Fatores Que Influenciam O Desenvolvimento Do Namoro

Publicado em: 23/01/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 3,270 |

Thiago de Almeida*




Para viver um grande amor direito

Não basta apenas ser um bom sujeito


É preciso também ter muito peito


Peito de remador


É sempre necessário ter em vista


Um crédito de rosas no florista


Muito mais, muito mais que na modista!


Para viver um grande amor


Conta ponto saber fazer coisinhas


Ovos mexidos, camarões, sopinhas


Molhos, filés com fritas, comidinhas


Para depois do amor


E o que há de melhor que ir pra cozinha


E preparar com amor uma galinha


Com uma rica e gostosa farofinha


Para o seu grande amor?”


(“Para viver um grande amor”, poema  de Vinícius de Moraes)



            Por se tratar de um fenômeno histórico construído socialmente, a violência precisa ser compreendida por intermédio da observação das relações cotidianas associadas ao âmbito político, econômico e cultural (MINAYO; SOUZA, 1999), como o namoro. Reconhece-se que as relações significativas para o ser humano como o namoro, podem ser consideradas como fatores de risco ou de proteção (também chamados de fatores resilientes), dado que ora promovem o sentimento de segurança e a auto-estima e concorrem para o bem estar global do indivíduo, ora geram condições adversas de existência e implicam considerável sofrimento (CANAVARRO, 1999).


            Segundo VELHO (1996), as transformações ocorridas no Brasil de hoje, principalmente em termos econômicos, e o aumento populacional das cidades, afetaram profundamente o sistema de valores éticos e morais, reforçando a impessoalidade, o individualismo e, conseqüentemente, diminuindo a reciprocidade nas relações. Sobretudo, os adolescentes vítimas de violência estrutural e familiar freqüentemente  as perpetram nos ambientes que freqüentam, e nos relacionamentos que estabelecem como no namoro. Na esfera da psicanálise, LEVISKY (1997) afirma que a perversidade humana pode aflorar em determinadas circunstâncias. Ainda, de acordo com este autor, os adolescentes têm maior tendência a descarregar seus impulsos agressivos e sexuais diretamente, buscando satisfação imediata dos desejos. Em geral, primeiramente agem, depois pensam. Portadores de um ego instável que busca auto-afirmação, eles são extremamente vulneráveis às pressões pulsionais e às influências externas (TAQUETTE; RUZANY; MEIRELLES; RICARDO, 2003). De acordo com BERTOLDO  e BARBARÁ (2006), o jovem adulto encontra-se tipicamente em uma etapa de transição para a conquista da autonomia psicológica e emocional. Nesse sentido, pode-se considerar que as relações íntimas que se desenvolvem neste período - de amizade ou namoro - estabelecem um laço que podem, ou não, conferir segurança emocional neste momento de distanciamento das relações parentais. Para além do período final da adolescência, considera-se que a capacidade de construir e de manter relações íntimas constitua um dos principais critérios de saúde mental e de satisfação interpessoal (SIQUEIRA, 2001).


            Além da causalidade imbricada no surgimento do compromisso, é importante averiguar os motivos que mantêm os parceiros unidos, esse texto objetiva então analisar alguns dos fatores que influenciam o desenvolvimento do namoro e podem estar associados com a questão da violência e/ou também da saúde psíquica dos casais, sobretudo, adolescentes.




Conceituando o amor romântico e o namoro



            O amor foi conceituado inicialmente como: “atitude mantida por uma pessoa em relação a outra pessoa particular, a qual envolve predisposições para pensar, sentir e comportar-se de determinadas maneiras relativamente àquela pessoa” (RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI,  1999, p. 347). E dentre as mais variadas manifestações que o conceito de amor pode assumir, encontramos o amor romântico que seria aquele que se estabelece por suas necessidades afiliadas e de dependência, paixão, idealização, absorção e exclusividade entre duas pessoas em um vínculo geralmente estável (DRISCOLL; DAVIS; LIPETZ, 1972; BRANDEN, 1988).


