Turísta Mesocêntrico e Destinos Turísticos

29/09/2010 • Por • 995 Acessos

Turísta Mesocêntrico e Destinos Turísticos

  1. Introdução

 

O mundo se encontra numa nova era, a da informação, onde a maiorias dos acontecimentos, de alguma forma, transmitam quase que imediatamente, para quase todas as partes do globo como a copa do mundo de futebol; milhares - ou até milhões - de pessoas se mobilizam, se programam para acompanhar cada dia do evento. Caindo para o lado do turismo, esses tipos de eventos, são como minas de ouro. Muitas pessoas viajam, querem ver os jogos no lugar onde eles acontecerão, se hospedam, comem, compram souvenires, enfim, consomem quase de tudo no local do evento, gerando divisas, auxiliando na economia local.

Se falarmos sobre eventos globais de esportes, poderemos citar inúmeras características positivas, mas, ao passo que esses trazem divisas, eles contem um grande e terrível problema; A Copa do Mundo de Futebol acontece de 4 em 4 anos, e sempre em um lugar diferente, o que do ponto de vista do turismo pode ser fatal. Podemos pegar como exemplo a sede dos jogos de 2010, a África do Sul. Depois dos jogos, quem utilizará os estádios? Quem se hospedará em tantos hotéis que construíram? Enquanto os bares, bistrôs, pubs, cafés que se multiplicaram, quem vai usufruir?

O ponto aqui não é exatamente a questão do evento, da infra-estrutura bem ou mal planejada, e sim sua sazonalidade, que é um fardo para quem trabalha no ramo do turismo, pode ser o ramo da economia que mais se depara com isso, e para conseguir driblar essa dificuldade, trabalha em vários caminhos para amenizar seus efeitos.

Uma delas é trabalhar com meios alternativos, como trabalhar com ecoturismo, turismo rural, de eventos, gastronômico, entre outros.

O que é mais difícil de lidar quando se trabalha com meios diferentes dos habituais, se tratando de relação com pessoas, é encontrar meios de "convencê-las" de visitarem esses pontos e/ou atrativos turístico.

 

  1. Os Destinos Turísticos e a Sazonalidade

Muitos destinos turísticos têm por característica, trabalharem em época de "alta temporada", que são nada menos que um determinado tempo, onde a atividade turística é propícia, por conta de recursos naturais – Aruanã, que recebe a maior parte de turistas no mês de julho, que é a época do ano onde as águas do rio Araguaia estão mais baixas, e surgem praias próximas a cidade – eventos culturais – festival de cultura de São Jorge – Alto Paraíso/GO, FICA (Festival internacional de Cinema Ambiental) na Cidade de Goiás e Canto da Primavera na cidade de Pirenópolis – ou eventos acadêmicos – Compex/UFG campus Samambaia em Goiânia – entre tantos outros, onde o trade turístico recebe mais divisas, ou seja, o setor se sustenta devido à quantia adquirida durante esse período de "alta temporada".

Levando em conta esse período sazonal, temos em vista a onda de turistas nesses locais, que se acentua devido exatamente ao curto prazo. A sazonalidade se caracteriza não somente pelo pequeno espaço de tempo em que o destino em si recebe mais turistas, mas também pelo fato de concentrá-los nesse período, e devida essa concentração os viajantes sentem a necessidade de explorarem ao máximo o que esse destino pode oferecer, e acabam que por um motivo ou outro, transformando de alguma forma o local onde visitam.

 

 

  1. O Turista Mesocêntrico

 

Plog (1974) na busca por classificar a demanda turística em tipos psicográficos, definiu turista mesocêntrico como aquele que:

"Demanda os lugares da moda, busca satisfação no outro, diversão é a maior motivação, procura lugares muito movimentados e com boa infra-estrutura turística, viaja em grandes grupos, e possuí uma faixa de renda média. É o maior grupo da população, geralmente responsável pela massificação do turismo nas destinações."

 

Observando essa definição, e percebendo a realidade da maioria dos destinos turísticos, é fácil perceber que os grandes centros onde se encontram a maior parte dos turistas, estão repletos na verdade, dos mesocêntricos, encorajados pela sensação de aproveitarem ao máximo do lugar.

