VISITA DOMICILIAR: (RE) SIGNIFICANDO A PRÁTICA DOS PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Publicado em: 13/07/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 11,003 |

VISITA DOMICILIAR: (RE) SIGNIFICANDO A PRÁTICA DOS PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

                                                                                               Silvane dos Santos Matias[1]

                                                                       Andreza Karine Araújo de Medeiros Pereira²

 

[1] Acadêmica do curso de Enfermagem no Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia - CAMEAM- UERN – Pau dos Ferros,RN

[2] Orientadora, professora da disciplina Saúde Coletiva,  no curso de Enfermagem CAMEAM-UERN, Especialista em Ensino na Área da Saúde.

 

 

 

O direito universal e integral à saúde no Brasil foi conquistado pela sociedade na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/90. Por esse direito, entende-se o acesso universal e equânime aos serviços e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, garantindo a integralidade da atenção, indo ao encontro das diferentes realidades e necessidades de saúde da população e dos indivíduos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi instituído no Brasil em 1988 ao qual cabe identificar e divulgar fatores condicionantes e determinantes da saúde; formular políticas de saúde destinadas a promover ações e serviços de saúde; bem como assistir as pessoas por meio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde. Com isso, o SUS busca alternativas para incrementar a qualidade desta assistência de acordo com as novas demandas, como também facilitar o acesso da comunidade as ações de saúde e planejá-las a partir das reais necessidades de vida e saúde das populações adscritas.

Para tanto, uma das alternativas do Sistema Único de Saúde (SUS) atualmente utilizada para minimizar os impactos negativos do modelo curativo de assistência à saúde, realizado através do trabalho parcelado e pautado no modelo clínico de atenção à saúde, é o trabalho desenvolvido na atenção básica pelas equipes de Saúde da Família.

Visando à (re) orientação assistencial, o Programa Saúde da Família (PSF) foi implantado no Brasil pelo Ministério da Saúde em 1994, e hoje é denominado Estratégia de Saúde da Família (ESF), uma vez que não possui caráter programático, e sim características estratégicas de mudança na organização e oferta à saúde da população, preconizando como uma de suas importantes atividades a Visita Domiciliar. 

Nesse sentido, a Visita Domiciliar também deve ser considerada no contexto de educação em saúde como uma importante ferramenta capaz de contribuir para a consolidação de novas práticas de saúde e, conseqüentemente, promover a qualidade de vida através da prevenção de doenças e promoção da saúde. Sendo assim, garante atendimento integral por parte dos profissionais, tornando-se importante a compreensão dos aspectos psico-afetivo-sociais e biológicos da clientela assistida.

Sobre Visita Domiciliar TAKAHASHI expõe:

 

A visita domiciliar é uma categoria da atenção domiciliar à saúde que prioriza o diagnóstico da realidade do indivíduo e as ações educativas. É um instrumento de intervenção fundamental na saúde da família e na continuidade de qualquer forma de assistência e/ ou atenção domiciliar à saúde, sendo programada e utilizada com o intuito de subsidiar intervenções ou o planejamento de ações. (TAKAHASHI, 2001, p,43-46)

 

 

Por acreditar que o Programa de Saúde da Família (PSF) é um dos caminhos que pode de fato, contribuir para que o SUS possa se efetivar nos municípios brasileiros, procurou-se desenvolver um estudo sobre o trabalho nas práticas dos profissionais de saúde na ESF (Estratégia de Saúde da Família), a partir das seguintes questões norteadoras: Qual a finalidade das vistas domiciliares? Quem faz as visitas domiciliares? Como a visita domiciliar pode possibilitar as práticas dos profissionais?

Para tanto, os questionamentos nos orientou a termos o tema: Visita Domiciliar- (re) significando as práticas da Estratégia da saúde da Família proposto em nosso trabalho como objeto de estudo. Nessa perspectiva, este estudo tem como objetivos analisar a atividade realizada pela ESF referente á Visita Domiciliar, como também mostrar como esta se efetiva hoje e de que maneira ela pode trazer um (re) significar nas práticas dos profissionais da Estratégia de Saúde da família (ESF) no contexto da visita domiciliar sob a ótica da integralidade. Para realizar esse estudo, como suporte metodológico utilizou-se de referenciais teóricos que abordam sobre a visita domiciliar, ESF, SUS e integralidade. Para tanto nos aportamos em autores como: SAKATA, FALLANTE&BARREIRA, LACERDA, MATTOS, TAKAHASHI entre outros.

 

1. O contexto domiciliar

 

Segundo Lacerda, (1999), a visita é realizada pelos profissionais de saúde e/ou equipe na residência do cliente, com o objetivo de avaliar as demandas exigidas por ele e seus familiares, bem como o ambiente onde vivem, visando estabelecer um plano assistencial, geralmente programado com objetivo definido.

