Indicadores Da Avaliação Funcional Para A Prescrição Do Exercício Aeróbio

20/04/2009 • Por • 3,975 Acessos

INTRODUÇÃO

O exercício aeróbio vem sendo nas últimas décadas amplamente pesquisado e utilizado, pois, verificou-se que esse tipo de exercício era capaz de: diminuir ou manter o peso corporal, atuando principalmente na redução da gordura corporal, favorecido pelo aumento da oxidação lipídica; aumentar a densidade mineral óssea; aumentar os limiares metabólicos; diminuir a pressão arterial de forma subaguda e crônica; diminuir os níveis de glicemia pós-prandial e em jejum e dos níveis de colesterol LDL, mediado pelo aumento do HDL colesterol, prevenindo a aterosclerose, dentre outros benefícios (NEGRÃO; BARRETO, 2006).

A aptidão cardiorrespiratória é aceita como o mais importante componente da aptidão física relacionada à saúde. Sua melhoria e manutenção situam-se entre os principais objetivos de qualquer programa sistemático de exercícios. Porém, para que estes benefícios sejam alcançados e os riscos de lesão e intercorrências possam ser minimizados, a utilização de anamnese e avaliação física deve preceder qualquer prescrição de exercício físico (MONTEIRO, 2004).

            Algumas variáveis para a prescrição do exercício aeróbio devem ser levadas em consideração, como: a freqüência semanal, a duração, o intervalo de recuperação e a intensidade. A intensidade nesse artigo será abordada como sendo a principal variável para a prescrição do exercício aeróbio baseado na interpretação de métodos de quantificação da capacidade pulmonar e funcional que possam servir de parâmetro para a individualização dos dados obtidos em testes de exercício cardiopulmonar.

            A avaliação clínica de conter: história clínica, exame Físico e interpretação de exames complementares (dados obtidos pelo médico assitente); anamnese voltada para a prática de exercícios físicos; avaliação das características morfológicas; avaliação das características neuromusculares; avaliação das características metabólicas; estabelecer objetivos a curto, médio e longo prazo e deve-se esclarecer ao avaliado os procedimentos envolvidos na prescrição das atividades (MONTEIRO, 2004).

            As diretrizes em geral não recomendam a utilização de testes de esforço como parte de um screenig de pacientes assintomáticos, indicando-o exclusivamente nos casos de suspeita ou em risco eminente moderado de doenças cardiovasculares ou em indivíduos (SBC, 2002)

            Para a maioria dos candidatos a um programa regular de exercícios, o exame clínico é suficiente para realizar uma triagem do estado de saúde. Todavia, em função dos dados evidenciados na avaliação clínica, poderão ser solicitados alguns exames complementares que, em geral, enquadram-se em quatro categorias básicas: exames de bioquímica sangüínea; exames de imagem e teste de exercício convencional ou cardiopulmonar (SBC, 2002).

 

INDICADORES DA AVALIAÇÃO FUNCIONAL NA PRESCRIÇÃO DA INTENSIDADE DO ESFORÇO NO TREINAMENTO AERÓBIO

 

            Segundo Monteiro (2004), O desempenho físico é resultado de uma complexa combinação de fatores fisiológicos, biomecânicos e psicológicos. A avaliação da aptidão física constitui um importante elemento no processo de condicionamento físico. Existem pelo menos cinco grandes objetivos que norteiam este tipo de avaliação: 1) obter parâmetros sobre o estado de saúde do avaliado; 2) diagnosticar potencialidades e deficiências referentes às valências físicas a serem trabalhadas; 3) orientar o trabalho individualizado; 4) servir como feedback durante todo o processo de treinamento e 5) integrar o processo educacional pelo qual o avaliado aprende a compreender melhor suas necessidades, levando-o a uma maior aplicação nos treinamentos e obtenção de melhores resultados.

            Quando em última análise não se detecta nenhuma limitação ao exercício, observando todas as variáveis que pudessem interferir no desempenho, como histórico pregresso de lesão osteomioarticular, doenças metabólicas, doenças cardiovasculares ou psicológicas/ neurológicas, intensidades moderadas-altas deverão ser aplicadas após período de adaptação (que pode durar até 6 meses), de acordo com a freqüência semanal e o período de adaptação estrutural (capilarização muscular, estrutura cavitária cardíaca, etc.), pois, indivíduos com maior VO2 tendem a apresentar menor probabilidade de manifestar doenças crônico-degenerativa, apesar de outros estudos apontarem que intensidade baixas-moderadas já ajudam a combater algumas desordens quando já instaladas (BRUM ET AL., 2004)

            No caso do treinamento aeróbio, Considerando-se que, basicamente, a função do sistema cardiovascular e pulmonar é manter o processo de respiração celular e que uma maneira de se aferir essa função é através da análise do consumo de oxigênio (VO2) e do gás carbônico produzido (VCO2), que por sua vez variam com a intensidade de trabalho realizado (WASSERMAN ET AL., 1994), a utilização de um teste de exercício no qual se consiga determinar o consumo de oxigênio e a eliminação de gás carbônico diretamente, reflete, em última análise, a integridade desses sistemas bem como suas adaptações durante a realização de um exercício.

