HISTÓRIA DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA NO BRASIL: UMA REVISÃO

Publicado em: 06/09/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 11,753 |

 

1 INTRODUÇÃO

 

Na idade antiga, a humanidade não tinha conhecimento acerca dos processos de contaminação que disseminavam doenças tais como: a peste, a cólera, a varíola, a febre tifóide e outras.  No entanto, têm-se registros de que já havia preocupações com a Vigilância Sanitária, pois eles compreendiam que a água, bem como os alimentos, poderiam ser vias de contaminação na propagação de doenças. Um agravante, é que neste momento da história, as cidades estavam sendo formadas, assim as populações passaram as se aglomerarem, e estes problemas foram crescendo e tornando-se cada vez mais complexos (BRASIL, 2002).

É válido salientar que de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária [ANVISA] (BRASIL, 2002) o cuidado com a vigilância fez com que fossem realizados estudos sobre a água, os alimentos e até mesmo com os lixos consumidos e a maneira de remoção destes, já que as cidades tornavam-se cada vez mais populosas, e conseqüentemente, mais resíduos estavam sendo acumulados. Assim, por volta dos séculos XVII e XVIII na Europa e XVIII e XIX no Brasil, teve início a Vigilância Sanitária, como uma maneira de responder a este novo problema da convivência social.

Já a partir da década de 80, houve uma crescente participação popular e de entidades que representavam vários segmentos da sociedade no processo político. Estes moldaram a concepção que vigora no país no que tange a vigilância sanitária, integrando, conforme norma constitucional, o complexo de atividades concebidas para que o Estado cumpra a função que lhe compete, a de ser o guardião dos direitos do consumidor e provedor das condições de saúde da população (EDUARDO; MIRANDA, 1998).

É necessário esclarecer que o enfoque deste estudo é a vigilância sanitária do Brasil, visto que esta é uma importante temática para a saúde pública, sendo assim, surgiu o interesse para a realização deste trabalho com os seguintes questionamentos: Qual a história da Vigilância Sanitária no Brasil? Como foi criada, como vem sendo desenvolvida e quais as funções da Vigilância Sanitária no Brasil?

A fim de responder a tais questionamentos, o presente estudo tem por objetivos: Reconhecer a história da vigilância sanitária no Brasil; e, reunir informações que descrevam a história da criação, do desenvolvimento e a função da Vigilância Sanitária no Brasil.

É importante mencionar, que este estudo é de grande relevância, pois visa contribuir como fonte de aprofundamento acerca da história da Vigilância Sanitária, além de ser uma oportunidade de fazer um convite a reflexão de como tal Vigilância evoluiu, pois assim será feita uma contribuição entendida como positiva, já que a Vigilância Sanitária estará no foco e sendo muito valorizada, visto que através dela tem se buscado a melhoria da qualidade de vida e da assistência prestada às populações.

Este estudo trata-se de uma revisão de literatura, a qual permite elencar a óptica de diferentes autores. Assim, foi consultada a base de dados Lilacs para levantamento de artigos, teses e dissertações sobre a temática aqui abordada, foi tomado como palavras-chave, os descritores "ANVISA", "História da Vigilância Sanitária", "História da Vigilância Sanitária no Brasil" e "Vigilância Sanitária". É válido ressaltar que foi utilizado também alguns manuais do ministério da saúde, da ANVISA e cartilhas a fim de melhor fundamentar este trabalho.

 

2 REVISÃO DE LITERATURA

 

No capítulo que ora se apresenta, far-se-á uma discussão acerca da história da Vigilância Sanitária e seu contexto histórico no Brasil, priorizando-se variáveis que no entendimento dos pesquisadores se fazem necessários para a compreensão do tema proposto.

