Dengue: Um dos Principais Problemas da Saúde Pública no Brasil

16/06/2010 • Por • 1,407 Acessos

1. Introdução:

Assume-se que prevenir a dengue é, sobretudo, lidar com o permanente combate aos criadouros de A. aegypti. Predomina, portanto a visão, inferida pela proposição do controle, de que o dengue é causado pelo mosquito Aedes aegypti, enfatizando-se então informações sobre o vetor e sinais e sintomas clínicos, contribuindo para fortalecer a visão unicausal da doença na população, obscurecendo a relação água/ vetor (na fase larvária) e com outros fatores sócios ambientais e contribuindo para valorizar o tratamento. Com relação aos sintomas de dengue clássica e hemorrágica, os autores avaliam que os conteúdos das mensagens destinam-se a auxiliar a população no reconhecimento de sintomas básicos do dengue hemorrágica e da síndrome de choque do dengue, mas remetem a população à idéia de hemorragia que lhe é familiar, como perda de grande quantidade de sangue.

2. Desenvolvimento:

Observa-se que as práticas de comunicação e educação realizadas para o controle do dengue não se diferenciam daquelas hegemônicas no campo da Saúde Pública no nosso país. Caracterizam-se por possuir uma modelagem centralizada, vertical e unidirecional, orientadas pela visão de que informações e conhecimentos estão concentrados e devem ser difundidos, e de que a comunicação é uma questão de aperfeiçoamento de técnica de transmissão de mensagens e de adequação de linguagem. Espera-se, com as práticas realizadas, que o público a que se destinam reaja ao emissor com mudanças de hábitos e comportamentos. Trata-se da comunicação e educação baseadas no modelo tradicional "emissor - canal - receptor", freqüentemente realizado com a eliminação das mediações socioculturais. Quando a cultura é considerada, ela tende a ser reduzida a uma questão de linguagem e com o objetivo de elevação do "grau" ou "nível" de conhecimento.

Passemos então à interrogação que o Fórum nos propõe: quais os problemas relativos às práticas de educação, comunicação e participação comunitárias no controle do dengue? Interrogamos aqui como as práticas de comunicação e educação vêm sendo realizadas para o controle do dengue no Brasil. Esses aspectos foram selecionados em função do enquadramento dado à análise, valorizando-se, como cenário das práticas, o processo de construção do SUS e a transformação do modelo de atenção à saúde, tentando-se superar os modelos hegemônicos – médico-assistencialista e o sanitarista-campanhista - para enfatizar a promoção da saúde e o conceito ampliado de saúde, a integralidade da atenção e a participação social, de acordo com o que está disposto na Lei Orgânica da Saúde. Quanto ao tratamento, destaca-se o cuidado para evitar ou reduzir a automedicação e banalização.

Do uso de paracetamol, pois nenhum material divulgou o perigo da ingestão de altas dosagens, que podem acarretar graves problemas de saúde. O modelo de comunicação caracteriza-se, portanto, por ter cunho campanhista, pontual, descontínuo, com ênfase para situações epidêmicas, quando seria necessário que o dengue estivesse na pauta da mídia durante todo o ano, assim como nas mídias alternativas, aquelas produzidas pelo próprio serviço, e se encontrassem respostas às dúvidas mais freqüentes, de forma correta e precisa.

A relação causal entre a presença de insetos e doença parece já estar incorporada ao universo simbólico das populações. Contudo, é interessante notar, percepção das mulheres de que a transmissão do dengue estaria associada à presença de mosquitos e outros insetos contaminados, e não unicamente ao A. aegypti. Os autores observam que elas se preocupam com casas fechadas e abandonadas, praças, terrenos baldios, riachos e rios, sem fiscalização da prefeitura, e freqüentemente utilizados para jogar objetos associados a entulho e lixo, reivindicando das autoridades uma fiscalização efetiva desses espaços. Destaca-se a incoerência do poder público notado pelas mulheres, uma vez que, ao mesmo tempo em que os agentes de saúde entram em suas casas para inspecionar os vasos de plantas, deixam de verificar as condições das áreas públicas, repletas de lixo e sujeira.

O modelo de prevenção adotado nas práticas de prevenção do dengue mostra-se ainda marcado pelo higienismo/campanhismo, pois as ações se voltam prioritariamente para o combate ao vetor; são setoriais (setor saúde), realizadas por agentes de saúde; se dão para a higienização do ambiente em que as noções de limpeza/ pureza e risco/perigo são enfatizadas.

 

3. Considerações Finais:

Cabe destacar que não se trata de reduzir as soluções técnicas, mas é necessário rever os princípios que modelam as práticas, no sentido de torná-las mais eficientes.

Contudo, é importante relativizar o poder dessas práticas em produzir ou induzir mudanças de comportamentos e atitudes, especialmente em contextos tão adversos à proteção e promoção da saúde.

Perfil do Autor

Paulo Vinicius Godoy

*Acadêmico do 3º Semestre de Farmácia, da Faculdade de Quatro Marcos – FQM.