Nesse sentido, a visita domiciliar é uma forma de assistência domiciliar à saúde, que dá subsídios para a execução dos demais conceitos desse modelo assistencial. É, por intermédio da visita, que os profissionais captam a realidade dos indivíduos assistidos, reconhecendo seus problemas e suas necessidades de saúde.

Por fim, ao adentrar no espaço familiar, o profissional insere-se de forma a desenvolver suas ações e interações com a família, evitando considerar somente os problemas apresentados pelo paciente; mas observando também os fatores sociais (econômicos, espirituais e culturais), os recursos disponíveis na residência, as condições de higiene e de segurança e o grau de esclarecimento da família. Assim, cabe ao profissional, em seu trabalho interdisciplinar, atentar para todas estas questões e atuar com vista à integralidade de suas ações, procurando ampliar seu olhar, de forma a identificar em cada encontro, necessidades de vida e saúde singulares e abrangentes.

Por outro lado, no contexto domiciliar existe uma dinâmica específica de cada residência que abrange fatores, influencia a vida da família, como um conjunto singular (renda, religião, crença, costume, moradia), que incluem diferentes respostas frente aos diferentes problemas apresentados, e que engloba indivíduos que compartilham um mesmo ambiente de vida e de relações. Além disso, nesse contexto também há que se observar e ter o respeito às singularidades das famílias, para tanto é necessário adequar-se a comunicação de acordo com as diferentes necessidades de cada contexto; buscar avaliar a necessidade de cada família; discernir e adaptar todas suas práticas a especificidade dos casos. Assim, os profissionais podem reconhecer e integrar uma prática diferenciada, personalizada e específica e humanizada.

Segundo EGRY E FONSECA (2000) na totalidade da produção de serviços em saúde coletiva, a finalidade da atenção à saúde no domicílio refere-se à intervenção práxica no processo saúde-doença da família, quer destacando seus membros constituintes, quer enfocando a família na sua totalidade.

Dessa forma, a assistência domiciliar dentro da Visita domiciliar à saúde vem transpor as práticas institucionalizadas da saúde, visando construir uma nova ação profissional com base na inserção dos profissionais de saúde no local de vida, interações e relações dos indivíduos, em sua comunidade e, principalmente, em seu domicílio; passando assim, a considerar o contexto domiciliar das famílias.

Abordagem integral à família

 

 

A abordagem integral faz parte da Visita Domiciliar por envolver diversos fatores no processo saúde-doença da família. A saúde não é um produto nem um estado, e sim um processo multidimensional no qual permanentemente interagem sistemas biológicos, psicológicos, sociais, culturais, familiares e ambientais. A partir daqui, portanto, modifica-se a função do profissional da saúde, que já não serve só para curar enfermidades, e sim cuidar da saúde, ouvir, olhar, tocar, acolher o outro, levando em consideração a pessoa doente em seu contexto familiar.

 Também, devemos levar em conta que os cuidados à saúde nunca foram exclusividade dos médicos, e hoje se estima que cerca de 80% dos cuidados são prestados por não médicos (cuidadores, pessoal técnico auxiliar, familiares). Passa-se de uma medicina centrada na doença para uma medicina centrada no indivíduo e a díade paciente-médico, avança para a tríade paciente-família-equipe de saúde.

 É nesse contexto que a visita domiciliar deve conceber a família em seu espaço social, abordando de modo integral e individualizado o paciente em seu contexto sócio-econômico e cultural. Assim, o profissional de saúde deve ter uma avaliação da dinâmica da vida familiar, ter para com cada indivíduo uma atitude de respeito e valorização das características peculiares que cada indivíduo/família apresenta.

Conseqüentemente, nessa relação com os familiares, os profissionais buscam a confiança dos indivíduos atendidos; sua satisfação, numa relação empática e sem prejulgamentos; devido à necessidade do processo de cuidado englobar além competência técnica, os aspectos interpessoais e humanísticos da relação profissional-paciente-família.

Nesse interim, a vigilância em saúde pode estar sendo realizada, pois ela é decorrente do comparecimento de um ou mais integrantes da equipe até ao domicilio para realizar ações de promoção, prevenção, educação e busca ativa da população de sua área de responsabilidade, geralmente vinculadas à vigilância da saúde que a Unidade desenvolve.

Isso nos leva a crer que através das visitas domiciliares os profissionais também podem relacionar o que consideram e observam ao adentrar as residências, dentre os quais: as condições de habitação e vida, as relações familiares, a compreensão/ educação dos familiares e a interação com a equipe profissional.

Sobre a visita do profissional à família, RIBEIRO diz:

 

                           O ambiente, a infra-estrutura da família, e suas condições de cuidado nesse ambiente também são focos de atenção à saúde no seu espaço/contexto físico. No domicílio podem ser caracterizadas as famílias que têm condições e aquelas que necessitam de ajuda, as que requerem vigilância de saúde, ou outras que estão em situação de risco sócio-ambiental. (RIBEIRO, 2004, P. 64).