O desenvolvimento do processo de formação da Vigilância Sanitária se deu de acordo com os momentos históricos de cada época, partindo dos séculos XVIII e XIX, até os anos atuais. Inicialmente não existia uma Vigilância Sanitária como nos moldes atuais, na qual as atividades ligadas a este órgão eram para evitar a propagação de doenças nos agrupamentos urbanos que estavam surgindo. O Estado executava essa atividade por meio da polícia sanitária, com a finalidade de observar certas atividades profissionais, coibir o charlatanismo, fiscalizar embarcações, cemitérios e ares de comércio de alimentos.

Na Antiguidade, a literatura médica clássica grega contém inúmeras referências a graves dores de garganta que muitas vezes terminavam em morte, e com apenas descrições simples de sintomas, é possível incluir a difteria entre essas formas. Na Idade Média, surgiram formas de proteção ao consumidor, em virtude da crença difusa de que perigosos focos de doença poderiam surgir, rapidamente em lugares de venda de alimentos, havendo grande cuidado em se manter o mercado limpo. Por essa razão, as autoridades municipais se preocupavam em policiar a praça do mercado e em proteger os cidadãos contra a venda de alimentos adulterados ou deteriorados (BRASIL, 2010).

Algumas medidas como a inspeção das embarcações e de suas cargas, especialmente quando infectadas ou suspeitas, colocando-se o passageiro sob regime de quarentena, visando barrar a entrada da peste nessa cidade, foram tomadas no principal porto da Europa para a chegada de mercadorias vindas do Oriente na época, o de Viena, no século XIV, e depois por outros portos como medida de prevenção da entrada de doenças, iniciando a vigilância dos portos (BRASIL, 2010).

Novas transformações foram surgindo na sociedade brasileira decorrente de situações ocasionadas no plano político, econômico e social, passando a ser um fator contribuinte para a criação e formulação da Vigilância Sanitária (VISA). Assim, em 28 de janeiro de 1808, já no final do século XIX houve uma reestruturação oficial da Vigilância Sanitária no Brasil, tendo como uma das primeiras medidas adotadas à polícia sanitária do Estado, que observava o exercício de algumas atividades profissionais, e fiscalizava embarcações, cemitérios e áreas de comércio de alimentos (BRASIL, 2010).

A necessidade da criação da Vigilância Sanitária surgiu a partir de uma realidade notória, uma grande propagação de doenças transmissíveis se instalava devido, em parte, ao número crescente e desordenado de pessoas passando a residir em centros urbanos, porém não crescia em condições sanitárias básicas, o que caracterizava o grande caos do momento (BRASIL, s/a).

De acordo com Badaró, Azeredo e Almeida (2007), existem alguns marcos normativos da época que merecem destaque, a saber: a Lei nº. 8.078/90, que estabelece normas de proteção e defesa do consumidor; a Lei nº. 8.080/90, que organiza o Sistema Único de Saúde; e a Portaria 1.565/94, que define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, estabelecendo as bases para a descentralização de serviços e ações.

Conforme a Lei Federal nº. 8.080/90 (BRASIL, 1990) do Sistema Único de Saúde (SUS), as ações de vigilância passam a ser muito mais abrangentes, pois incluem, entre as competências do SUS, a vigilância de produtos, de serviços, dos ambientes e dos processos de trabalho, através de execução direta ou mediante a participação de outros setores. Tal lei define Vigilância Sanitária em seu artigo 6º, parágrafo 1º, como:

 

"um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir                                                                ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas                                                            sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e                                                        circulação de bens e da prestação de serviços de                                                                  interesse a saúde, abrangendo: I – o controle de bens                                                            de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionam                                                        com a saúde, compreendidas todas as etapas e                                                                      processo da produção ao consumo; e II – o controle                                                                da prestação de serviços que se relacionam direta ou                                                            indiretamente com a saúde" (BRASIL, 1990).

 

Diante de tal conceito, é possível compreender a grande abrangência da Vigilância Sanitária, e o quanto esta desenvolve atividades em diferentes âmbitos e o quanto são importantes para a saúde da população. Assim, é mister conhecer a missão de tal órgão.