Apesar de o amor romântico ser tão importante na vida de todos nós, a psicologia  estudou muito pouco seus fenômenos bem como  as continuidades e descontinuidades que existem entre as formas infantis, adolescentes e adultas de amar (MONTORO, 2004). E uma das possíveis vicissitudes que o amor romântico pode se encaminhar é o namoro.  O filósofo grego, Sócrates, compreendia o namoro como sendo um encantador estímulo para o autoconhecimento. Ele foi objetivo quando disse no texto O Banquete que todo homem devia se casar. Frase causa uma impressão de postura presunçosa por parte do autor. Sugestão: - E se Platão estivesse no mundo comtemporâneo, quem sabe não diria: “Nunca sem antes namorar”?


            O namoro é uma fase importante e necessária para o desenvolvimento do ser humano. O namoro pode ser tomado, em certos termos, como diferente destas outras formas de relacionamentos, que têm formas e características próprias; mas na prática cotidiana aparecem imbricados, uns com os outros, seja pela fronteira tênue dos elementos componentes dos mesmos, seja pela seqüência em que os agentes operam, quando se mesclam as características e traços que os compõem. Mas, certamente, uma característica peculiar destaca o namoro entre estes outros códigos de relacionamentos, e que, está ligada a necessidade de se estabelecer um vínculo concebido “como parte do processo de conhecimento e de aprofundamento das relações entre o casal, em que se torna necessário a aproximação e incorporação do indivíduo ao núcleo familiar” (Amaral, 2000, p. 18).


            De acordo com o dito anteriormente, entende-se que o namoro é uma fase necessária para o início de um relacionamento mais íntimo destinado a uma vida conjugal em longo prazo. Não se pode afirmar que o namoro é somente o prenúncio de uma atividade sexual entre duas pessoas que têm determinadas afinidades. A vida sexual é um dos complementos do relacionamento afetivo. Há que se evidenciar que este complemento que é importante, mas não o mais fundamental dos complementos de uma relação afetiva.


            Não há idade cronológica que determine o início do namoro. De modo geral, o primeiro namoro ocorre durante a adolescência, porque devido às características psico-afetivas do namoro é preciso um certo amadurecimento físico e psicológico para que ele tenha o seu início. Também não se deve começar um namoro apenas porque não se quer permanecer sem namorar. Existem muitos casamentos infelizes que começaram dessa maneira, ou seja,  fundamentados em premissas similares que associadas a crença que depois de casados a convivência me fará conviver e gostar da parceria escolhida, ou ainda, que os comportamentos negativos do parceiro como a violência, nas suas mais diversas formas de manifestação, possa arrefecer posteriormente. A idéia de que a violência faz parte da natureza


humana e tem raízes biológicas vem sendo atualmente contestada pela maioria dos estudiosos (Minayo, 1994).


Em princípio, a quantidade de tempo de namoro não está relacionada a  qualidade ou mesmo a duração de um relacionamento como o casamento, ou mesmo, às uniões consensuais, como “o morar junto” seria uma possível ilustração. Há uniões matrimoniais que ocorrem após alguns dias de namoro, outras após alguns anos de namoro. Quando o casal interage positivamente, o tempo de namoro, muitas vezes, está condicionado às questões de ordem material, não mais às razões afetivas.


O namoro então pode ser conceituado como um relacionamento social e afetivo-sexual que pode evoluir para um relacionamento duradouro ou para o término do mesmo devido à incompatibilidade de características, mas para saber sobre isso é necessário que se prove o relacionamento (NAZZARI; LAZZAROTTO; MALAGGI; BARATIERI, 2007). Deste modo, compreendendo esses autores, há de se pensar que um dos maiores objetivos do namoro é conhecer profundamente a parceria selecionada  a ponto de ter uma segurança quanto se quiser dar um passo tão importante quanto promover o relacionamento para um outro de um maior nível de comprometimento, intimidade e de amor como podemos citar o casamento. Uma mesma questão é o denominador comum para aqueles que tanto pretendem um namoro ou ainda um casamento satisfatório: qual é a base de um relacionamento feliz. Para algumas pessoas o fundamento de um relacionamento deve ser a paixão que deve perdurar durante todo o tempo em que o relacionamento durar ou mesmo que o casal permanecer junto. Para outros casais, a base de um relacionamento pode ser encontrada em proporcionarem um para o outro uma boa situação financeira, o que antigamente poderia ser compreendido enquanto “bom partido”. O que será comentado aqui não se aplica somente ao namoro, mas especialmente a este, dentre as inúmeras outras formas de relacionamento afetivo-sexuais existentes e que estabelecemos. Uma vez esclarecida a dinâmica que acontece em relacionamentos como o namoro, quais os fatores que cooperam para um bom relacionamento?