 

Diante dessas considerações, a importância de um trabalho integral se faz necessário, uma vez que as famílias necessitam não só de atenção à saúde, mas de assistência a outras necessidades. Com isso, também se deve ter a preocupação com a postura profissional ao adentrar no domicílio, pois é necessário o respeito à privacidade das pessoas e a sua cultura. Fazendo isto, os profissionais não realizam apenas uma prática intervencionista e invasiva, mas uma prática com ênfase no respeito à autonomia dos indivíduos sobre as informações que lhes dizem respeito; bem como realizar um atendimento subjetivo e respeitoso, buscando a autonomia do sujeito, deixando que este participe do assistir e se responsabilize pelo mesmo.

Dito de outra forma, a questão da integralidade representa um dos maiores desafios nas práticas em saúde, não se apresentando como uma questão política ou institucional, já que integrar nas esferas pública ou privada não é algo novo. Exatamente por isso, é que a integralidade se apresenta como um desafio cultural, quando há a necessidade de romper com os paradigmas na saúde, que através de técnicas ou padrões médicos já se tornaram tradições.

Podemos dizer, numa primeira aproximação, que integralidade é uma das diretrizes básicas do Sistema Único de Saúde, instituído pela Constituição de 1988. De fato, o texto constitucional não utiliza a expressão integralidade, ele fala "atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas sem prejuízo dos serviços assistenciais" (BRASIL, 1988, art.198). Mas o termo integralidade tem sido utilizado corretamente para designar exatamente essa diretriz. (MATTOS, 2001, p. 39).

Importa destacar que,  noção de integralidade como princípio deve orientar para ouvir, compreender e, a partir daí, atender às demandas e necessidades dos indivíduos, grupos e comunidades num novo paradigma de atenção a saúde.

 

2. Implantação do SUS

 

O sistema de saúde engloba a produção dos serviços e as políticas de saúde, visando transformar os perfis de saúde-doença da população. Atualmente, no Brasil, a política de saúde vigente é norteada pelo Sistema Único de Saúde - SUS - que, regendo um dado modelo assistencial, oferta um conjunto de programas com estreita articulação entre si, objetivando contemplar os princípios da Reforma Sanitária, quais sejam: regionalização, hierarquização, acessibilidade, eqüidade, participação e integralidade das ações. (BRASIL, 1990).

O Sistema Único de Saúde (SUS) é constituído pelo conjunto das ações e de serviços de saúde sob gestão pública. Está organizado em redes regionalizadas e hierarquizadas e atua em todo o território nacional, com direção única em cada esfera de governo. O SUS não é, porém, uma estrutura que atua isolada na promoção dos direitos básicos de cidadania. Insere-se no contexto das políticas públicas de seguridade social, que abrangem, além da Saúde, a Previdência e a Assistência Social. (BRASIL, 2007, p.33), Esse sistema foi instituído em 1988 ao qual cabe identificar e divulgar fatores condicionantes e determinantes da saúde; formular políticas de saúde destinadas a promover ações e serviços de saúde; bem como assistir as pessoas por meio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde. Ele é tido como a política de maior inclusão social implementada no Brasil e representa em termos constitucionais uma afirmação política do compromisso do Estado brasileiro para com seus cidadãos. Seus avanços são significativos, mas persistem problemas a serem enfrentados para consolidá-lo como um sistema público universal, equânime e acima de tudo integral.

Do SUS, emergem princípios básicos tais como : acesso universal e igualitário a ações e serviços; participação comunitária; rede regionalizada e hierarquizada; e descentralização, cujas ações de saúde devem ser desenvolvidas de acordo com as diretrizes previstas no artigo 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda a princípios como: universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência; integralidade de assistência, entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e sua utilização pelo usuário; igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie. (Brasil,Constituição. 1998).

Assim, com a criação do SUS, a integralidade surge como um dos principais pilares na construção da Atenção à Saúde, uma vez que se fundamenta na articulação das ações de promoção, prevenção e recuperação, além da abordagem integral dos indivíduos e familiares. Daí se faz necessário uma reflexão sobre a integralidade que identifica três grandes conjuntos de sentidos usualmente empregados, os quais remetem a: uma nova atitude por parte dos profissionais de saúde; uma crítica à dissociação entre práticas de prevenção e práticas assistenciais; uma recusa em objetivar e recortar os sujeitos sobre os quais as ações incidem.

Sobre Integralidade MATTOS cita:

 

                                       A integralidade emerge como um princípio de organização contínua do processo de trabalho nos serviços de saúde, que se caracterizam pela busca também contínua de ampliar as possibilidades de apreensão das necessidades de saúde de um grupo populacional. (MATTOS, 2001 p.49)

 

Dessa forma, para implantação do SUS, as unidades de saúde organizam-se para a produção das ações, escolhendo meios e instrumentos eficazes para a intervenção nos perfis epidemiológicos dos grupos sociais organizados. Assim, os valores que regem a assistência à saúde têm sido modificados e o SUS busca alternativas para incrementar a qualidade desta assistência de acordo com as novas demandas. Com vista na assistência integral à saúde da população, elaborou-se o Programa de Saúde da Família (PSF). Esse tem se tornado a principal via de acesso do usuário no sistema de saúde.