Esse teste, denominado de cardiopulmonar, cardiorrespiratório ou ergoespirométrico traz, na realidade, informações a respeito da integridade de todos os sistemas envolvidos com o transporte de gases, ou seja, não envolve apenas os ajustes cardiovasculares e respiratórios, mas também, neurológicos, humorais e hematológicos (WASSERMAN ET AL., 1994). Na prática, a grande utilidade do teste cardiorrespiratório é na determinação da capacidade funcional ou potência aeróbia, pela obtenção dos dois índices de limitação funcionais mais empregados que são o consumo máximo de oxigênio e o limiar anaeróbio ventilatório, portanto, pode e deve ser utilizados para a avaliação de atletas, sedentários, cardiopatas, pneumopatas, etc (SBC, 2002).

Para a prescrição de qualquer exercício orientado, seja para iniciantes ou indivíduos com atividade regular, é necessário a realização de um teste de exercício, pois é este que irá discriminar a intensidade de exercício, portanto este procedimento deve ser usado para a obtenção de um índice que permita avaliar a aptidão física.

Em grandes populações, visto a dificuldade em se realizar o teste de exercício e o grande valor financeiro agregado, alguns pesquisadores e professores de educação física têm aplicado com bastante êxito a intensidade do exercício aeróbio por predição do VO2 máx através de equações de regressão que determinam o valor percentual do VO2, porém, vieses metodológicos inviabilizam a utilização do VO2 predito determinados por equações matemáticas (MARANHÃO NETO ET AL., 2004).

Desta forma, se conhecemos a etiologia do VO2 máx e as peculiaridades do público alvo, basta agora inferir um percentual da carga de trabalho para que os benefícios (saúde) ou melhorias de desempenho (fitness) possam ser alcançadas.

Dados indiretos sempre deverão ser levados em consideração pelo avaliador para que haja uma correta prescrição. Um indivíduo que se apresenta para uma avaliação de composição corporal com percentual de gordura elevado, por exemplo, nos passa a informação indireta de descondicionado (o que deve ser corroborado com anamnese), e isso irá implicar na elaboração da rotina de exercício desse exercício como: o tipo de exercício, duração, freqüência semanal e principalmente, a intensidade do treino.

O ACSM (2006) nos diz que a intensidade ideal para iniciantes esta entre 40-60% do VO2 máx. Portanto, sujeitos obesos devem iniciar seus exercícios aeróbios nessa faixa de intensidade.

Na composição corporal ainda podemos obter outras informações que nos ajudarão a realizar uma correta prescrição, pois serão incorporados aos dados obtidos do teste de exercício cardiopulmonar, por exemplo, o somatotipo do indivíduo. Sabemos que a predominância de dado tipo de fibra muscular poderá nos fornecer dados sobre uma possível capacidade maior ou menor de transporte de utilização do oxigênio, mesmo que a raça seja na maior parte a justificativa para este fenômeno. Indivíduos longelíneos (ectomorfo) tendem a ter VO2 max maior que indivíduos mesomorfo (BOUCHARD ET AL., 1992)

            Concomitantemente ao teste de exercício cardiopulmonar, algumas variáveis fisiológicas podem ser obtidas através de métodos diretos objetivos e outros subjetivos para a corroboração da intensidade máxima do esforço alcançada, sendo utilizada mais tarda para determinar a carga de trabalho da sessão de exercício.

            Em suma, os indicadores da avaliação funcional devem ser levados em consideração para que haja uma correta prescrição da intensidade dos exercícios, pois, pode nos ajudar a detectar o nível de aptidão, e assim, na escolha do protocolo de teste à ser aplicado.

 

REFERÊNCIAS:

ACSM. American College of sports and medicine: Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 7th Ed. Baltimore (MA): Lippincott Willians and Wilkins, 2006.

Bouchard, C; Dionne, FT; Smoneau, JA; Boulay, MR. Genetics of aerobicand anaerobic performances. Med Sci Sports Exerc. 1992;20:27-58.

Brum, PC; Forjaz, CLM,  TaÌs Tinucci T, Negrão, CE. Adaptações agudas e crônicas do exercÌcio físico no sistema cardiovascular. Rev. paul. Educ. Fis. V.18, p.21-31, ago. 2004.

Maranhão Neto, GA; Lourenço, PMC; Farinatti, PTV. Equações de predição da aptidão

c a rd i o r respiratória sem testes de exercício e sua aplicabilidade em estudos

epidemiológicos: uma revisão sistemática. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(1):48-56, jan-fev, 2004

Monteiro, WD. Personal Training: Manual para Avaliação e Prescrição de Condicionamento Físico. 4ª edição. Rio de Janeiro: Sprint, 2004.

Negrão, CE; Barreto, ACP. Cardiologia do exercício: do atleta ao cardiopata. 2ª ed. Barueri-SP. Manole, 2006.

SBC. Sociedade Brasileira de Cardiologia. II Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia Sobre Teste Ergométrico. Arq Bras Cardiol volume 78, (suplemento II ), 2002.

Wasserman, K.; Hausen, JE.; Sue, DY.; Whipp, BJ.; Casaburi, R. - Principles of exercise testing and interpretation. 2ed. Pennsylvania, Lea & Febiger, 1994. 479p.

Perfil do Autor

Antonio Gil Castinheiras Neto

É Mestre em Ciências da Atividade Física (UNIVERSO), pós-graduado em Reabilitação Cardíaca (UGF) e Graduado em Educação Física (UNESA). Sua...