Conforme Brasil (s/a) a Vigilância Sanitária tem como missão proteger a saúde da população através de ações integradas e articuladas de coordenação, normatização, capacitação, educação, informação, apoio técnico, fiscalização, supervisão e avaliação em Vigilância Sanitária. Além de ser considerada um centro de referência que deve garantir a inclusão social e a construção da cidadania para a proteção da vida.

Desta forma, é valido ressaltar que a Vigilância Sanitária tem um papel importante, o de procurar uma participação efetiva na rede de Controle Social do SUS, contando com a colaboração dos Conselhos de Saúde para as suas ações. Pois além de contribuir no acompanhamento das políticas direcionadas às ações de Vigilância Sanitária, tais conselhos podem ser parceiros para se alcançar os objetivos almejados por este serviço (BRASIL, 2002).

Diante disso, Vasconcelos (2009) considera que a Vigilância Sanitária como um dos braços executivos que estruturam e operacionalizam o SUS na busca da concretização do direito social à saúde. Sua função principal é eliminar ou minimizar o risco sanitário envolvido na produção, circulação e consumo de certos produtos, processos e serviços. Em síntese, a Vigilância Sanitária tem um papel importante na estruturação do SUS, principalmente devido à:

 

Ação normativa e fiscalizadora sobre os serviços                                                                     prestados, produtos e insumos terapêuticos de                                                                       interesse para a saúde; permanente avaliação                                                                       da necessidade de prevenção do risco; e                                                                               possibilidade de interação constante com a                                                                             sociedade, em termos de promoção da saúde,                                                                        da ética e dos direitos de cidadania                                                                                          (VASCONCELOS, 2009, s/p).

 

No que tange as ações de Vigilância Sanitária, é importante esclarecer que é indispensável reconhecer a necessidade de aplicação da imposição legal de poder, ou seja, dever de fiscalizar e autuar os responsáveis por práticas que apresentem riscos à saúde individual e coletiva, situação que determina a de investir/designar os profissionais de Vigilância Sanitária para o exercício da função de fiscal (BRASIL, 2007).

Já em 26 de Janeiro de 1999, foi criada a Lei nº 9.782, esta define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e afirma que compete a ANVISA, do Ministério da Saúde o papel de coordenar, com o objetivo de regulamentar e executar as ações com abrangência nacional (BRASIL, 1999).

É necessário mencionar que tal lei define os níveis em que a ANVISA está organizada, sendo então dividido em: Federal, estadual e municipal.

- O nível Federal, o da União, no âmbito do Sistema Nacional da Vigilância Sanitária em que, no Art. 2º Lei 9.782, define as competências, a saber:

 

I - definir a política nacional de vigilância sanitária;                                                                 II - definir o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária;                                                               III - normatizar, controlar e fiscalizar produtos,                                                                         substâncias e serviços de interesse para a saúde;                                                                 IV - exercer a vigilância sanitária de portos,                                                                             aeroportos e fronteiras, podendo essa atribuição                                                                   ser supletivamente exercida pelos Estados, pelo                                                                     Distrito Federal e pelos Municípios; V - acompanhar                                                               e coordenar as ações estaduais, distrital e                                                                               municipais da vigilância sanitária; VI - prestar                                                                           cooperação técnica e financeira aos Estados, ao                                                                     Distrito Federal e aos Municípios; VII - atuar em                                                                       circunstâncias especiais de risco à saúde; e VIII -                                                                   manter sistema de informações em vigilância                                                                           sanitária, em cooperação com os Estados, o Distrito                                                                Federal e os Municípios (BRASIL, 1999).

 

- A nível estadual no qual estão os órgãos de coordenação estadual suas regionais e os municípios, estão orientados de acordo as estruturas de organização existentes que variam nas diferentes unidades federativas. Como o SUS privilegia o município, visto ser este um espaço de ação das práticas de saúde, a Vigilância Sanitária deve ser descentralizada e municipalizada, ou seja, suas ações devem adotar uma política específica com a fim de operacionalizar e recorrer a novas bases de financiamento, criação de equipes e demais infra-estruturas (BRASIL, 1999).