Fatores que cooperam para um bom relacionamento



            Entende-se que a atração interpessoal constitui um dos componentes do desenvolvimento das relações entre os indivíduos, incluindo aquelas de natureza fraternal e amorosa. A atração interpessoal pode ser definida como uma experiência que leva os indivíduos a relatarem uma conexão especial com os outros (REEDER, 2000). Tomando-se uma perspectiva evolucionária, a atração interpessoal é obviamente vista como um elemento crucial no desenvolvimento de vínculos que possam resultar na geração de descendentes, e assim sendo, na continuação da espécie. Sob a ótica da psicologia cognitiva, a atração está relacionada aos esquemas cognitivos que são construídos a partir dos ideais de parceiros e relacionamentos amorosos (FLETCHER; GILES; SIMPSON; THOMAS, 1999). Em outras palavras, a atração interpessoal não ocorre de maneira aleatória, mas está diretamente ligada aos esquemas cognitivos que, consciente ou inconscientemente, são mediados por experiências anteriores com colegas e responsáveis (PRIEL; BESSER, 2000).


            Todavia, a atração inicial é apenas o primeiro investimento do qual podem emergir relações como o namoro. Dessa forma, características como beleza, charme, bem vestir, e mesmo um comportamento extravagante ou escandaloso garante o primeiro olhar. Este primeiro momento poderá ser de agrado ou não, mas os olhares terão se cruzado. Há também um conjunto inumerável de fatores como a influência dos amigos, status sócio-econômico, proximidade física, identidade de valores, vida sexual satisfatória que podem favorecer o relacionamento para que este se conserve. Entretanto, somente estes fatores são insuficientes para a relação durar, aliás, além do critério “duração” é indispensável que a união seja percebida como benigna para ambas as partes. Analisemos, então, alguns dos fatores de notável importância para o desenvolvimento dos relacionamentos amorosos como, por exemplo, o namoro.


           


            Uma escolha adequada de parcerias amorosas



A violência no namoro, e especialmente para as relações juvenis foi está sendo progressivamente considerada um problema social relevante e merecedor de atenção em si mesmo (Callahan, Tolman & Saunders, 2003). Como os comportamentos violentos no namoro pressupõe a existência de um casal de pessoas que namorem, uma das medidas preventivas para que tente se erradicar com a violência neste contexto é uma adequada escolha de parceiros afetivo-sexuais. De fato, uma das grandes decisões das nossas vidas é a escolha de um parceiro, com quem dividiremos nosso futuro, seja essa escolha em curto, médio ou em longo prazo. A princípio, ao escolher, ainda que inconscientemente, um parceiro afetivo, mesmo para aventuras breves, o que se procura é o prazer. Assim, pode-se dizer que o que se pede então ao objeto (da escolha) é que seja essencialmente um fator de satisfação. Caso falhe, a relação cessa imediatamente. O que também pode explicar em partes o comprometimento dos parceiros numa relação amorosa e seus prováveis desdobramentos.


Então, não se escolhe parceiros por eles serem agressivos, a agressessão dos parceiros é um fato que passa desapercebido e que mesmo quando surge durante o andamento do relacionamento amoroso do namoro é subestimada como se se tratasse de uma fase ruim por parte de um dos parceiros. A escolha do parceiro é provavelmente a mais importante das escolhas feitas na vida, mais do que a da profissão. Embora hoje o divórcio seja um fato muito comum, e as formas de casamento muito variadas, cada pessoa passará por este processo somente umas poucas vezes na vida. Esta escolha pode ser francamente destrutiva ou altamente “terapêutica”, no sentido de poder impulsionar mudanças em direção à saúde, ou de estimular um funcionamento psicológico mais adequado. Em relação à escolha, Di Yorio (1996) explica nos seguintes termos:


A escolha de um parceiro geralmente envolve um complexo ‘arsenal’ de motivações, ligadas a vivências emocionais muito íntimas e profundas. (...) Misturam-se desejos de várias ordens, e quanto mais inconsciente o indivíduo estiver em relação a esses desejos, maior a possibilidade de tais conteúdos serem ‘fisgados’ nessa relação. Isso ocorrre porque certas características observadas em alguém podem levar um outro indivíduo a estabelecer com aquele uma relação inconsciente, que o leva a crer, de maneira errônea, que aquele alguém é idêntico àquilo que nele é visto. Pode acontecer que a pessoa, ao fazer a escolha do seu parceiro, tome o outro,  ao menos parcialmente, como uma parte de sua própria personalidade, dissociada de sua consciência, e que passe, então, dessa forma, a fazer parte daquele outro, tornando-o verdadeiro hospedeiro de conteúdos psíquicos que não lhe pertencem. (...) O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno, fica perdido de si mesmo, buscando se achar no outro (p. 21).



Em outras palavras, as duas pessoas que se escolheram poderão potencializar o que têm de melhor uma na outra, reparando suas carências e amadurecendo positivamente. No entanto, há situações nas quais o que cada um tem de pior é acionado, numa combinação explosiva. Esta é sempre uma equação muito complexa, com resultado imprevisível. Quem nunca viu um casamento “perfeito” desmoronar ou uma dupla improvável dar-se muito bem? Quem não viu pessoas que em outros contextos são produtivas, funcionam bem e se tornam francamente destrutivas junto a seus cônjuges, ou, ao contrário, pessoas em quem ninguém apostaria acabarem produtivas e amáveis após o casamento?


O momento de escolha de um parceiro é, pois, importante. Desse modo, o bom senso aconselha avançar com cuidado enquanto se está no início de uma relação, aceitando submeter esta relação a provas parciais, enquanto o tempo vai dando oportunidade de se evidenciarem características de um e outro parceiro. Dar tempo também para que soluções sejam implementadas frente a eventuais conflitos, que sejam testadas e re-testadas, num processo contínuo de seleção de alternativas.



A questão das expectativas e dos contratos afetivos



No início de uma relação, muitas vezes marcada por rompantes de paixão, depositamos nas pessoas um conjunto de desejos e de expectativas que quase sempre nos cegam para a realidade e suspendem nosso senso crítico. Mas a paixão, por si só, é transitória, e a relação amorosa começa realmente quando conseguimos sair de um estado de transe e encarar a realidade de frente. Dessa forma, todo casal, quando se forma, traz para o relacionamento uma espécie de acordo inconsciente que funciona com um fundamento para o que será a delineado como uma vida a dois. Embora muitas vezes os parceiros concordem aparentemente com este “contrato”, automaticamente este se forma a partir de uma extensa negociação que ambos constroem desde os primeiros encontros.


O relacionamento amoroso é um constructo cotidiano; uma negociação que se atualiza na medida em que diversas situações surgem no relacionamento. Assim, quando duas pessoas decidem se unir, isso é feito porque resolvem que é bom para elas tal arranjo. Somos seres gregários por natureza e, ao que parece, freqüentemente caminhamos ao encontro do outro aspirando por uma completude. Sobretudo, para os apaixonados, há um grande desejo de fusão. Contudo, o fato de eleger uma pessoa para dedicar uma parte do seu tempo e dos seus recursos não implica que não se possa mudar de idéia posteriormente e, possivelmente, lesar, ou romper este acordo. O problema, então, de acordo com LEMOS(1994) é que nem sempre esse contrato é compreendido, por ambas as partes, da mesma maneira. Embora isso possa nos parecer óbvio demais, continuamos a realizar rituais e a fazer promessas de amor eterno.  Desta forma, quando um parceiro diz ao outro: “você sempre soube o que eu queria”, cobra o cumprimento desse acordo. Há que se ressaltar também que as mudanças pelas quais as pessoas passam ao longo da vida podem vir a exigir reajuste, e, quem sabe, novas escolhas.



