Relaxamento Psicofísico Na Terceira Idade

Publicado em: 29/04/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 1,185
RELAXAMENTO PSICOFÍSICO NA TERCEIRA IDADE

 

 

MARCIO RODRIGUES BAPTISTA - CREF 2877/RJ

 

 

 

  • Mestre em Motricidade Humana- UCB-RJ
  • Mestre em Yoga
  • Especialista em Bases Biomédicas na Prescrição do Exercício
  • Membro do Yoga Research Foudation- Miami- USA
  • Pesquisador do LABIMH-UCB/RJ
  • Diretor de Cursos e Pesquisa do GDLAM/RJ
  • Docente do curso de Educação Física da Unisuam e Universidade Veiga de Almeida,  Pesquisador do LEEFEL– Unisuam/RJ

 

 

AUDREY S. ALVES – CREF 3325 G/RJ

 

 

 

 

  • Mestranda em Ciência da Motricidade Humana –UCB -RJ
  • Professora de Yoga
  • Especialista em Musculação e Fisiologia do Exercício
  • Graduada em Biologia   - UNIVERSO
  • Graduada em Educação Física -UNISUAM
  • Pesquisadora do LABIMH –UCB
  • Docente de pós-graduação e Cursos em Fitness e Yoga
  • Instrutora de Rapel e Esportes de Aventura

 

 

  1. INTRODUÇÃO

 

     O relaxamento deve ser abordado holisticamente e não diferenciado, devido sua relação direta com as emoções, que geralmente são reflexos das interpretações de cada indivíduo, que servem como um alerta do que está acontecendo em nossas vidas, pela interpretação das situações já vividas, pelas manifestações e interpretações atuais, que nos leva às adaptações psicofisiológicas.

      Quando pensamos em medidas de relaxamento, às vezes torna-se difícil a compreensão, porém sabe-se que controlar todas as respostas emocionais, físicas e fisiológicas, decorrentes das situações que necessitam de adaptações, é primordial na manutenção e promoção saúde, bem-estar e qualidade de vida do ser humano.    

     O relaxamento pode ser compreendido pela execução de inúmeras técnicas, aplicadas unicamente ou em conjunto, cujo um dos objetivos é reduzir os níveis de distress e ansiedade, através da relaxação muscular e do equilíbrio emocional, que pode ser treinado, ou seja, a capacidade de um indivíduo poder relaxar, pode ser considerada e análoga, à  valência física denominada de descontração parcial e total, que, segundo Tubino & Moreira (2003); Dantas (1998),  descrevem como a qualidade física eminentemente neuromuscular, oriunda da redução da tonicidade da musculatura esquelética, podendo ser total, quando o relaxamento ocorre em nível global, e, parcial ou diferencial, quando ocorre a relaxação de determinados segmentos corporais, quando o indivíduo está em movimento, qualidade esta, fruto de uma conscientização motórica.

      Esta valência física pode e deve ser treinada desde a infância até a terceira idade, objetivando o contínuo controle do distresse, que com o passar dos anos, com o acúmulo da sobrecarga psico-emocional, principalmente pela somatização dos inúmeros problemas do cotidiano, podem ser acentuados, tornando-se causas de inúmeras enfermidades e doenças, podendo levar o idoso à morbidade e até mesmo à morte. Na terceira idade, as alterações orgânicas podem desencadear vários desequilíbrios psicofísicos, pois um idoso relaxado pode ter o mesmo comportamento hormonal de um jovem estressado, pois com o avanço da idade, os níveis hormonais se alteram, por exemplo: a produção de adrenalina é maior, os hormônios tireoidianos diminuem, a produção de melatonina se reduz, refletindo na qualidade do sono e outros mais; estas alterações são normais no processo do envelhecimento, que são aumentadas de acordo com o perfil psicológico de cada um, que já vem desde a infância e a vida adulta, que quando não tratada e/ou controlada tornam-se um fator significativo na redução da saúde e qualidade de vida dos idosos. 

     O United States Census Bureau (2002) estima que haverá 70 milhões de pessoas com idades acima de sessenta e cinco anos até 2030 no mundo todo, sendo assim, podemos notar a necessidade de promover uma vida com mais qualidade, em todos os sentidos, neste capítulo ficamos apenas com as técnicas que possam controlar os níveis de distress e ansiedade, ícones carreadores da depressão, que é a pior doença emocional que um indivíduo pode ter, pois acarreta inúmeras conseqüências negativas, podendo levar a morte facilmente.

     Segundo Greenberg (2002), as Crises da Vida e as Tarefas em Desenvolvimento, corroboram no perfil psicológico de um indivíduo de mais idade, podendo ser controlada ou atenuada conforme a percepção do mundo e o seu papel dentro deste processo. Eric Erikson apud  Greenberg (2002), descreveu oito estágios de vida referentes às Crises da Vida, o oitavo estágio concerne à crise da terceira idade, ou seja, pessoas com sucesso neste estágio possuem uma nítida compreensão de sua identidade, souberam lidar com os fracassos e sucessos ao longo de suas vidas, a morte não é o fim de tudo, já as pessoas que não superam esta crise, geralmente entram em desespero, adquirindo e somatizando a ansiedade, o rancor, as frustrações e a depressão. Outros fatores significativos estão descritos nos estudos realizados por Robert Havighurst           (1972) apud Greenberge (2002), “que compreende a vida como uma série de tarefas a serem desenvolvidas, que devem ser dominadas com maestria antes de avançarmos para a próxima etapa do desenvolvimento” , as conquistas positivas levam ao sucesso e a felicidade, enquanto os fracassos levam à infelicidade pessoal.  O mesmo autor sugere as principais tarefas a serem desenvolvidas pelos idosos, para que os mesmos não sofram emocionalmente suas conseqüências, as tarefas são: o ajuste na redução da capacidade física e saúde; o ajuste na aposentadoria e na redução financeira; o ajuste à morte do cônjuge, amigos e familiares; o equilíbrio nas relações com pessoas da mesma faixa etária; o cumprimento de suas obrigações cívicas e sociais; e por fim o estabelecimento dos ajustes físicos satisfatórios para a vida cotidiana.        

     A redução da autonomia funcional e da qualidade psicológica, decorrentes do envelhecimento, podem ser minimizadas pelas inúmeras atividades físicas e alternativas, adequadas e propostas aos indivíduos senescentes, contribuindo tanto fisicamente como psicologicamente na prevenção dos desequilíbrios psicofísicos, como também na complementação dos tratamentos médicos e farmacológicos, claramente de acordo com cada caso.  

