Análise - Super Stardust Hd (Playstation 3)
Chega a ser irônico que, numa era em que os videogames de nova geração possuem tecnologia de ponta, alguns de seus maiores sucessos sejam títulos simples ou baseados em clássicos - "Geometry Wars" para Xbox 360, por exemplo. O PlayStation 3, da Sony, também seguiu a tendência, e já tem games do mesmo estilo, ou seja, jogos de nave com tiroteio livre.
Se "Blast Factor" não chegou a empolgar, "Super Stardust HD" consegue ser tão irresistível quanto "Geometry Wars". As semelhanças não param por aí: os dois títulos são uma festa para os olhos - o grafismo é completamente diferente, mas ambos sabem como fazer da tela um palco de um espetáculo de luzes e cores.
Bebendo da fonte dos clássicos
"Super Stardust HD" faz referência a muitos clássicos. Tem o sistema de atirar para várias direções como em "Robotron 2084", a sobrevivência em meio a rochas espaciais de um "Asteroids" e a liberdade de movimentos de "Time Pilot". Mas também introduz características de "shooters" modernos, como a variedade de armas e bombas.
O aspecto genial do game é que sua nave fica planando sobre um planetóide. Na verdade, o veículo fica sempre no meio da tela; o que se mexe é o próprio corpo celeste. Assim, o jogador tem a liberdade de se deslocar para todas as direções.
Os controles são simples: o direcional esquerdo desloca a nave, enquanto o direito é usado para atirar. Com isso, pode-se lançar projéteis para todos os lados, como em "Robotron 2084" ou "Geometry Wars". A arma serve basicamente para destruir os asteróides que ficam na órbita do planeta. Eles podem ser pequenos, mas isso é resultado do desmanche de uma rocha bem maior.
Tiros tricolores
O toque de modernidade fica por conta da existência de três tipos de tiros, que podem ser trocados através dos botões L1 ou R1. O rock crusher (verde) é eficiente contra pedras espaciais, enquanto a gold melter (vermelho) é boa para destruir os asteróides dourados. O ice splitter (azul) tem proficiência para quebrar objetos feitos de gelo. Tudo funciona com base em código de cores: basicamente, um alvo verde é sensível ao tiro dessa tonalidade.
Mas não se trata de uma camisa-de-força, pois qualquer tiro destrói os objetos. Muitas vezes, o jogador pode escolher um determinando tiro para certa situação, já que seu manejo é mais eficiente no momento. O tiro verde é o mais "normal", que, quando melhorado, passa a se espalhar como um leque. Já o vermelho é um jato de energia contínua e lembra um chicote. Por fim, o projétil azul tem a característica de ser rápido e concentrado.
Ainda, o jogador tem mais duas outras opções de ataque. O primeiro é a bomba, ativada com o botão R2. Contada, essa arma atinge a parte visível do planeta e destrói quase tudo que estiver em seu raio de ação. O segundo é a ativação de jatos (botão L2), que permite deslocar de maneira bem mais rápida (porém quase retilínea), ao mesmo tempo em que uma barreira protege a nave durante a supervelocidade. Aqui, o limitador é o aquecimento dos motores, que requer um intervalo de alguns segundos para serem usados novamente.
Transformando em pó espacial
Na maioria das vezes, o jogador estará limpando o planeta dos asteróides. Eles possuem um núcleo verde que revela itens, que vão de pontos até vidas extras. Há também um escudo e itens de melhoramento. A cor deste último item indica o tiro a ser reforçado. Quanto mais rápido destruir as pedras, maiores as chances de ganhar um item melhor. As bombas são repostas ao destruir um cargueiro.
De tempos em tempos surgem inimigos, cada um deles com uma característica diferente. Eles costumam ser bem mais traiçoeiros que os asteróides, fazendo movimentos bruscos. Derrotar uma leva desses oponentes é a condição para passar de fase. Cada planeta tem cinco estágios, sendo que no último há um confronto com um chefe.
O game começa tranqüilo, com apenas alguns meteoros aparecendo esporadicamente. Mas, com o passar do tempo, o ritmo vai ficando insano. Em alguns momentos, o planeta inteiro está tomado por pedregulhos e inimigos. O ritmo de aparição de obstáculos e de destruição é alucinante.
Espetáculo sideral
"Super Stardust HD" tem apenas um nível de dificuldade, mas os ajustes estão muito equilibrados. Definitivamente, não se trata de um título para jogadores casuais (apesar de começar bem simples), mas quem gosta de jogos de tiro terá desafios para dar e vender. Não é aquela dificuldade que elimina qualquer esperança: você sente que o game é casca-grossa, mas transponível. Mesmo que você perca, sempre dá vontade de "jogar apenas mais uma vez".
O senão fica por conta das poucas modalidades: no arcade, o jogador vai passando de planeta em planeta, até chegar ao quinto e último, enquanto no modo planet compete-se pela pontuação num único corpo celeste. A oportunidade perdida está no modo cooperativo: ela acontece na mesma tela e, sendo assim, o deslocamento pode ser limitado se os dois jogadores não andarem para a mesma direção. Parecia ser mais lógico (e bem mais divertido) que cada usuário tivesse sua visão, com tela dividida. Isso também abriria caminho para um modo online.
O visual é um show à parte. O que faz o espetáculo é a quantidade absurda de inimigos, asteróides, explosões, tiros e um sem-número de efeitos visuais. É difícil acompanhar tudo que se movimenta na tela, mas para quem está assistindo é tudo um prazer. Se já é bonito numa TV comum, fica ainda melhor em alta resolução. A tela flui suavemente, apesar de tropeçar um pouco em algumas raras ocasiões. A parte sonora acompanha o dinamismo do game, abastecendo-o com trilhas enérgicas (que emulam o estilo de títulos clássicos) e sonoplastia vigorosa.
Insira mais uma ficha
"Super Stardust HD" é, até agora, o melhor título que se pode comprar pela PlayStation Network, a rede online do PlayStation 3. Apesar de pecar pelas poucas opções de jogo e ter um multiplayer bem abaixo do que se poderia ser, os US$ 8 são bem aproveitados num título de muita movimentação e alto desafio, mas daqueles tão irresistíveis que o jogador não pensa duas vezes em tentar novamente.
(Artigonal SC #975974)
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super stardust hd
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