A Criança Que Aprende A Respeitar E Conviver Com As Diferenças Ainda Na Educação Infantil Contribui Para Um Verdadeiro Processo Inclusivo

20/07/2008 • Por • 14,612 Acessos

Atualmente o tema "Inclusão" tem permeado palestras, seminários, congressos e diversos encontros educacionais, despertando educadores de todos os níveis para este processo ainda me fase de construção. Preocupações envolvendo o espaço físico, formações dos profissionais, adequações metodológicas,  leis e tantos outros assuntos pertinentes ao tema são constantemente abordados. Acontece que um processo inclusivo não depende apenas destas condições, talvez um de seus  aspectos mais significativos esteja sendo deixado de lado - a preparação dos agentes que irão conviver com as diferenças . É necessário que se pense  na aceitação dessas diferenças  dos colegas, pelos colegas e pela comunidade escolar. Torna-se evidente um esclarecimento em torno da utilização da palavra "diferente" associada a "deficiente"  no contexto desta análise, alertando que   um processo verdadeiramente inclusivo contempla  as deficiências e as diferenças - sejam elas  físicas, sociais,raciais,  religiosas, atitudinais, familiares, econômicas, culturais etc.  

 O ambiente escolar é rico em  relações interpessoais  e desde a mais tenra idade, as crianças se relacionam umas com as outras neste ambiente. Na  Educação Infantil  - de 3 a 6 anos -  elas são mais receptivas, não se importam com diferenças entre colegas, querem brincar, sujar, pular, cantar, gritar, enfim serem  crianças. Todavia, algumas famílias - talvez com intenção de proteger seus filhos - acabam transmitindo a eles certos preconceitos  que os   distanciam das demais crianças. É bastante comum  em ambientes escolares, crianças ricas permaneceram distantes das pobres, loiras distantes das negras, magras distantes das gordas, rebeldes distantes das calmas,  serem rotuladas por diferenças religiosas e também por alguma deficiência física ou mental. É importante ressaltar que nesta fase,  a maioria das crianças que age dessa forma, apenas reproduz os ensinamentos familiares , porém com o passar do tempo passa a agir dessa forma por ter aprendido que esta é   a melhor maneira de se conviver em grupo. É necessário que o professor esteja atento ao comportamento de seus alunos, uma vez que nesta idade há muito o que se fazer para reverter essas atitudes que poderão originar um cidadão altamente despreparado para receber uma pessoa diferente.

Uma instituição educacional que acredita no verdadeiro processo de inclusão deve promover atividades diárias em que seus alunos desde a Educação Infantil, cultivem  o respeito, amor, cidadania, o cuidar de si e do outro, aceitação, companheirismo e tantas outros valores necessários a formação de um cidadão justo. Essas situações devem envolver toda a comunidade escolar, num movimento de reflexão e  troca de experiências entre as famílias visando possíveis conscientizações em torno do  processo de se educar um filho para atuar numa sociedade inclusiva.

Se a criança pequena souber  respeitar  e conviver com as diferenças, consequentemente será um agente de transformação  não somente no ambiente escolar, mas sim numa sociedade inclusiva. 

Perfil do Autor

Angela Adriana de Almeida Lima

Sou formada em Magistério das séries iniciais; graduada em Pedagogia com habilitações em Supervisão...