     Logo, a importância da atividade física para a terceira idade é de suma importância, pois reflete em outros aspectos secundários, de caráter social, afetivo e psicológico, contribuindo na saúde e qualidade de vida dos mesmos.    Como este capítulo focaliza apenas a importância do relaxamento, descrevo apenas sobre as definições, objetivos, técnicas, pesquisas realizadas e a testagem em idosos a nível psicológico decorrentes de diversas técnicas físicas e alternativas que visem tanto o relaxamento ativo quanto o passivo.  

 

 

2.    O RELAXAMENTO

 

2.1. DEFINIÇÃO E OBJETIVOS

 

      O relaxamento pode ser considerado como um método de condicionamento e recondicionamento psicofisiológico, necessário na descontração física e no controle sistemático das emoções, que por vários motivos, encontram-se manifestados nos estados de tensões exageradas, onde várias técnicas são utilizadas, desde a mais antiga, oriunda do Yoga, até a mais atualizada, em que a tecnologia é coadjuvante, tendo como exemplo o biofeedback. Através do relaxamento, cuja meta é proporcionar um estado de tranqüilidade e homeostase, refletindo nas diversas situações cotidianas, favorecendo na compreensão de sua posição na vida, na tomada de decisões e nos relacionamentos com a sociedade e consigo mesmo. O treinamento do relaxamento é promotor da melhora do relacionamento consigo mesmo e com o mundo, da compreensão melhor dos comportamentos de cada indivíduo, do enfrentamento das diversas situações estressantes e das  tensões físicas somatizadas, tornando o indivíduo mais seguro e confiante em si mesmo, capaz de realizar adaptações mais sólidas e equilibradas no que concerne aos processos de convívio dentro de uma sociedade cada vez mais estressada, violenta e competitiva, que deixa o homem moderno cada vez mais tenso psiquicamente e fisicamente, obviamente que varia da idiossincracia de cada Ser.

     A forma de relaxar e descontrair, às vezes é subjetiva, de caráter também individual, ou seja, os momentos de lazer diferem em cada indivíduo; uns preferem ir ao cinema, à praia, assistir um jogo, ingerir bebidas alcoólicas com os amigos ou sozinho, ingerir drogas, e assim por diante; cada um tem uma forma de relaxar; mas será que todas estas formas realmente promovem o relaxamento psicofísico ou apenas camuflam e até mesmo pioram o estado de tensão emocional? Todos os meios e métodos nem sempre são os mais indicados, pois podem prejudicar profundamente a saúde do indivíduo.  Tratando-se de idosos, a forma metodológica de promover um relaxamento deve ser de forma ativa e passiva, ou seja, o relaxamento ativo e prazeroso, de caráter sócio-afetivo, deve ser realizado também, através de atividades físicas em grupo, passeios, viagens e eventos em grupos, focalizando o convívio social, mantendo o idoso inserido no contexto social, afastando-o do abandono social.  Já o relaxamento passivo, que é realizado por técnicas de relaxamento, também deve ser feito, colaborando no bem-estar psicofísico do grupo da terceira idade, sendo assim, é necessário equilibrar os tipos de relaxamento, ou seja, utilizar tanto o relaxamento ativo como o passivo.    

     A aplicação das técnicas de relaxamento foi originada pela filosofia e ciência do Yoga no oriente, também utilizada em varias técnicas e atividades alternativas,            

oriundas do oriente. Atualmente a medicina reconhece as técnicas de relaxamento como um processo restaurador e complementar da saúde humana, que é aplicada em diversas áreas, como por exemplo: na psicoterapia; na fonoaudiologia; na reabilitação; na terapia ocupacional; nos processos ensino-aprendizagem da área pedagógica; das artes teatrais; da assistência social; do esporte; das atividades físicas e da religião também. Todas essas áreas proporcionam em seus adeptos, uma melhora em seu perfil psicofísico, principalmente aos indivíduos da terceira idade, que são alvos de tantas tensões emocionais acumuladas ao longo de suas vidas.

 

Os principais efeitos do Relaxamento (DANTAS, 2001).

 

1-Redução e/ou normalização da pressão arterial;

2-Queda do metabolismo basal, devido à redução do consumo de oxigênio;

3-Equilíbrio do ritmo cardíaco;

4-Redução da fadiga física e mental;

5-Equilíbrio das funções orgânicas;

6-Aumento da imunidade;

7-Redução da ansiedade e do stress;

8-Redução dos níveis de lactato no sangue;

9-Redução da sensação de dor.

 

 

* Freqüência das ondas cerebrais

-acima de 14 ciclos /segundo = vigília = (Beta)

-entre 7 c/s a 14c/s = estado de relaxamento = (Alfa)

 

     Em estado alfa, temos um maior domínio da mente sobre o corpo, atribuindo um poder curativo para todo o organismo, absorvendo toda a energia do pensamento positivo. O estado alfa é conseguido durante o relaxamento profundo e consciente.

   

    O relaxamento tem a finalidade de restaurar as energias físicas e mentais, além de melhorar os níveis de atenção e concentração, já que o indivíduo relaxado pode produzir melhor, raciocinar melhor e controlar o distress e ansiedade. 

 

 

        TÉCNICAS DE RELAXAMENTO

 

      Descrever todas as técnicas de relaxamento seria escrever um livro sobre este tema, abrangendo desde as práticas orientais (yoga, taichi chuen, reike, ayurvédica, shiatsu, do-in, dentre outras), até as técnicas recentes e atuais. Cabe apenas relatar as principais técnicas, deixando o leitor ciente da existência e da importância das principais. 

     As técnicas de relaxamento constituem um conjunto de procedimentos úteis na intervenção na saúde humana, utilizada, principalmente, na área da saúde e secundariamente em outras áreas. Podemos citar a técnica do relaxamento Yogue, denominada de Yoganidra, que em 1929 e 1932, passa a ser reconhecida, pesquisada e denominada então pelo Relaxamento Progressivo de Jacobson e pelo Relaxamento Autógeno de Schultz respectivamente, inserido então na área da psicologia. A partir da década de 60 e 70, outras técnicas de relaxamento são originadas, como o Biofeedback ou Retro-alimentação, que utiliza recursos tecnológicos em sua aplicação, em que seu custo não é baixo. A Cromoterapia, a Musicoterapia, o Reik, a medicina Yogue denominada Ayurvédica, as técnicas respiratórias do Yoga, a Hipnose e o Relaxamento Cinético, também são técnicas de relaxamento, que podem atuar sozinhas e/ou em conjunto com outras técnicas. Conforme Miranda & Godeli (2003), a música exerce um papel influenciador no bem-estar dos idosos, através de suas pesquisas, pode verificar os benefícios da música como um instrumento a mais na promoção do bem-estar e do relaxamento em idosos.

