O Namoro Virtual

15/09/2009 • Por • 12,141 Acessos

O NAMORO VIRTUAL

O meu começar a escrever, coincide com este pouco tempo que frequento este recanto e, neste publicar, comecei a interagir com recantistas, o que me trouxe a vivência do que é formar uma amizade virtual e o peso que esta troca pode fazer na vida de uma pessoa.

Desenvolvi, com algumas poetisas, uma relação de carinho, em função das afinidades emocionais expostas nos poemas, ou pelas vivências sentidas, ou por pontos de vistas comuns em diversos assuntos. É uma sensação muito gostosa e parece que pelos escritos ‘daquele dia’, 'daquela poetisa ou poeta', a gente até sente o que esta se passando com estes mais próximos, e posso dizer que teve dias, que senti apertos no peito, pelos sentimentos intuidos e através de metáforas, procurei dar algum alento.

Tem o dito ‘que somos responsáveis por quem cativamos’ e eu diria que, também, por quem somos cativados

Com esta pequena experiência, aqui no recanto, posso intuir o que as pessoas sentem ou desenvolvem, quando estão em algum relacionamento afetivo, via net, os chamados namoros virtuais.

Vejo que os sentimentos que sentimos são muito próximos daqueles que já sentimos em uma época de nossas vidas, os anos da adolescência, onde o amor ou a paquera surgia, primeiramente, pelo lado afetivo, pelo lado da afeição, meio platônico, sem explicação aparente, pois, quando víamos, estavamos sentindo algo que até então nem pensavamos. E como que de repente, estavamos apaixonados. No meu caso sempre pelas meninas erradas, enquanto outras viviam correndo atrás.

Já na idade adulta isto já é quase impossível de voltar a acontecer, da mesma forma, devido às barreiras que quase todos criam, pois todos já passaram por frustrações, sentimentos não correspondidos, sofrimentos outros, decepções, etc, sem falar das eventuais traições, que um ou outro possa ter passado, e que tantos traumas trazem, embora já se procure passar isto como uma coisa normal, hoje em dia, mas não é e nunca vai ser.

Uma traição nunca passará em branco, para quem ainda tem afeto no coração ao seu companheiro ou companheira.

Sinto quando recebo algumas palavras de carinho aqui no recanto, aquele sentimento afetivo, que vejo, de amizade sincera, e que só senti naquela época, e que são tão gostosos e que faziam e fazem tão bem para a alma.

Já o namoro virtual, há de haver reservas, pois pode ser criado uma anormalidade, que pode ser prejudicial, pois desperta um sentimento, que neste caso, pertence e é potencializado, só no mundo imaginário, e que por parecer mais 'perfeito', pode afastar a pessoa de envolvimentos reais, que são mais díficieis, mas fundamentais para o nosso desenvolvimento pessoal.

No relacionamento real há a empatia física, a empatia cultural, o nível social, que no mundo do namoro virtual, não tem tanta influência, assim como na adolescência, nos apaixonávamos simplesmente, sem muitas influências intelectivas ou sociais

Uma mulher pode nos elogiar no recanto, sem problemas, assim como vice versa, dizer palavras que nos emocionam, que tocam fundo no nosso coração, mas que nunca seriam ditas pessoalmente, pois poderia levar à distorções, que a auto preservação natural e cultural não permite, pois a presença física, a força do instinto de um corpo maduro, atuaria de forma estorvadora, e os sentimentos despertados seriam outros.

Diversos fatores impediriam estes elogios, como os que podemos receber, no recanto, naturalmente, de uma mulher, sem deixar para ela sentimentos de culpa, se for casada, pois aqui, são sentimentos de pura amizade  e que, pessoalmente, dificilmente ela se permitiria a dar estes elogios, por auto proteção.

É algo natural, totalmente enquadrado nas leis da natureza, implantadas pelo nosso Criador, desde o 'Faça-se a Luz', o também chamado de Big Luz, opa, Big Bang e que regem também a nossa vida, quer tenhamos conhecimentos delas ou não.

É a lei da física da ação e reação existente no mundo real, mas que não existe no mundo virtual.

