Pessoas Que Não Demonstram Sentimentos

Publicado em: 12/07/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 9,723 |

images?q=tbn:ANd9GcSX1iGRlyk0sl4dB-z744VAlguns julgam que pensamentos negativos produzem doenças corporais, na verdade desenvolvemos esses pensamentos porque já estamos doentes.

O corpo, onde atuam as emoções, não é separado do cérebro onde a mente processa os sentimentos. Mas a não-percepção de nossos processos corporais alimenta a falsa idéia de que temos o corpo separado da mente.

As emoções e os sentimentos

As emoções são nossos reguladores naturais. Diante de qualquer dificuldade, perigo ou necessidade nosso organismo aciona automaticamente várias reações até nos sentirmos confortáveis novamente.

Emoção é movimento, sentimento é reconhecimento. Em outras palavras, toda vez que um organismo vivo se desestabiliza são colocadas em movimento emoções que o levarão a se reequilibrar através da busca de alimento, água, fuga das situações de risco etc.

Esse automatismo não depende de um sistema nervoso complexo, tampouco da existência de um cérebro, está presente em todos os organismos, da ameba ao ser humano. Ir ao encontro de um semelhante para acasalar, defender-se de doenças e lesões também faz parte do processo emocional.

Já os sentimentos são a autopercepção. Eles surgem quando você toma consciência das emoções corporais e variam conforme o momento e a situação que você está atravessando.

Assim, quando você sente amor, raiva ou medo em relação a alguém isso tem mais a ver com seu estado interno do que com o outro em si. O que chamamos de sentimento, portanto, é a percepção das emoções transferida para certas zonas de nosso cérebro e codificada sob a forma de uma atividade neuronal específica.

Quando você consegue perceber, identificar e dar sentido ao que está acontecendo dentro de si se comunica e relaciona melhor com as outras pessoas. Mas nem todos conseguem reconhecer suas emoções, expressar seus sentimentos e menos ainda falar de si com os outros.

Curto-circuito

A incapacidade de fazer contato com as próprias emoções tem nome: alexitimia. O termo foi cunhado pelo psiquiatra Peter Sifneos em 1972 e se refere a uma falta de mentalização das emoções que dificulta à pessoa identificar e exprimir adequadamente suas sensações corporais.

Além disso, seus pensamentos a respeito delas faz com que se preocupe demasiadamente com seu corpo sendo muitas vezes taxada de hipocondríaca ou acusada de não ter criatividade, senso de humor e flexibilidade para lidar com seus problemas.

Para um entendimento simplificado de como se dá a alexitimia podemos dizer que o cérebro é composto por três partes: primeiro, uma região mais profunda, o cérebro reptiliano onde habitam nossos reflexos e instintos primários, herdados de nossos ancestrais biológicos. Digamos que é a parte que estabelece nosso estado geral de excitação e de cólera, determinando o nível de nossa irritação diante dos baques da vida.

Imediatamente acima está o sistema límbico. Nessa parte do cérebro são processadas emoções sob a forma de estados de espírito que exercem forte influência em nosso comportamento. É aí que está a amígdala que atua como alarme em situações de risco.

Se estivermos em perigo hormônios do estresse, como a adrenalina, são liberados, experimentamos a emoção raiva e nosso corpo se prepara para o ataque: aumenta a pressão arterial; os batimentos cardíacos se aceleram melhorando a irrigação de órgãos e músculos; as pupilas se dilatam; os cabelos se eriçam na nuca e a pele fica arrepiada. Pronto, já podemos bater ou correr.

Todo o movimento interno é simultâneo e significa que o organismo está se adaptando à situação externa causadora da irritação. Ao mesmo tempo em que as reações corporais – orquestradas pelo reptiliano – acontecem, o límbico se encarrega de providenciar os meios de comunicação que combinem com a situação. Se estamos sendo agredidos o outro saberá através de nosso tom e volume de voz, fisionomia e gestos.

E, finalmente, há o córtex onde tomamos consciência das diferentes emoções; fazemos distinções entre elas e as classificamos de acordo com o contexto da experiência. Dependendo de como se processam nossas conexões neurais podemos transformar a emoção irritação em sentimentos de inveja, vingança ou decepção em lugar de força e determinação para sanar a situação irritante.

