PREVENÇÃO DE DST's EM MULHERES ACIMA DOS 50 ANOS

Publicado em: 08/10/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 544 |

PREVENÇÃO DE DST's EM MULHERES ACIMA DOS 50 ANOS

LAYS SANDE¹

SANDRA REGINA LUZ²

TATIANE DE OLIVEIRA COSTA¹

 

¹Graduandas em  Enfermagem, Faculdade de Tecnologia e Ciências

²Enfermeira, Especialista em Saúde Pública e Mestranda em Práticas Sociais e Cuidado.

 

Resumo: Durante os últimos anos vem se observando o aumento da prevalência de DST's em mulheres acima de 50 anos. O objetivo desse estudo é demonstrar através de publicação a importância da prestação de serviço à essa faixa etária proporcionando informações precisas sobre a prática de sexo seguro, pelos profissionais de saúde. Este estudo foi realizado através de revisão de literatura, portanto bibliográfico, tem caráter descritivo, qualitativo e exploratório. Percebeu-se que a sexualidade não se estingue com o avanço da idade e o fim da fertilidade, diante disto, este grupo de mulheres encontram-se expostas às doenças sexualmente transmissíveis, necessitando da atenção dos profissionais de saúde para devida orientação e promoção do sexo seguro entre essa população em crescimento no país.

 

Abstract: During the recent years has been noting the increased prevalence of STDs in women over 50 years. The objective of this study is to demonstrate through publication of the importance of providing service to this age group providing precise information on the practice of safe sex, by health professionals. This study was conducted through literature review, therefore, has descriptive character bibliographic, qualitative and exploratory. Realized that sexuality is not estingue age and the end of fertility, before this, this group of women are exposed to sexually transmitted diseases, requiring the attention of health professionals for proper guidance and promotion of safe sex among this population growth in the country.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo teve como objetivo demonstrar por meio de publicação a importância da prestação de serviço pelos profissionais de saúde à essa faixa etária proporcionando informações precisas sobre a prática de sexo seguro, desmistificando sua pratica na 3ª idade.

Segundo Unaids (2006), apud, Lisboa (pg.1, 2010) os dados epidemiológicos mundiais sobre HIV (síndrome da imunodeficiência adquirida) apontam aumento de novos casos, por exposição sexual, na faixa etária populacional situada acima dos 50 anos. O climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde como uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher. A menopausa é um marco dessa fase, correspondendo ao último ciclo menstrual, acontece geralmente em torno dos 48 aos 50 anos de idade.

"Expressar e exercer atividade sexual certamente não é prerrogativa exclusiva dos jovens. A população acima dos 50 anos conquista progressivamente sua própria liberdade neste sentido" (LISBOA, pg. 1, 2007). O qual está permitindo cada vez mais à exposição dessas mulheres a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.

A importância desse estudo justifica-se pela observação da necessidade de informação sobre a prevenção de DST's através da divulgação do uso de preservativos entre mulheres acima de 50 anos e realização do exame preventivo. Quanto aos métodos, trata-se de uma pesquisa exploratória quanto aos objetivos, de caráter descritivo, qualitativa quanto à natureza e bibliográfica quanto aos procedimentos técnicos de coleta de dados. A pesquisa foi realizada por meio de análise de fontes bibliográficas, de acordo com Lakatos e Marcone (2001), pesquisa bibliográfica abrange bibliografias já tornadas públicas em relação ao tema de estudo. A coleta de dados foi realizada por meio de documentação indireta, tendo como finalidade colocar o pesquisador com em contato com o que já foi escrito sobre o tema, foram utilizadas artigos científicos, publicados de 2001 a 2010, pesquisados em setembro de 2010, livros sobre metodologia científica e manuais produzidos pelo Ministério da Saúde.

2 SUSTENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 A mulher e o fim do ciclo reprodutivo

 

De acordo com o Instituto de Patologia, a mulher vem passando por diversas revoluções, ultrapassaram a ditadura sexual para o amor livre, tiveram que repensar essa liberdade com o advento da AIDS e praticar sexo seguro, agora elas estão aprendendo a conviver com uma fase natural da vida, que até pouco tempo estava recheada de mistérios e mitos, considerada uma espécie de melancólico ponto final, o climatério.

Após a primeira menstruação, a produção de hormônios sexuais femininos se mantém constante por cerca de 40 anos. Passado esse período, ou seja, por volta dos 50 anos de idade, começa a ocorrer uma diminuição na produção de estrógeno e de progesterona, até que o corpo pára de produzi-los. A esta fase de transição é dado o nome de climatério. E o período após a última menstruação é chamado de menopausa (BRITES, 2010).