      Segundo Veras & Vila (2004), com os avanços da ciência, neste caso, da anatomia e da eletrofisiologia dos sistemas neuromuscular e neurovegetativo ao longo dos séculos XVIII e XIX, com o descobrimento da função elétrica das contrações musculares e das funções antagônicas dos ramos simpáticos e parassimpáticos do sistema nervoso autônomo, foram importantes e decisivos no desenvolvimento das novas técnicas psicofisiológicas de relaxamento já hoje consolidadas.

       Apesar da tendência natural de definir o relaxamento exclusivamente ora pelo aspecto físico ora pelo aspecto psicológico, na verdade o relaxamento constitui um processo psicofísico, interagindo psicologicamente e fisiologicamente, onde ambos interagem simultaneamente como causa e produto, ação e reação; que podem ser verificadas em todas as técnicas de relaxamento.

      Tantas técnicas existem, qual é a melhor? Qual deve ser utilizada para o idoso? Qual é a mais adequada? Durante quanto tempo? Qual o tempo da sessão e a freqüência semanal ?. Várias dúvidas existem, porém, todas as técnicas têm o mesmo objetivo, umas são mais onerosas do que as outras, umas podem ser condicionantes, ou seja, proporcionam um condicionamento no relaxamento, onde o indivíduo só consegue relaxar naquele ambiente proposto em determinadas técnicas, por exemplo, a utilização de um ambiente silencioso, com iluminação e músicas apropriadas, isto torna o indivíduo dependente desse ambiente para relaxar, porém os resultados são excelentes; já outros tipos de relaxamento não são condicionantes, a pessoa aprende a relaxar em qualquer ambiente e em qualquer posição corporal, posso citar a capacidade de um indivíduo relaxar em uma fila na posição ortostática, que através de técnicas de concentração e de exercícios respiratórias yogues, tem a capacidade de relaxar neste ambiente. Em relação ao tempo e a freqü6encia semanal, não há estudos sobre isso, mas sabe-se que podem ser realizados todos os dias e a qualquer momento, desde que saiba utilizar as técnicas corretamente, por exemplo, relaxar não é dormir, e sim  se manter acordado e consciente em todas as etapas do relaxamento, absorvendo cada vez mais os seus efeitos.

       Donner (2001), pesquisador sobre o treinamento do relaxamento profundo com o biofeedback, descreve que o treinamento é composto por várias modalidades de biofeedback:  O biofeedback de tensão muscular tem como característica a eletromiografia de superfície (EMGs), que mensura a atividade elétrica dos músculos através de sensores colocados sobre a pele, no local onde se pretende medir a atividade muscular, também é utilizado para  o treinamento do relaxamento muscular geral decorrentes de várias causas de tensões. O biofeedback Termal, que mensura o fluxo sanguíneo ao nível da pele, através da temperatura dos dedos das mãos, quando o indivíduo encontra-se tenso, estressado, ocorre uma vasoconstrição, logo o fluxo sanguíneo e temperatura diminuem, e quando relaxado, o fluxo sanguíneo aumenta e a temperatura também, sendo assim, o Biofeedback de temperatura dos dedos é uma ferramenta útil no treino do relaxamento, já o Biofeedback de reação eletrodérmica, mensura a condutividade da pele nos dedos e nas palmas das mãos, sendo muito sensível às emoções, também é utilizado no tratamento de fobias, transtorno de pânico e para o treinamento do relaxamento; por fim, temos o Biofeedback de onda cerebral ou neuro-feedback, que monitora as ondas cerebrais, contribuindo em vários tratamentos psicológicos e também no treinamento do relaxamento. O Biofeedback é um método não abrangente às classes sociais de média e baixa renda, como também não existe este aparelho em qualquer e todo lugar, logo recomendo a utilização de métodos mais simples e eficazes de relaxamento, como o relaxamento conduzido e progressivo, de algumas atividades alternativas já descritas.     

    

        RELAXAMENTO NA TERCEIRA IDADE

 

     Conforme Hermógenes (1996), a eutonia, estado de saúde, proporciona inúmeros benefícios, que se torna difícil inventariar todos eles, pois podem ultrapassar os previstos, Recuperando do cansaço físico, controlando e corrigindo os variados transtornos funcionais decorrentes do estresse, aumentando a imunidade, enfim, enriquecendo a vida holisticamente.

     Os hábitos de vida higeogênicos devem ser apreciados e realizados sempre, ou seja, com outras palavras, os hábitos de vida, geradores de saúde e bem-estar, devem estar inseridos à todos os indivíduos, para que cheguem à terceira idade, com qualidade e saúde, de uma forma holística e não compartilhada e segmentada.  A prática do relaxamento tem que ser aplicada de acordo com  a vastidão de cada Ser, abrangendo integralmente o Ser como uma única unidade, isto pode ser compreendido devido ainda se ter uma visão materialista e mecanicista das conseqüências do relaxamento, que sua manifestação só ocorre na enfermiça muscular e na rigidez psicológica, deixando de lado a compreensão holística do Ser, principalmente aos idosos, que trazem ao longo de suas vidas, uma sobre-carga psicológica, que podem ser negativas e etiológicas nos desequilíbrios psico-energéticos, que refletem no físico-orgânico.    

    

 

2.3.1. Emoções Negativas (distresse, ansiedade e depressão) e Relaxamento 

 

2.3.1.1. Distresse

 

      Conforme Brandão (2001), as emoções têm sido objeto de várias teorias que vêm sendo formuladas desde o fim do século passado. A teoria de James-Lange, estudada no final do século passado, pelo psicólogo Willians James e Carl Lange propuseram uma teoria relacionando eventos fisiológicos a estados emocionais, segundo os pesquisadores, as emoções consistem na percepção das alterações fisiológicas desencadeadas pelo estímulo emocional. Já em 1928, Walter Cannon e Philip Bard discordaram da teoria de James-Lange, baseando-se nos animais que apresentavam lesões da medula cervical e vagotomizados, bem como simpatecotomizados, ainda manifestavam reações emocionais, além disto, segundo seus estudos, as alterações fisiológicas são semelhantes, independentemente do tipo de emoção que o indivíduo experimenta, seja raiva, medo ou agressividade, sendo assim, estes pesquisadores postulam a Teoria Talâmica das Emoções, na qual as emoções seriam coordenadas no Tálamo e se manifestariam através do hipotálamo. A Teoria de Ativação de Lundsey procura explicar as reações emocionais através de uma ativação cortical seletiva, esta teoria apresentou uma falha, pois conferiu um papel exagerado ao SARA (sistema ativador reticular ascendente) como regulador do comportamento emocional, hoje já se sabe que estruturas como o hipotálamo, contem seus próprios sistemas de ativação. A interpretação cognitiva ou as representações manifestadas no cérebro determinam, o nosso estado emocional. Teoria Cognitiva-Fisiológica, de James e Cannon, que demonstraram que o contexto físico e social em que vive o indivíduo influencia os variados estados emocionais, pois a reação emocional tem uma relação direta com a cognição de cada pessoa. Conforme a Teoria de Adaptação proposta por  H. Selye, ocorre uma adaptação orgânica quando este sofre estímulos prolongados, após uma fase inicial denominada  “reação de alarme” ocorre uma segunda fase, denominada  “fase de resistência” ; nesta fase, o processo conduzido pela medula adrenal passa para o córtex adrenal e para a pituitária anterior com a liberação de glicorticóides, hormônios que favorecem o metabolismo glicídico e que apresentam propriedades anti-inflamatórias. Em suas pesquisas, o Dr. Selye notou que os animais mantidos por estresse contínuo apresentaram as glândulas supra-renais bastantes desenvolvidas, causando uma secreção excessiva, o que pode causar doenças como hipertensão e distúrbios cardíacos, dentre outras; se o estresse continua, a fase de resistência é substituída pela fase de “exaustão” , ocorrendo a redução das secreções corticais da supra-renal, causando e agravando várias doenças.

