Cateter Central De Inserção Periférica Ccip/picc Para Administração De Medicações Endovenosa

Publicado em: 25/10/2009 |Comentário: 2 | Acessos: 13,442 |

CCIP/PICC (cateter central de inserção periférica/Peripherally Insert Central Catheter) é um dispositivo vascular de inserção periférica com localização central com lúmem único ou múltiplo. Constituídos de poliuretano ou silicone é radiopaco, sendo os de silicone mais flexíveis, causando menor irritação à parede dos vasos e interação medicamentosa. Possuem parâmetros como: calibre, comprimento, diâmetro interno e externo e primig (volume interno) especificados em tabelas de conversão que devem acompanhar o produto.(1)

            No Brasil a competência técnica e legal para o Enfermeiro inserir e manipular o CCIP/PICC encontra-se amparada pela lei 7498/86 e o seu decreto 94406/87, no seu artigo oitavo inciso II, alíneas b, e, h, i além das resoluções: COFEN nº 240/2000. O conselho Federal de Enfermagem no dia 12 de julho de 2001, baixou a Resolução nº 258/2001 determinando ser lícita ao Enfermeiro a inserção de CCIP. O qual, para tal atividade, deverá ter-se submetido a qualificação e ou capacitação profissional. A ABESE (Academia Brasileira de Especialistas em Enfermagem) a partir de 2002 passou a reconhecer os certificados de qualificação/capacitação em CCIP emitidos por sociedade de enfermeiros especialistas ou instituições de ensino de enfermagem.(2)

            Em meados do século XX, menos de 20% dos pacientes hospitalizados recebia terapia intravascular. Atualmente esse número chega a aproximadamente 90% e a administração de medicamentos por via intravenosa, não se resume a simples técnica para a execução de uma terapêutica.  É necessário conhecimento referente ao tipo de drogas administrada e o que interfere diretamente na resposta terapêuticas e nos métodos de administração de drogas e soluções.(3)

            O Enfermeiro necessita realizar avaliação da via venosa e da indicação da terapia por essa via e também, o tempo de uso do cateter. Os enfermeiros devem estar aptos para indicar precocemente o cateter antes que ocorram várias punções periféricas, impossibilitando a passagem do PICC.(4)

            Um dos objetivos do uso de cateteres venoso de longa permanência é diminuir ou eliminar os traumas relacionados com a punção venosa, quer sejam os psicológicos ou físicos relacionados com o cateter. (5) O cateter PICC quando adequadamente manipulado pelo enfermeiro capacitado, oferece segurança ao paciente e a equipe e para sua aplicação o enfermeiro realiza a avaliação do paciente quanto à disponibilidade de punção venosa em veia periférica e condições clínica.

           As falhas de infusão interferem na terapia intravenosa, causando considerável preocupação para a equipe de saúde e comprometendo o tratamento e o estado geral do paciente podendo levar a gravidade e complicações irreparáveis. Além disso, a reinserção de um novo dispositivo de acesso vascular acarreta aumento nos custo de materiais, consumo de tempo da Assistência de Enfermagem e sofrimento para o cliente.

            Os pacientes que necessitam de terapia intravenosa por tempo prolongado e devido à contra indicações clinicas não podem ser submetidos a procedimento de acesso venoso central a ocorrência de falhas sucessivas de infusão pode se tornar um problema que compromete a administração de fluidos e medicamentos.(6)

            Os PICC (s) oferecem várias vantagens sobre os cateteres venosos periféricos curtos evitando interrupção terapêutica, minimizando o desperdício de veia, múltiplas venopuções. Contenção de despesas, pois pode ser instalado à beira leito por um enfermeiro, evitando a necessidade de procedimento cirúrgico, podendo permanecer no local durante o tempo que for necessário excluindo complicações.