Em toda sua vida a mulher é marcada por diversas fases, a primeira menstruação, a maternidade, e o fim da reprodução com o advento da menopausa. Diante de cada fase vivida, essa mesma mulher necessitou de cuidados específicos para manutenção da saúde e prevenção de doenças. A atenção por parte dos profissionais de saúde não se limita aos cuidados durante o ciclo reprodutivo, as particularidades de cada fase exige preparo e atenção específica.

Na atenção à sua saúde precisam ser oferecidas informações detalhadas sobre as variadas facetas dessa nova etapa da vida, encorajando a mulher a vivê-la com mais energia, coragem e a aprender os limites e oportunidades do processo de envelhecimento, abrangendo as transformações que ocorrem durante esse período. (BRASIL, p.15, 2008).

 

Conforme o Ministério da Saúde, os profissionais de saúde que atendem a clientela feminina devem cuidar para que haja a maior efetividade possível, que não se percam essa mulheres nessa fase, ou seja, é, evitar ocasiões em que as mulheres entram em contato com os serviços e não recebem orientações ou ações de promoção, prevenção e ou recuperação, de acordo com o perfil epidemiológico deste grupo populacional. As oportunidades ocorrem durante a anamnese que valoriza a escuta, na orientação sobre sexualidade, alimentação saudável, prevenção do câncer e das DST/AIDS, na oferta de atividades de promoção da saúde e outros recursos disponíveis na rede, em outros serviços públicos e na comunidade.

2.2 A Sexualidade

A sexualidade é "o exercício do sexo – comportamentos e práticas -, a vivência de desejos e sentimentos eróticos, e a experimentação das relações concretas que lhe dão suporte" (VILLELA, 1999, apud, NETTO p.15, 2002). Segundo Netto (p.16, 2002), os fatores psicológicos que podem influenciar a sexualidade feminina, nessa fase, estão relacionados às modificações corporais o envelhecimento, a perda da fertilidade, modificações na dinâmica e relacionamentos familiares. Já os fatores biológicos segundo Lopes (1999); Abreu (1998); Montgomery (1996), apud, Netto (p.16, 2002), são decorrentes das alterações anatômicas e fisiológicas ocasionadas pela baixa produção de estrógeno, ocorrendo a diminuição do desejo sexual e diminuição da lubrificação vaginal.

Segundo França (2010), para cada idade e situação específica, há um tipo de qualificação e quantificação na resposta sexual, e que a sexualidade não acaba com a chegada de uma determinada idade ou momento de vida, e que esta só termina quando deixamos de existir. A sexualidade não é um momento e sim uma vivência, uma interação e um contínuo aprendizado de como expressar nossas emoções.

As mudanças orgânicas no climatério são muitas e repercutem em vários aspectos da vida. No entanto as consequências psicológicas, ao contrário das consequências físicas, são mais difíceis de precisar. Elas incluem mudanças na auto-percepção, acompanhadas muitas vezes de solidão e depressão. (VALADARES 2010).

Com o avanço da saúde, novos medicamentos e reposição hormonal, tornaram possível a diminuição dos sintomas do climatério, bem como as orientações e troca de experiências através da mídia, proporcionou à mulher a compreensão de que era possível ter uma vida sexual ativa na 3ª idade, apesar de ainda persistirem os tabus. O fim da fertilidade não limita a sexualidade. Isso faz com que essa população esteja tão susceptível a doenças sexualmente transmissíveis quanto mulheres em idade reprodutiva. Conforme o Ministério da Saúde a ocorrência de DST's se dá predominantemente em indivíduos jovens, em idade reprodutiva, porém não se descarta o acometimento de mulheres com mais de 35 anos.

Em outras palavras, a qualidade e expectativa média de vida da população  em geral   aumentou significativamente nas últimas décadas, mas não parece ter sido acompanha por   discussões e planejamentos voltados ao como lidar com a questão do exercício da sexualidade por parte dos adultos com mais de 50 anos[...] (LISBOA, p.2, 2010)

 

É necessário mostrar a essas mulheres que elas podem e devem ter uma vida sexual normal, porém é necessário se prevenir, ter um acompanhamento regular pelos profissionais de saúde e esta atenta a qualquer sinal ou sintoma. Para isso é necessário, profissionais de saúde esta fazendo o seu papel de veiculadores de informação, dando todas as orientações necessárias.

