O Sinédrio E Os Sacerdotes

04/02/2010 • Por • 4,871 Acessos

O SINÉDRIO E OS SACERDOTES

O sinédrio (Sanhedrim) era a corte Suprema da lei judaica e tinha a missão de administrar justiça, aplicando e interpretando o Tora (Lei de Moisés) tanto oral como escrita. Exercia a representação do povo judeu perante a autoridade romana.

         Segundo consta da tradição antiga- possuía 71 membros, herdeiros segundo se supunha das tarefas pelos 70 anciãos que ajudavam a Moisés na administração da justiça. Integrava representantes da nobreza sacerdotal e das famílias mais notáveis.

         O sinédrio vivia em constantes atritos com os imperadores romanos e com isto perdeu muito do seu poder.

         Na época dos governadores romanos, inclusive na de Pôncio Pilatos, o sinédrio voltou novamente as suas funções judiciais em processos civis e penais, dentro da Judéia. Nesse momento, suas relações com a administração romana eram muito tensas e o relativo âmbito da autonomia que lhe foi outorgado estava em consonância com a política romana nos territórios conquistados.

         O sinédrio, portanto, embora pudesse julgar as causa que lhes eram próprias, não podia condenar ninguém a morte. Somente o governador poderia ditar a pena capital, uma vez que era autorizado pelo Imperador para assinar tal sentença.

         O julgamento de Jesus sob os aspectos jurídicos, religioso e moral foi uma verdadeira farsa. Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, havia interesse político em relação ao império romano. Pretendia-se a manutenção de privilégios para a classe sacerdotal dominante.

         Quando do julgamento de Jesus, o sinédrio era composto de:

         a)representantes da aristocracia sacerdotal com mentalidade saducéia, eram os sumos sacerdotes do Templo;

         b)representantes de famílias leigas influentes;

         c)grupo de fariseus, os que influenciavam nas decisões.

         O sinédrio tinha autoridade para assuntos profanos e religiosos. A condenação à morte exigia o voto de 23 juízes. O conselho só poderia condenar alguém à morte com ordens de Roma.

         Anás foi o principal interessado na morte de Jesus. Era sumo sacerdote desde o ano VI d.C., e um experiente estrategista. Como era rico, nomeou 5 filhos como sumo sacerdotes e havia muitos outros parentes nomeados nos diversos departamentos do Templo. Provavelmente recebia caixinhas sobre venda de animais no Templo para sacrifício.

         Como se sabe, a principal causa da morte de Jesus foi a inveja que ele causou nos sumos sacerdotes. O seu rebanho estava crescendo muito e o dos sumos sacerdotes diminuindo sempre. Com a expulsão dos vendilhões do Templo, as coisas pioraram, pois é quase certo que os sumos sacerdotes recebiam altas comissões por estas vendas, a chamada propina de hoje. E no Templo se vendia de tudo. Na verdade o Templo enricou muita gente podre daquela época.

         Caifás era sacerdote dependente, por isto que Jesus foi levado primeiro a presença de Anás que era o presidente de honra do Conselho. Só depois Anás devolve Jesus a Caifás.

         O livro “José de Arimatéia” de José Carlos Leal narra muito bem os interesses dos sumos sacerdotes daquela época.  Arimatéia era um dos membros do Sinédrio e nos diz que Caifás estava muito preocupado que a ação de Jesus se alastrasse. Dizia ele que Jesus tinha mais de 200 seguidores entre eles: zelotes, sicários e loucos exaltados, fora o grupo escolhido por Jesus.

         Caifás tinha medo de Tibério e numa passagem do livro diz: “Você sabe muito bem, quem é o novo senhor de Roma: aquela serpente chamada Tibério, aquele velho lascivo e porco. Como todos os romanos, ele nos detesta. Acredito que ele esteja à espera de um simples pretexto, por menor que seja, para nos esmagar, e esse pretexto pode vir de Jesus e de seus seguidores. Temos, portanto, que prender Jesus, antes que a situação fuja de nosso controle” – Dizendo a Nicodemos.

         Jesus seria preso e julgado por Magia, desrespeito a Lei de Moisés, blasfêmia.

         Entre os membros do Sinédrio, os que estavam a favor de Jesus eram apenas José de Arimatéia, Eliazar e Gamaliel.

         Feita uma votação entre os sumo sacerdotes, a proposta de Caifás ganhou largamente. Jesus seria preso e para prendê-lo nada mais do que chamar Judas que estava decepcionado com a atuação de Jesus.  Judas queria que Jesus se mostrasse poderoso, pois segundo ele, os reis são poderosos, mas Jesus se mostrou um humilde prestador de serviços ao povo. Por isto havia procurado Caifás várias vezes sem nada conseguir. Seria a oportunidade única.

         Tudo resolvido, o convite foi aceite e Judas foi tapeado por 30 moedas a entregar Jesus. Jamais Judas imaginava que estava entregando Jesus a condenação.

         E assim o Sinédrio cometeu seu maior erro, dos muitos e muitos que cometera enquanto permaneceu com este poder nas mãos.