De certo modo, houve a adoção de uma prática não reducionista sobre a saúde, evitando ter como eixo apenas a intervenção médica e buscando a integração de fato com a comunidade a partir da utilização de tecnologias contextualizadas, momento em que a tecnologia leve, ou de relação tem papel preponderante (BRASIL, 2003. P. 113). Essa prática surgiu como uma estratégia capaz de provocar mudanças no modelo de atenção assistencial ao romper com o comportamento passivo das unidades básicas de saúde e estender suas ações à comunidade. Entre os seus ideais está a oferta de serviços à população e o fortalecimento dos princípios da universalidade, acessibilidade, integralidade e eqüidade do Sistema Único de Saúde. (BRASIL.2003.p.136)

Assim, com o advento desse Programa no Brasil, as visitas domiciliares aparecem como uma das principais diretrizes da estratégia seja pela possibilidade de se entrar no ambiente familiar e conhecer suas reais necessidades, como também traçar metas que se adequem àquele ambiente, seja porque alguns pacientes se recusavam a deixar seu domicílio, ou seja, por desconhecer que os profissionais da ESF dever ir até ao seu domicílio.

Então, sistematizar os instrumentos de atuação do PSF urge enquanto necessidade política e técnica para o sucesso da estratégia. Além disso, a organização das visitas domiciliares permitiria otimizar o tempo das equipes, já tão escasso no atual contexto, e definir parâmetros para acompanhamento da evolução dos casos e consideração sistemática dos aspectos culturais e comunitários envolvidos.

Entre os objetivos do PSF destaca-se o enfoque dado à família e não ao indivíduo, como preconizado na Lei nº 8,842/94, Essa prática surgiu como uma estratégia capaz de provocar mudanças no modelo de atenção assistencial ao romper com o comportamento passivo das unidades básicas de saúde e estender suas ações à comunidade. Entre os seus ideais está a oferta de serviços à população e o fortalecimento dos princípios da universalidade, acessibilidade, integralidade e eqüidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

É importante que seja ressaltado, neste momento, que as visitas domiciliares não são novidade e nem exclusividade do PSF, uma vez que essa atividade é um instrumento  que pode ser utilizado por qualquer estabelecimento de saúde. Daí ser interessante notar que a relevância da integralidade na reorientação do modelo assistencial reside justamente no fato de ser esse, dentre os princípios do SUS, aquele que confronta incisivamente racionalidades hegemônicas no sistema, contrapondo-se a uma visão reducionista e fragmentada dos indivíduos.

Nesse cenário é que surge como proposição do Ministério da Saúde, o Programa Saúde da Família - PSF, proposta estratégica de reestruturação do modelo assistencial dominante que, em tese, integra o Sistema Local de Saúde - SILOS, constituindo-se em Unidade Prestadora de Serviços. Muda-se, assim, o objeto de atenção, que passa a ser a família, a partir do espaço em que ela vive, ou seja, o domicílio. A inserção da família como foco, de atuação na política de saúde, como propõe o PSF, entende a família como sujeito do processo assistencial de saúde, definindo o domicílio como um espaço social e histórico onde são construídas as relações intra e extra familiar e no qual ocorrem as lutas pela sobrevivência, pela produção e reprodução. (FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, 1994; BRASIL, 1996).

 

3. Estratégia da Saúde da Família

 

O Programa de Saúde da Família (PSF) surgiu em 1994 e atualmente, tem sido denominado Estratégia de Saúde da Família (ESF), não possui caráter programático, e sim características estratégicas de mudança do padrão de atenção à saúde da população. Com isso, as práticas da ESF visam ter como foco do trabalho a família e constitui uma prática que combate a fragmentação do saber e do indivíduo avançando para além da simples intervenção médica sob o corpo anátomo-fisiológico centrado no saber médico. Esse programa busca a integração com a comunidade, numa atuação interdisciplinar dos profissionais que compõem as equipes de saúde da família, buscando identificar os determinantes sociais do processo saúde-doença e intervir nestes, possibilitando uma transformação das condições de vida e saúde.

Como ícone no PSF, surge a Estratégia de Saúde da Família que é implantada no Brasil como proposta de reorientação do modelo de Atenção à Saúde para promover cuidado integral e de qualidade à saúde do indivíduo e sua família. Essa equipe de Saúde da Família deve oferecer alta resolutividade aos problemas do dia-a-dia da população, sendo encaminhadas às Unidades.