 

2.3 Prevenção de DST's

Diante do aumento da expectativa de vida permitindo que um número cada vez maior de mulheres envelheçam, justifica a preocupação voltada para essa faixa etária em todos os âmbitos inclusive problemas de saúde que possam acometer pela falta de proteção nas relações sexuais.

Com a evolução da supressão hormonal fisiológica, ocorrem modificações no trofismo da vagina, assim como há uma diminuição do muco cervical, tornando o ambiente mais susceptível, com a redução dos mecanismos de defesa aos traumas advindos do ato sexual com penetração. Aumenta assim a vulnerabilidade e consequentemente o risco infecções, incluindo o risco da transmissão do HIV. (BRASIL, p.80, 2008)

A própria fisiologia feminina predispõe a mulher ao aumento do pH vaginal após a cessação dos ciclos menstruais. "As DST podem ocorrer em mulheres no climatério sem qualquer modificação em sua história natural" [...] (BRASIL, p.80, 2008). Sendo de suma importância que os profissionais de saúde tenham atenção para este publico crescente em todos os países em desenvolvimento. A cada década aumenta a expectativa de vida da população, isso significa a tendência de crescimento de mulheres com essa faixa etária.

De acordo com o Ministério da Saúde o uso de preservativos masculino e feminino tende a ter maior eficácia nessa faixa etária, devido a fatores como maior experiência na sua utilização e menor frequência de relações sexuais se comparado a mulheres mais jovens.  Dai a importância do estímulo ao uso do preservativo em todas as idades como forma de proteção e não apenas contracepção.

O acolhimento consiste em dar atenção às necessidades reais de cada mulher, esclarecer dúvidas respeitando sua individualidade. Ao se tratar de idosas, deve-se compreender os significado que a idade, a infertilidade, as mudanças corporais e a sexualidade representam para elas. Para assim intervir como multiplicadores do conhecimento, na prevenção de doenças.

"A equipe de saúde deve valorizar as queixas da mulher, estar disposta a ouví-la, não desvalorizar ou minimizar seus problemas e reconhecer seus direitos a esclarecimentos e informações". (BRASIL, p.9, 2006)

2.4 A importância do Exame Papanicolau como prevenção também de DST's

 

O exame Papanicolau também conhecido como exame preventivo se constitui um dos exames mais importantes para a mulher, pois ele trabalha com a prevenção. Apesar de o seu maior objetivo ser a prevenção do câncer do colo do útero.

A prevenção primária do câncer de colo de útero consiste em evitar o aparecimento da doença por meio de ações sobre o ambiente e os fatores de risco. Dentre estas se destacam o estímulo ao sexo seguro, por meio do uso de preservativos para evitar o contágio pelo HPV (vírus que tem papel importante no desenvolvimento deste câncer e de suas lesões precursoras). (BRASIL, P.107, 2008)

Durante o exame preventivo é realizado uma inspeção visual, onde pode se observar mudanças na coloração, presença de corrimento, nódulos, aspectos que são sugestivos de algumas DST's além do exame da lamina detectar muitas dessas patologias sendo de grande importância para o tratamento precoce. O que exige dos profissionais de saúde, incentivo à realização desse exame. "Toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico, especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade". (BRASIL, p.108, 2008)

Por outro lado, mulheres dessa faixa etária, que há alguns anos eram consideradas velhas senhoras, sem que se cogitasse que tivessem alguma vida sexual  –  solteiras, casadas,   viúvas   ou   separadas   -   exercem   mais   ativa   e desembaraçadamente   tal   sexualidade,   aumentando   consideravelmente   as chances  de exposição a doenças de transmissão sexual [...](LISBOA, p.1, 2010)

Profissionais da área saúde devem voltar o foco para este público também no que diz a vida sexual, além de mostrar toda a importância do exame preventivo também em relação às DST's. É importante realizar uma anamnese minuciosa estando atento a todos os fatores de riscos o qual esta mulher é exposta, e dando todas as orientações para se ter uma vida sexual saudável.

Tal contexto pode revelar a forma excludente como vem sendo abordada a sexualidade de pessoas com idades superiores a 50 anos, como também a exclusão desse grupo populacional em projetos e programas de educação e prevenção do HIV-aids, o que demonstra grande lacuna nas múltiplas referências dos fatos em que se constrói a epidemia. É crescente o número de pesquisas que mostram o indivíduo acima de 50 anos está cada vez mais ativo sexualmente, fato este observado principalmente após a liberação do uso de medicamentos que melhoram o desempenho sexual do homem, principalmente o Viagra (FEITOZA, SOUZA, ARAÚJO, 2004).