 

          Stress é a combinação de sensações físicas, mentais e emocionais que resultam de variados estímulos de preocupações, medos, ansiedades, pressões psicológicas e fadiga física e/ou mental, que irão exigir uma adaptação e/ou produção de tensão.

     Conforme Rangé (2001), desde o século XVII, o termo stress foi utilizado para descrever os fenômenos de tensão-angústia e desconforto tão característicos atualmente. Já no século XIX, em 1910, o médico inglês Sir Willian Osler, com suas pesquisas observou que o excesso de trabalho e de preocupações, estavam relacionados a doenças coronarianas; igualando então o termo stress (eventos estressantes) com "trabalho excessivo" e o termo strain (as reações orgânicas ao estresse)  com "preocupação".

    Ainda Rangé (2001), em 1936, o Dr. Selye sugeriu o uso da palavra stress para definir a síndrome produzida por vários agentes aversivos. Logo a palavra stress  entrou para a literatura médica.

     Desde então, várias pesquisas e estudos têm sido realizados para se detectar, prevenir, reduzir e controlar as causas e efeitos do stress sobre a saúde física, mental e psicológica do homem.

      Conforme Battisson (1998), stress é um termo muito usado para descrever os sintomas produzidos pelo organismo, em resposta à tensão crescente.Um certo nível de stress é normal para ajudar o indivíduo a enfrentar os desafios da vida; porém níveis elevados de stress causam inúmeras reações desagradáveis ao homem. Os sintomas do  stress variam de pessoa para pessoa. Os sinais e sintomas são mais evidentes em alguns, que podem ter reações excessivas de ganho ou perda  de massa corporal, ter padrões de sono irregular, desenvolver problemas respiratórios, domínio da angustia mental causando depressão e introversão. Passam a negligenciar a família, não rendem no trabalho e/ou tem oscilações de humor e comportamento.

      Existem dois tipos de stress: o bom (positivo) e o ruim (negativo). O stress bom parece motivar e inspirar, ajudando o indivíduo a tomar decisões rápidas; o estresse ruim pode ser agudo (muito intenso, mas que desaparece rapidamente) ou crônico (não tão intenso, mas que perdura por períodos de tempo prolongados) (NIEMMAN, 1999).

     O impacto do estresse sobre o aspecto psicofisiológico do homem  é de extrema importância para a redução da saúde e da qualidade de vida. Através de uma sociedade excessivamente competitiva, com um desequilíbrio sócio-econômico crescente e uma violência urbana incontrolada  (principais variáveis sociais geradoras do stress), é que a humanidade vai sofrendo alterações não benéficas em seus padrões comportamentais, afetivos, sociais e físicos. Procurando então se adaptar através de recursos amenizadores, profiláticos e controladores do stress;  melhorando a qualidade de vida e superando as causas e efeitos do stress negativo.

 

        As causas originárias do estresse e da ansiedade são inúmeras, podendo algumas ser mais relevantes ou não, dependendo da forma  em que o indivíduo reage aos fatores estressores, apesar da matriz emocional ser biológica, a emoção é biográfica, ou seja, cada pessoa tem a sua,diferente das outras. Com isto, cada um reage de forma menos ou mais intensa que a outra. A idiossincracia é uma variável de peso nas reações dos agentes estressores.

     Conforme Rangé (2001), agente estressor  é qualquer situação geradora de um estado emocional forte, que provoca a quebra da homeostase interna exigindo alguma adaptação. Podendo o agente estressor ser negativo ou positivo.

 

> estressores externos (exógenos): são eventos ou condições externas que afetam o organismo. Eles independem, muitas vezes, das características ou do comportamento da pessoa.

> estressores internos (endógenos):  são determinados pelo próprio indivíduo. Eles se caracterizam pelo modo de ser da pessoa, se ela é ansiosa, tímida, depressiva ou neurótica. Podemos exemplificar como estressores internos as crenças irracionais (Ellis,1973), Padrão Tipo A de comportamento (Hilton e Rottheiler,1991), falta de assertividade e dificuldades de expressar sentimentos.    

 

> estressores biogênicos: não dependem da interpretação e atuam no desenvolvimento do stress automático, porque estão relacionados à sobrevivência humana. Como por exemplo: a fome, a sede intensa, o calor e frio.

 

     A idiossincracia também é uma variável que está relacionada com a semiologia do stress.Onde  cada indivíduo tem tipos de reações diferentes, atenuantes ou não, aos sintomas  e doenças causadas pelos estressores.

     Os sintomas do stress são variados e diferem de acordo com as fases que se encontram. Dr. Selye descobriu que se o estressor for mantido por um grande período de tempo, o corpo passará por três fases (Niemman,1999):

 

>  fase de alarme  (grande intensidade com pouca duração),

> fase de resistência (as funções orgânicas devem retornar ao normal à medida que o corpo se ajusta),

> fase da exaustão (pouca intensidade e longa duração, doenças perniciosas se instalam, podendo levar à morte),

 

     Através da Padronização do Inventário de Sintomas do Stress para Adultos (Lipp, 2000), uma quarta fase foi identificada tanto clínica como estatisticamente. A fase  denomina-se de  quase-exaustão. Caracteriza-se por um enfraquecimento do indivíduo, que não mais está conseguindo adaptar-se ou resistir ao stress. As doenças começam a surgir, porém ainda não são tão graves quanto na fase da exaustão.