            A resolução RDC n° 45/2003 da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprova o Regulamento Técnico de boas práticas de utilização das soluções parenterais e a participação dos profissionais de enfermagem na administração das soluções.(7)

            Nos Estados Unidos o PICC é utilizado para pacientes portadores de fibrose cística em crianças e adultos no tratamento hospitalar e domicílio permanecendo em media 155 dias sem complicações, para administração de altas doses de antibióticos e estes pacientes levam uma vida normal com atividades cotidianas e amigos. Esta forma de acesso venoso fornece uma via para obtenção de sangue e administração de medicação, sem ter que executar repetidas venopunção, tornando a necessidade de uma “clean out” mais suportável. (8)

            Para assegurar a prática de uma terapia infusional correta, sem contaminação e sem extravio de medicações é necessário que o cliente esteja com um acesso venoso com cateter para longa permanência para evitar que grande volume de solução e medicações seja interrompido e ou desprezado para aguardar novo acesso venoso. Esta solução já preparada no leito do paciente poderá sofrer alterações e ou contaminações durante o aguarde de uma nova punção venosa caso o cliente esteja em uso de acessos venosos com cateteres curtos, pois os cateteres curtos são de curtas permanências.

            Estudos de curtos cateteres venosos periféricos indicam que a incidência de tromboflebite e colonização bacteriana por cateteres se elevam quando os cateteres permanecem no local por mais de 72 horas. Os cateteres venosos periféricos são os dispositivos mais freqüentemente utilizados para o acesso vascular, a incidência de infecções locais ou na corrente sanguínea (BSIs) associada a esses cateteres é baixa, mas as complicações infecciosas graves causam morbidade anual considerável.(9)

            O PICC é útil em unidade de cuidados intensivos (UTI), pelos baixos índices de infecção e por garantir um acesso venoso seguro, porém de uso recente, necessitando de treinamento para a equipe de enfermagem, a fim de evitar complicações por manipulação inadequada, sendo mais uma opção terapêutica disponível para os pacientes críticos.(4)

            A inserção do PICC faz parte da rotina do Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL), devido ao baixo índice de complicações quando comparados com outros acessos centrais, de acordo com o relatório anual dos índices de infecção fornecido pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do INCL (10)

            Na Itália uma prática inicial com 250 PICC utilizados para antibioterapia, terapia antiviral, nutrição parenteral, quimioterapia, resultou em um excelente perfil de segurança, uma elevada taxa de sucesso e poucas complicações. Foi uma opção menos onerosa, em comparação com os cateteres centralmente inseridos, tonalizados ou implantados, melhor qualidade dos cuidados de Enfermagem ao paciente e menor tempo de espera para a colocação do acesso vascular.(11)

            Existe a viabilidade de utilização do PICC dentro da unidade de transplante de medula óssea devido ao tempo de permanência e a baixa taxa de complicações tanto na inserção quanto ao longo do tratamento. Para a mensuração da pressão venosa central teve custos reduzido em relação ao cateter venoso central, comprovando uma relação custo benefício favorável. Não se conhece limitação para o tempo de permanência do PICC, são adequados para administrações endovenosas que excedem 06 dias e podem permanecer instalados de acordo com a terapia empregada e as necessidades de cada paciente. A média de duração deste tipo de cateterização varia de 10 a 73 dias, mas chegou a ser utilizado por períodos superiores a 300 dias. É citada ainda como vantagens a redução do risco de arritmias cardíacas, redução da dor, estresse e trauma por repetidas tentativas de punções periféricas.(12)

            Falta de conhecimento do cateter PICC, falta de profissionais capacitados, desconhecimento das indicações e indisponibilidade do produto são apontados em estudos como conseqüência da pouca utilização deste cateter. Se houvesse maiores estudos relacionados às falhas infusionais como: interrupção da infusão quando ela é ainda necessária, obstrução, saídas acidental do dispositivo intravenoso, extravasamento ou infiltrações de drogas em tecidos extravascular ocasionando deteriorização de vasos, tecidos e danos vitais, optaríamos por um acesso vascular seguro e qualificaríamos melhor a equipe de saúde envolvida na terapia infusional.