Assim, com a criação da ANVISA, as vigilâncias estaduais e municipais vêm se organizando, para cuidar de todas as áreas que foi atribuído os seus serviços. A Vigilância Sanitária é a forma mais complexa de existência da Saúde Pública, pois suas ações, de natureza eminentemente preventiva, perpassam todas as práticas médico-sanitárias.

Portanto, no Brasil a ANVISA é responsável por criar normas e regulamentos e dar suporte para todas as atividades da área no País. Nos Estados e municípios, as VISAS são responsáveis pelas atividades que são descentralizadas, para que haja agilidade. Ou seja, quem faz as normas é a ANVISA, com a contribuição dos estados, mas quem executa as ações de inspeções é a Vigilância Sanitária do município (BRASIL, 2010).

Segundo a ANVISA (BRASIL, 2010, s/p), existem diversas áreas onde há atuação da Vigilância Sanitária no país:

 

-Locais de produção e comércio de alimentos: fábricas,                                                    restaurantes, bares, mercados e supermercados, frutarias,                                                     açougues, padarias, produtores de laticínios e outros;

-Lojas e áreas de lazer: shoppings, cinemas, ginásios de                                                      esporte, postos de gasolina, piscinas, clubes, estádios e                                                        academias de ginástica;

Indústria: de cosméticos, medicamentos, produtos para                                                      a saúde, saneantes (produtos de limpeza), perfumes e                                                          produtos de higiene pessoal;

Laboratórios: banco de sangue e hemoderivados;

Agrotóxico: indústria e postos de venda destes                                                                   produtos;

-Radiação ionizante: hospitais, clínicas médicas e                                                                  odontológicas que façam uso para fins diagnósticos;

-Locais públicos: escolas, cemitérios, presídios,                                                                     hospitais, clínicas, farmácias, salões de beleza, asilos;

-Portos, aeroportos e fronteiras.

Parafraseando Brasil (2002), o transporte de alimentos, por exemplo, deve ser realizado em condições tais que protejam o produto da deterioração ou contaminação e, consequentemente, protejam a saúde dos consumidores. São muitos os riscos que devem ser controlados pela Vigilância Sanitária, a saber:

 

- riscos ambientais: água (consumo e mananciais                                                                     hídricos), esgoto, lixo (doméstico, industrial,                                                                             hospitalar), vetores e transmissores de doenças                                                                     (mosquitos,barbeiro,animais), poluição do ar, do solo                                                             e de recursos hídricos, transporte de produtos                                                                       perigosos, etc.

- riscos ocupacionais: processo de produção,                                                                         substâncias, intensidades, carga horária, ritmo e                                                                     ambiente de trabalho.

- riscos iatrogênicos: (decorrentes de tratamento                                                                     médico e uso de serviços de saúde) medicamentos,                                                               infecção hospitalar, sangue e hemoderivados,                                                                         radiações ionizantes, tecnologias médico-sanitárias,                                                               procedimentos e serviços de saúde

- riscos institucionais: creches, escolas, clubes,                                                                       hotéis, motéis, portos, aeroportos, fronteiras,                                                                          estações ferroviárias e rodoviárias, salão de beleza,                                                               saunas, etc (BRASIL, 2002. p. 22)

 

De acordo com Costa (1999, p. 362), as competências do setor saúde e os modelos institucionais de organização da proteção e controle sanitário são variados entre países. No Brasil, as competências dos serviços de Vigilância Sanitária são abrangentes, podendo-se descrever as seguintes funções:

 

- Normatização e controle sanitário de bens, da                                                                      produção, armazenamento, guarda, circulação,                                                                      transporte, comercialização e consumo de                                                                              substancias e produtos de interesse da saúde,                                                                        suas matérias-primas, coadjuvantes de                                                                                     tecnologias, processos, equipamentos e                                                                                 embalagens.

