Compressão Da Morbidade No Brasil: Características E Perspectivas
COMPRESSÃO DA MORBIDADE NO BRASIL: características e perspectivas
O avanço da medicina tem possibilitado o controle da taxa de natalidade e de muitas doenças crônicas, possibilitando o aumento da expectativa de vida. Neste aspecto, o termo compressão da morbidade, proposta por Fries (1989) apud Achutti; Azambuja (2004) postula que, com a expectativa de vida adulta se aproximando de seu limite biológico e a incidência de doenças incapacitantes podendo ser retardada para idades posteriores, então a morbidade será comprimida para um período mais curto de vida. Esta é a concepção que justificaria a intervenção sanitária precoce e continuada preconizada pelas organizações internacionais (Achutti; Azambuja, 2004)
À medida que a pessoa envelhece, sua qualidade de vida se vê determinada, em grande parte, por sua capacidade para manter a autonomia e a independência. Tal constatação fez surgir o conceito de esperança de vida saudável, que significa por quanto tempo podem as pessoas esperar viver sem incapacidades.
O objetivo da compressão da morbidade é melhorar a qualidade de vida das pessoas, através de estratégias que promovam a redução dos fatores de risco associadas as doenças crônicas, permitindo um envelhecer saudável e produtivo, gerando menor utilização dos recursos previdenciários e de saúde. Isso pode ser conseguido através de abordagens efetivas para a modificação do estilo de vida das pessoas, redução do sedentarismo, do tabagismo, do controle do peso, de alimentação saudável, da vida emocional e social saudável (Who, 2006).
A partir da segunda metade da década de 60, a rápida e sustentada redução da fecundidade desencadeou uma série de mudanças profundas na distribuição etária, tal como na maioria dos países da América latina e do terceiro mundo. Por outro lado, a queda da fecundidade vem se mostrando generalizada em todo o território brasileiro. Mudanças expressivas são observadas também nas idades adultas. Esperava-se que 50% das pessoas conseguiriam sobreviver a idade de aposentadoria, na década de 50. Em contraste, pelo menos 80% dos nascidos devam atingir a idade de 60 anos. Nas próximas décadas, o declínio da mortalidade no Brasil se concentrará, provavelmente, nas idades avançadas. Esse, sim, será um reflexo do processo de envelhecimento (Whong; Carvalho, 2006).
Em consonância ao processo de envelhecimento está o aumento da prevalência de doenças crônicas, como as doenças cardiovasculares, o diabetes, o câncer e as doenças pulmonares, com maior impacto econômico quando consideramos a esperança de vida ativa, afetando a seguridade social (Achutti; Ajanbuja, 2004).
Segundo Veras 2003, o aumento dos idosos na população implica, em termos de utilização dos serviços de saúde, um maior número de problemas de longa duração, que freqüentemente exigem intervenções custosas, envolvendo tecnologia complexa para um cuidado adequado. Em menos de 40 anos, o Brasil passou de um perfil de mortalidade típico de uma população jovem para um quadro caracterizado por enfermidades complexas e onerosas, próprias das faixas etárias mais avançadas. Esse fato acarreta crescimento das despesas com tratamentos médicos e hospitalares, ao mesmo tempo em que apresenta um desafio para as autoridades sanitárias, especialmente no que tange à implantação de novos modelos e métodos de planejamento, gerência e prestação de cuidados.
Em geral, as doenças dos idosos são crônicas e múltiplas, perduram por vários anos e exigem acompanhamento médico constante e medicação contínua. Além disso, a abordagem médica tradicional, focada em uma queixa principal, e o hábito médico de reunir as queixas e os sinais em um único diagnóstico, podem ser adequados ao adulto jovem, mas não ao idoso.
As políticas e os programas de envelhecimento ativo devem favorecer o equilíbrio da responsabilidade pessoal (o cuidado com a própria saúde e a dos membros da família), familiar e comunitária, e fomentar a solidariedade intergeracional. As pessoas e as famílias necessitam planejar sua velhice e prepararem-se para ela, esforçando-se para levarem práticas de saúde positivas em todas as etapas da vida.