Satisfação obtida na relação



Qualquer relacionamento tem motivação egoísta à priori. O que implica em dizermos que, senão todos, a maioria dos relacionamentos afetivo-sexuais é egoísta. Em outras palavras, a razão mais primordial de um relacionamento é satisfazer a si mesmo. Por exemplo, quando flertamos com uma deteerminada pessoa é porque se pensa que esta será para a vida de quem escolhe que colaborem para a própria realização pessoal. Mesmo que se pratique total desprendimento, e quem está escolhendo sacrifique-se por ela, coloque-a como centro do seu mundo, no fim das contas os parceiros que escolhem farão tudo isso para ter ao seu lado alguém que você acredita ser o melhor. Mais uma vez isso é difícil de aceitar, afinal é comum ver pessoas se submetendo umas às outras que não dão nada em troca. Mas isso pode ser explicado pelo fato de que nem sempre o que se espera, inconscientemente, é amor e carinho.


            Pode-se dizer que o que se pede então aos parceiros escolhidos é que estas parcerias afetivo-sexuais sejam essencialmente um fator de satisfação. Caso isso falhe, a relação pode cessar imediatamente. Se os parceiros estão felizes dentro de seus relacionamentos afetivos-sexuais, há uma menor probabilidade deles buscarem fora o que encontram em casa.


           


            A admiração



            A admiração por uma pessoa pode ser provocada tanto pelas suas qualidades gerais (inteligência, cultura, princípios morais etc.) como pelas suas qualidades diretamente relevantes para o “apaixonamento” (beleza, comportamentos típicos de cada gênero etc.). Geralmente as pessoas que estão tentando conquistar procuram uma forma sutil e socialmente aceita de exibir estes dois tipos de qualidades para seus objetos de conquista. Por exemplo, contam casos nos quais seus atributos admiráveis ficam sutilmente evidenciados, cuidam da beleza física e da produção (principalmente as mulheres) e exibem recursos econômicos, como pagar jantares em restaurantes da moda, desfilar em carros caríssimos (principalmente os homens).


            Aron e Aron (1996), numa tentativa de explicar tal dinâmica propõem a Teoria de Expansão do Eu. Esta teoria sugere que ao nos depararmos com uma pessoa, alvo de nossa admiração, desejamos incorporar as qualidades dessa pessoa ao nosso “eu”. Assim, ama-se a vantagem que se aspira (ALMEIDA, 2003). E por que nos comportamos dessa forma?


            Ao que parece, isto talvez se presta a melhorar a própria auto-imagem do parceiro que está selecionando as pessoas para desenvolver seu relacionamento amoroso.  E a estratégia de incorporar tais qualidades é se unir amorosamente, à pessoa que as possui. Desta forma, as pessoas passam a integrar aquelas qualidades ao seu próprio ser. A Teoria de Aron & Aron (1996) também coloca que, para que uma pessoa invista afetivamente em outra, é necessário que ela perceba ser possível a formação de uma unidade amorosa com o desejado parceiro, retomando, novamente, o que já se disse sobre a disponibilidade psíquica.


            Por este princípio, pode-se inferir que pessoas que não conseguem um parceiro ideal para iniciar um relacionamento amoroso frustram-se e, nos casos dessas pessoas virem a se relacionar amorosamente com outro parceiro menos qualificado, este relacionamento não se fundamentaria em alicerces amorosos, mas no conformismo da falta de uma opção melhor. Mesmo assim, isto não torna impeditivo formar relacionamentos nem dita as conseqüências do mesmo.



            O medo da perda


                Segundo stendhal (1999), a insegurança é o catalisador do amor: uma certa dose de insegurança contribuiria para o nascimento deste sentimento. O medo da perda pode ser compreendido em termos da perda da exclusividade, da ameaça da entrada de uma terceira pessoa na relação, ou mesmo da insegurança do decréscimo da percepção para a qualidade do relacionamento afetivo-sexual que nos é valorizado.


            Quando algo é importante para nós, mas não estamos seguros da sua posse, tendemos a valorizá-lo mais e mantê-lo por mais tempo na nossa consciência (“Não consigo parar de pensar nela.”) do que quando há segurança desta posse. A insegurança também faz com que comemoremos mais intensamente cada sinal de que estamos conquistando tal pessoa.


Considerações finais


O namoro é concebido, para muitos, como momento de carinho, de amizade, de beijar, de prazer e de se manter relações sexuais; esta última sendo uma decorrência “natural” da prática de adolescentes e adultos. O namoro, especialmente dentre pessoas adultas, pode ser facilmente confundido com a união estável, em razão da interpretação que tem sido realizada, segundo a qual na união estável não é exigida a convivência more uxorio ou moradia comum.        


