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Da Profecia À Apocalíptica
Por: NERI DE PAULA CARNEIRO  | Publicado em: 05-08-2008 | Comentários: 0 | Acessos: 61 | Avaliação: (98) (?)
Da profecia à apocalíptica
Neri de Paula Carneiro
A literatura apocalíptica está muito próxima da profética. Entretanto não se confundem.
A atuação dos profetas teve começo meio e fim, na história de Israel. “Desde o tempo dos juízes até o cativeiro, os profetas aparecem. Eles fazem parte da vida, da cultura e da organização do povo. Depois do cativeiro, o quadro mudou. O povo dizia ‘não há mais profetas’ (Sl, 74,9)” (CEBI, 2000, p. 58). Depois da queda definitiva da monarquia, cessou a atuação dos profetas de Israel. Não se pode dizer que a profecia morreu, mas que a atuação dos profetas deixou de ser algo marcante na vida do povo de Deus. O que levou alguns estudiosos a dizer que os profetas desapareceram ao findar a monarquia.
Acontece que a ação profética havia sido nacional e localizada. Após a volta do exílio a conjuntura nacional passou a ser diferente; e as interferências de costumes estrangeiros eram mais intensas. O povo precisava manter a fé e a esperança. Mas a interferência externa era intensa e, em muitos casos, matava a esperança. Além disso, várias das promessas dos profetas ainda não se haviam cumprido. Ao desaparecerem, os profetas deixaram um vazio que precisava ser preenchido a fim de se manter a fé, a identidade e a perspectiva de um futuro. “A falência da profecia deixa um vazio que precisa ser preenchido, pois os problemas continuam. É aí que surge a apocalíptica. Neste sentido, a apocalíptica é filha e herdeira da profecia. Parece que grupos proféticos marginalizados pelo crescente poder sacerdotal vão sendo empurrados na direção da apocalíptica” (SILVA, 2008). E a perspectiva nacional/local se amplia para um nível internacional e escatológico.
Um dos elementos importantes, da profecia, permaneceu: a expectativa do “dia do Senhor (YHWH)”. Dia em que se manifestaria a justiça divina. Essa perspectiva permaneceu e se tornou um dos pilares da apocalíptica. Entretanto o dia do senhor, deixou de ser um momento histórico para ganhar configurações cósmicas; a justiça divina não recairá somente contra os soberanos cruéis, mas sobre todos os infiéis; já não se tratava mais de um evento histórico, mas do fim da história. Em razão disso a divisão do mundo em dois planos: o mundo terrestre (de baixo) e o mundo do alto (celeste). Aliás, essa visão também estava presente nas palavras de Jesus (Jo, 8,23) e manifestava o novo conflito, agora não mais do povo contra os poderosos da terra, mas dos filhos da luz contra os filhos das trevas (Lc 16,8).
Entretanto, e justamente para mostrar a proximidade dos dois estilos literários, a revelação apocalíptica é, também, chamada de profecia. “Feliz o leitor e os ouvintes desta profecia” (Ap. 1,3). E isso também mostra mais uma característica deste gênero literário: enquanto a profecia havia sido uma prática do profeta falando contra os opressores, na apocalíptica se trata de um discurso literário a ser apresentado ao um grupo de ouvintes; enquanto a profecia destina-se ao publico externo – rei, templo, falsos profetas, opressores do povo – a apocalíptica destina-se ao público interno: aos fiéis atribulados, assustados e carentes de um norte.
Neri de Paula Carneiro: Mestre em Educação pela UFMS. Especialista em Educação; Especialista em Didática do Ensino Superior; Especialista em Teologia; Professor de História e Filosofia na rede estadual, em Rolim de Moura – RO. Filósofo; Teólogo; Historiador; Professor de Filosofia e Ética na Faculdade de Pimenta Bueno (FAP). Jornalista e produtor e apresentador de programa radiofônico.
Referências
BÍBLIA de Jerusalém, São Paulo: Paulinas, 1989
CEBI (Centro de Estudos Bíblicos), Evangelho de João e Apocalipse. São Paulo: Cebi/Paulus, 2000.
CHARPENTIER, Etiene et al. Uma leitura do apocalipse. São Paulo: Paulinas, 1983.
GORGULHO, G.S.; ANDERSON, Ana Flora. Não tenham medo: apocalipse. 3 ed. São Paulo: Paulinas, 1981.
MESTERS, Carlos; OUROFINO, Francisco. Apocalipse de João, Esperança, Coragem e Alegria. 2 ed. São Paulo: Cebi/Paulus, 2002
SILVA, Airton José da. Apocalíptica: Busca de um tempo sem fronteiras. disponível em: <http://www.airtonjo.com/apocaliptica.htm> acessado em 20/07/2008
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Perfil o autor:Concluí mestrado em Educação (UFMS), especialização em Educação (UNESC-Cacoal-RO), especialização em Metodologia do Ensino Superior (UNIR-RO), especialização em Metodologia de Leitura Popular da Bíblia (CEBI-RS). Concluí os cursos de graduação em Filosofia, Teologia, História. Sou Professor de História e Filosofia pela rede pública estadual (R. Moura-RO); professor de Filosofia na Faculdade de Pimenta Bueno - FAP (Pimenta Bueno-RO). Radialista e colaborador em jornais da região de Rolim de Moura – RO.
Publiquei alguns livros de circulação regional além de artigos em revistas científicas de Rondônia.
Meus textos são publicados regularmente no jornal Folha da Mata (Rolim de Moura-RO) nos blogs: http://falaescrita.blogspot.com e http://ideiasefatos.spaces.live.com e no site www.webartigos.com
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