- Normatização e controle sanitário de tecnologias,                                                                 sangue, tecidos e órgãos, procedimentos e                                                                             equipamentos e aspectos da pesquisa em saúde.

- Normatização e controle sanitário de serviços                                                                        direta e indiretamente relacionados com a saúde,                                                                     prestados pelo estado e setor privado.

- Normatização e controle sanitário de portos,                                                                         aeroportos e fronteiras, contemplando meios de                                                                      transporte, cargas e pessoas.

- Normatização e controle sanitário de aspectos do                                                                  meio ambiente, ambiente e processos de trabalho,                                                                  e saúde do trabalhador.

 

 

Como se pode perceber, as ações de Vigilância Sanitária abrangem variadas categorias de objetos de cuidado, tem natureza eminentemente preventiva, não só de danos, mas dos próprios riscos e perpassam todas as práticas sanitárias, da promoção à proteção, recuperação e reabilitação da saúde, ao atuar sobre produtos, serviços, processos e tecnologias, meio ambiente e ambiente de trabalho, e circulação intencional de transportes, cargas e pessoas.

Desse modo pode-se compreender que a Vigilância Sanitária usufrui dos saberes e práticas que se situam num campo de convergência de várias campos do conhecimento humano, tais como química, farmacologia, epidemiologia, engenharia civil, administração pública, planejamento e gerência, biossegurança e bioética (BRASIL, 2010).

Por isso, a lei 9.782/99, em seu Art. 8º parágrafo § 1º considera os bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária pela Agência, sendo eles: medicamentos; alimentos (suas embalagens, aditivos alimentares, limites de contaminantes orgânicos, resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários); cosméticos; saneantes destinados à higienização (ambientes domiciliares, hospitalares e coletivos); equipamentos e materiais médico-hospitalares; imunobiológicos, suas substâncias ativas, sangue e hemoderivados; órgãos, tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições; radioisótopos para uso diagnóstico in vivo, radiofármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia; cigarros, cigarrilhas, charutos e qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco; e qualquer produto que envolvam a possibilidade de risco à saúde (BRASIL, 1999).

Portanto, é possível compreender que a Vigilância Sanitária está inserida nos mais diversos âmbitos tendo os seus fiscais à responsabilidade de exercerem suas funções de forma ética e eficiente, a fim de que o papel deste órgão seja cumprido como lhe é ordenado de acordo com lei que regente.

A fim de garantir a efetivação do trabalho, a Vigilância Sanitária busca atuar de duas maneiras. A primeira é a de educar e orientar, com isso ela pretende-se exercer o poder pedagógico e educacional em que por meio destas estratégias, objetiva se que os profissionais capacitem toda a população a respeito dos hábitos de saúde, compra de produtos e prevenção de doenças; a segunda, é reprimindo e impedindo irregularidades, ou seja é quando a referida vigilância exerce seu poder de polícia, exclusivo dos Estados e Municípios, executado quando ocorrem fiscalizações, aplicação de intimações e infrações sanitárias, impedindo irregularidades, interdições de estabelecimentos, apreensão de produtos e equipamentos, etc (BRASIL, 2010).

3 CONCLUSÃO

 

A Vigilância Sanitária pode ser então compreendida como um ganho para a saúde brasileira, pois diante do recorte histórico aqui traçado foi possível compreender melhor sua criação, como está sendo desenvolvida, além de aprimorar os conhecimentos quanto a sua função.

Assim, pode-se afirmar que a Vigilância Sanitária é um órgão que desempenha suas funções de maneira interdisciplinar, tendo em vista sua ampla área de atuação nos mais diferentes setores, é ainda considerada um espaço de comunicação que possibilita a promoção à saúde da população, já que lida com diversos produtos que são utilizados por indivíduos das distintas classes sociais.