 

2.3.1.2. Ansiedade

 

      Conforme Curiacos (2003), a ansiedade em geral é desencadeada por aborrecimentos, sofrimentos e/ou perdas. Outras vezes há preocupação com a parte financeira, saúde e  segurança. A falta de adaptação à aposentadoria é um fator de desequilíbrio emocional no idoso, que pode ser acentuada com a redução financeira. Na ansiedade há uma tendência a não se preocupar consigo mesmo, surgindo o desleixo, a falta de preocupação com a aparência. Há em geral preocupação fixa com um determinado assunto, em detrimento de tudo em volta. O pensamento fica difícil, há dificuldade de concentração, insônia e impaciência. 
O comportamento fica modificado e com características ligadas a personalidade de cada um, isto é, podendo ocorrer manifestações agressivas e depressivas, que podem, às vezes, ocorrer atitudes que se confundem com a demência do idoso.

       Corroborando, Guimarães (2001), descreve que a ansiedade é uma resposta reconhecida pelos sintomas e difícil de conceituar, devido a sua complexidade e variação. As respostas da ansiedade ocorrem em situações estressantes, ameaçadoras ou potencialmente perigosas, ou seja, a ansiedade é uma resposta de proteção,que aciona o sistema nervoso autônomo simpático, liberando as catecolaminas, que, conseqüentemente, promovem diversas alterações fisiológicas, como aumento da  freqüência cardíaca, da taxa respiratória, a vasoconstrição, dentre outras conseqüências. Quando a ansiedade se potencializa e/ou permanece por um longo período de tempo, certamente o indivíduo sofrerá muito, pelo aspecto psicofisiológico.

        As técnicas de relaxamento são coadjuvantes na redução e controle da ansiedade, que induzem na atuação do sistema nervoso parassimpático, levando todo o organismo a um estado de conforto e bem-estar. (TAYLOR, 1995)   

 

2.3.1.3. Depressão

 

Reportagem : Depressão também é causa de preocupação na 3ª idade

                        Publicado no Jornal A Tribuna de Santos - 01/05/2003

 

“Conhecida como o mal da alma, a depressão é também uma das principais causas de transtornos mentais entre os idosos. Apesar de ser um sintoma comum a todas as fases da vida, na terceira idade o reconhecimento da doença é prejudicado devido ao preconceito e a dificuldade de obtenção de tratamento adequado. "A depressão nos idosos, por exemplo, vem normalmente acompanhada de outros problemas físicos, o que acaba mascarando a doença. Além disso, muitos familiares tendem a encarar a depressão como um fato normal nesta faixa etária", explica a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari.

Um dos aspectos mais preocupantes dessa situação é que a ausência de tratamento pode levar esses indivíduos à morte; seja por meio do suicídio ou pelo surgirmento de doenças infecciosas, ataques cardíacos e derrames.

 As limitações físicas, ou seja, a redução da autonomia funcional, a  dificuldade de elaborar novos projetos de vida, a falta de atividades que preencham o tempo disponível com a vinda da aposentadoria, são alguns dos fatores que podem ocasionar a depressão na terceira idade. Contudo, os episódios que podem contribuir para o surgimento dos casos graves da doença estão relacionados, sobretudo, à morte de parentes e de amigos. Esse tipo de situação leva as pessoas a constatarem que a sua morte pode estar próxima. Diante disso, algumas delas começam a aproveitar melhor o tempo que lhes resta. Outras se deixam abater, e não conseguem formatar novas perspectivas de vida, explica a psicóloga Márcia Brandão, especializada em saúde pública”.

 

     As causas são desconhecidas, mas a combinação de fatores genéticos, psicológicos e ambientais, que geralmente estão presentes no desenvolvimento da depressão. Os principais sintomas são a angústia, a tristeza, o desânimo e a apatia, podendo ainda surgir o sentimento de culpa e a percepção de que está decepcionando seus familiares e amigos, tornando-se mais irritados e ansiosos. O aumento do distresse, o abandono social e afetivo, a redução das capacidades físicas e funcionais, a falta de recursos financeiros, a saúde debilitada e a não aceitação de envelhecer são fatores geralmente encontrados na avaliação do processo indutor da depressão,      podendo a depressão ser passageira ou crônica, simples ou grave, e podendo levar o idoso à morte.  Os benefícios do Yoga  sobre a saúde mental do idoso podem ser significantes ou não, dependendo dos fatores intervenientes externos no cotidiano do idoso e da sua idiossincrasia. Entretanto, é observada a melhora da auto-estima, do humor, da segurança e confiança em si próprio, da afetividade e da estabilidade emocional, e a redução da ansiedade, da agressividade, das tensões emocionais e musculares, dos medos e da depressão, sendo esta a longo prazo.

      Estudos realizados por Ballone et. al. (2002), descreve o Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, que é um fenômeno marcante e desagradável na trajetória depressiva, trata-se de um sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra, fraqueza e fragilidade, comum em indivíduos idosos. Dependendo do grau da depressão, o Sofrimento Moral aparece em graus variados, desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos.

 Já a Inibição global do organismo é um dos sintomas básicos da Depressão, que se manifesta como uma espécie de freio ou lentificação dos processos físicos, fisiológicos e psíquicos. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas, ou seja, reduz a aus autonomia funcional e independência.

Os campos da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, advindo daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual

     Já o Estreitamento Vivencial, é a expressão mais adequada para representar a perda progressiva do indivíduo deprimid em sentir prazer. A palavra para designar o ponto culminante desse fenômeno de perda do prazer é Anedonia, ou seja, é a incapacidade em sentir prazer por todas as coisas. No Estreitamento Vivencial o universo de interesses e de prazeres pelas coisas da vida vai sendo cada vez menor e mais restrito. Enquanto a Inibição Global pode ser entendida como um aspecto exterior do relacionamento do indivíduo com o mundo, como uma espécie de prejuízo em sua performance, em seu rendimento pessoal e de relacionamento com o mundo, o Estreitamento Vivencial, por sua vez, denota uma alteração mais interior, um prejuízo nas impressões que o mundo e a vida causam no sujeito. 

 Pesquisa realizada por  Xavier et al. (2001), sobre o impacto da Depressão em Idosos, relata que a perturbação do sono, mais comumente associada com um Episódio Depressivo é a insônia, tipicamente intermediária, ou seja, com despertar durante a noite e dificuldade para voltar a dormir. Menos freqüente é a insônia terminal, isto é, despertar muito cedo, com incapacidade de conciliar o sono novamente. A insônia inicial, isto é, a dificuldade para adormecer, embora menos freqüente, também pode ocorrer. Além disso, alguns idosos apresentam, curiosamente, uma sonolência excessiva (hipersonia), na forma de episódios prolongados de sono noturno ou de sono durante o dia, fato observado principalmente em idosos inativos e/ou sedentários.

