Deus Escreve Certo Por Linhas Tortas

12/09/2009 • Por • 4,656 Acessos

DEUS ESCREVE CERTO POR LINHAS TORTAS

 

            Deus escreve certo por linhas tortas. Este é um ditado certo, mas pouca gente entendeu ainda. Vejamos um exemplo.

            Havia um moço que não trabalhava de maneira alguma. Vivia fazendo planos e assaltando as residências, pessoas incautas, o que ele achava pela frente. Tornou-se um especialista nesta arte.

            Certa vez ele passeando folgadamente pela cidade, viu uma casa enorme, bonita, bem planejada. Era belíssima e parecia um palácio. Martim Gouveia, este era o nome do rapaz ficou excitadíssimo. Se o que esta casa tem por fora é valioso, imagine só o que tem lá dentro. Ficou vários dias observando a casa, olhando de um lado, de outro, enamorando a casa. Estranho, e a casa, apesar de bem cuidada, está sempre deserta, não vejo ninguém aqui. Será esta mesma, e será esta noite. Já tinha decidido.

            Naquela noite ele pulou o muro com muita facilidade.

-          As coisas estão mais fáceis do que eu esperava. E os cachorros. Que bom, não tem nenhum cachorro.

Pé por pé ele se adentrou pela cozinha. Ninguém. Tudo calmo. Tudo tranqüilo. Foi se adentrando a sala. Tudo escuro. Ele não poderia acender luz ali, estragaria seu enorme tesouro. Procurou pelo quarto. É lá que as pessoas guardam seus tesouros.  Ele ouve a respiração ofegante de alguém. Parou, ouviu bem, tinha uma pessoa ou mais de uma ali. Estavam dormindo. Estava escuro e um pouco longe. Ele não poderia ver nada.

            De repente uma voz fala:

            - Entre, meu filho.

            - Meu filho? Alguém ali é muito esperto. Não tem medo dele. Talvez já soubesse que ele viria lhe roubar naquela noite.

            Fica mais quieto ainda.

            A voz torna a falar:

            - Entre, meu filho. Vem pro papai. O papai já o estava esperando.

            - Esperando? Então o safado sabia de tudo. Coitado naquele escuro todo, ele seria um alvo muito fácil. Melhor se prevenir logo. Retira o revólver da cintura, devagar e sem barulho empunha-o e mira pro lugar que veio a voz.

            - Eu não queria matar ninguém, nunca matei ninguém, mas ladrão que se preza de repente precisa usar destes argumentos.

            - Vem, meu filho. Foram os espíritos que mandaram você pra mim. Vamos começar logo. Não agüento mais

-          Não agüenta mais? Mas então ele estava sendo o alvo mesmo. O cara já sabia mesmo que ele viria ali.

            - Vem, meu filho. Não tenha medo. Foram os espíritos que me enviaram você. Vem logo cuidar do papai. Você é um enviado de Deus, um mensageiro divino.

            A voz estava fraca. Talvez não fosse o que ele estivesse pensando.Viu em meio uma escuridão uma tomada, foi lá e acendeu-a com o revólver em punho. Era um velhinho que estava deitado na cama.

            Imediatamente ele guarda o revólver antes que o velho desconfie de alguma coisa. Não sabe como, mas corre para o velho.

            - Oh, graças a Deus, meu filho. Eu o estava esperando há tempo. Por que demorou? Sou um paralítico e não tenho ninguém por mim. Estou sem forças para me levantar daqui. Há muito que não recebo visitas. Estou com muita fome e tenho que tomar os meus remédios. Foi por isto que fiquei de cama. Não agüento nem me levantar para pegar os remédios. Pegue os meus remédios naquela mesinha, meu filho. Traga para mim com um copo de água.

            Mais que depressa ele foi lá, pegou a água e trouxe com os remédios. O velhinho tomou o remédio com a água.

            - Faz tempo que já estou aqui, filho. Não tenho mais nenhum parente comigo. Todos já se foram. Fiquei sozinho esperando o meu dia de ir também, mas ainda tenho um sopro de vida. Estava morrendo aqui sozinho, mas agora estou bem. Você é o filho que eu pedi a Deus. É um mensageiro divino que veio cuidar de mim.

            - Essa agora. Cuidar de um velho, a profissão dele era outra e bem diferente.

            - Agora leia para mim, filho. Pegue aquele livro ali na mesa e leia, leia bastante para mim.

            - Pronto, mais essa. Ele que fugiu da escola para ter a profissão de ladrão. Agora ler para um velho.

            Pegou o livro e levou um choque. Estava escrito: “Evangelho segundo o Espiritismo”. E agora como é que ele se portaria? Tinha verdadeiro pavor de Espiritismo, diziam que era coisa do mal.

            O velho insistia, insistia. E então ele teve que ler. Leu até altas horas da madrugada. O velho dormiu. Ele aproveitou e foi à cozinha e se fartou. Depois foi dormir também. Ali a casa não oferecia perigo algum. Dormiu que só um anjo. No outro dia acordou cedo. O velho já estava acordado. Foi à cozinha fez um café e trouxe para o velho. O homem não conversava muito. Estava muito doente. Num dado momento o velho pediu de novo: Leia mais um pouco filho, mais um pouco para mim. Com pouca vontade ele pegou o livro e continuou lendo. Em 10 dias ele leu todo o Evangelho. Graças a Deus. Agora não vou ler mais nada. Será?

            - Embaixo dessa mesinha tem outros livros meu filho. Pegue o segundo livro e leia mais.

 Era “O livro dos Espíritos.” E ele leu, leu e dentro de uma semana tinha lido todo o Livro.  As coisas não pararam ali. Terminado de ler aquele ele pediu que lesse “O livro dos médiuns”. E assim sucessivamente ele leu todas as obras de Kardec. O homem se reconfortou. Melhorou um pouco. Faleceu feliz da vida. Ele fez o enterro do bom velhinho. Ele herdou tudo o que o velho tinha. Hoje quem passa por ali vê uma faixa bem grande: “Centro Espírita Nova Luz”. A vida dele mudou-se completamente.

Obs: Baseado na obra “Ideal Espírita” de Francisco Cândido Xavier

 

 

Perfil do Autor

Henrique Pompilio de Araújo