Contudo, para que o indivíduo seja sempre o centro do cuidado, valorizado em seu espaço físico e social, é necessário que as esferas de atenção à saúde estejam devidamente integradas, formando as redes de cuidado que acompanham o usuário em todos os níveis de atendimento à saúde. Assim, para que essa rede se construa de forma funcional, consistente e que tenha por objetivo a promoção do cuidado, faz-se necessária uma visão integrada e trabalho de equipe entre todos os níveis de atenção à saúde.

Torna-se óbvio que a implantação da Estratégia de Saúde da Família tem repercutido na assistência domiciliar, que passou de uma assistência pontual com conotações exclusivamente sanitárias, a ser parte de um processo de atenção continuado, integral e multidisciplinar no qual se realizam ações sanitárias, assistenciais de promoção e prevenção aderindo à vigilância à saúde. Daí a Vigilância ser uma área estratégica do Sistema Único de Saúde (SUS) que, havendo uma maior eficiência em suas ações levaria à redução da incidência e letalidade de diversas doenças reconhecidas como prioridades sanitárias. Daí a Vigilância ser uma área estratégica do Sistema Único de Saúde (SUS) que, havendo uma maior eficiência em suas ações levaria à redução da incidência e letalidade de diversas doenças reconhecidas como prioridades sanitárias. Assim, "a vigilância em saúde é uma nova forma de resposta social organizada aos problemas de saúde, referenciada pelo conceito positivo de saúde e pelo paradigma da produção social da saúde". (MENDES, 2001. P.243).

Por fim, é fundamental e necessário proporcionar assistência e vigilância a saúde no domicilio, dentro dos princípios do SUS, aos usuários do Serviço de Saúde por meio da ESF, através do atendimento, do acompanhamento domiciliar e da visita domiciliar, como instrumento capaz de possibilitar um assistir/intervir integral, planejado a partir da realidade do indivíduo/família.

Sobre Visita Domiciliar FONSECA e BERTOLOZZI diz:

 

A visita domiciliar ela permite uma aproximação com os determinantes do processo saúde-doença no âmbito familiar. Ou seja, a Visita Domiciliar é um instrumento que possibilita à enfermeira identificar como se expressam, na família, as formas de trabalho e vida dos membros, quais padrões de solidariedade se desenvolvem no interior do universo familiar e como estes podem contribuir para o processo de cuidado, cura ou recuperação de um de seus membros. Além de buscar a identificação dessa situação familiar, a sua prática compreende ainda entender as funções sociais, econômicas e ideológicas e de reprodução da força de trabalho da família na sociedade. (FONSECA e BERTOLOZZI, 1997).

 

 

Nessa perspectiva, a Estratégia de Saúde da família (ESF) prevê a utilização da assistência domiciliar à saúde, em especial, a visita domiciliar, como forma de instrumentalizar a equipe a efetivação de novas práticas para possibilitar o conhecimento da realidade de vida da população, bem como o estabelecimento de vínculos com a mesma; visando atender as diferentes necessidades de saúde dos indivíduos/família, preocupando-se com a infra-estrutura existente nas comunidades e o atendimento integral à saúde das famílias.

Sobre as práticas da atenção domiciliar o MINISTÉRIO DA SAÚDE expõe:

 

 

A atenção domiciliar à saúde é praticada por órgãos públicos e privada, e uma das formas de prestação destes serviços no setor público é por meio da ESF. As práticas atuais de saúde, dentre elas a ESF, visam reorganizar a atenção à saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família e, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros; rompendo com o comportamento passivo das unidades básicas de saúde e estendendo suas ações para e junto à comunidade, o que é viabilizado pelo atendimento domiciliar. MINISTÉRIO DA (SAÚDE, 2005).

 

 

 

Considerando tal viés, o trabalho interdisciplinar na ESF assume fundamental importância para a abordagem da saúde da família, em especial na assistência domiciliar à saúde, que envolve os profissionais e os indivíduos/famílias atendidas. Sendo assim, a práticas da assistência domiciliar pelos profissionais da ESF devem ser consideradas de modo a lhes revelar suas perspectivas, possibilitando uma reflexão acerca de sua prática profissional na ESF. Deste modo, temos a questão norteadora do trabalho: como é realizada a assistência domiciliar à saúde na ESF pelos profissionais de saúde, uma vez que a visita domiciliar não é algo realizado recentemente.

Por fim, na perspectiva da integralidade e promoção da saúde, o PSF projeta a família como unidade central de suas práticas, vista a partir do ambiente onde vive das suas inter-relações, estrutura e Dinâmica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).

Segundo EGRY EY& FONSECA o domicílio é:

 

Local privilegiado para o reconhecimento e desenvolvimento de ações direcionadas à saúde da família, considerando que neste âmbito ocorrem relações sociais que se constituem em riscos que concorrem para o adoecimento ou em potenciais que favorecem a sobrevivência e o enfrentamento de dificuldades. (EGRY EY& FONSECA, 2006, p. 233-239)

 

Dessa maneira, a visita possibilita a aproximação das dificuldades potenciais, socioculturais e relacionais das famílias, para enfrentamento de suas vulnerabilidades e produção de cidadania. Como também a visita evita ou deve evitar que aquele que tem uma dada necessidade precise se deslocar até a UBS para ser atendido, em situações em que a pessoa se vê e/ou está impossibilitada de se deslocar pela doença, por falta de tempo, por uma deficiência, em uma situação de desconforto, ou em casos considerados de urgência.