O namoro reserva alguns momentos muito gostosos, inerentes à essência do afeto humano, como: a descoberta do outro, transformação das pessoas em humanas; o desejo de ver e sentir; a paixão que causa reações fisiológicas das mais diversas; a sensação de ser desejado; troca de carinho e carícias; o romantismo. Há que se ter em mente que há pessoas com uma maior capacidade de amar e outras mais limitadas quanto a este critério. Será então o namoro enquanto uma admirável fase de aproximação, de conhecimento e de acréscimo para o ser humano, que poderá triar para nossas vidas aqueles que tenham uma capacidade de amar de acordo com nossas expectativas. Nem sempre se conhece com profundidade o ser humano, que está em contínua transformação. Ninguém permanece o mesmo por todo o tempo. Entretanto, há também pessoas que são resistentes a mudanças. E deveríamos pensar nessas situações ao pensarmos no que a violência pode acarretar fisicamente e psicologiacamente tanto para o agressor, mas principalmente para o agredido, e que não raro, é um comportamento inconscientemente reforçado pela vítima em sua interação com o agressor.


            Como vimos há uma enorme gama de fatores que podem favorecer/prejudicar o desenvolvimento do namoro, uma das possíveis manifestações do amor romântico. Por muito tempo, especialistas tentaram descobrir, e continuarão a buscar respostas para os fatores que desencadeiam a paixão, aquilo que faz um relacionamento começar, acabar e até conservá-lo com o viço dos primeiros encontros. No entanto, ainda são incipientes as pesquisas nesta área. Desta forma, abordá-los se faz necessário à medida que, se se mantiverem tais lacunas, acontecerá, muito provavelmente, o mesmo círculo vicioso que Matarazzo (2001, p. 14) descreve ao tematizar os encontros interpessoais que por vezes configuram-se em relacionamentos amorosos: “só restarão o alô e o tchau; no meio, as falas de sempre” (MATARAZZO, 2001, p. 14).




REFERÊNCIAS



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* Psicólogo pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mestre pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) e doutorando do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP). E-mail de contato com o autor: thalmeida@usp.br  Home Page: www.thiagodealmeida.com.br 



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    Palavras-chave do artigo:

    amor relacionamentos amorosos relacoes homem mulher

    Comentar sobre o artigo

    Considerando os relacionamentos amorosos nos dias de hoje, é possível observar que ainda existe romantismo nas relações. As pessoas se apaixonam, têm casos amorosos, "ficam", namoram, se casam, traem,... pois, precisam viver a fantasia do amor romântico... Eis é o paradoxo: fantasia (expectativa) e realidade atual que não se harmonizam. E, neste paradoxo, homens e mulheres têm um "ingrediente" a mais para alimentar os seus "desencontros amorosos da modernidade"...

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    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 10/06/2008 lAcessos: 28,956 lComentário: 1

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    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 10/06/2008 lAcessos: 4,772 lComentário: 2

    Os vínculos se iniciam logo após o nascimento. O primeiro e mais importante vínculo é com a mãe, um apego saudável leva à formação de vínculos também saudáveis, já um apego doentio leva à dependência emocional. Durante toda a vida, o vínculo afetivo inicial entre pais e filhos influenciará a capacidade de cada um se vincular afetivamente aos outros, seja de forma saudável ou prejudicial, se tornando o caminho das relações humanas.

    Por: Albertol Psicologia&Auto-Ajudal 28/11/2012 lAcessos: 65
    Renata Cequeira

    Esse artigo procura analisar a representação feminina no seriado A Grande Família, através da análise das personagens Nenê, Bebel e Marilda. Não se trata de uma descrição identitária, mas de se tentar entender como os enunciados – as falas, o figurino, o cenário – das personagens reproduzem a multiplicidade dos comportamentos da mulher contemporânea. Na primeira parte do artigo, serão tratados os conceitos de seriado e sitcom. A idéia é mostrar, através da exposição da linha narrativa dos seriad

    Por: Renata Cequeiral Arte& Entretenimentol 03/07/2009 lAcessos: 1,051
    José Machado

    O amor entre um homem e uma mulher é fascinante e medicinal se houver conquista e não confisco, pois um sentimento nobre é divino e assim devemos vivê-lo. O amor exige atenção, carinho, dedicaçao, muito respeito e declarações de amor todos uma vez por dia, o dia todo e todos os dias.