Por ter a missão de proteger e promover a saúde da população, sempre em defesa da vida, tal órgão necessita de uma interação muito grande com os cidadãos, para isso estes podem buscar a efetivação das ações da Vigilância Sanitária pela própria diretriz do SUS, a de participação da comunidade, ou seja, o sujeito social pode ser ativo no referido órgão através dos conselhos de saúde. Desta forma a sociedade só tem a ganhar e a Vigilância Sanitária irá avançar em suas práticas, tendo assim melhores resultados.

Para que se tenha uma Vigilância Sanitária, em consonância com as necessidades da saúde da população, é necessário também a participação ativa dos órgãos públicos responsáveis pela sua execução, compromissados com a saúde e com a realidade da comunidade, tendo em vista as problemáticas que ela apresenta.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Cartilha de Vigilância Sanitária. Cidadania e Controle Social. Brasília. 2ª Edição. 2002.

______, Lei Federal nº. 8.080, de 19/09/90, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde e outras providências. Brasília, 1990.

 

______, Lei nº 9.782, 26/01/1999, que define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, 1999. Disponível em: <http://visace.bvs.br/php/level.php?lang=pt&component=19&item=18 > Acessado em:23 de fevereiro de 2010, às 11h. 

______, Agência da Vigilância Sanitária. Cartilha educativa. Cidadania e Inclusão Social. Secretaria de Estado da Saúde. Santa Catarina. s/a.

______, Agência Vigilância Sanitária. Núcleo de Assessoramento na Descentralização das Ações de Vigilância Sanitária – NADAV. Protocolo das ações de Vigilância Sanitária. Brasília, Abril/2007.

gfgdgdO presente artigo objetiva: Reconhecer a história da vigilância sanitária no Brasil; e, reunir informações que descrevam a história da criação, do desenvolvimento e a função da Vigilância Sanitária no Brasil. Este é um estudo relevante pois visa contribuir como fonte de aprofundamento acerca da história da Vigilância Sanitária, além de ser uma oportunidade de fazer um convite a reflexão de como tal Vigilância evoluiu. Trata-se de uma revisão de literatura

cipal, Institucional, Histórico. Curitiba, 2010. Disponível em:<http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=141>. Acessado em: 22 de fevereiro de 2010, às 15h. 

BADARÓ, Andréa Cátia Leal; AZEREDO, Raquel Monteiro Cordeiro de; e ALMEIDA, Martha Elisa Ferreira de. Vigilância Sanitária de Alimentos: Uma Revisão. NUTRIR GERAIS – Revista Digital de Nutrição – Ipatinga: Unileste-MG, V. 1 – N. 1 – Ago./Dez. 2007.

COSTA, Ediná Alves. Vigilância Sanitária: Proteção e Defesa da Saúde.  2ª  Edição Aumentada.  São Paulo: Hucites/Sobravime, 1999.

EDUARDO, Maria Bernadete de Paula; MIRANDA, Isaura Cristina S. de (colaboradora). Vigilância Sanitária. Saúde & Cidadania. Instituto para o Desenvolvimento da Saúde - IDS. Núcleo de Assistência Médico-Hospitalar - NAMH/FSP e Banco Itaú. São Paulo, 1998.

VASCONCELLOS, Gisele Cristina Alves Moreira. Um breve histórico da Vigilância Sanitária no Brasil. Ribeirão das Neves/ Minas Gerias, 2009. Disponível em:http://www.deputadoadelmo.com.br/wp/wpcontent/themes/excellence-pt-pt/downloads/HISTORICO_VS_BRASIL.doc, Acessado em: 22 fevereiro de 2010, às 23:16h.

 

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    historia da vigilancia sanitaria

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    Por: Antonio Trovãol Direito> Doutrinal 26/10/2009 lAcessos: 2,609
    Ivan Dionizio: Sociologo.