 

4. Visita domiciliar como instrumento de (re) significar a prática dos profissionais na ESF.

 

 

"O aparecimento do serviço de enfermeiras visitadoras no Brasil é marcado com o objetivo da prevenção" NOGUEIRA & FONSECA, (1977, 28-50). Em 1920, Amaury de Medeiros introduz na escola de enfermagem da Cruz Vermelha um curso de visitadoras sanitárias. Neste mesmo ano foi criado o serviço de visitadoras como parte do serviço de profilaxia da tuberculose. Tal iniciativa marca a inclusão da assistência domiciliar como atividade de saúde pública, uma vez que o serviço referido fazia parte do Departamento Nacional de Saúde Pública.

Dessa forma, a implantação da enfermagem moderna no Brasil se deu no bojo da reforma de Carlos Chagas. Neste período era realidade, a presença de epidemias e endemias que envolviam o Rio de Janeiro. Era visível a ineficácia dos serviços públicos e a indisposição dos médicos sanitaristas na realização de visitas domiciliares. Os médicos sanitaristas visualizavam o serviço de visitação domiciliária como pouco científico e inapropriado à sua posição social, tornando, a figura da enfermeira de saúde pública o cerne na execução desse modelo de assistência da época.

No Brasil a visita domiciliar era uma atividade prioritária para o combate às grandes endemias, onde o autoritarismo sanitário junto às famílias era empregado pelos agentes da época de maneira explicita. Essa visita era realizada pelas enfermeiras visitadoras, uma vez que os médicos sanitaristas apenas visualizavam o serviço, mas não a realizavam, pois a viam como atividade inapropriada para a sua função. Nesse período as visitadoras se utilizam da ordem médica e da autoridade sanitária para entrarem no domicílio e realizarem as visitas. Esse momento também era oportuno para a verificação do cumprimento das normas sanitárias.

Embora as visitas não seja uma estratégia nova no âmbito da saúde pública brasileira, atualmente, elas têm finalidades mais amplas e se tornaram bastante complexas. Antes, ela se  voltava para o cuidado do doente e aos fatores relacionados com a sua doença, sem preocupação com a família enquanto grupo social.

Segundo FRAENKEL (1998) "a enfermeira de saúde pública, em contato direto com as condições particulares de vida, ponto essencial para o sucesso de uma questão tão nitidamente pessoal como a higiene, foi considerada a mensageira da saúde" (FraenKel apud Fallante&Barreira, 1998, p. 75 )

Reforçando o exposto, BARREIRA apud FALLANTE&BARREIRA diz:

 

As atribuições da enfermeira de saúde pública são ditar os conselhos de higiene, detectar casos suspeitos de doenças contagiosas e encaminhar para tratamento, fazendo registros detalhados da situação desde sintomas às condições de saneamento; fazer cumprir os deveres de todos frente à saúde pública e vigilância rigorosa através das visitas periódicas e cobranças.( BARREIRA apud FALLANTE&BARREIRA, 1998. p.76-86)

 

 

Diante disso, fica evidente a utilização da visita domiciliar enquanto estratégia adotada para desenvolver ações que fossem eficazes na prestação de cuidados em nível curativo para modificar a realidade epidemiológica da época. Assim, o Brasil, como outros países da América Latina, vivia as mazelas da repressão política. Além disso, as visitas domiciliares eram atividades fracionadas e pautadas apenas em uma normatização funcional-positivista hegemônica. Com isso o modelo assistencial hegemônico em saúde, que tem uma construção histórica e social, ainda privilegia as ações curativas e individuais, com intervenções medicalizantes.

Falar de visita domiciliar é falar de atendimento integral à família observando as prioridades para prevenção, uma vez que esse atendimento integral deve está pautado também na educação em saúde. Daí, a necessidade de se efetivar a Visita Domiciliar na ESF, pois, é por meio dela que essa Estratégia presta assistência à família, acompanha e fornece subsídios educativos.

De acordo com LOPES et al. apud AMARO:

 

A visita domiciliar é utilizada pelos mais diversos profissionais, objetivando atender o indivíduo na sua integralidade. Daí decorre a importância de, nesta abordagem, trabalhar a interdisciplinaridade das profissões de forma fundamentada. Para isso, necessário se faz desconstruir a imagem estereotipada de que visita é coisa de leigos, cristalizada num empirismo desprovido de fundamentos. O ponto precípuo desta técnica é constituí-la e desenvolvê-la sobre bases éticas, humanas, mas também profissionais (LOPES et al. apud AMARO, 2008 p. 243).

