Soa Rumo À Orientação Para Serviços
Durantes estes últimos anos vimos a Arquitetura Orientada a Serviços (SOA) ancorar as mais diversas pretensões, muitas vezes distantes daquilo que realmente ela representa e do papel que pode desempenhar. O que temos visto é um modelo SOA praticado sem muito compromisso com a própria orientação para serviço e sem atenção para os negócios. Geralmente são cosmetologias sobre velhos paradigmas computacionais, refrescados de forma oportunista pelos agentes de mercado. SOA não vem sendo tratada como uma estratégia para equacionar os problemas estruturais da arquitetura de software ou ajustá-la às necessidades do negócio moderno como poderia se supor, mas simplesmente como uma oportunidade de venda. O mercado vale-se da desinformação que impera nos bastidores de TI e atua recolocando arranjos tecnológicos obsoletos, maquiados de modelos orientados a serviço. Muitos desses adornos jogarão suas amarras sobre as empresas, tomando de refém seu precioso orçamento por muitos longos anos.
Diante desse jogo SOA vem perdendo a consistência e enfrenta o desafio de recuperar seus fundamentos, redirecionando-se para o caminho no qual poderá agregar, fomentando uma Tecnologia da Informação compatível com os tempos atuais. O caminho a ser retomado deve obrigatoriamente afastá-la dos interesses exclusivos do mercado computacional, levando-a ao encontro dos interesses empresarias.
Dificilmente alguém conseguiria identificar os contornos do modelo SOA praticado no mercado atualmente. Não se distingue mais sequer o conceito de serviço que se pratica neste emaranhado de velharias que o SOA “mercantilista” se tornou: Monólitos em forma de ERPs magicamente transformados em provedores de serviço; ESBs construídos sobre antigos modelos de mensagem proprietários, tentando pousar como novidade; Idéias fantasiosas de reutilização de aplicativos legados, tentando perpetuar estoques de aplicações obsoletas, cravadas em modelos proprietários; Idéias arquitetônicas primitivas, esculpidas no caríssimo mainframe, ironicamente recolocados como base para uma suposta inovação. Neste rumo, as desilusões com SOA se somam, semelhantes às mesmas que aconteceram quando estas tecnologias falharam em um passado não muito distante. Tudo isto ilude a pseudo-engenharia de software prevalecente e investe sobre os orçamentos de empreendedores incautos, trilhando o caminho da frustração.
Prevalecendo este cenário, logo será muito difícil falar de SOA para empresários que tenham comprometido seus com orçamentos com modelos arquiteturais erguidos sobre bases falsas e cuja resposta efetiva para os negócios não apareceu. A menos que SOA retome a essência da orientação para serviços, logo cairá em descrédito irreversível, retrocedendo para o monopólio do mundo do mainframe. O desafio do momento é resgatar a identidade de SOA, reafirmando seus fundamentos e aquilo que de novo pode oferecer. Significa resgatar também as iniciativas de avanço na Engenharia de Software, sufocadas pelas amarras dos monopólios crescentes da indústria e sob os quais as formas de desenvolvimento de software não conseguem se renovar.
A aridez econômica é benéfica para SOA, pois aguça a visão crítica, resgata a prudência sobre o destino dos orçamentos, podendo libertar o software do rol dos artigos de luxo, pagos a preços extorsivos. A crise coloca SOA sob o desafio de se diferenciar, resgatando seu contraste com os antigos modelos que não mais respondem aos interesses empresariais. No flanco oposto atua um mercado monopolizado, com seu estoque de modelos obsoletos, de alto custo, que tentam se perpetuar bloqueando as iniciativas de inovação.
Os modelos orientados a serviço se diferenciam a partir do cenário dos negócios, oferecendo novas formas para a atuação dos participantes que provêm e requisitam soluções de TI para suporte aos negócios modernos. SOA materializa os novos paradigmas para a troca de soluções nos mercados digitais, aqueles que veem o software como serviço, a ser suprido por provedores especializados, possivelmente nas “nuvens”. Ao protagonizar este cenário, SOA recupera sua essência, perceptível no conceito de serviço, visto como a unidade geral de manuseio do software a ser provido. Aliada ao avanço arquitetônico, alinha-se a possibilidade de colocar TI ao alcance de um maior número de consumidores empresariais, democratizando seu uso para além do abastado gueto financeiro.
Colocada neste patamar, SOA se torna robusta, com muito a contribuir. A infraestrutura arquitetônica de um autêntico modelo orientado a serviços ratifica um mundo baseado na computação distribuída, de novas alternativas, custos reduzidos, variedade de fornecedores, que permita que a engenharia de software se renove, libertando os negócios das amarras do mundo monolítico do mainframe. SOA abre as portas para um cenário alternativo, onde o software como serviço dá o tom, sendo oferecido por inúmeros fornecedores, que hospedam a provisão da necessidade de maiores segmentos de mercado.
SOA deve redirecionar-se para ocupar o espaço onde agrega valor, que se materializa em um mercado de novos balizadores: padrões; quebra de monopólios; preços condizentes com o livre mercado; incorporação das largas faixas empresarias ante então excluídas; retomada da evolução da engenharia de software e melhores oportunidades para a indústria nacional. No momento em que SOA rumar para um efetivo modelo orientado a serviços, tudo isto poderá se realizar.
(Artigonal SC #1762726)
Palavras-chave do artigo:
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