Quem Vê Cara, Não Vê Coração

03/02/2010 • Por • 215 Acessos

“QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ CORAÇÃO".

Acredito que este dito popular traga com êle uma grandeza de valor inestimável para todos nós que militamos no comércio e nos serviços de atendimento ao público. 

Certa vez cheguei mais tarde um pouco à concessionária, em razão de uma consulta médica. Creio que eram por volta das 14 horas.

Chegando ao trabalho perguntei aos amigos de plantão: Como está o dia? De imediato ouvi de um companheiro; “ um caminhão lotado de melancias, capotou ali na esquina- tem muito caroço espalhado por aí e, eles estão chegando aqui”.

Confesso que não me agüentei e me pus a rir muito, pois ele estava indignado com os clientes que havia atendido no período. Outro companheiro que presenciou a confissão do colega emendou de pronto: “acho que capotou também um caminhão de jaca – é cada caroção” um maior do que o outro”.

Confesso que certas vezes já cheguei a pensar em algumas vezes da mesma maneira. Mas num desses dias resolvi parar e refletir me pondo a filosofar; “toda árvore um dia foi caroço”.Precisou apenas ser plantado e cultivado.

Assim decidi que  se a cada dia atendesse apenas um caroço e me dedicasse a planta-lo mesmo que isto levasse o dia todo, talvez conseguisse realizar mais uma venda. Desse dia em diante passei a dedicar  tempo ao clientes chamado “DIFÍCEIS “CAROÇOS” e, percebi que estes eram aqueles que não tinham uma idéia bem definida sobre que modelo pretendiam, outros não tinham idéia de quanto custaria mensalmente uma aquisição, enquanto outros estavam fazendo planos para o futuro uns mais próximos enquanto que outros para um futuro mais distante.

Se eu não tivesse lhes dado a devida atenção, deixando-os sem informações, não querendo conhecer sequer os seus nomes, suas profissões, seus ideais, seuas atividade profissionais e suas possibilidades financeiras, estaria jogando fora algumas sementes saudáveis. Estaria realmente desperdiçando potenciais. Isto mesmo potenciais Clientes.

Me lembro perfeitamente de uma oportunidade em que estava acompanhando um novo companheiro de trabalho que estava em treinamento, quando dois rapazes trajados com sapatos empoeirados, calças jeans e, camisetas entraram no Show Room e começaram a admirar os veículos expostos, observando-os em detalhes. Conversavam muito entre si, abriam portas, sentavam nos carros nas posições de motoristas e passageiros, apreciavam painéis,simulavam mudanças de marchas e tudo o mais que podiam. Eu de minha parte disse ao novo companheiro em treinamento “ uma dupla de caroções”. Vocêu quer apostar comigo que se formos até lá, eles vão perguntar o preço de cada um e, vão se fixar no modelo mais caro o “TOP DE LINHA”. Feita a aposta nos dirigimos aos “Cosme e Damião” dos caroços. Com certo desprezo perguntei: de qual modelo gostaram mais ? Como havia dito ao companheiro em treinamento; o modelo Top de linha foi a escolha da dupla. Sem pestanejar perguntei ;  Então é este modelo que pretendem comprar? A resposta foi afirmativa e seguida da célebre pergunta ; “quanto custa”? Mais rapidamente ainda respondi: “Se for pra fechar negócio, faço por X mil reais ( apresentei um valor acima do preço publico sugerido ). Em seguida um deles me disse : se fizer por X mil eu levo.Pago agora e levo amanhã. Atrevidamente e com descaso afirmei de pronto. È teu se pagar agora. Pra minha surpresa ele me disse : então vamos lá. Ainda sem muito acreditar naquilo que pra mim era piada, me dirigi na mesa de negócios, solicitando identidade CPF para no terminal de computador fazer a proposta de vendas. Para minha surpresa quando perguntei a ele qual era sua profissão ele me respondeu com um sorriso de orelha a orelha; sou garimpeiro. O companheiro dele de imediato emendou; cara de sorte esse meu amigo. Achou um pepitão de ouro lá no garimpo.Ficou rico da noite pro dia.

Confesso que não sabia onde enfiar a cara. Não estava apenas envergonhado, estava verdadeiramente me sentindo um perfeito idiota. Continuando a conversa com eles não parava de me lembrar o que meu pai me dizia; “QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO". Assim quebrei a cara, perdi a aposta e aprendi a não desprezar nenhuma hipótese de atendimento, esteja quem for, jovem, adulto, bem vestido, mal vestido, feio, bonito. Aprendi que caroço germina e se transforma em arvore frondosa e de bons frutos.

Sintetizando afirmo “tratar a todas as pessoas, da mesma maneira que gostaria de ser tratado, é o caminho. Invista bem todas as horas disponíveis de trabalho acredite em seu potencial de trabalho, não jogue fora as oportunidades que surgem, pois muitas delas aparecem travestidas de caroços, pregos, caroços, pesquisadores e outros tantos adjetivos que bem conhecemos.

Perfil do Autor

Orlando Ferreira Ribeiro

Formado em Pedagogia pelo Centro de Ciencias Humanas e Sociais do Instituto Isabel -RJ, desenvolveu Programas de Treinamento e Desenvolvimento de Pessoal em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. Atuou em Treinamento e Desenvolvimento Gerencial, como palestrante e instrutor, atuando em todo o território nacional.No comércio atuou como vendedor de veículos novos por 20 anos, tendo ocupado no segmento posições de Gestor de equipes, inclusive no Pós-Vendas.Possuidor de espírito dinâmico e criativo, não se conforma com a comoditização de posturas e metodologias de gestão e ação. Acredita que o melhor é algo efêmero e sujeito a constantes aperfeiçoamentos é comunicativo, vibrante com aquilo que faz pois, atua com elevados graus de motivação, entusiasmo e fé.   .