    É preciso romper a rotina gerencial consumida na lógica imediatista, de atendimento de demanda espontânea, de se tentar resolver uma quantidade infindável de problemas emergenciais, sem avaliar prioridades. É preciso trabalhar com planejamento, metas definidas, com acompanhamento e avaliação sistemática das ações desenvolvidas

    Por: Ivan Dionizio: Sociologo.l Saúde e Bem Estar> Medicinal 29/09/2011 lAcessos: 601
    Eduardo Marins do Nascimento

    A história da Vigilância Sanitária brasileira é a história do País, a história do medo da doença e da morte, um relato de tragédias e heroísmos, de conquistas, desafios e perdas, uma espécie de certificado de resistência às atrocidades do poder, à ignorância dos governantes, ao descaso das autoridades sanitárias que no passado isolavam os doentes como método de cura.

    Por: Eduardo Marins do Nascimentol Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/05/2010 lAcessos: 8,948 lComentário: 1

    As plantas medicinais representam fator de grande importância para a manutenção das condições de saúde das pessoas, representa uma cultura popular de várias gerações e varias plantas já tem sua eficácia comprovada. No Brasil, o principal órgão responsável pela regulamentação de plantas medicinais e seus derivados é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A RDC 95/2008 torna obrigatória a padronização das bulas de medicamentos específicos e fitoterápicos.

    Por: rodrigo ferreiral Saúde e Bem Estarl 24/10/2011 lAcessos: 1,048
    Wellington Antonio Doninelli Pereira

    Uma narrativa sem capítulos ou parágrafos, o resultado das frequencias cerebrais das pessoas biochipadas estarem sobrepostas por frequencias de inteligênica artificial, um fenômeno novo, desconhecido dos modernistas, que experimentaram todas as formas de discurso, exceto o DIRETO DISCURSO LIVRE, porque naquela época as pessoas não tinham o cérebro hackeado por micro-ondas.

    Por: Wellington Antonio Doninelli Pereiral Literatural 19/04/2009 lAcessos: 638 lComentário: 3

    O Ministério da Saúde divulgou nota oficial sobre a epidemia de gripe suína. De acordo com o órgão, "até o momento, não há evidências da circulação do vírus da influenza suína em humanos no Brasil". A nota também garante que os dois casos no Brasil estão sendo investigados para identificar a causa do quadro clínico, mas não atendem à definição de caso suspeito de influenza suína por não apresentarem sinais e sintomas compatíveis com a doença

    Por: Robson Alexandrel Saúde e Bem Estarl 26/04/2009 lAcessos: 210
    Walter Medeiros

    No dia 13 de abril de 2011 faz quatro anos da publicação de uma das medidas mais precipitadas, autoritárias e desumanas da história da saúde no Brasil. Nesta data, quatro anos atrás, surgia a Nota Técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tratando do uso da auto-hemoterapia e anunciando a proibição do uso de uma técnica que sempre tinha sido usada no país, proporcionando saúde e salvando vidas, sem causar nenhum problema aos seus usuários.

    Por: Walter Medeirosl Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 12/04/2011 lAcessos: 2,038
    Sérgio Henrique Pereira

    Este trabalho é um manifesto quanto à essência dos Direitos Humanos para se entender a Constituição Federal de 1988. O assunto é abordado sem a pretensão de esgotá-lo, mas resumir, de forma que a leitura possa ser atrativa a todos e, desta maneira, alcançar o entendimento ao que seja os Direitos Humanos e as garantias fundamentais da pessoa humana num Estado Democrático de Direito.

    Por: Sérgio Henrique Pereiral Direito> Legislaçãol 23/01/2014 lAcessos: 27

    O marketing na indústria farmacêutica atraves da pesquisa de mercado, necessidade e aceitação da população, melhora na qualidade de seus produtos. As empresas aliado ao marketing de relacionamento através dos propagandistas, utilizam ferramentas que possibilitam canais de diálogo com consumidores finais personalizando cada vez e fidelizando seus clientes de forma a agregar vantagens competitivas para seus negócios.