Entre o sistema límbico e o córtex está o giro do cíngulo, uma espécie de ponte fazendo conexão entre as sensações fisiológicas e as representações mentais delas. Quanto maior o nível de consciência das próprias emoções positivas ou negativas, isto é, quanto maior o contato com o mundo interno, mais ativo é o giro do cíngulo.

Ponte quebrada

Nas pessoas com alexitimia essa atividade é desregulada, insuficiente ou excessiva. Quando se faz um mapeamento da atividade cerebral delas observa-se que o giro do cíngulo fica bastante ativado diante de imagens positivas, como belas paisagens, cenas eróticas, bebês sorrindo e gatos brincalhões.

Porém, quando as imagens são negativas como crianças chorando, pessoas acidentadas e animais ferozes a ativação é muito menor. Como se o cérebro respondesse menos diante do sofrimento.

A neurologia ainda não sabe como surge essa disfunção, mas parece que o giro do cíngulo transmite mal para o córtex a informação emocional que vem do límbico. Aproximadamente 15% da população têm alexitimia, a maior parte homens.

Quando o cérebro da criança aprende a criar conexões entre as sensações corporais com os estados mentais e as palavras são elaboradas várias microconexões potenciais que podem ou não vir a ser utilizadas em seus processos cognitivos.

Durante o crescimento as conexões excedentes são eliminadas, enquanto aquelas que associam uma dada emoção a uma determinada palavra são reforçadas. Essa eliminação não significa desperdício de conexões neurais, digamos que assim o organismo terá mais energia para utilizar no que for realmente importante para aquela pessoa em particular, diferenciando-a dos outros seres humanos.

Ensinando a amar

A disponibilidade dos pais é fundamental para o aprendizado sobre as emoções e os sentimentos, pois o cérebro infantil identificará como úteis as conexões mais ativadas por frases repetidas pelos pais quando conversam com ela no dia-a-dia.

Entretanto, se os pais vivem longos períodos de depressão, têm personalidades frágeis ou são muito instáveis psicologicamente eles não conseguem auxiliar as crianças nesse processo.

Talvez a correria da vida tenha diminuído muito o tempo necessário para conversar com as crianças e alguns de nós crescemos com dificuldade para falar sentimentos, sobretudo, na relação de casal.

A identidade de alguém necessita da existência de um outro que a legitime, duas pessoas se sentem amantes quando se percebem amando uma a outra.

A tragédia dos amores não correspondidos ocorre quando a identidade da pessoa é posta em xeque, sobretudo se ela estiver alicerçada no que pensa que os outros desejam que ela seja e não em quem é de fato, isso significa que se for rejeitada o golpe será desferido sobre o valor que dá a si mesma.

Por outro lado uma pessoa pode impor ao outro uma identidade indesejada, por exemplo, quando uma pessoa ama alguém que a considera fraca e inferior – mesmo que em seu íntimo a pessoa não se perceba assim – poderá ser convencida a viver esse papel no relacionamento para garantir a manutenção do relacionamento.

A falta de acesso às próprias emoções e sentimentos tem se provado uma fórmula bastante eficaz para a munutenção de relacionamentos tóxicos.

Através da vegetoterapia a pessoa pode flexibilizar suas couraças caracterológicas e reaprender a sentir-se e expressar seus sentimentos e pensamentos. Faça contato pelo http://www.wix.com/nataraji/swaraj e agende sua avaliação.

Referências

Berthoz, Sylvie. Os segredos das emoções Viver mente&cérebro, ano XIII, nº 143, pg. 55-59.

Damásio, António. Em busca de Espinosa, prazer e dor na ciência dos sentimentos, São Paulo, Cia das Letras, 2004, pg. 36.

Goleman, Daniel. Inteligência Emocional, a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente, Ed.

Laing, Ronald D. O eu e os outros, Petrópolis, Ed. Vozes, 1989, 7ª ed., pg. 78.

Objetiva, 1995, 57ª ed., pg 64.

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    Palavras-chave do artigo:

    neuropsicologia

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    neurologia

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    neurobiologia

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