    Por: José Machadol Psicologia&Auto-Ajuda> Auto-Ajudal 11/09/2010 lAcessos: 893 lComentário: 1

    Este artigo aborda pontos concernentes ao crime passional, no que tange aos componentes que permeiam a seara delituosa e permitem categorizá-lo no intento de analisar o contexto punitivo em decorrência da evolução sóciocultural.

    Por: Danielly Ferlinl Direito> Doutrinal 20/07/2010 lAcessos: 2,880 lComentário: 1
    Edison Candido Gonçalves

    Ama melhor quem ama a si mesmo e se respeita. As mulheres merecem serem amadas verdadeiramente. Serem reconhecidas com seres sensíveis e não, simples objetos. Ame para ser amado. Respeite para ser respeitado. Simples assim.

    Por: Edison Candido Gonçalvesl Relacionamentos> Relações Amorosasl 06/09/2014 lAcessos: 11
    Edison Candido Gonçalves

    Aprenda como aplicar as leis universais para encontrar seu verdadeiro amor. Saiba porque você não consegue atrair a pessoa certa para você. Descubra como as leis de afinidade podem ajudá-la ou ajudá-lo a ter um relacionamento feliz.

    Por: Edison Candido Gonçalvesl Relacionamentos> Relações Amorosasl 04/09/2014

    Existem mulheres que os homens podem se apaixonar, não importa se for bonita, feia, morena, loira. No amor quem manda é o coração. Não é verdade?

    Por: Fabianol Relacionamentos> Relações Amorosasl 29/08/2014 lAcessos: 11
    Daniel Ajala

    Um texto opinativo que tenta falar sobre o que pode ser um dos mais conhecidos sentimentos de nossos tempos: o Amor. O texto fala sobre uma breve avaliação sobre este sentimento.

    Por: Daniel Ajalal Relacionamentos> Relações Amorosasl 29/06/2014 lAcessos: 24
    Hellen Gomes

    Lembrei de quando dormíamos na minha casa, eu fazia questão de acordar antes de você só para me encantar com a tua beleza sob a luz do amanhecer. Os cabelos bagunçados, carinha amassada, vestígios de maquiagem nos olhos, era a paisagem perfeita e sempre me vinha a certeza; é essa visão que quero sempre ao acordar.

    Por: Hellen Gomesl Relacionamentos> Relações Amorosasl 28/06/2014 lAcessos: 17
    Patricia Camargo

    O Dia dos Namorados está chegando, vale a pena refletir sobre sua vida afetiva ! Se você está sozinho (a) - já pensou o por quê ? Se está junto, seu relacionamento afetivo está valendo à pena ? Se é viúvo (a) ou separado (a), conseguiu se desligar do seu antigo amor ? Para estas e outras questões, conheça o Coaching Afetivo, você pode se surpreender ! www.coachafetiva.com.br

    Por: Patricia Camargol Relacionamentos> Relações Amorosasl 11/06/2014 lAcessos: 11
    Patricia Camargo

    No meu trabalho de Coaching Afetivo, sou procurada por muitas mulheres que se cansaram de um relacionamento fugaz, às vezes nem são relacionamentos, são encontros esporádicos que não levam a nada. São mulheres inteligentes, bonitas, bem sucedidas, dispostas a um relacionamento estável, um relacionamento sério, um compromisso para uma vida a dois.

    Por: Patricia Camargol Relacionamentos> Relações Amorosasl 16/05/2014 lAcessos: 17
    JORGE FLOQUET

    Ela é uma mulher espetacular. Linda, maravilhosa e de longe me parece cheirosa! O único inconveniente é que só anda com um belíssimo negro, ao seu lado! Uns acham ele majestoso, formoso e esplendoroso!Mas, nunca viram ela com um homem de verdade! Às vezes, também assim acho. Somente de longe e sem o encarar! E não o levaria para a minha chácara! Poderia ser perigoso! Muito perigoso! Uns, acham que não. Que ele é manso e amável, principalmente com ela! Dizem que ela não o t

    Por: JORGE FLOQUETl Relacionamentos> Relações Amorosasl 01/05/2014 lAcessos: 22

    Segundo estimativas no mundo toda a violência está entre as principais causas de morte do mundo todo. No entanto, embora os números sejam preocupantes, há uma quantidade de pesquisa incipiente no tocante a violência que é um fenômeno progressivo e que muitas vezes se manifesta no começo do namoro entre os jovens casais que se escolhem para seguir um caminho juntos e desenvolverem um relacionamento afetivo-sexual.