Faz referência à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e cívicas, não apenas à capacidade para estar fisicamente ativo ou participando da força de
star fisicamente ativo ou ínua
trabalho. Trata da ampliação da esperança de vida saudável e da qualidade de vida para todas as pessoas à medida que envelhecem, incluindo aquelas pessoas frágeis, incapacitadas ou necessitadas de assistência, que, dentro das próprias possibilidades e limitações, podem e devem continuar interagindo com sua comunidade.
Como uma conseqüência de mudança nas atitudes diante do processo de envelhecimento, pode-se esperar que as pessoas, ao permanecerem sãs enquanto envelhecem, tenham menos impedimentos para continuar trabalhando. Isto ajudaria a lidar com os inevitáveis aumentos do custo da seguridade social, com gastos de assistência médica e social.
A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à educação, a saúde, à previdência e à assistência social (Previdência Social, 1999 apud Achutti; Ajanbuja, 2004).
No que diz respeito ao aumento de gastos públicos com assistência médica, os dados disponíveis indicam cada vez mais que a velhice, em si mesma, não é a responsável. O que onera é a incapacidade e o mau estado de saúde, com freqüência associados ao avanço da idade. À medida que as pessoas envelhecem, as doenças crônicas se convertem nas principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo. Embora, muitas doenças crônicas possam ser prevenidas ou retardadas, a falta de ações concretas produz enormes custos humanos e sociais, absorvendo uma quantidade de recursos que poderiam ser usados para fazer frente a outras necessidades da sociedade (WHO, 2006).
Desta forma, a educação continuada sobre as maneiras de reduzir as morbidades associadas ao envelhecimento, parece-me de suma importância no momento atual. Se em 2025 o Brasil terá a sexta maior população de idosos do mundo parece-me que o poder público ainda não identificou que atualmente, somos um país de meia idade. Considerando que o tempo para a aposentadoria foi prorrogado, há de se pensar em estratégias para que não haja percalços durante a subseqüente transição etária, visando minimizar os custos assistências, em todas as esferas. Sabemos que um indivíduo doente (física ou psiquicamente) irá produzir menos e irá gerar custos por sua improdutividade.
Podemos através de análise de projeção compreender que as despesas, proporcionalmente, crescerão mais que as despesas. Enquanto, entre 2000 e 2025, a receita se elevaria 33%, em função da alta taxa de crescimento da população em idade ativa, como mencionado anteriormente, as despesas aumentariam ainda mais (aproximadamente 60%), devido ao alto crescimento da proporção da população idosa.
Como conseqüência, o padrão etário dos gastos governamentais variaria drasticamente.
Aqueles com 60 anos ou mais passariam a receber metade do total da receita governamental. Isto é esperado, devido ao avanço do envelhecimento.
Considerando que os recursos serão menores que a despesa, o papel de mantenedor do lar que até hoje são dos idosos, passarão a ser dos adultos em idade produtiva. Uma condição necessária, mas não suficiente, para a conquista do equilíbrio social, econômico e intergeracional é a capacitação da força de trabalho. Por esta razão, a qualificação intelectual, técnica e profissional deve se constituir em prioridade das políticas relacionadas à população jovem, o que não vêm ocorrendo ao longo das décadas.
REFERÊNCIAS
Achutti, A.; Azambuja, M.I.R. Doenças crônicas não-transmissíveis no Brasil: repercussões do modelo de atenção à saúde sobre a seguridade social. Ciência & Saúde Coletiva, 9(4):833-840, 2004.
Whong, L.L.R.; Carvalho, J.A. O rápido processo de envelhecimento populacional do Brasil: sérios desafios para as políticas públicas. R. bras. Est. Pop., São Paulo, v. 23, n. 1, p. 5-26, jan./jun. 2006.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. An estimation of the economic impact of chronic concommunicable diseases in selected countries. Department of Chronic Diseases and Health Promotion (CHP). http://www.who.int/chp - 2006.
Veras, R. Em busca de uma assistência adequada à saúde do idoso: revisão da literatura e aplicação de um instrumento de detecção precoce e de previsibilidade de agravos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(3):705-715, mai-jun, 2003.
(Artigonal SC #881340)
Palavras-chave do artigo:
qualidade de vida
,Envelhecimento
,idosos
,saúde pública
,terceira idade
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