 

 

De outro modo, acredita-se que os trabalhadores comprometidos com a saúde tem consciência da precarização dos serviços de saúde e do não atendimento das necessidades de uma parcela significativa de usuários relacionadas à integralidade, mas  estão buscando novas formas de organização do trabalho em saúde que possam contemplá-la, como a visita domiciliar.

Sobre visita domiciliar KAWAMOTO diz:

 

A visita domiciliar representa uma estratégia de atenção à saúde que engloba muito mais do que o simples fornecimento de um tratamento, se apresenta como um método que amplia a dimensão do assistir, não tendo seu enfoque na doença, mas na promoção, manutenção e recuperação da saúde do ser humano na perspectiva de sua família; além da busca da participação do paciente e seus familiares no processo do cuidado. (KAWAMOTO, 1995)

 

Assim, compreendemos que a visita domiciliar é um instrumento para (re) significar as práticas dos profissionais da Estratégia da Saúde da Família (ESF), pois ela sendo um instrumento de intervenção fundamental na saúde da família e na continuidade de qualquer forma de assistência e/ ou atenção domiciliar à saúde, é utilizada com o intuito de subsidiar intervenções ou planejar ações. Além disso, as práticas de saúde à família na visita domiciliar perpassam os muros dos serviços de saúde, pois a família em seu contexto passa a ser alvo de investigação da Estratégia de saúde da Família.

Por outro lado, os profissionais da ESF através da visita domiciliar subsidiam a intervenção no processo saúde-doença, a partir dos perfis epidemiológicos existentes na clientela adscritos na ESF, e, assim, planejar ações que visem à promoção da saúde da coletividade. Além disso, esses profissionais resgatam do indivíduo a importância da sua participação no contexto onde ele mesmo se constrói.

É interessante notar que, a visita domiciliar traz um novo (re) significar nas práticas dos profissionais da ESF, uma vez que essa visita é exercida junto ao indivíduo/família e é muito mais que simplesmente levar a equipe de saúde ao paciente com dificuldade de locomoção ou que realizar orientações com relação à higiene e alimentação. Esse novo (re) significar traz em seu bojo toda a influência da dinâmica familiar, do contexto sócio-econômico e cultural que envolve hábitos, costumes, crenças, etc. Dessa forma, a visita domiciliar é o meio eficaz de avançar na compreensão do contexto no qual os indivíduos estão inseridas.

Para tanto, esse (re) significar perpassa pela formação profissional e educação permanente, que deve estimular o trabalho em equipe, de modo a favorecer a interação entre os profissionais de saúde, como também a definição coletiva da assistência ao usuário como foco primordial das ações de saúde. Além disso, para prestar uma assistência integral , não podemos acreditar que seremos capazes de fazê-lo sozinhos. ( não sei se este parágrafo pode permanecer.)

Em outras palavras, falar de (re) significar as práticas desses profissionais é fazê-los conceber uma visão integral, seja na prestação de serviços, seja na produção de comhecimento.

Assim, com o (re) significar das práticas dos profissionais da Estratégia da Saúda da Família (ESF) também há a necessidade de os profissionais, atenderem o indivíduo na sua integralidade. Daí decorre a importância de, nesta abordagem, trabalhar a interdisciplinaridade das profissões de forma fundamentada.

           Sobre atenção à família SAKATA diz:

 

A atenção às famílias e à comunidade é o objetivo central da visita domiciliar, sendo entendidas, família e comunidade, como entidades influenciadoras no processo de adoecer dos indivíduos, os quais são regidos pelas relações que estabelecem nos contextos em que estão inseridos. Compreender o contexto de vida dos usuários dos serviços de saúde e suas relações familiares deve visar ao impacto nas formas de atuação dos profissionais, permitindo novas demarcações conceituais e, conseqüentemente, o planejamento das ações considerando o modo de vida e os recursos de que as famílias dispõem. (SAKATA, 2007)

 

Desse modo, para impactar sobre os múltiplos fatores que interferem no processo saúde-doença é importante que a visita esteja fundamentada no trabalho em equipe de saúde. Um dos pressupostos importantes da ESF é a percepção de que todas as formações são importantes e interdisciplinares. A troca de informações e conhecimentos sobre os perfis epidemiológicos e o estabelecimento de respeito profissional entre os integrantes no trabalho em equipe são imprescindíveis para uma resolutividade efetiva.

Para tanto, no (re) resignificar das práticas dos profissionais da ESF é "importante fazer o paciente perceber que ele é o maior responsável pelo seu sucesso e que o profissional é o coadjuvante na sua recuperação e restabelecimento de suas atividades" (MENDES, 200, p. 233-300).