    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajudal 23/01/2009 lAcessos: 25,207 lComentário: 8

    Atualmente, o estresse ocupacional é um problema que ataca profissionais de todas as áreas de atuação, sendo que alguns profissionais podem ser mais afetados que outros, como os bibliotecários. Neste artigo veremos um pouco mais da realidade destes profisisonais e os problemas relacionados ao estresse.

    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajudal 23/01/2009 lAcessos: 1,814 lComentário: 1

    Embora a violência seja enquadrada como física (e nesse caso incluímos também a violência sexual) e/ou verbal, podemos dizer que ela opera também no espaço do implícito, do não-dito, da negligência e da omissão e que, ficam melhor evidenciados quando tratamos, por exemplo, de pessoas deficientes. Para este segmento da população mecanismos violentos tais como: a segregação e o preconceito, a exclusão social, a estigmatização, a omissão e a negligência podem ser ainda mais prejudiciais.

    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajudal 23/01/2009 lAcessos: 1,478 lComentário: 1

    Entre todos os tipos de ciúme citados na literatura científica, o ciúme romântico, isto é, aquele que ocorre em relacionamentos amorosos, é um dos que tem despertado maior atenção de psicólogos e leigos. Segundo alguns teóricos, ele seria inerente, isto é, constitutivo da natureza humana de maneira com que todos nós seríamos ciumentos em maior ou em menor grau. Todos sentimos ciúme e não somente as pessoas que amam ou as que estão vinculadas afetivo-sexualmente a algum(a) parceiro(a).

    Por: Thiago de Almeidal Relacionamentos> Relações Amorosasl 23/01/2009 lAcessos: 48,048 lComentário: 5

    O presente trabalho tem como objetivo analisar as variáveis as quais um comportamento ciumento é produzido e mantido ao longo do tempo. Para isso, fez-se uma análise funcional do filme Ciúme: o inferno do amor possessivo, visando descrever as contingências de reforçamento em que a personagem Paul é exposta, baseando-se principalmente, na literatura da Análise do Comportamento. Embora esse tema faça parte de diversos artigos na Psicologia, poucos são da respectiva abordagem.

    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 23/01/2009 lAcessos: 13,516 lComentário: 4

    Internacionalmente o dia dos namorados é tradicionalmente comemorado como Dia de São Valentim, no dia 14 de fevereiro. No entanto, no Brasil celebramos anualmente no dia 12 de Junho, exatamente na véspera do dia de um outro santo da igreja católica chamado santo Antônio, também conhecido por seus ‘méritos’ enquanto casamenteiro.Mas, quem inventou o dia 12 de junho, dia dos namorados no Brasil, não foram às pessoas apaixonadas. Saiba mais...

    Por: Thiago de Almeidal Educação> Ciêncial 10/06/2008 lAcessos: 2,182

    Quer seja para procurarem um novo amor, quer seja para obterem um melhor posto em seu trabalho, ou ainda, para obterem um encaminhamento para lidar com as diversas situações-problemas do seu cotidiano com uma maior proficuidade, as pessoas mais cedo ou mais tarde, deparam-se com a questão da timidez. Este artigo versa acerca disso.

    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 10/06/2008 lAcessos: 1,921

    amar alguém, em primeira análise, significa reconhecer uma pessoa como fonte real ou potencial para a própria felicidade. Contudo, ao que parece, cada pessoa sabe exatamente como está sentindo seu amor, ou lamentando a falta dele, se regozijando ou sofrendo com ele, explicando que tipo de amor é o seu, reclamando reciprocidade, exigindo cumplicidade ou ocultando o amor proibido. Será mesmo?

    Por: Thiago de Almeidal Psicologia&Auto-Ajuda> Psicoterapial 10/06/2008 lAcessos: 4,772 lComentário: 2
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