      Através das técnicas de relaxamento, que interagem positivamente sobre os aspectos psicoenergéticos e psicoespirituais, beneficiando o equilíbrio emocional e a capacidade de concentração que, segundo Battison (1998), são eficazes na melhora dos hábitos comportamentais relacionados com o estresse, ansiedade e até mesmo na depressão  proveniente de um perfil emocional desarmônico.

 

 

 

2.4. SUPORTES NO RELAXAMENTO

 

2.4.1.  A respiração no relaxamento

 

     Segundo Hermógenes (1988), a ciência ocidental considera a respiração somente fenômeno fisiológico, mercê do qual o organismo utiliza o oxigênio do ar a fim de efetuar as transformações químicas necessárias para que o sangue possa distribuir a todas as células. Parar de respirar é o mesmo que morrer. 

     Para o Yoga, a respiração, no entanto, é muito mais do que um fato fisiológico, também é psicológico e prânico. Em virtude de fazer parte dos três planos (fisiológico, psíquico e prânico) a respiração é um dos atos mais importantes de nossas vidas. Ela é o único processo fisiológico duplamente voluntário e involuntário. Se quisermos, podemos acelerar, retardar, parar e recomeçar o ritmo respiratório. É ainda possível fazê-la superficial ou profunda. No entanto, quase todo tempo, dela nos esquecemos inteiramente, deixando-a por conta do vegetativo.

     Para melhor evidenciar a natureza psíquica da respiração, basta considerar as alterações rítmicas funcionais que concomitantemente ocorrem com as alterações psíquicas. Na inquietude mental e emocional observa-se a respiração acelerada. Torna-se mais lenta nos estados em que nos encontramos física, mental e emocionalmente tranqüilos. Se nos envolvermos  num conflito entre duas tendências ou desejos antagônicos, a respiração se faz irregular e arrítmica. Se, no entanto, nos encontrarmos integrados, livres de contradições psíquicas, respiramos compassadamente.

     Reciprocamente, quando, pelos exercícios respiratórios, voluntariamente controlamos a respiração, tornando-a lenta, induzimos a tranqüilidade emocional e mental. Ritmando-a, estabelecemos a paz entre a mente, a vontade e os impulsos antes contraditórios e opostos.  

      Conforme Dantas (2001), O tipo de respiração que o Yoga preconiza para o aumento da flexibilidade é a que utiliza toda a área pulmonar, empregando a musculatura abdominal e toráxica como coadjuvante, ao invés de aproveitar apenas o diafragma, como faz o homem adulto ocidental. A expiração e a inspiração são feitas pelas narinas, sendo que a expiração dura o dobro do tempo da inspiração, o que facilita, segundo os mestres de Yoga, a absorção do prana que significa a energia vital do ar. A respiração deve ser  lenta e profunda.

 

         Hermóges (1988), relata que "Sua respiração deve ser lenta, rítmica e controlada. Se você estiver se curvando para frente num determinado alongamento, expire conforme for curvando-se, e, a seguir, inspire devagar enquanto estiver sustentando o movimento. Não segure a respiração enquanto estiver alongando. Se uma determinada posição inibir seu padrão harmônico de respiração, então é óbvio que você não está relaxado. Portanto solte-se um pouco dentro da postura de modo que possa respirar com naturalidade". 

 

          Conforme Tribastone (2001), segundo a cultura oriental, pelo controle da respiração, o homem não só alcança um maior domínio sobre o corpo   e sobre as emoções, como tem condições de controlar a energia vital, o prana ou bioenegia ou orgônio utilizável por qualquer parte do corpo no momento em que este o solicita. Para a cultura ocidental, mediante a respiração se alcança e se mantém o equilíbrio psicofísico. Foi demonstrado que entre a vida psico-afetiva existe uma estreita correlação, tanto que certas manifestações asmáticas foram atribuídas à insegurança emotiva e ao medo de abandono. De fato, a respiração oral e superficial, sintoma de ansiedade, é um fenômeno controlável nos momentos de instabilidade psicomotora. 

 

2.4.2. Consciência durante o relaxamento profundo

 

     Chama-se de relaxamento o estado oposto à tensão; ou seja, a ausência de todas as contrações. Estando os músculos relaxados, os órgãos descontraídos, a mente em paz, serena e livre de perturbações. O indivíduo deve permanecer consciente durante todo o processo de relaxamento, para que possa melhor assimilar os seus efeitos, mantendo-se totalmente  imóvel, com a respiração suave, o corpo totalmente relaxado e a mente também. Com isso, o praticante deve reformular seus pensamentos, direcionado-os para o seu bem-estar, ou seja, formando pensamentos positivos. Com a mente no estado alfa, o pensamento torna-se mais forte e capaz de realizá-los conforme sua realidade. A cada pensamento gera-se uma emoção, fazendo com que tenha atitudes compatíveis com esta emoção; logo a energia se cristalizará, tornando real o seu propósito, o seu objetivo, sendo benéfico ou não, de acordo com seu pensamento. Por isso é que durante o relaxamento é o momento mais propício para mentalizar pensamentos positivos para o seu crescimento, bem-estar e sucesso, ou seja, em todo processo evolutivo do indivíduo.

     Segundo Hermógenes (1988), a prática conjugada dos outros elementos essenciais do Yoga, facilitará sensivelmente a conquista do objetivo. Na realização dos ásanas,com os exercícios respiratórios e uma  atitude mental disciplinadora das emoções; se conjugam para facilitar o estado de relaxamento.

      Alguns efeitos psicosomáticos comprovados cientificamente, Dantas     (2001):

-desbloqueio psicológico em alfa consciente refaz o fluxo energético no eixo pituitária-gônadas, fundamental para o alcance do orgasmo;

-redução acentuada do consumo de oxigênio, isto é, a queda do metabolismo basal.

-o eletrocardiograma registra acentuada redução do ritmo cardíaco bem maior  do que no estado de sono profundo;

-redução do ritmo respiratório;

-diminuição significativa na concentração de lactato arterial, reduzindo a ansiedade;

-aumento da memória em 12% e ampliação da percepção em até 40%;

-aumento de até 300% no fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos, podendo ser este o responsável pela diminuição do nível de lactato sanguíneo;

-ajuda a eliminar o excesso de adrenalina produzida e restabelece a homeostase interna do organismo.

-a pesquisa científica mostra as ondas cerebrais (medidas em ciclos por segundo) que são impulsos elétricos nervosos do cérebro.

