Relações Descartáveis

18/02/2009 • Por • 5,113 Acessos

Vivemos em um mundo descartável. A sociedade de consumo da qual fazemos parte tem realizado importantes mudanças no nosso comportamento. A correria do dia a dia, a pressa e a falta de tempo exige das pessoas, cada vez mais, a praticidade, que com o barateamento e desenvolvimento de novos materiais fazem dos bens descartáveis um símbolo de modernidade.

 

Fora o problema ambiental, descartar objetos e embalagens não é de um todo ruim, o problema surge quando começamos a descartar as pessoas.

 

Viver em sociedade nos obriga a experimentar o convívio com outros indivíduos, sejam familiares, amigos, colegas de trabalho. Em qualquer tipo de círculo que vivamos estamos sempre cercados de pessoas com as quais mantemos relações durante toda a nossa vida. Mas nem sempre podemos estar perto das pessoas com as quais mantemos relações e nesse momento o uso da tecnologia se torna uma ferramenta importante para a aproximação mútua seja por telefone, comunicadores instantâneos, redes de relacionamento entre outros. Porém um fenômeno interessante se observa: toda essa oferta de meios de comunicação criou um modo de estabelecer relações de alguma maneira descartável. Parece que cada vez mais tratamos pessoas como produtos. Enquanto atendem as nossas expectativas e necessidades, as mantemos ao alcance da vista, ou do “mouse”, quando não, as descartamos. Qualquer usuário de internet conhece maneiras de bloquear a pessoa quando não quer ser incomodado. É como se fosse uma adaptação moderna do fechar a porta de antigamente.

 

Com o advento da internet e da telefonia móvel ficou muito mais fácil conhecer pessoas, conversar, mesmo que distantes uma das outras pois as distâncias são encurtadas com o uso da tecnologia. Atualmente qualquer um que disponha de um computador ligado à internet pode conhecer outros indivíduos a qualquer momento. Agora o que se observa é que com a mesma facilidade que temos de nos aproximar, conversar, criar vínculos há também uma facilidade para que esses relacionamentos acabem. É como se a cultura do descartável tivesse atingido as relações pessoais. Um dia temos uma lista de amigos no outro os bloqueamos, deletamos, enfim.

 

É óbvio que com o progresso da sociedade aliado aos novos usos das também novas tecnologia, haja uma mudança de valores das pessoas que tendem a se adaptar ao novos tempos, mas o fato é que estamos entrando num momento de frágeis ligações afetivas o que tem proporcionado a nossa geração vivenciar o rompimento dos valores desde sempre enaltecidos fazendo assim a cultura do descartável atingir os duráveis valores sociais a que tanto valorizamos.

Perfil do Autor

Marcos Antonio Medeiros de Oliveira

Bombeiro Militar, 29 anos, residente no Estado do Rio Grande do Norte, desde muito cedo amante da leitura e dos mistérios da vida... Pretendo aqui utilizar este espaço democrático de forma a divulgar o pensamento inquiridor de um pensador inveterado.