3 CAMINHO METODOLÓGICO

Quanto aos métodos, trata-se de uma pesquisa exploratória, quanto aos objetivos, de caráter descritivo, qualitativa quanto à natureza e bibliográfica quanto aos procedimentos técnicos de coleta de dados. A pesquisa foi realizada por meio de análise de fontes bibliográficas, de acordo com Lakatos e Marcone (2001), pesquisa bibliográfica abrange bibliografias já tornadas públicas em relação ao tema de estudo. A coleta de dados foi realizada por meio de documentação indireta, tendo como finalidade colocar o pesquisador com em contato com o que já foi escrito sobre o tema, foram utilizadas artigos científicos, publicados de 2001 a 2009, pesquisados em setembro de 2010, livros sobre metodologia científica e manuais produzidos pelo Ministério da Saúde.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo de envelhecer é um curso natural da vida e deve ser respeitado avaliado e percebido com atenção pelos profissionais de saúde, pois a mulher após determinada idade deixa de procurar os serviços básicos de saúde, frequentando apenas por problemas ocasionados pela própria idade. As questões relacionadas a sexualidade não são consideradas.

Biologicamente a mulher evolui naturalmente durante sua vida, iniciando o ciclo reprodutivo, amadurecendo, e envelhecendo, encerrando sua capacidade de gerar filhos. Contudo historicamente, ela vence a ditadura do sexo, decide sobre seu corpo o momento de gerar, experimenta a liberdade sexual. Com o surgimento da AIDS aprende a se proteger, e esbarra com o envelhecimento, aprende novamente que é hora de praticar sexo sim, mesmo sem fertilidade, mas que a proteção é importante em todas as idades. O uso de preservativos deve ser incentivadas incansavelmente. Cada vez mais idosas irão existir, e o sexo seguro deve ser promovido a todas as mulheres sem constrangimentos e preconceito. As DST's não estão relacionado apenas ao ciclo reprodutivo, e sim a prática sexual, e esta sim é permitida em qualquer fase da vida.

A relevância deste trabalho para a sociedade é de primeiramente divulgar a importância do sexo seguro na 3ª idade e desmistificar as questões que envolvem a sexualidade dessa população, permitindo a melhoria da prestação do cuidado às mulheres que já não estão na fase reprodutiva da vida.

REFERÊNCIAS

BRITES, Alice Dantas. Entenda essa fase do ciclo reprodutivo feminino. Disponível em < http://educacao.uol.com.br/biologia/ciclo-reprodutivo-feminino. jhtm > Acesso em 11 de setembro de 2010.

 

FEITOZA, Aline R, SOUZA, Adriano R , ARAÚJO,  Maria Fátima . A Magnitude da infecção pelo HIV-AIDS em maiores de 50 anos no Município de Fortaleza CE Disponível emscholar.google.com.br/scholar >Acesso em: 13-09-2010.

 

FRANÇA, Luciana Sereno. Mitos e Verdades da Sexualidade no Climatério. Disponível em < http://boasaude.uol.com.br/> Acesso em 12 de setembro de 2010.

 

INSTITUTO de Patologia. Climatério, o fim do ciclo reprodutivo. Disponível em: < http://www.institutodepatologia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=41&Itemid=51> Acesso em 15 de setembro de 2010.

 

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica.

ed. São Paulo-SP: Atlas, 2001.

 

LISBOA, Marcia Eliza Servio. A invisibilidade da população acima de 50 anos no contexto da epidemia HIV/AIDS. Rev. bras. epidemiol. vol.10 no.3 São Paulo Sept. 2007.

 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Atenção à Mulher no Climatério / Menopausa. Brasília, editora MS, 2008.

 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Controle dos cânceres do colo do útero e da Mama. Cadernos da atenção básica, Brasília-DF, 2006.

 

NETTO, Jaqueline Rodrigues da Cunha. Mulheres no Climatério: Nível de informações, ansiedade, depressão, qualidade de vida e resultados de uma intervenção psicológica. Biblioteca digital de teses e dissertações, USP, São Paulo, 2009.

 

PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS. Protocolo de atenção integral à saúde da mulher. Florianópolis, 2006.

 

VALADARES, Ana Lúcia Ribeiro. Sexualidade e Climatério. Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, 2010.

 

 

 

 

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