* beta   >  acima de 14 Hz   >  estado de vigília

* alfa    >  de  7  a   14 Hz   >  estado meditativo/ relaxamento

* teta    >  de  4   a    7 Hz   >  transe profundo/ anestesia cirúrgica

* delta  >  abaixo  de 4 Hz    > estado de inconsciência

 

   

     Conforme Tribastone (2001), o relaxamento voluntário é um momento importante no âmbito das atividades motoras em geral e da motricidade terapêutica em particular, seja pela regulação da função da tonicidade, seja pela estruturação do esquema corporal. Foi verificado que os desequilíbrios da função da tonicidade são acompanhados por desequilíbrios de ordem psicomotora e vice-versa. Além disso, existe uma relação entre a função de tonicidade e a vida afetiva-emocional, entre o grau de tensão muscular e experiência emocional. J. Dropsy diz que "se o espírito se inquieta, o corpo se contrai e, se o corpo é contraído, o espírito se inquieta".

     Segundo Le Boulch, o tônus muscular é resultante de uma atividade complexa e sobreposta dos diversos centros em todos os níveis do sistema nervoso, de modo que, tanto a atividade voluntária quanto os fatores psíco-emocionais e afetivos, têm um papel fundamental na regulação do tônus muscular. Em contrapartida, foi observado que o estado de tonicidade influencia tanto a atividade psíquica como a participação emocional e afetiva. Com relação ao que foi descrito, o relaxamento vem a ter não só a função educativa, mas terapêutica, uma vez que pode melhorar o equilíbrio emocional.

 

 

 

 

 

2.4.3.  A concentração

 

     A meditação é a fase evolutiva do treinamento mental, passando primeiro pelo estágio de pratyahara (abstração dos cinco sentidos), e depois com o aperfeiçoamento do dhárana (concentração), que é a continuação direta do processo de inibição sensorial.

     Conforme Feuerstein (1998), concentração é a contenção da mente em um estado de imobilidade, é o direcionamento da atenção para um determinado suporte, podendo ser uma parte específica do corpo ou um objeto ou som externo. A meditação é um método pelo qual o agente se concentra cada vez mais em menos suportes. O objetivo é o de "esvaziar" a mente sem perder, paradoxalmente, o estado de alerta. A atenção pode ser ancorada pela visão, audição e o tato.

     Os efeitos psico-energéticos e psico-espirituais são de relevantes benefícios ao equilíbrio psicossomático de seu praticante. Possuindo efeitos semelhantes e mais profundos do que o relaxamento (yoganidra). Seus benefícios vão desde a redução do stress ao aumento da capacidade mental. Nota-se que a capacidade de concentração melhora os hábitos comportamentais relacionados com o stress, distúrbios alimentares, hipertensão arterial e hiperatividade mental,  Battison (1998).

 

2.4.4. A musicalidade e o ambiente físico

 

      A música exerce influências sobre o relaxamento, que pode ser benéfica ou não, depende da música, será que toda música suave e lenta produz efeitos positivos sobre o indivíduo durante o relaxamento ? Steven Halpern, pesquisador sobre o assunto, relaciona as notas musicais com as cores, ou seja, cada nota musical corresponde a uma cor, existem sete notas e sete cores, cada qual emite uma freqüência, e suas combinações, uma determinada freqüência, que pode influenciar nas emoções, refletindo em todo o organismo. Nem toda música new age favorece o relaxamento, pelo contrário, pode excitar ou até mesmo contribuir na melancolia, agravando o estado depressivo do sujeito que esta relaxando. As músicas indicadas são aquelas produzidas por especialistas no assunto, que seguem os modelos dos mantras indianos direcionados para o relaxamento e a meditação, que através da musicalidade cíclica, com repetições e combinações das notas musicais, contribuem positivamente no relaxamento psicofísico.  

     Podemos ensinar e treinar as técnicas de relaxamento em dois ambientes, um propício para a prática e o outro de acordo com o cotidiano.  O ambiente físico adequado, ou seja, um ambiente silencioso, com uma temperatura agradável e uma iluminação leve e direcionada para o relax, cria um ambiente favorável para o relaxamento, porém é um ambiente condicionante, onde a pessoa fica condicionada a relaxar apenas neste ambiente, já o ambiente que podemos denominar de um ambiente cotidiano, é aquele que utiliza uma iluminação normal, sem utilizar as cores propicias ao relaxamento, uma ambiente sem ser silencioso, os barulhos esternos fazem parte do ambiente, às vezes não utiliza a música como ferramenta carreadora no processo de relaxamento, este ambiente não é condicionante, o indivíduo aprende a relaxar em qualquer lugar sem ficar condicionado a um ambiente destinado ao relaxamento.  Logo, sabe-se que o ambiente condicionante favorece muito mais no relaxamento, principalmente para as pessoas que têm dificuldade de relaxar, pois o ambiente adequado promove melhor os efeitos do relaxamento, já o ambiente não condicionante, faz com que o indivíduo tenha mais dificuldade de relaxar, que na maioria das vezes afugenta o indivíduo da prática, porém aprende a relaxar em qualquer ambiente.  

       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.5. AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE ANSIEDADE E RELAXAMENTO EM IDOSOS

 

     Uma avaliação simples e fidedigna para avaliar os níveis de relaxamento do idoso, é o Teste de Ansiedade-Traço e Ansiedade-Estado (Spilberger, 1979), que tem como objetivo verificar os níveis de ansiedade, que tem uma relação direta com os níveis de relaxamento e de tensão do indivíduo, pois um indivíduo tenso, conseqüentemente será um indivíduo ansioso.  O Idate é um questionário de auto-avaliação dividido em duas partes: uma avalia a ansiedade-traço e a segunda avalia a ansiedade-estado. Cada uma é composta por 20 afirmações. Ao responder o questionário, o indivíduo deve levar em consideração uma escala de quatro i que variam de 1 a 4, sendo que ESTADO significa como o sujeito se sente no momento e TRAÇO como geralmente ele se sente (basal). O escore de cada parte varia de 20 a 80 pontos, sendo que, os escores podem indicar um baixo grau de ansiedade (0-30), um grau mediano (31-49) e um grau elevado de ansiedade (= > 50).

 

QUESTIONÁRIO DE AUTO-AVALIAÇÃO  IDATE

 

 

 

 

INSTRUÇÕES

 

Nas páginas seguintes há dois Questionários para você responder.

            Trata-se de algumas afirmações que têm sido usadas para descrever sentimentos pessoais.

            Não há respostas certas ou erradas.

            Leia com atenção cada uma das perguntas da Parte I  e assinale com um circulo um dos números  (1, 2, 3, ou  4), à direita de cada pergunta, de acordo com a Instrução do auto da página.

            Quando terminar, passe para a Parte II e proceda do mesmo modo, depois de ler o cabeçalho.

 

 

PARTE   I

Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do  número á direita da afirmação que melhor indicar como você, se sente agora, nesse momento.

            Não  gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar  uma resposta que  mais se aproxime  de como você  se sente neste momento.