É imprescindível notar que, a visita domiciliar é um instrumento para (re) signicar as práticas na ESF, contudo enfrentar essa questão não é simples, pois ela se insere no interior de um debate a ser encaminhado no âmbito dos municípios, em torno das finalidades e conteúdos das visitas, das condições existentes nos serviços locais à sua concretização, acerca das necessidades e responsabilidades dos usuários/famílias e das ESFs na produção da saúde, bem como sobre a participação dos municípios  na busca de seu próprio desenvolvimento e no enfrentamento de condições desfavoráveis de vida e saúde.

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CONSIDERAÇÕES PARA O MOMENTO

 

As noções de integralidade, tão presentes nas discussões sobre saúde coletiva na contemporaneidade fazem parte de um processo histórico das práticas em saúde nas quais se imbricaram constatações, convicções, ambigüidades e contradições.

Dessa forma, o princípio da integralidade como eixo norteador das ações de educação em saúde deve estar articulado à urgência de se corrigir a tendência de um agir em saúde fragmentado e desarticulado, embasado em uma postura autoritária, verticalizada de imposição de um saber científico descontextualizado e inerte dos anseios e desejos da população no tocante a sua saúde e condições de vida.

Evidencia-se, assim, a necessidade de se perceber a integralidade como princípio em vários níveis de discussões e das práticas na área de saúde, alicerçado em um novo paradigma preparado para ouvir, entender e, a partir daí, atender às demandas e necessidades das pessoas, grupos e coletividades.

Contudo, para se repensar novas modelagens assistenciais na integralidade do cuidado a saúde, há que se aprofundar o debate sob novos fundamentos teóricos, particularmente sobre a natureza do processo de trabalho, especialmente a sua micropolítica e a sua importância na compreensão da organização da assistência à saúde.

Por fim, existe a certeza de que os maiores beneficiados da atenção domiciliar à saúde serão os clientes e seus familiares, porque o cuidado passará a ser individualizado, humanizado, e, acima de tudo, contará com a participação do principal cuidador: o familiar ou o significante.

A partir dos referenciais teóricos estudados encontra-se que na política nacional delineada para a ESF e na prática concreta as visitas domiciliares tem se constituído especialmente em atribuição dos ACSs, cabendo aos demais profissionais a sua realização em situações específicas definidas. Assim, a visita é realizada, sobretudo pelos ACSs sendo estes os profissionais que estabelecem um maior vínculo entre os usuários/famílias e a ESF/equipe, Porém, o destaque dado ao médico(a) e eventualmente ao enfermeiro(a) atrela-se à compreensão de que estes estão mais preparados para as situações que destacam como passíveis de visita, coerentemente com as demandas de atenção clínica que possuem e com a importância social atribuída a esses profissionais (especialmente ao médico).

Não se pretende limitar a discussão sobre o tema proposto neste artigo, mas tem-se objetivo, sim, de chamar a atenção dos profissionais da área da saúde para uma nova concepção, um novo significar para uma estratégia de assistência à saúde inovadora, integralizada e pautada em uma percepção diferenciada sobre o processo saúde/doença, que contempla o indivíduo e seus familiares em seu domicilio, em cujo espaço as dimensões sociais e afetivas se efetuam.

Aqui, ainda coloca-se a relevância de debater em que medida a visita domiciliar tem contribuído para a reorientação dos processos de trabalho da ESF e de revê-la em suas finalidades, seus objetos, conteúdos, modos e meios de execução e em sua articulação com outros espaços. Além disso, a adoção de uma política clara para essa prática e de mecanismos para o seu monitoramento e avaliação alia-se à importância de melhor articulá-la ao trabalho local, dos demais níveis do sistema, de outros setores, instituições e práticas sociais.

Para tanto, parafraseando MAZZA (1994, p. 60-68) o desafio está em incorporar a visita domiciliar como atividade individual, familiar e comunitária dirigidos à solução de problemas da vida real, bem como olhar a visita domiciliar como um dos meios de se obter do indivíduo, da família e da comunidade sua participação no planejamento, na organização e no controle dos cuidados,.Com isso, tornará os sujeitos autônomos na participação das ações de saúde, como também compreender que a Visita Domiciliar é um momento de encontro que possibilitar um olhar atento às reais necessidades dos indivíduos/família, levando os profissionais a (re) significar as suas práticas profissionais.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

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MENDES W. Home Care: uma modalidade de assistência à saúde. Rio de Janeiro: Umiversidade Aberta da Terceira Idade, Uerj; 2001

 

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NOGUEIRA, M.J.C. & FONSECA, R.M.G.S. da. A visita domiciliária como método de assistência de enfermagem à família. Rev.Esc.Enf.USP, São Paulo, v.11, n.1, pp. 28-50, 1977

 

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/saude-artigos/visita-domiciliar-re-significando-a-pratica-dos-profissionais-da-estrategia-de-saude-da-familia-2824337.html

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    visita domiciliar

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    estrategia da saude da familia

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    Silvane dos Santos Matias

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    Analucia 29/12/2010
    Gostei muito do artigo. Essa realização da interface com visita domiciliar e os profissionais envolvidos no processo saúde-doença.
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