Amai-Vos E Instruí-Vos

17/02/2010 • Por • 742 Acessos

Dia destes, um companheiro de Doutrina disse-me que faria uma palestra acerca do “Amai-vos e instruí-vos” e que carecia de material para organizá-la.

Nisso, veio-me o desejo de passar a escrever sobre diversos temas, talvez fragmentos de nosso dia-a-dia. Decidi aproveitar-me do tema por ele citado, para iniciar meus escritos. Obrigada irmãozinho em Cristo, pela sugestão que fizestes brotar em mim.

E em lendo uma página ofertada por Emmanuel, pareceu-me que o tema começou a tomar corpo. Emmanuel fala a respeito da questão 114 do Livro dos Espíritos, a qual reproduzo:

114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que procuram melhorar-se?
Resp.: Os Espíritos mesmos se melhoram; melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma superior.

A passagem que li de Emmanuel propriamente dita, haverei de trazer abaixo. Mas, ao ler esta questão de O Livro dos Espíritos, percebi que aqui poderia ser encontrada uma das portas que nos levam ao amai-vos e instruí-vos.

Nossos maiores mandamentos são o de ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’ e ‘ao próximo como a ti mesmo’. No entanto, nas lidas do mundo, muito perdemos deste referencial precioso, sintetizado pelo Mestre Jesus. Perdemos-nos nos cipoais da inveja, do egoísmo, da ignorância. Vamos alimentando sentimentos devastadores, afastando de nós a caridade e tantas outras virtudes que precisam de nosso cultivo diário.

Envolvidos pelas nossas fraquezas emocionais, pelas nossas necessidades de sobrevivência, confundimos as situações e relegamos o Pai aos momentos em que nos damos conta de que precisamos de algo e não temos a quem recorrer; nessa hora procuramos o Chefão. Nossa impotência nos humilha e transferimos a Ele a resolução da situação. Ou a responsabilidade pelo total fracasso daquilo que não alcançamos.

No entanto, claro se mostra através desta questão de O Livro dos Espíritos, que os Espíritos, ou seja nós mesmos também, são fruto da dedicação que cada um exerce sobre si mesmo; isso os torna melhores e aptos a evoluir na escala em que se encontram.

E como será essa dedicação? Calcada em que estará?

Eis que podemos somar ao legado do Mestre Jesus (amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo) o alerta trazido pela Codificação Espírita: “Espíritas, amai-vos e instruí-vos”. Estes dois legados ou ensinamentos, poderão ser nossa mola propulsora ante nosso propósito de melhoria e de crescimento.

Através destas duas situações, praticadas e levadas ao extremo, não restará pedra-sobre-pedra envolvendo nossa inferioridade, abrangendo nossas mazelas ou nossas imperfeições.

Haveremos de buscar a prática e a compreensão do que seria amar a Deus. Desejaremos compreender como poderemos nos amar, para amar ao próximo. Teremos então, sem perceber, começado a praticar o amor ao próximo. E, para praticá-lo, eis que tivemos a necessidade de nos instruir. Um círculo vicioso se forma, pois se nos instruímos para amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos, eis que também haveremos de querer ensinar isso ao nosso próximo, pois faz parte da Lei de Amor e Caridade.

Os mais apegados às letras e às objeções haverão de me refutar: amor não se aprende ou não vem pelo aprendizado. Como não? A partir do momento que passamos a aprender algo, apreender em sua máxima, eis que haveremos de reunir esforços para que este aprendizado não seja vão.

Não nos foi dito para apenas ‘aprendermos’ que devemos amar o Pai. Foi ensinado sim, que devemos amá-lo! E se não sabemos amá-lo porque não o conhecemos ou não o compreendemos, teremos de passar a conhecê-lo melhor para que a compreensão não seja apenas um mar de repetições como a tabuada que decoramos.

Temos de sentir esse aprendizado e, para tanto, vamos aprender a como amar, a como respeitar, a quem amar, a o que amar, como tão bem definiu Kardec na primeira questão de O Livro dos Espíritos. Não amar a alguém, mas amar a Algo; Algo que nos criou, assim como a tudo que nos rodeia. Algo que não é quem, mas sim uma Força Superior a tudo o que podemos definir ou delimitar; Algo que além de haver criado a tudo e a todos, ainda nos proporcionou Leis sábias e justas. Ainda nos proporcionou inúmeros exemplos ‘vivos’ de como exercê-las; ainda nos proporcionou meios de compreendermos a vastidão da vida infinita.

E nos mostrou que, embora cada um deva evoluir por si próprio (ninguém faz aquilo que nos cabe), deixou-nos claro que seria através do amarmos e instruirmos uns aos outros que alcançaríamos esta culminância.

Emmanuel nos mostra como isso é possível, através da compreensão desta sua passagem:

A lei protege.
O lar acolhe.
A família une.
O tempo concede.
O ensejo faculta.
A ação cria.
O mestre orienta.
O livro instrui.
O trabalho habilita.
A luta desbasta.
A prova define.
O hábito mecaniza.
A experiência prepara.
O título endossa.
A dor avisa.
A doença depura.
A tentação experimenta.
O obstáculo desafia.
O amigo ampara.
O adversário incentiva.
O afeto nutre.
O auxílio encoraja.
A bondade abençoa.
A fé sustenta.
A oração fortalece.
A morte examina.
O mérito, no entanto, a fim de que recolhas novo alento e passagem para planos superiores, é problema contigo. E, em toda circunstância, depende da melhora que fizeres, buscando educar a ti mesmo, aprendendo e servindo, amando e perdoando, para a glória da vida, ante a glória de Deus.
(De "Religião dos Espíritos", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

Façamos a vontade do Pai, sempre. Vontade de amor e caridade.

Fiorella Romana 15-09-2008

 

Perfil do Autor

Fiorella Romana

Integrante do Grupo de Estudos Sob a ótica Espírita, que se reúne diariamente no programa PALTalk, com a finalidade de aprender e interagir...