Na relação virtual de namoro, esta lei não tem como atuar e  por isto a sensação de tudo ser perfeito, dando a impressão que é um amor mais meigo, mais sincero, mais amigo, pois naturalmente as pessoas mostram um lado afetivo, que possuem realmente, mas que pessoalmente, ou não teriam coragem de demonstrar, ou que simplesmente não viria à tona, mesmo que quisessem, pois somos diferentes nestes ‘mundos’ distintos.


Uma pessoa que é tímida na vida real; na vida virtual pode ser desembaraçada.
Uma pessoa declara naturalmente os seus sentimentos no mundo virtual e no real poderia ficar paralisada.
Uma pode se sentir incomodada com presenças físicas no mundo real, ficaria encabulada, o que já não acontece no virtual.

São as mesmas pessoas, só que estão atuando em mundos distintos, onde os sentimentos que brotam dentro de si são diferentes.

No mundo real vamos ver os seus modos de se vestirem, as suas reações em situações desfavoráveis ou favoráveis, a sua interatividade com as nossas pessoas conhecidas, a sua forma de se portar nos diversos ambientes, num restaurante, no campo, num cinema, num compromisso social, no contato físico.

Quando fazemos uma ligação telefônica para algum escritório e aquela voz maviosa nos atende, logo pensamos, quando solteiros: ‘Uau, que voz! Deve ser uma deusa.’

E acredito que na maior parte das vezes, a impressão sempre será desfavorável, quando lá chegamos.

Muitas vezes, também acontece o contrário, nós homens pensamos que seja um 'sargento do lado de lá’, ou as mulheres que seja ‘um troglodita’ e chegando lá não acreditamos no que vemos ou, elas no que vêem: ‘Que príncipe, pensava que era um sapo’.

Na minha época de juventude havia as interações de contatos, via fone, os tele namoros, se não me engano era este o nome, onde se começava conversando em grupo e depois pela afinidade, passávamos a conversar direto, individualmente, com alguém em especial. Lembro, uma vez, que cheguei a ter um encontro e foi o suficiente para nunca mais me meter neste campo. É muito constrangedor ter que disfarçar a decepção e não ter que sair correndo. Para elas também, é claro.

Quando me separei e fui morar num hotel, estava na maior depressão, ah, e cabe ressaltar, sai do relacionamento, em que estava há dez anos, não porque já tinha alguém, mas simplesmente porque não estava mais feliz e algumas amigas ficaram querendo me arranjar companhias.

No inicio, numa separação assim, você fica meio sem saber aonde ir, já não está mais acostumado, não tem amigos solteiros, não conhece mais os lugares aonde ir, fica meio que perdido.
Minha sorte, no ínicio, é que tinha uma amiga, que tinha mais quatro amigas, que estavam na mesma situação que eu, 'meio sem pai nem mãe', e saiamos, de vez em quando, para jantar e bater papo. E um dia esta minha amiga, ficou me falando de uma amiga dela que era muito legal e tal, e me deu o telefone dela.
Eu tudo bem, liguei. Mas que voz maviosa, realmente ela era muito bacana de se conversar no telefone. Marcamos um jantar e fui buscá-la em sua casa e posso lhes dizer, foi muito constrangedor.

Resolvi achar meus caminhos por mim mesmo e por isto posso dizer que, por pior que seja a realidade, não podemos fugir dela, temos que a encara-la, pois é nela que está a verdadeira vida e onde aprenderemos aquilo que realmente precisamos aprender, quer seja bom ou não, para o nosso desenvolvimento, tanto social, como espiritual.

Como meio de fazermos amizades o mundo virtual é bom, mas para envolvimentos emocionais, há que haver reservas.

‘E não importa o preço que tenhamos que pagar, neste caso, temos que cair na real’.

Se não fizermos isto vamos passar a vida, como dizíamos dos nossos avós, na frente de uma televisão.

Só que no caso atual, na frente de um monitor, é pior, pois não temos ninguém para nos trazer um cafezinho.

‘A felicidade provém do íntimo, daquilo que o Ser humano sente dentro de si mesmo’
Roselis V Sass (graal.org.br)

Perfil do Autor

HAMILTON SERPA

Sou casado há cinco anos, tenho 53 anos, estudei Filosofia e Geografia. Tenho uma Corretora de seguros e moro metade da semana em Curitiba e metade em Porto de cima em meio a uma reserva da Floresta Atlântica a 50 km da capital.