            As contra-indicações do uso do cateter PICC descritas na literatura são de inferior proporção em relação às indicações. São elas: alterações anatômicas que possam impedir a progressão do cateter, infecção da pele próximo ao local de inserção, presença de trombos e feblites. (12)

            Nos recém-nascidos e lactentes o cateter PICC é utilizado para substituir flebotomias com grande sucesso; é efetivo em recém-nascidos de baixo peso que necessita de acesso venoso prolongado ou com fragilidade venosa; tem reduzido a incidência de complicações iatrogênicas na pratica da terapia intravenosa durante o período de internação hospitalar.(12)

            Os cateteres venosos centrais inseridos perifericamente PICCs apresenta menor taxa de infecção que os cateteres venosos centrais, informação das diretrizes para a prevenção de infecções relacionadas a cateteres intravasculares.(9)

Referências bibliográficas:

1-Protocolo do cateter PICC da Coordenação Estadual de Controle de Infecção Hospitalar do Estado do Rio de Janeiro-Brasil, 2002.

  1. 2- FREITAS, L.C.M. Terapia Infusional e CCIP no   Brasil. Revista Acesso. Nº 1 maio de 2006.

3- PHILLPS, L.D. Manual de Terapia Intravenosa. 2° edição Porto Alegre: Artmed, 2001. p 25 – 184.

4- KNOBEL,E.et.all. Cateter de Inserção Periférica em Terapia Intensiva de Adultos. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. Vol. 17. Nº1. Janeiro de 2005.

5-BONASSA,E.M.A. _ Enfermagem Terapêutica Oncológica. 2º Ed. São Paulo: Atheneu, 2000.

6-WRIGHT, A. – Reducing Ifusion Failure. A Pharmaclogia Approach – A review. J. Intraven. Nurs, 1996.

7- Resoluções: RDC(s) n° 45/2003, 11 e 14/2008 da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

8- Peripherally Inserted Central Catheters in the CF population: one center`s experience sept/out 2003. Positive outcone after looped Peripherally inserted Central catheter. Jounal of IV Nursing. Acessado 27/07/2008.

9- Diretrizes para a Prevenção de Infecções Relacionadas a Cateteres Intvasculares, 2002.

10- CURY, M.A.L. et al, relatório anual de Índices de Infecção Hospitalar. Rio de Janeiro: Comissão de Infecção Hospitalar do INCL, 2005

11- Experiência inicial de Enfermeiros         implementando perifericamnte inserido programa cateter central na Itália. Jornal da Associação de Acesso Vascular. 13(1) P.2 2008. acessado 21/08/08

12- OLIVEIRA, E.L.F.; et al Principais indicações para o uso do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC): Fatores Limitantes. www.incicepg.univap.br Acesado em 18/07/2008.

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/saude-artigos/cateter-central-de-insercao-periferica-ccippicc-para-administracao-de-medicacoes-endovenosa-1378780.html

    Palavras-chave do artigo:

    assistencia de enfermagem

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    cateter ccip picc

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    Comments on this article

    1
    ISABEL ROSA 26/05/2011
    Gostaria de poder ver a adm. ou o manuseio do profissional de enfermagem em fotos do cateter do tipo picc aquardo uma resposta em meu imail
    5
    christiane dos santos 14/11/2009
    Ola Sandra, me chamo christiane sou enfermeira e atualmente estou trabalhando na italia. O assunto PICC, me agrada muito, pecado que aqui na italia esta so começando e o enfermeiro so pode fazer alguma coisa com ordem medica. No brasil do pouco que li, nos podemos fazer muito mas, podemos tomar a decisao de inserir um cateter deste porte sem a ordem direta de um medico, isso para nos è uma VITORIA. Eu aqui começarei a fazer um mestrado de medicina de urgenzia e gostaria de apresentar a minha tese com esse tema, mostranto o trabalho nosso no Brasil e como è aqui. Gostaria de manter contato com voce e poder trocar ideias e experiencias. Um grande prazer , poder falar com vc. Um grande abraço.
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