vinci ou num rap de Cris Braw sem nos sentir fúteis pagãos – "pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável" I Timóteo 4.4, um grito de "glória a Deus" dentro de uma roda de oração não diz absolutamente nada sobre quem você é diante de Deus, mas um sorriso diante da magnitude da criação através do talento de alguém, uma atitude carinhosa com um pecador sujo pelo pecado real, um beijo carinhoso num mendigo fedorento ou uma mão estendida a uma mente confusa pode comprovar que você esteve com o mestre, uma pessoa que viva por ai vestindo camisetas com os dizeres "eu quero é Deus!", que viva conversando como se já estivesse no céu, que fale de Deus, Deus, Deus, Espírito Santo isso, Espírito Santo aquilo... vive na verdade em estado de anestesia espiritual, um estado perigoso porque desconsidera a existência do próximo como ele é de verdade, coloca de lado o que para Deus é o mais importante, gente que carrega igreja ou ministérios nas costas como se ali fosse o reduto preferido de Deus, começa a viver na terra um estilo de vida que não poderá levar para o céu, o céu estará cheio de irmãos, dando atenção um ao outro, tocar um violão para Deus não é adorá-lo, é glorificá-lo, mas Deus não procura glória, toda glória já é Dele, Deus procura João 4.23 , durante muito tempo procurei descobrir como me relacionar com Deus, a resposta não poderia ser mais simples, "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo." Apocalipse 3.20, hoje em dia uma refeição é algo simples, trivial, em shoppings podemos sentar ao lado de um desconhecido e fazer nossa hora de almoço tranquilamente, mas para um judeu não é tão simples assim, um judeu pode te convidar para um chá na varanda de sua casa, mas entrar e sentar-se a mesa com ele para uma refeição só se voce significar muito para ele, caso contrário voce deve limitar-se ao chá na varanda, viver na casa de alguém demanda relacionamento e confiança, isso é coisa familiar, eu não moro com desconhecidos e duvido que você o faça, mas o mestre continua à porta, querendo entrar fazer as refeições com você e viver com você, como abrimos a porta? Novamente a resposta é clara como os olhos carinhosos do mestre "então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." Mateus 25.34-40, uma vida de relacionamento intenso com Deus é uma vida de relacionamento intenso com meu próximo, e meu próximo, meu irmão próximo, é aquele para quem abro a porta, não necessariamente aquele para quem a porta já esta aberta, meus bonitos, santos e celibatos irmãos da igreja são gente amada do meu coração, mas a prostituta com resto de esperma entre as pernas, o catador de papel com hálito inflamável na boca, o assaltante com sangue nos olhos, a promiscua da escola, a vizinha infiel e fofoqueira, o irmão de congregação radical-ultra-conservadora muitas vezes são gente amada apenas do coração de Deus, e uma pessoa concentrada em adorar a Deus através de qualquer coisa que não seja acolher e abrir as portas a estas pessoas esta vivendo qualquer coisa, menos um relacionamento com Deus.