Redação técnica e científica

22/11/2010 • Por • 493 Acessos

Não basta ter bons computadores para redigir um bom texto técnico ou científico. É necessária a colaboração do revisor de textos. Há alguns fatos conhecidos sobre a redação técnica e científica. Na verdade, são generalizações mais que qualquer outra coisa, mas você vai ser mais impressionado se eu chamá-los de fatos:

  1. Pessoas que trabalham em áreas técnicas têm dificuldade para escrever as coisas claramente.
  2. Em consequência, a escrita técnica tem tendência a ser terrível.

Em alguns casos, a má qualidade da redação técnica ou científica é resultado da falta de objetividade ou dos ruídos das informações que o autor detém. Se você é um técnico ou cientista e gastou longos anos de estudo no objeto de seu trabalho, isso vai dificultar a escrita do texto que explicará ao grande público o que é ou como funciona o que você fez tão bem. Quem não conhece o jargão da área e todo o processo de pensar e desenvolver aquele produto terá dificuldade de separar do texto as informações de que necessita. O resultado é um manual ruim, obscuro ou um texto explicativo que confunde. Algumas pessoas que trabalham na área técnica ou desenvolvem pesquisa científica não se comunicam bem com quem não é de seu ramo. Isso inclui escrever mal, infelizmente. Quem está altamente envolvido em ambientes de servidores, TI – por exemplo – pode não ser capaz de apresentar eficazmente todos os prós e contras da virtualização. Ou pode ser capaz de dizer prós e contras, mas não de forma coesa e interessante. É em situações como esta que um escritor profissional ou o revisor de textos deve ser solicitado a colaborar. Para explicar prós e contras de ambientes de computação em nuvem ou escrever um guia para iniciantes para determinado produto, a combinação da experiência profissional de redação com conhecimento das normas de escrita pode fazer a diferença entre produto ou serviço ser bem sucedido, ou fracassar. A escrita técnica é cheia de jargões e tecnicismos e, às vezes, isso é bom. Ninguém quer um guia de firewalls Cisco, por exemplo, escrito de tal forma que poderia perecer leitura cotidiana, afinal, não é um assunto cotidiano. Jargões e frases técnicas são frequentemente necessários para um documento técnico. Depende do público a que se destina. Mas um guia para a escolha de um provedor de hospedagem de site precisa ser escrito de tal maneira que possa ser bem compreendido pelos leigos no assunto. A escrita técnica e científica pode ser bastante desastrosa por incompreensão quanto ao público-alvo. Ela pode ser terrível por causa da falta de objetividade. E isso pode ser muito ruim, porque a pessoa que escreveu não formulou o texto tendo em vista o leitor. Em qualquer caso, um revisor de textos profissional é necessário para ajudar a resolver as questões linguísticas e melhorar a compreensão do texto. O autor precisa ter conhecimento suficiente sobre o assunto para dar a profundidade e abrangência necessária. O revisor do texto precisa ter o domínio completo da ferramenta de comunicação (o texto) e a visão do ponto de vista do leitor final. O melhor autor técnico do mundo está propenso a prejudicar seu trabalho se o texto decorrente dele não o apresentar adequadamente, se ele não domina completamente a mídia comunicacional. É necessário que cada autor técnico e científico reconheça que, assim como ele domina seu campo de conhecimento, o texto é um campo de conhecimento de outro profissional: o revisor de textos, um técnico e cientista da língua que pode aperfeiçoar a comunicação sobre o produto de modo eficaz.

Adaptação e revisão de: Porque é que a escrita técnica tão terrível assim? [Eis um exemplo do que o texto diz.]

Leia no blog da Keimelion:

A atividade do revisor de textos - Erros comuns em descrição de procedimentos - Informações sobre revisão de textos

Perfil do Autor

Públio Athayde

Nasci, o parto foi natural. Tentaram me educar, hoje eu mesmo tento. Fiz o que todo mundo faz, até os 14 anos; como ninguém conta, eu também não. O resto só fui fazer depois de formado. Fui educar os outros, nem tive o mesmo sucesso dos que tentaram comigo. De 1961 em diante, queria que os anos tivessem 11 meses, detesto dezembro. Plantei árvore, cortaram. Escrevi livros, publiquei, não compraram. Compus uma música, gravei – mas até eu esqueci a letra. Pinto, mas nunca vendi nada. Quando estive em Paris nevava e chovia; em Lisboa, de tarde, arrefecia; Roma continuava cheia de romanos – me disseram que os bárbaros tinham tomado a cidade, mas acho que não. Sempre que posso esqueço o que ia dizer. Só lembro o nome das pessoas quando não preciso. Não sei de cor nenhum poema todo. Tenho medo de tédio e de solidão.