    Por: Suzelel Saúde e Bem Estarl 08/11/2011 lAcessos: 3,668

    Um problema que atinge ou irá atingir 65% dos homens e 40% das mulheres. Para os homens é uma assunto incomodo mas sociavelmente aceite. Para as mulheres é um problema duro de lidar. Existem muitas mais mulheres no mundo que sofrem de calvície que possa imaginar. Não é só um problema de homens. Mas existe uma solução, e não uma solução temporária, mas uma solução definitiva e natural, o transplante capilar pelo método FUE.

    Por: Maria Mirandal Saúde e Bem Estarl 27/10/2014

    Sem dúvidas a obesidade tem sido um fator preocupante na saúde da população moderna. Nos últimos anos observamos um aumento significativo no índice de pessoas acima do peso ou mesmo obesas, tanto nos países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento. Além dos problemas para saúde o excesso de peso acarreta efeitos socioeconômicos substanciais.

    Por: josi feitosal Saúde e Bem Estarl 25/10/2014

    O objetivo da fisioterapia na saúde da mulher é atender a mulher em sua integridade, em todas as fases da sua vida, respeitando as necessidades e características individuais. Atua em vários aspectos da função e do movimento humano, que sofrem mudanças e alterações durante suas fases de vida, desde a adolescência até a fase adulta, passando pela fase reprodutiva, período gestacional, climatério, menopausa e terceira idade.

    Por: josi feitosal Saúde e Bem Estarl 25/10/2014

    Este artigo demonstra como um cuidador ou quem convive com uma pessoa que tem Alzheimer deve se comportar, mostra o que deve e o que não deve fazer para manter uma boa convivência e boa qualidade de vida.

    Por: josi feitosal Saúde e Bem Estarl 25/10/2014

    Cada vez mais nos deparamos com a situação de não encontrar ninguém nos lares durante o dia todo. Trabalho, curso, escola, faculdade, entre outras coisas, compõem uma grade maluca que tem hora certa para começar, mas sem previsão para terminar. E em meio a essa loucura, fica difícil seguir os horários comuns de alimentação em que estamos acostumados. Dependendo da rotina, fica até difícil de separar um tempo do seu dia para fazer isso.

    Por: 3xcelerl Saúde e Bem Estarl 24/10/2014

    É muito bom poder sentar para almoçar e encontrar um pedaço de bife acompanhado de algumas batatas fritas, prontos para serem devorados. Mas muita gente não tem ideia de todo o processo que a carne passa até chegar a sua casa. Pensando até pelo lado higiênico, chega até ser um pouco perigoso o consumo de alguns alimentos, não somente carnívoros, sem que estejam devidamente saudáveis e conservados para seu consumo.

    Por: 3xcelerl Saúde e Bem Estarl 24/10/2014

    A loucura do dia a dia traz muito estresse e os efeitos são claramente percebíveis com o decorrer do tempo. Cada vez mais, nos acostumamos em realizar inúmeras atividades simultaneamente, e a verdade é que fica quase impossível de realizá-las todas corretamente. Algumas funções realmente podem ser evitadas, mas por grande maioria, podemos enxergar obrigações rotineiras que necessitam uma atenção, dificultando que haja a devida concentração para cada uma.

    Por: 3xcelerl Saúde e Bem Estarl 22/10/2014

    Relato de experiência na escola municipal de Itajaí sobre o Programa Saúde na Escola (PSE) e o recente lançamento da Caderneta do Adolescente.

    Por: Danieli Fabrícia Pereiral Saúde e Bem Estarl 21/10/2014

    Comments on this article

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    Eduardo Marins 07/01/2011
    Excelente artigo sobre Vigilância Sanitária, parabéns!
    De uma Olhada no meu também, título: A EVOLUÇÃO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA NO BRASIL
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