Tendo em vista essa realidade, podemos analisar a questão de que esse turista, pode se tornar o principal vilão de um destino tido como tradicional.

Pegando exemplos mais próximos: no feriado de carnaval, milhares de pessoas viajam para festejar e aproveitar os dias de folga em cidades históricas como Ouro-Preto, Cidade de Goiás e Pirenópolis, que já mantêm a tradição de receber uma gama de turistas durante esse feriado.

Ano após ano, é computado um aumento geométrico no número de visitantes, causando um turismo caracterizado pelo grande volume de turistas que causam transformações em grande escala.

Em visita à cidade de Pirenópolis¹ (Carnaval) e Ouro-Preto² (Corpus Christi), nota-se, que durante o dia, ambas as cidades se encontravam em estado de degradação – lixo espalhado no chão além do odor de bebidas alcoólicas e detritos humanos que se exalava nas ruas à luz do sol - devido à ação dos turistas que lá estiveram nas noites anteriores. Isso comprova a idéia de que as ações desses tipos de turistas podem refletir negativamente para o turismo nas cidades em questão.

Dar atenção aos destinos turísticos já existentes e que possuem tradição como tal, e com o turista que os visitam, é de suma importância para manter esses vivos.

GAZONI, CARVALHO, FERREIRA, SANTIAGO e VILLELA (2006, p. 5) observaram em pesquisa, que o destino vai perdendo suas características originais devido ao atendimento da demanda mesocêntrica. Neste momento, a maioria dos turistas alocêntricos e semi-alocêntricos começam a optar por outras destinações que mantém suas características originais.

Desse modo,é preciso entender que o turista consome os atrativos do destino, e dos recursos que nele existem, e por isso, para ter satisfação do serviço, deseja que suas necessidades sejam atendidas, e ao mesmo tempo, deseja que sua estadia no lugar onde está visitando seja a mais tranqüila possível, ou seja, a ação de um grupo de turistas, no caso aqui os mesocêntricos, pode iniciar um sentimento de repulsa por parte de outros turistas, onde acaba refletindo no lugar visitado – o destino turístico – a medida que o numero de turistas não pertencentes ao grupo dos turistas mesocêntricos abaixa em detrimento dos pertencentes, observando as ações de um grupo intimando os outros (todos os outros grupos de turistas que fogem das características dos mesocêntricos).

 

 

 

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¹. Visita realizada por um dos membros do grupo à cidade de Pirenópolis no período de feriado de Carnaval.

². Visita realizada por um dos membros do grupo à cidade de Ouro-Preto no período do feriado de Corpus Christi.

  1. Conclusão

 

Com o crescente numero de viagens, torna-se preocupante o crescimento do dito grupo de turistas mesocêntricos nos destinos turísticos, assim como suas ações durante sua estadia, e as conseqüências desses atos sofridas não só pelo local – se tratando do ponto de vista socioambiental – mas como também as conseqüências sofridas pelo trade.

Se não vista com seriedade, poderemos nos deparar com uma situação nada desejável para a atividade turística. O numero de turistas mesocêntricos pode aumentar de tal forma que os destinos que os recebem não conseguirão enfrentar as conseqüências. Os destinos podem se encontrar numa situação de degradação tão alta, que deixarão de receber turistas, se tornando uma paisagem esquecida, e falida no que tange as especificidades do trade turístico.

 

 

 

Referências.

 

PLOG, Stanley. Why Destination Areas Rise and Fall in Popularity. Cornell Hotel and Restaurant Administration Quarterly, V. 14, n. 4, 1974, pp. 55-58.

 

GAZONI, Jefferson L. CARVALHO, Denise. FERREIRA, Licidio. SANTIAGO, Iris. e VILLELA, Adriana. Percalços no Caminho ao Paraíso: Repercussões Socioambientais do Turismo em Pirenόpolis-GO. Brasília, 2006. p. 5.

 

 

Esio Rocha

Yuri Guminiak

 

Perfil do Autor

Esio Rocha Santos

Estudante de Planejamento Turístico no IFG de Goiânia.