Análise - Harry Potter And The Order Of The Phoenix (Ps3)
Não é mistério: games baseados em filmes sofrem com uma espécie de "maldição" que os relega a ficar quase sempre muito aquém das emoções da telona - uma das principais causas do problema é o tempo de produção reduzido, já que normalmente os jogos precisam acompanhar a estréia nos cinemas. Contudo, o bruxinho Harry Potter conseguiu fugir um pouco à regra (ou seria à maldição?), o que se repete em "Order of the Phoenix" ("A Ordem da Fênix", no Brasil.
A vida em Hogwarts
Com exceção dos para portáteis, a aventura é a mesma para todos os consoles e para o PC. Contudo, cada versão tira proveito das características de sua respectiva plataforma. No Wii há um extenso uso do controle remoto para a simulação da varinha mágica; no Xbox 360 e PlayStation 3 os gráficos são superdetalhados; no PC, Harry e sua trupe ganharam uma dublagem em português que, se não é perfeita, deixa o jogo mais divertido para nós, brasileiros.
Um dos motivos pelos quais "Harry Potter and the Order of the Phoenix" não se trata de uma mera adaptação tosca para os games é que em vez de se prender aos eventos do filme ele vai além, oferecendo ao jogador uma extensa aventura dentro do imenso universo criado por J. K. Rowling.
Finalmente, a Electronic Arts parece ter encontrado a fórmula ideal para um jogo da popular franquia. Em vez de forçar a barra e fazer de "A Ordem da Fênix" um jogo de ação e plataforma, como os anteriores, a desenvolvedora optou por um gênero mais adequado à série: aventura, aos moldes de "Shenmue", com muitos diálogos, exploração e minigames - guardadas as devidas proporções, é claro.
A história é a mesma do quinto livro e filme, em que Harry, já crescidinho, precisa recrutar um exército de bruxos em resposta às ordens da nova diretora da escola de Hogwarts, que se recusa a lecionar aulas de magia contra as artes das trevas. E com a eminente volta do Lorde Voldemort, os alunos sentem-se ameaçados e decidem aprender tais magias sozinhos.
Aqui, você vivenciará a rotina do bruxo e de seus amigos inseparáveis na gigantesca Hogwarts, passando a maior parte do tempo andando e vasculhando a escola, retratada com muita fidelidade aos livros e filmes, e apresentando todos seus aposentos: pátios, salas de aula, corredores, dormitórios e mais. E por mais estranho que pareça, é muito divertido viver o dia-a-dia do bruxo.
As tarefas vão das mais banais às mais interessantes, sempre envolvendo bate-perna, busca por itens e personagens, conversas aleatórias nos corredores e, ocasionalmente, batalhas com varinhas mágicas. Para auxiliar o jogador, há o Mapa do Maroto, um documento mágico que mostra a localização de todas as salas de Hogwarts, tal como a posição de todas as pessoas que se encontram na escola.
Se seu objetivo é visitar determinada sala ou encontrar certo personagem, basta selecionar seu nome em uma lista que o mapa mostrará para onde você deve ir. Mesmo com ele fechado, pegadas no chão indicam em tempo real o caminho a ser seguido, permitindo que você chegue a seu destino com facilidade.
Durante o percurso, é inevitável encontrar outros alunos pelos corredores de Hogwarts. A interação é bastante limitada, resumindo-se a uma troca de palavras entre o personagem protagonista e o figurante. Ainda assim, é divertido poder falar com todos, principalmente quando o figurante faz algum comentário maldoso com Harry.
O problema é que existem poucos modelos para os estudantes, resultando em situações bizarras como o encontro entre três ou mais garotas idênticas em um mesmo local. As telas de carregamento aqui são inexistentes, mesmo nas transições de grandes áreas de Hogwarts, deixando o jogo bastante dinâmico.
As centenas de objetos interativos espalhados pelos cenários impedem que o jogo caia na repetição ou torne-se enfadonho. São tarefas opcionais que quando realizadas lhe garantem pontos que aumentam o poder das magias de Harry e alguns troféus em uma sala de recompensas.
Existem quadros para serem encaixados de volta nas paredes, tochas para serem acesas, passagens secretas a serem descobertas, camas a serem feitas, dentre muitas outras coisas. E, obviamente, você terá que usar sua varinha mágica para realizar todas as ações.
"Wiingardium Leviosa"
Na versão para o Wii, os controles são os mais interessantes, com magias ativadas através de movimentos do próprio Wii-Remote. Puxando o controle para sua direção você lança o feitiço Accio, usado para atrair objetos, ao contrário de Depulso, que com o movimento oposto faz repelir o alvo. Reparo, lançado para consertar objetos quebrados, é feito com movimentos circulares; Reducto, com o movimento inverso, destrói o objeto.
Outros oito feitiços disponibilizados ao longo do jogo possuem seus próprios movimentos e servem para as mais variadas ocasiões, incluindo combates. Estes são esporádicos e, para falar a verdade, mais irritam do que divertem. Para se dar bem, é preciso prestar bastante atenção aos gestos e expressões do oponente, que indicam se o oponente atacará, defenderá ou se está perdendo - já que não existem barras de energia na tela. Nesses casos, porém, os comandos são lentos e o personagem nem sempre realiza a ação desejada.
Ver Harry acompanhando o mesmo movimento do jogador enquanto segura sua varinha mágica torna a realização dos feitiços muito mais prazerosa. Apesar das outras plataformas possuírem controles mais convencionais, realizar as magias funciona da mesma maneira, basicamente. No PC, os movimentos são transferidos para o mouse, enquanto no Xbox 360 e PlayStation 3, para o direcional analógico direito - o que inevitavelmente tira um pouco da graça do sistema de feitiços.
Compensando no visual
O ponto forte de "A Ordem da Fênix" para os novos consoles da Microsoft e Sony são, naturalmente, os gráficos, com qualidade muito superior às versões para PlayStation 2, Wii e PC. Os cenários são mais detalhados, possuem melhor iluminação, texturas mais definidas, além de modelos de personagens muito mais próximos dos atoreis reais. Outra vantagem é a taxa de quadros, superior à das outras versões, que trazem aquelas engasgadas constantes.
A dublagem em português da versão para PC tem seus altos e baixos. As vozes de Harry e Hermione, por exemplo, captam bem o espírito jovial e entusiasta dos personagens. A grande maioria dos personagens secundários, no entanto, possui vozes genéricas ou bastante forçadas, revelando um certo amadorismo.
A falta de adaptação de algumas piadas e expressões para a língua portuguesa também compromete o entendimento de certas passagens. Há falas que parecem simplesmente não fazer sentido, mas pelo menos tornam o jogo mais engraçado. Ao menos a Electronic Arts manteve disponível a excelente dublagem original, em inglês, que conta com as vozes de diversos atores do filme.
Feitiçaria divertida
"Harry Potter and the Order of the Phoenix" mostra como deve ser a adaptação de um filme para os games. É um jogo bom, concreto e divertido, principalmente para quem é fã da série. Explora o universo criado por J. K. Rowling como nunca nos jogos, apresentando uma mecânica sólida dos jogos de aventura - até agora, a que melhor combinou com a série. Só não deixe para assistir o filme depois de jogar, pois aqui o desenvolvimento do enredo é um ponto negativo.
(Artigonal SC #975978)
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harry potter and the order of the phoenix
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