 

AVALIAÇÃO – ANSIEDADE ESTADO

 

   MUITÍSSIMO..............................4      UM POUCO........................................2

   BASTANTE................................3     ABSOLUTAMANTE............................1

 

 

1-Sinto-me calmo(a).............................................     1                 2          3          4

2-Sinto-me seguro(a)............................................     1                2          3          4

3-Estou tenso(a)...................................................     1                  2          3          4

4-Estou arrependido(a).........................................     1                2          3          4

5-Sinto-me à vontade............................................     1                2          3          4

6-Sinto-me perturbado(a)......................................     1               2          3          4

7-Estou preocupado(a) com possíveis infortúnios...  1                      2          3          4

8-Sinto-me descansado(a)....................................     1               2          3          4

9-Sinto-me ansioso(a)...........................................     1                     2    3          4

10-Sinto-me “em casa”..........................................     1                2          3          4

11-Sinto-me confiante...........................................     1               2          3          4

12-Sinto-me nervoso(a).........................................     1               2          3          4

13-Estou agitado(a)...............................................     1                2          3          4

14-Sinto-me uma pilha de nervos.........................      1                        2          3          4

15-Estou descontraído(a)......................................     1               2          3          4

16-Estou satisfeito(a).............................................     1                2          3          4

17-Estou preocupado(a)........................................     1               2          3          4

18-Sinto-me superexcitado(a) e confuso...............     1                       2          3          4

19- Sinto-me alegre...............................................     1                2          3          4

20- Sinto-me Bem.................................................     1                 2          3          4

  PARTE  II – ANSIEDADE TRAÇO

 

 

Leia cada pergunta e faça um círculo em redor do número à direita que melhor indicar como você geralmente se sente.

Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar a resposta que mais se aproximar de como você se sente geralmente.

 

 

AVALIAÇAO                                                                                                                      QUASE SEMPRE..................................4       ÁS VEZES...........................2 FREQÜENTEMENTE...........................3                   QUASE NUNCA.................1

 

 

 

1- Sinto-me bem........................................................                    1          2          3          4

2-Canso-me facilmente...............................................                1          2          3          4

3-Tenho vontade de chorar.........................................                1          2          3          4       Gostaria de poder ser tão feliz quantos os outros

parecem ser...............................................................                     1          2          3          4

5-Perco oportunidades porque não consigo tomar

decisões                     ...............................................                      1          2          3          4

rapidamente...........................................................            1          2          3          4

6-Sinto-me descansado(a).......................................                   1          2          3          4

7-Sou calmo(a), ponderado(a) e senhor(a) de mim

 mesmo.......................................................................                    1          2          3          4

8-Sinto que as dificuldades estão se acumulando de

tal forma   que não as consigo resolver.....................                1          2          3          4

9-Preocupo-me demais com coisas sem importância.                      1          2          3          4

10-Sou feliz.......................................................................             1          2          3          4

11-Deixo-me afetar muito pelas coisas......................               1          2          3          4

12-Não tenho muita confiança em mim mesmo(a)....                        1          2          3          4

13- Sinto-me seguro(a)...............................................                 1          2          3          4

14- Evito Ter  que enfrentar crises ou problemas.......             1          2          3          4

15-Sinto-me deprimido................................................                 1          2          3          4

16-Estou satisfeito(a)..................................................                  1          2          3          4

17-Ás vezes, idéias sem importância me entram na

cabeça e  ficam –me preocupando.............................               1          2          3          4

18-Levo os desapontamentos tão sério que não consigo

 tirá-los da cabeça......................................................                   1          2          3          4

19-Sou uma pessoa estável........................................                1          2          3          4

20- Fico tenso(a) e perturbado(a) quando penso em meus

      problemas do momento........................................                 1          2          3          4

 

 

Fonte: SPIELBERGER, C.; GORSUCH, R.; LUSHENE, R.: Inventário de ansiedade Traço-Estado, Manual de Psicologia Aplicada, Rio de Janeiro,1979.

 

 

 

 

 

 

 

 

2.6. CONCLUSÃO

 

      A necessidade de se manter descontraído e relaxado, faz parte dos parâmetros referenciais da Saúde e Qualidade de Vida do homem, principalmente dos indivíduos idosos, que naturalmente chegam a senescência com várias tensões e ansiedades somadas ao longo de suas vidas, que às vezes aumentam de proporção, influenciando diretamente em sua saúde, levando-os à morbidade e até à morte. Pensando-se em saúde e qualidade de vida, pelo parâmetro físico,  também é importante manter os níveis de relaxamento equilibrados, que podem ser treinados de variadas formas e metodologias, que possam ser mensuradas para avaliar e prescrever um programa de atividade física, terapêutica e/ou psicológica e não apenas desenvolver a força, a flexibilidade muscular e a resistência aeróbica, pois não só estas valências físicas compõem o marco referencial da saúde física do idoso, e sim por um referencial holístico, para que possa promover a melhora de sua independência e autonomia funcional.

      Certamente, as avaliações físicas, funcionais e psicológicas para os indivíduos senescentes de ambos os sexos requerem diferenciações de outras faixas etárias, pois os problemas deletérios naturais do envelhecimento exigem esta diferenciação, por isso que a avaliação física gerontológica carece de mais estudos e pesquisas, para que os profissionais da Saúde posam utilizar uma ferramenta coerente e fidedigna nas avaliações dos indivíduos idosos.          

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HERMÓGENES, J. , A Saúde na Terceira Idade, 27 edição, Rio de Janeiro: Nova Era, 1996

 

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XAVIER, F.M.F.; FERRAZ, M.; BERTOLLUCCI, P.; POYARES, D.; MORIGUCHI, E.: Episódio Depressivo Maior, Prevalência e Impacto sobre Qualidade de Vida, Sono e Cognição em Octogenários. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 23, n 2, São Paulo, 2001.

(Artigonal SC #892481)

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    Yoga

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    Por: Marcio Rodrigues Baptista l Esportes > Yoga l 29/04/2009 l Acessos: 1,185

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    Por: Andre Mafra l Esportes > Yoga l 25/11/2008 l Acessos: 454

    Dúvidas sobre o Yoga e definições relativas a sua prática são propostas deste texto, corroborando no aprendizado técnico e científico dos profissionais da área da saúde, visando a melhora técnica da prática do Yoga

    Por: Marcio Rodrigues Baptista l Esportes > Yoga l 29/04/2009 l Acessos: 615 l Comentário: 1

    Este artigo tem como proposta esclarecer as dúvidas sobre as técnicas empregadas nas práticas do Yoga na promoção do relaxamento psicofísico de seus praticantes, promovendo uma melhora da saúde e qualidade de vida.

    Por: Marcio Rodrigues Baptista l Esportes > Yoga l 29/04/2009 l Acessos: 1,185

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